sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Serifo Nhamadjo evoca restruturação das Forças Armadas
O Presidente de Transição defendeu o factor de reestruturação ao nível dos diferentes ramos das Forças Armada (FA) do país, tendo como horizonte principal a sua modernização e dando aos militares as condições de operacionalidade exigíveis na actual conjuntura.

Manuel Serifo Nhamadjo nomeou Sanha Clussé para o cargo de Chefe do Estado-maior  da Armada guineense.
Nos decretos tornados públicos a 29 de Novembro, Serifo Nhamadjo indicou também Carlos Alfredo Mandugal para exercer as funções de vice-Chefe do Estado-maior da Armada.

Com estas nomeações estão oficialmente preenchidas as vagas que estavam livres há cerca um ano, depois da tentativa de golpe de Estado, a 26 de Dezembro de 2011, cuja responsabilidade é atribuída ao antigo Chefe das FA, José Américo Bubo Na Tchuto.
Para o Estado-maior do Exército foi chamado o Coronel Biague Nantam que, até 2011, antes da sua passagem à reserva, desempenhava as funções de Comandante de Brigada de Operações da Direcção-geral das Alfândegas da Guiné-Bissau.
Parlamento procura estratégias para tornar a transição da Guiné o mais consensual possível


Rui Diã de Sousa
O Parlamento da Guiné-Bissau está a estudar estratégias que possam tornar o processo de transição no país o mais consensual possível, disse nesta quinta-feira à agência Lusa Rui Diã de Sousa, líder do grupo parlamentar do partido maioritário (PAIGC). 

Rui Diã de Sousa é o presidente de uma comissão criada na quinta-feira (29 Nov) pelo Parlamento guineense, com um mandato para, dentro de 30 dias, elaborar propostas práticas a partir das quais o processo de transição será assumido pelos deputados de todas as bancadas. 
Até aqui apenas dois partidos com representação parlamentar, Partido da Renovação Social (PRS) e Partido Republicano da Independência e Desenvolvimento (PRID), assinaram o Pacto de Transição, instrumento político rubricado por 26 partidos guineenses à luz do qual é orientado o processo de transição iniciado com o golpe de Estado de 12 de Abril passado.  
O principal partido do país, o PAIGC não assinou o Pacto de Transição.  O que se pretende, esclareceu Diã de Sousa, é fazer com que o processo de transição deixe de ser apenas um processo assumido por uns partidos e por outros não, que seja um processo inclusivo.  
   
"Ainda não temos nome. O que interessa acima de tudo é criar um espaço onde possamos debater as grandes questões do país, a nível do Parlamento. Não se trata de partido A ou B. O que se pretende é cumprir com o mandato do Parlamento, ajudar na normalização da vida institucional do país", afirmou o parlamentar, enfatizando tratar-se de encontrar caminhos para a viabilização do processo de transição. 
   
"Se vai ser através de um Pacto de Regime ou qualquer outro acordo terá de ser um caminho consensual decidido por todos. O Pacto de transição terá de vir para o Parlamento. É o nosso sonho, que o processo seja de todos, que não seja de iniciativa de A ou B, mas sim de todos nós deputados, para que seja um processo nacional", disse ainda o deputado. 
    
Rui Diã de Sousa está otimista em como a partir de agora o processo de transição na Guiné-Bissau "irá conhecer uma nova dinâmica", já que, por exemplo, permitirá que o parlamento tenha "um diálogo franco" com o Governo de transição o que neste momento não acontece. 
  
A comissão composta por 11 deputados de diferentes bancadas vai essencialmente analisar o Pacto de Transição (uma espécie de mini constituição) e o Acordo Político, instrumentos que regem o período de transição.  "Vamos analisar estes dois instrumentos, propor medidas que possam torná-los o mais abrangentes possível, mas também apresentar propostas a partir das quais iremos criar as condições para de uma vez por todas fazer com que o nosso país arranque", declarou Rui Diã de Sousa.
Lusa, 29/11/2012
Guineenses presos no Tarrafal homenageados em Bissau com lançamento de livros
Os últimos seis antigos prisioneiros guineenses no Tarrafal foram  homenageados esta sexta-feira (30 Nov.) em Bissau, e recordaram os 100 presos do país no campo de concentração de Cabo Verde nos anos 60, do século passado. 
De acordo com a  Agência Lusa, a cerimónia decorreu no Centro Cultural Português e juntou os seis antigos presos políticos ainda vivos. Dos 100, morreram dois no Tarrafal e os restantes regressaram a Cabo Verde. Hoje restam apenas os seis, que foram pela primeira vez homenageados publicamente.  
Constantino Lopes da Costa, antigo embaixador da Guiné-Bissau em Portugal (2006 a 2010), hoje com 74 anos, é um dos sobreviventes que então lembrou os tempos do "campo da morte lenta", como se chamava à prisão construída no tempo da ditadura em Portugal e destinada a presos políticos. 
O campo funcionou entre 1936 e 1954 para presos portugueses e depois, de 1962 a 1974, para presos das antigas colónias, especialmente guineenses e angolanos. 
 "Fui preso a 15 de Março de 1962 e posto em liberdade a 3 de Agosto de 1969", explicou Constantino Lopes da Costa, lembrando que passou por duas prisões na Guiné-Bissau antes de embarcar para o Tarrafal.  
"Tivemos de suportar tudo em nome dos interesses que tínhamos em libertar o nosso país do colonialismo", disse, acrescentando que os seis sobreviventes continuam com o mesmo espírito, o de "continuar a luta em prol do desenvolvimento do país".  
A homenagem aos antigos presos fez-se no âmbito da apresentação em Bissau dos livros "Tarrafal -  Chão Bom" (dois volumes) do escritor e jornalista cabo-verdiano José Vicente Lopes.  
"Vim saldar uma dívida que tinha para com os sobreviventes", disse José Vicente Lopes, oferecendo um exemplar do livro a cada um dos seis, eles mesmos entrevistados pelo jornalista para a obra, a primeira parte composta por depoimentos.  
"Não tivemos essa iniciativa de deixar uma memória, um relato do que passámos. Por isso antes de ler o livro considero-o de muita importância", respondeu o antigo embaixador em Lisboa.  
José Vicente Lopes apresentou também hoje em Bissau o seu último livro, "Aristides Pereira, Minha Vida Nossa História", sobre o primeiro Presidente de Cabo Verde, que morreu no ano passado.  
Embora nascido em Cabo Verde, Aristides Pereira viveu uma década na Guiné-Bissau, pelo que o livro é também a História deste país. 
Angola Press 30/11/2012 

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Presidentes de Cabo Verde e de Timor-Leste preocupados com situação na Guiné-Bissau
Os Presidentes de Cabo Verde e de Timor-Leste manifestaram hoje (quinta-feira) 29/11/12, em Díli, preocupação em relação à situação na Guiné-Bissau, para onde defendem uma solução definitiva e duradoura. 
A preocupação foi manifestada durante uma declaração conjunta à imprensa no final de um encontro entre os dois chefes de Estado, que marcou o início da visita de Estado do Presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, a Timor-Leste. 
"Manifestamos a nossa preocupação em relação à situação na Guiné-Bissau.
Cabo Verde e Timor-Leste continuam a trabalhar com a comunidade internacional e com a CPLP para encontrar uma solução definitiva e duradoura para a Guiné-Bissau", afirmou o Presidente timorense, Taur Matan Ruak. 
 A Guiné-Bissau está a ser administrada por um Governo de transição, apoiado pela CEDEAO, que pretende realizar eleições no país em Abril do próximo ano. 
A maior parte da comunidade internacional, incluindo a CPLP, não reconhece as novas autoridades de Bissau. Daí que, "A nossa posição é convergente no sentido de que tudo deve ser feito pela comunidade internacional, pelos amigos da Guiné-Bissau, para que este país finalmente encontre os caminhos da paz, da estabilidade, da concórdia sem os quais não é possível construir uma democracia, um Estado de Direito", disse o Presidente de Cabo Verde. 
Para Jorge Carlos Fonseca, todos devem trabalhar para uma solução "abrangente e inclusiva" para que todos os guineenses se sintam envolvidos no processo de reconstrução da sua própria pátria. 
O Presidente de Cabo Verde defendeu também que a União Africana, a CPLP e as Nações Unidas se deviam articular e juntar esforços para encontrarem soluções "mais adequadas" para o país. 
"Nós não queremos de maneira nenhuma estar a interferir nos assuntos dos outros, mas como membros da comunidade internacional e países amigos, estamos disponíveis para encontrar com os outros a melhor solução para a Guiné-Bissau", acrescentou. 
Lembra-se que no passado dia 16, o chefe de Estado de Timor-Leste recebeu em visita oficial o Presidente interino deposto da Guiné-Bissau, Raimundo Pereira, com quem também abordou a mesma situação sobre a Guiné-Bissau. 
Angop, 29/11/2012
Peritos discutem situação da mulher na Guiné Bissau

Políticos, pesquisadores e representantes da sociedade civil concluem, em Bissau, um plano de ação para melhorar a qualidade de vida das mulheres vítimas de violência

Políticos, pesquisadores e representantes da sociedade civil concluem nesta quarta-feira (27), em Bissau, um plano de ação para melhorar a qualidade de vida das mulheres vítimas de violência.
Com o evento de dois dias, que deve envolver 30 participantes, a Organização da ONU para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, pretende validar resultados de estudos sobre o movimento social e violência contra a mulher realizados na Guiné-Bisssau.
De acordo com a agência, duas pesquisas foram lançadas em 2011, no âmbito de um projeto que também envolveu a ONU Mulheres e o Conselho para o Desenvolvimento de Pesquisas da África Ocidental.
O trabalho, que teve o apoio de organizações da sociedade civil que atuam na questão deve servir de base para levar o projeto à Gâmbia e ao Senegal.
Os estudos de caso, realizados na Guiné-Bissau, devem conduzir à elaboração de um "documento político", a ser oficialmente transmitido às autoridades nacionais no final do encontro. O objetivo é contribuir para o fim da violência de género, através do reforço das capacidades e competências a nível nacional.
Segundo a Unesco, pretende-se "acelerar, monitorizar e orientar a mudança social, com vista a estabelecer uma igualdade real entre homens e mulheres". Ao mesmo tempo, o projeto prevê promover a liderança feminina nas áreas socioeconómica, política e cultural.
Rádio ONU
PM recebeu oito magistrados do ministerio 
público
O Primeiro-ministro de transição recebeu em audiência nas primeiras horas de esta quarta-feira, 28/11/12, oito magistrados no topo da carreira do ministério público.

O encontro entre Rui Duarte de Barros e os procuradores adjuntos, serviu para espalhar os problemas com que se depara este órgão por excelência e advogado de defesa do estado.

Cipriano na Guelin vice-procurador geral da republica, garantiu ao RISPITO no final da audiencia que o Primeiro-ministro deu garantia em tudo fazer para superar tanto sofrimento com que os magistrados se depara no seu dia-a-dia visando promover o setor judicial no seu todo.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

ONU alerta para necessidade de programa de protecção de testemunhas 
A Comunidade Internacional, e nomeadamente a ONU, está a apoiar a Guiné-Bissau no sentido de se criar um programa de proteção de testemunhas, para através dele se concluírem processos relativos a crimes ocorridos no país. 
De acordo com Antero Lopes, do gabinete das Nações Unidas em Bissau (UNIOGBIS), "se estiverem criadas as condições para que as testemunhas não tenham medo de exercer os seus direitos e deveres, a produção de prova far-se-á de acordo com o que está prescrito na lei e os processos poderão ser concluídos".
Antero Lopes falava nesta terça-feira em Bissau após o início do II Fórum Nacional sobre Justiça Criminal (o primeiro foi em Novembro do ano passado), organizado pelo UNIOGBIS e pelo Supremo Tribunal de Justiça, e que junta na capital guineense magistrados, investigadores, advogados e académicos. 
Para o responsável, o processo de justiça na Guiné-Bissau e o sentimento geral de que há total impunidade tem "uma lacuna evidente", que é a da "dificuldade na preservação dos meios de prova", pelo que um programa de proteção de testemunhas poderia ajudar na conclusão de processos em investigação. 
O sentimento de impunidade é generalizado na Guiné-Bissau, um país onde ciclicamente ocorrem crimes sem que os infractores sejam punidos. Nos últimos anos têm sido assassinadas figuras públicas, e outras espancadas, mas até hoje ninguém foi levado à justiça. 
Questionado sobre para que servem tantas reuniões e discussões sobre impunidade, se nada mudou até agora, o vice-presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Paulo Sanhá, disse aos jornalistas que os tribunais não podem fazer nada quando os processos estão em investigação. 
"Há uma cadeia de órgãos que intervêm para que a justiça seja feita, desde a Polícia ao Ministério Público. Os tribunais só recebem o processo acusado. Os processos que chegam ao tribunal na maioria já estão a ser julgados ou estão agendados", observou, acrescentando: "A impunidade não depende dos tribunais". 
Antero Lopes reconheceu que existe essa impunidade mas considerou que tem "havido passos" no sentido de a resolver. 
Hoje há uma participação mais activa "dos actores militares e penso que é um sinal positivo, de aproximação, de trabalhar em conjunto para ajudar a combater as questões que dão azo a uma perceção generalizada de impunidade", disse. 
"Há dificuldades no processo de justiça" mas reuniões como a de hoje servem para sensibilizar os "atores do sistema de justiça criminal, que estão de facto empenhados em fazer justiça", mas sensibilizar também "as estruturas políticas", disse, acrescentando: "O que eu vejo é congregação de esforços que não tínhamos, vejo abertura das estruturas militares em vir debater os problemas da impunidade com os colegas civis". 
Menos otimista, Francilino Nhaga, padre de Bissau, disse na reunião que vê na Guiné-Bissau uma sensação generalizada de que "a punição é rara", de que há uma "displicência na pena" e de que a justiça não funciona. 
"Não há um condutor neste país que atropele alguém e que fique para socorrer" (por ter medo de ser morto), disse, para concluir que "o sistema judicial é posto em causa pela sua falta de credibilidade e ausência de poder". 
A Guiné-Bissau, disse também, é um país "onde a polícia solta um detido após receber um telefonema de 50 segundos e onde "muitos juízes não escondem a sua filiação partidária". 
E a impunidade, advertiu, leva os criminosos a reincidirem nos crimes porque "têm a certeza absoluta de que ficarão impunes", sendo também "a maior geradora de medo" e de corrupção. 
Angola Press 27/11/12

Avião do Ministério das Situações de Emergência Russo chega com ajuda humanitária à Guiné-Bissau

Um avião do Ministério das Situações de Emergência russo chegou à Guiné-Bissau com ajuda humanitária.
Segundo informa o Departamento de Informação do Ministério, a aeronave IL-76 com carga humanitária a bordo aterrissou no aeroporto de Conacri.

De acordo com o decreto do governo russo, 36,5 toneladas de alimentos – conservas de carne, açúcar e arroz – foram entregues à população do países da África Ocidental.
Rádio Voz da Rússia 28.11.2012

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Militares da operação Mali estão estacionados na Base Aérea de Bissalanca
O grupo de militares guineenses que vão participar na missão da Comunidade de Estados de Desenvolvimento da África Ocidental (CEDEAO), com vista à operação Mali, encontram-se estacionados numa das casernas da Base Aérea de Bissalanca, nos arredores de Bissau.
A constatação foi feita pela PNN, junto do grupo que tem como um dos objetivos a familiarização da real situação militar que os membros vão encontrar no terreno, bem como a sensibilização sobre a missão de um efetivo militar, numa frente de combate contra inimigo. Mais de uma centena de efetivos militares guineenses vão ser dirigidos pelo Estado-Maior General das Forças Armadas de República do Senegal, sob a observação, à distância, do seu congénere da Guiné-Bissau.
Abordado pela PNN, um dos destacados para esta missão, que solicitou o anonimato, disse estar consciente da realidade que os militares vão viver no terreno e das consequências de um mandato desta natureza... Mas «Esta é a nossa missão, somos obrigados a cumpri-la enquanto militares», referiu a fonte. 
A data da partida dos efectivos guineenses para se juntarem aos militares senegaleses ainda não foi indicada, estando a aguardar as orientações dos Chefes de Estado da CEDEAO e do bloco regional que decidiu enviar mais de três mil tropas para o norte de Mali, que está divido há seis meses pelo grupo armado neste país de África.
PNN Portuguese News Network 26/11/12

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Xanana Gusmão pede apoio para povo da Guiné-Bissau
O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, manifestou hoje preocupação com a situação da Guiné-Bissau e pediu apoio para o povo guineense.
O chefe do governo timorense falava na sessão de abertura da VII reunião do Conselho de Chefes da Polícia da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que se realiza em Díli entre segunda e quinta-feira.
"Os nossos irmãos guineenses estão também a enfrentar grandes dificuldades. Manifestamos aqui o nosso empenho para que a Guiné-Bissau rapidamente regresse à comunidade dos países onde a ordem pública e o respeito pelas decisões populares sejam a regra", afirmou Xanana Gusmão.
No discurso, o primeiro-ministro timorense apelou também para que não se permita que o "povo guineense fique abandonado à sua sorte".
Lusa, 26/11/2012

domingo, 25 de novembro de 2012

Entendimento parlamentar guineense
Por: Samba Bari
Nesse mundo em que vivemos não nos serve somente como espaço de saborear o gosto, e de fastentar com o dissabor... Mas também é, uma sala de aula em que todos os dias andamos a aprender até quando o nosso corpo for desligado da vida que nos faz mover, pensar e agir.

Nós é que muitas vezes falhamos com o que devemos fazer ou de andarmos a perder o tempo em dar voltas nas certezas que a realidade nos confirma. Tudo o que nos acontece, influencia directa ou indirectamente no percurso historial da vida que levamos, o que de certa forma costumamos tratar de "nosso destino".

O latente desentendimento que se reinava no seio da família parlamentar guineense não deu voto de facilidade para ultrapassar ou aliviar a crise que começou com o golpe do Abril passado.
É verdade que cada um de nós tem a sua maneira de pensar e de agir, mas nunca deve discordar de que quando as coisas correm mal, o único caminho que há, é de todos empenharmos com vontade de resolver o mal... Mas nunca com igual resposta do mal.

Devemos sempre aprender com as palavras não ditas, e com o silencio dos grandes faladores... Ter em conta a tolerância dos intolerantes e não perder de vista com a bondade dos maldosos... 
Nós que também somos soberanos e independentes, não deixemos substituir a nossa soberania nacional pela anarquia e com espadas.

Seja como for, o entendimento alcançado no parlamento guineense, demonstra uma ampla vontade de romper com a fase do desentendimento, para ensaiar uma nova convivência com intuito de recuperar a legalidade constitucional perdida. Alias é mesmo essa a via possível de sairmos da crise em que mergulhamos.

O entendimento parlamentar alcançado na sexta passada, merece ser visto com a cara não franzida por ter aberto uma janela de oportunidade para um futuro entendimento politico que possibilita uma coabitação necessária para chegarmos as eleições. 

Toda via, a plenária merece palmada nas costas, mas é de sublinhar em destaque a vontade tolerante da bancada maioritária, o PAIGC. 

Tudo o que fazemos nunca podemos congregar a unanimidade de acordo ou a partilha de opinião com uma só voz, mas o importante é de ter em conta que temos uma causa comum que está em jogo e que precisa do nosso entendimento para se tranquilizar e avançar, que é a república da Guiné-Bissau.

Daí que, esse despertar de entendimento e tolerância, com que se reuniu e que se chegou os parlamentares, é um grito de sucesso no seio desse órgão eleito e legitimo ainda sobrevivente. Já que a  lei de ouro do comportamento de um ser humano, é a Tolerância mútua. Ou seja, que é uma atitude de paciência racional para com o mal, e uma atitude de indulgência que coíbe um ato de ira ou de castigo... Já que nunca pensaremos todos da mesma maneira... Já que nunca vemos e atacamos os nossos próprios defeitos... Senão fazer réplica de uma parte da verdade e sob ângulos diversos.

A intolerância é o central de bloqueio dos caminhos da compreensão que tanto fustigou os espíritos da nossa sensibilidade, e dividiu os caminhos que podia-nos levar para a convivência harmoniosa. Daí que é bom evitarmos de toda a palavra ou atitude que, por lisonja, adulação ou complacência, estimula ou conduz outrem na malícia dos seus actos e na perversidade da sua conduta.

Pois dessa maneira, vamos estar longe de chegar a um estado de ser feliz... Porque afinal, ser feliz não é permanecer em luta para ter só uma vida particular perfeita. Mas usar as lágrimas de quem chora e mais sofre, para irrigar a tolerância e equilibrar a igualdade... Aprender com as perdas sofridas para refinar a paciência... Considerar as falhas cometidas para esculpir a serenidade. Ser sensível com  a dor que tantos têm, para lapidar o prazer. De saber cuidar com os obstáculos que a vida nos impõe para abrir as janelas da inteligência e de oportunidade.

Com essa luz que começa dar âlo ao que é importante e do lado tão importante, brinda-se com um "bem haja" aos deputados da nação guineense. Solicita-los o empenho, com humildade e dedicação... Ao que lhes cabe e do que lhes compete, para ajudar a aliviar o cordão do marasmo em que a nossa república da Guiné-Bissau se encontra atado.

Samba Bari - Licenciado em Relações Internacionais pela Universidade Lusíada de Lisboa

sábado, 24 de novembro de 2012

Lançada em Bissau uma obra de 6 milhões de euros que inclui um centro comercial
Tal como "RISPITO" tinha noticiado no dia 19 de Novembro, um grupo de empresários guineenses e portugueses lançou neste sábado dia 24/11/12 a primeira pedra para a construção na Guiné-Bissau de um empreendimento de seis milhões de euros onde se destaca um centro comercial.
A construção, localizada nos arredores da capital guineense Bissau, vai ocupar 20 mil metros quadrados e compõe-se de uma zona industrial, armazéns, espaço para feiras e uma mesquita, por além do próprio centro comercial.
O lançamento da obra foi hoje (sábado) presidido pelo primeiro-ministro do governo de transição da Guiné-Bissau, Rui de Barros, que destacou que quando das obras concluídas, no prazo de 18 meses, a iniciativa vai dar emprego direto a 360 pessoas.
Lusa 24/11/2012

Algumas ponderações sobre a famigerada Reforma do Sector da Defesa e Segurança

Eu acho que…!
A história das nossas forças de defesa e de segurança, mais conhecidas por FARP – Forças Armadas Revolucionárias do Povo, precederam a fundação do Estado guineense, o que pode, muitas vezes, levar as pessoas a pensar, que foram elas, as únicas responsáveis pela fundação do Estado, o que, naturalmente, não constitui verdade, visto ser o PAIGC e Amílcar Cabral, os verdadeiros fundadores da nacionalidade guineense. 
A história das FARP forjada na luta de libertação nacional que conduziu à independência nacional, na realidade, confunde-se com história do país. Na continuidade do que era a realidade durante a luta armada, após a proclamação da independência nacional, o país continuou a ser governado pelo partido único, o PAIGC, que integrava no seu seio, civis e militares, cujos heróis eram, na sua esmagadora maioria, constituída por militares.
Amílcar Cabral era das poucas exceções civis que aparecia no leque dos heróis nacionais. Ademais, durante os quinhentos anos da colonização portuguesa, o território foi sempre governado, sem excepção, por militares, daí que a relação da população com a estrutura do poder tenha sido sempre mantida com militares.
Com efeito, a farda militar ou policial atravessou toda a história do país, desde a colonização até a independência. E quando se deu a abertura política e democrática, era imperativa a separação do poder civil do militar ou paramilitar, mas igualmente imperativa, também era a reforma do sector da defesa e segurança a fim de criar umas verdadeiras forças republicanas. 
A verdade é que não chegou de haver uma verdadeira reforma no sector, por motivos essencialmente de conveniência política. Não convinha ao antigo partido único perder o seu braço armado e de segurança, a quem foi contínua e abusivamente foi manipulando, antes, durante e após a abertura democrática, inclusive até os dias de hoje.
A questão do equilíbrio étnico nas forças de defesa e segurança
A Guiné-Bissau é essencialmente constituída por um mosaico étnico e cultural, que naturalmente deveria refletir-se na sua estrutura do poder, em especial nas suas forças de defesa e segurança. Sobre isso não existem dúvidas. Entretanto, verifica-se a predominância de um certo grupo étnico nesse sector. 
As razões dessa predominância são, entre outras, o facto de a luta armada de libertação nacional ter decorrido na zona geográfica da sua predominância, o facto de ser uma das etnias maioritárias, e a questão de pura vocação. Esse desequilíbrio poderia ser corrigido num processo normal de recrutamento, que infelizmente tarda em acontecer. Recorde-se que o último recrutamento data de 1985. 
Assim, os originários de outras etnias que foram recrutados acabaram por abandonar, ou por falta de vocação, não resistindo às precárias condições de vida nos quartéis, ou por terem alternativas melhores em outras áreas para as quais estejam mais vocacionadas.
Não havendo recrutamento oficial, as pessoas foram sendo arroladas por via informal, seja por aderência a conflitos, como foi o caso do conflito de 1998, seja pelo regresso aos quartéis dos antigos desmobilizados, seja ainda pelo fenómeno de um parente com algum ascendente moral, levar um familiar para a sua unidade militar, qual moço de recados, que de seguida se transforma em soldado que segue a sua carreira normal.
Mas diga-se que neste último caso, não se trata de uma exclusividade das forças de defesa e segurança. Os recrutamentos para o aparelho de Estado têm sido feitos da mesma maneira. Os dirigentes, sobretudo das instituições que angariam receitas para o erário público, recrutam familiares, para exercer atividades subalternas, ou como supostos estagiários, que depois se tornam efetivos funcionários públicos. 
Essa forma de angariação agravou o desequilíbrio, porque se outras etnias acusam a falta de vocação, não resistindo às adversidades dos quartéis, os recrutamentos informais são feitos por aqueles que ficaram nos quartéis junto do seu meio familiar ou étnico. 
O clientelismo e o nepotismo generalizados no aparelho de Estado potenciaram o crescimento do desequilíbrio étnico. Tanto assim é, que nas estruturas civis do aparelho de Estado, onde uma pessoa de determinada etnia tenha durado muito tempo, a tendência é para o pessoal dessa instituição ser maioritariamente da sua afinidade étnica ou religiosa, porque enquanto esteve no lugar foi arrebanhando informalmente junto da sua família, etnia ou religião. 
Portanto, quando não há recrutamentos oficiais, que se baseariam em critérios objetivos de mérito e de competência, a tendência é para que outros critérios subjetivos prevaleçam.
Necessidade de correção do desequilíbrio étnico nas forças de defesa e segurança
A correção do desequilíbrio étnico é uma necessidade que todos reconhecem, e a reforma do Estado, e em particular do sector da defesa e segurança deverá lograr esse objetivo. Entretanto, a procura do equilíbrio nesse sector deve ser pragmática, realista e justa, não escamoteando uma realidade histórica bem documentada, não pondo em causa a capacidade operativa das nossas forças, e não interrompendo a carreira de gente inocente para fazer estatística. 
O sector de defesa e segurança nunca foi um bom sítio para fazer carreira. As casernas nunca foram um bom sítio para viver. Aqueles que foram capazes de resistir, ou que não tiveram outras alternativas na vida, não por falta de capacidades, mas por força do clientelismo e do nepotismo, não podem hoje tornar-se mais uma vez vítimas da situação que outros criaram. Houve altura em que ser recrutado ou permanecer nas fileiras das forças armadas era uma espécie de castigo para a maioria dos que lá estavam. 
Muita gente utilizou influências para evitar o cumprimento do serviço militar obrigatório, ou para obter a isenção, a fim de pode continuar estudos no estrangeiro ou trabalhar na administração civil e fazer carreiras mais promissoras. Hoje, muitos dos que falam do desequilíbrio no sector da defesa e segurança, para furtar-se ao serviço militar, já utilizaram ou foram coniventes com expedientes a que só gente bem colocada na estrutura do poder consegue aceder. 
É por tudo isso que a reforma das forças de defesa e segurança deve ser encarada como um processo longo, dispendioso, e até penoso, cujo resultado final pretendido não dependa apenas de um ajuntamento aritmético de pessoas para fazer inventário, mas também de emoções e sentimentos, e de identificação de pessoas com certas profissões ou carreiras. 
Em algumas etnias da Guiné-Bissau encontram-se poucos candidatos a carreira militar, por mais promissora que aparentemente seja, porque não é tradição dessa etnia o ramo militar. Entretanto, se for para o comércio, por exemplo, os oriundos dessas etnias serão os primeiros a aparecer e conseguem prosperar por causa da sua vocação. Cada sector de atividade é dominada por uma certa etnia, mas nem por isso constituiu um alarme social. 
Ninguém se indigna e nem deve indignar-se que uma só etnia domine estrondosamente o comércio. Mas se porventura alguma reforma tiver que ser feita para garantir o equilíbrio étnico nesse sector, naturalmente que os que lá estão não devem ser vistos como os maus da fita e responsabilizados pela situação, porque não impediram os outros de entrarem para o sector. 
Só não entraram por uma questão de falta de vocação ou existência de outras alternativas. Refira-se ainda que há uma etnia essencialmente emigrante, razão porque os oriundos dessa etnia preferirão emigrar-se a ter fazer a carreira nas forças armadas. O mesmo se diz da etnia que domina o sector de serviços, nomeadamente a advocacia, cujos oriundos preferirão fazer carreiras nessas áreas a filiar-se nas forças armadas.
Portanto, os que pretendem apoiar a reforma no sector da defesa e segurança devem partir dessa premissa, talvez uma das razões do insucesso de tentativas de reforma no sector tenha sido a falta do realismo, o preconceito e também, em alguns casos, o desconhecimento da realidade histórica das nossas forças armadas.
Victor PereiraJornalista (Bissau, 22 de Novembro de 2012)

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Ibraima Sory Djaló é o presidente de Assembleia Nacional Popular da Guiné Bissau
Ibraima Sory Djaló
A plenária da Assembleia Nacional Popular da Guiné-Bissau decidiu ultrapassar o impasse com aceitação do Ibraima Sory Djaló como presidente do mesmo até fim dessa prorrogação do mandato parlamentar. 

O Presidente em exercício na Assembleia Nacional Popular, Ibraima Sory Djalo, vai continuar no cargo até novas eleições. O consenso foi alcançado esta sexta-feira dia 23 de Novembro, depois de muitos dias de bloqueio, de impasse e de desentendimento.

A moção propunha Augusto Olivais para Presidente da mesa da Assembleia Nacional Popular (ANP), que agora passa a ocupar o cargo de primeiro vice-presidente e Isabel Buscardine que era propostada para primeira vice-presidente, passa para segundo vice-Presidente do mesmo órgão. 

Contrariamente aos rumores que segundo informações apuradas pela PNN no dia 22 de Novembro, de que Sory Djaló pretendia que os lugares em causa sejam ocupados pelo deputado do PAIGC, João Seidi Bá Sane, para 1.º vice-Presidente da ANP, e à deputada Aurora, a ser distinguida 2.ª vice-Presidente do Parlamento guineense.

Lembra-se que a bancada parlamentar do PAIGC abandonou a plenária  do dia 22 de Novembro, para uma reunião de concertação urgente, visto que a proposta recusada saiu da reunião do Comité Central do PAIGC, que teve lugar durante a noite de quarta-feira, 21 de Novembro, na sede do partido.

Ouvido pelas antenas da RDP África, o líder da bancada parlamentar do PAIGC, Rui Diã de Sousa, disse que o seu partido abdicou do cargo, levando em consideração o interesse de encontrar saída para um entendimento e de pôr em primeiro lugar os verdadeiros interesses da nação.

O acordo deixou todos os partidos signatários do pacto da transição politica bastante satisfeitos, considerando isso de não se tratar de vencedor ou do vencido. Dando parabens a decisão politica pela maturidade demonstrada, numa altura em que só o entendimento fará a Guiné-Bissau sair desse marasmo em que se encontra.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Desta vez Koumba Yalá está com 4 adversários no congresso do PRS

O antigo Presidente da Guiné-Bissau e líder do Partido da Renovação Social (PRS), Kumba Ialá, vai disputar a chefia do partido com outros quatro dirigentes no congresso marcado para Dezembro, revelou nesta quarta-feira dia 20/11/12 a comissão organizadora do conclave. 

Orlando Viegas, presidente da comissão organizadora do quarto congresso ordinário do PRS, segundo maior força política na Guiné-Bissau, apresentou na quarta-feira a lista definitiva dos candidatos à presidência do partido, anunciando os nomes de Kumba Ialá, Baltazar Cardoso, Alberto Nambeia, Sola N'Quilin e Aladje Sonco.  
Kumba Ialá é o fundador do PRS, mas nos últimos anos a sua liderança tem vindo a ser questionada sobretudo por Sola N'Quilin, seu antigo ministro e ex-líder parlamentar dos renovadores guineenses. N'Quilin chegou mesmo a afirmar que Kumba Ialá dirige o PRS de forma autocrática e com bases étnicas. 
Actualmente, decorre nas instâncias do partido um processo que, segundo fontes do PRS, poderá acabar em expulsão de Sola N'Quilin.  

Para o congresso marcado para entre 11 e 14 de Dezembro são também candidatos os deputados Alberto Nambeia e Baltazar Cardoso, o último um conhecido empresário guineense e um dos vice-presidentes da Câmara do Comércio.  
Aladje Sonco é um militante ainda desconhecido entre os militantes do PRS, mas mesmo assim vai desafiar o líder do partido no congresso.  
Para o cargo de secretário-geral dos "renovadores" guineenses concorrem Carlitos Barai (antigo ministro das Obras Públicas), Florentino Mendes Teixeira (antigo secretário de Estado do Plano e Orçamento) e Máximo Tchuda.  
A organização conta ter 801 delegados no congresso.

Fonte: RDP África 20/11/12

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Parlamento aprovou a prorrogação da legislatura até novas eleições
Os deputados ao parlamento da Guiné-Bissau aprovaram esta quarta-feira por unanimidade a decisão de prorrogar a atual legislatura até à posse de novos parlamentares, depois de eleições gerais no próximo ano.
Numa sessão que começou com polémica e ataques entre os parlamentares de diferentes bancadas e entre os do mesmo grupo parlamentar, a decisão de prorrogação o mandato do Parlamento acabou por ser assumida pelos 78 deputados que se encontravam na sessão.
Para que a legislatura (que devia terminar na próxima quinta-feira) possa manter-se é preciso alterar a Constituição, tendo os deputados aprovado um projeto de revisão que diz que a presente legislatura termina "com o fim do período de transição".
O regime estabelecido é excecional e transitório e caduca com o fim da transição, diz o artigo quatro do projeto de revisão constitucional hoje aprovado.
Em reação ao facto, o deputado e líder da coligação Aliança Democrática, o antigo ministro das Finanças Vítor Mandinga, afirmou que "pela primeira vez" a bancada da maioria no parlamento guineense, a bancada do PAIGC "votou em consonância com as demais bancadas".
"A Guiné-Bissau está de parabéns. Hoje é um dia histórico porque finalmente os guineenses demonstraram ao mundo que estão a entender-se sobre a necessidade de, através do Parlamento, salvar o país do caos", observou Vítor Mandinga.
Para este deputado, a comunidade internacional, com a CPLP e a CEDEAO "deviam vir em apoio" dos guineenses no seu todo.
O líder do grupo parlamentar do PAIGC, Rui Diã de Sousa considerou que a partir de agora "o Parlamento vai assumir as suas responsabilidades", tendo mais protagonismo no processo de transição em curso no país na sequência do golpe de Estado de 12 de abril passado.
Rui Diã de Sousa espera apenas que o Parlamento aprove, rapidamente, a resolução que dá poderes ao Presidente de transição, Serifo Nhamadjo para que este possa promulgar a prorrogação da vigência do Parlamento uma vez que a Constituição guineense não prevê a existência de um Presidente de transição.
Para contornar este ditame constitucional foi elaborado um projeto de resolução, hoje aprovado na generalidade, a partir do qual o Parlamento vai reconhecer o Pacto de Transição - instrumento pelo qual se regem os órgãos que gerem o período de transição - e desta feita reconhecer o Presidente de transição (com poder para promulgar a extensão do mandato da Assembleia).
Na altura da votação na generalidade do projeto de resolução oito deputados da bancada do PAIGC abstiveram-se. O documento, elaborado por uma comissão composta pelos deputados de todas as bancadas, foi aprovado e deverá ser discutido de novo na quarta-feira.
Agencia Lusa 21-11-12
 Guiné-Bissau e Guiné Equatorial perspetivam acordos no domínio de prospecção petrolífera

No âmbito da resposta ao convite formulado pelo Presidente da República da Guiné-Equatorial, OBIANG NGUEMA MBASONGO, o Primeiro-ministro de Transição, efectuou recentemente uma visita privada de 24 horas a esse país.

Esta foi a primeira deslocação ao estrangeiro de Rui Duarte Barros desde que assumiu o Governo há cerca de sete meses, tendo definido a mesma de estratégica para o lançamento das relações entre os dois países, apoio bi e multilateral.
À sua chegada ao aeroporto internacional de Malabo, Rui Barros foi acolhido com honras de Estado pelo seu homólogo Vicente EHATE Tomi.

No dia seguinte o chefe de Governo de transição foi recebido no Palácio Presidencial de Malabo, pelo Chefe de Estado da Guiné Equatorial, OBIANG NGUEMA MBASONGO, com quem discutiu aspectos de cooperação entre os dois países, tendo analisado de igual modo o estado atual da política internacional.

Para além dos objectivos acima expostos, o Chefe do executivo de Transição, aproveitou a ocasião entabulando vários contactos com as autoridades da Guiné Equatorial, tida actualmente como um dos gigantes do continente, não pela sua dimensão geográfica, mas sim pelo seu rápido crescimento económico. 

Assim, O Primeiro-ministro, manifestou a vontade de ver assinado num futuro breve, vários acordos de parceria estratégica entre a Guiné-Bissau e a Guiné Equatorial, particularmente nos sectores da Defesa e segurança.

No final da visita Rui Duarte Barros e a comitiva visitaram uma das refinarias em Malabo capital do país, mais concretamente na localidade de Punta Europa, denominada “Planta Alba”, tendo como ganho a disponibilidade das autoridades daquele país, através do Ministro das Minas, Recursos Naturais e a Energia GEORGE OBIANG poder exportar para a Guiné-Bissau em breve a experiência do seu país no domínio petrolífero. 

Por:  Mama Saliu SanéAssessor de imprensa do Primeiro-ministro

Guiné-Bissau já com centro de tratamento de "NOMA"
"NOMA", doença que mata cem mil crianças por ano
A Guiné-Bissau tem a partir desta terça-feira um centro de tratamento de noma, uma doença que afecta os tecidos moles da face de crianças e que pode provocar a morte, avança a agência Lusa.
O centro, inaugurado pelo primeiro-ministro do Governo de transição, Rui de Barros, foi construído por uma organização não-governamental alemã, a Hilfsaktion Noma, empenhada em "lutar pela erradicação da doença no país", disse a presidente da associação, Ute Winkler-Stumpf.
A organização está há quatro anos na Guiné-Bissau e quando iniciou o trabalho a noma "era praticamente uma doença desconhecida pela maioria das populações", notou a responsável, que agradeceu o apoio do Governo, da autarquia e da embaixada da Alemanha, além de doadores e de pessoal local.
Lassana Tchasso, cirurgião e coordenador do novo centro, disse aos jornalistas que foram diagnosticados 106 casos de noma em todo o país. "Não temos casos internados, temos casos que vamos operar aqui no dia 27, por uma equipa austríaca que chega no dia 25", explicou.
O centro hoje inaugurado tem capacidade para 15 pacientes e o tratamento, as operações e os medicamentos são gratuitos. As obras para a construção do Centro de Noma, no bairro da Penha, começaram em Fevereiro passado.
Rui de Barros disse que a inauguração do Centro veio colmatar uma lacuna no país e prometeu que o Governo de transição tudo irá fazer para criar condições no sentido de os equipamentos serem usados por todos numa clima de paz e estabilidade.
A noma é uma doença também conhecida por estomatite gangrenosa e afecta principalmente crianças entre os 02 e os 06 anos. Deve-se a má nutrição e falta de higiene e está presente em países pobres de África e da América Latina.
Começa com o desenvolvimento de úlceras nas membranas mucosas da boca e se não for tratada pode causar a morte. A doença tem cura mas a deformação que causa é irreversível.
Fonte: Lusa

Autoridades recebem formação sobre direitos dos prisioneiros
Alguns elementos da Polícia de Ordem Pública e da Guarda Nacional encontram-se reunidos, em Bissau, numa acção de formação sobre os direitos dos prisioneiros e detidos no país.
Esta ação de formação enquadra-se no projeto de reforço dos direitos dos prisioneiros e detidos na Guiné-Bissau, no âmbito do instrumento Europeu para a Democracia e dos Direitos Humanos, denominado «Pirsoneru um homi nobu», ou seja, prisioneiro um homem novo.
O evento tem a colaboração da Secretaria do Estado de Segurança Nacional e Ordem Pública, cujos participantes vão abordar, durante dois dias, o Código de processo penal, mandado de detenção, auto de interrogatório de arguido, bem como a declaração do suspeito.
Falando na cerimónia de abertura do encontro, Basílio Sanca, da Secretaria do Estado de Segurança Nacional e Ordem Pública, disse que o polícia tem por obrigação estar ao lado dos direitos humanos.
«Queremos preparar os polícias para aplicação dos direitos humanos e saber como lidar com as pessoas detidas», referiu Basílio Sanca.
O Governante lembrou também que, em tempos, as funções da polícia não eram compatíveis com a garantia de direitos humanos.
A elaboração da acta e o encaminhamento do processo para o Ministério Público fazem parte da agenda deste encontro, que termina a 20 de Novembro.
Samuele Tini, Representante Nacional da ONG «Manitese», entidade promotora do acto, é de opinião que este encontro surge na sequência de outros já realizados nas regiões de Oio, Mansoa, no norte do país, e em Bafatá, na zona leste da Guiné-Bissau.
Ao nível do Sector Autónimo de Bissau, o curso é destinado as aos agentes da 2ª Esquadra e da Polícia Judiciaria.
Fonte: (PNN/Jornal Digital, 20 de Novembro de 2012)

segunda-feira, 19 de novembro de 2012


Consórcio luso-guineense promete primeiro centro comercial da Guiné-Bissau em 18 meses

Um consórcio constituído por um grupo empresarial guineense e vários empresários portugueses afirma que vai construir o primeiro centro comercial na Guiné-Bissau, que deverá abrir na capital dentro de 18 meses.

Segundo Luís Neves, empresário português e sócio integrante do consórcio, a primeira pedra para a construção do centro comercial, enquadrado dentro de uma cadeia de vários empreendimentos a serem construídos, será lançada no próximo sábado na presença de entidades oficiais guineenses e empresários dos dois países.
A este propósito, disse, chegam a Bissau na próxima sexta-feira os representantes de oito grupos empresariais portuguesas, de áreas como metalomecânica, carpintaria, casas pré-fabricadas, serralharia, produtos alimentares, cozinhas e material de construção.
Os empresários lusos virão constatar a realidade guineense e estudar com possíveis parceiros guineenses as futuras áreas de parceria, assinalou Luís Neves em declarações à Lusa, explicando ainda os passos para a construção do primeiro centro comercial na Guiné-Bissau.
Neves adiantou que será um centro comercial de construção ligeira, a ser erguido na zona industrial de Brá, a seis quilómetros do centro de Bissau, com 1500 metros quadrados e quatro pisos, dentro dos padrões da Guiné-Bissau "mas com todas as condições de higiene, segurança e mobilidade" iguais aos edifícios semelhantes na Europa.

O responsável sublinhou que o consórcio não colocará restrições para o aluguer do espaço, apenas irá exigir que os produtos a serem comercializados no centro comercial sejam de marcas reais.
Questionado sobre se existe mercado para o funcionamento de um centro comercial na Guiné-Bissau, Luís Neves disse que os estudos feitos pelo consórcio apontam que sim e que depois de Bissau a ideia é abrir em Mansoa (centro/norte), Gabu (leste) e Buba (sul).

Luís Neves assinalou que desde já "há muitos guineenses" radicados em Portugal que se têm manifestado com vontade de investir no país mas que não o fazem por falta de condições, sobretudo de espaços para alugar.
Sobre a instabilidade político-militar que afecta a Guiné-Bissau nos últimos anos, o empresário português reconheceu que é uma realidade mas disse que tal não pode inibir os potenciais investidores. Mesmo com a instabilidade, Luís Neves afirma não existir receios para investir na Guiné-Bissau.
"Se estivéssemos com receios não estávamos a trabalhar aqui neste projecto. A história reza que na Guiné-Bissau, tirando a guerra de 98, nunca um empresário foi prejudicado no seu negócio directamente por razoes políticas", destacou Luís Neves.
Além do centro comercial, o consórcio luso-guineense pretende construir no total sete armazéns, duas salas de cinema, um edifício multi-serviços, escritórios para alugar a baixo custo, um pavilhão para uma feira de exposição de produtos produzidos na Guiné-Bissau e os de outros países e ainda abrir uma rádio privada para a divulgação das actividades do grupo.
Jornalista guineense continua sem paradeiro em Luanda há mais de quatro meses
Quatro meses depois da participação do desaparecimento em Luanda da jornalista Bissau-guineense “Milocas” Pereira a polícia angolana continua as investigações, mas ainda sem algo a dizer.
A notícia do desaparecimento da jornalista só é tornada pública numa altura em que os familiares embora não queriam prejudicar as investigações policiais, mas que perderam a esperança que a mesma esteja ainda viva.
Foram quatro meses de silêncio para a família Pereira. De Luanda até Lisboa passando por Bissau, há muito que, o desaparecimento de Ana Pereira vulgo Milocas Pereira era tema de conversa, mas ninguém quis anunciá-lo para não atrapalhar as investigações policiais em Luanda onde a vítima deixou de ser vista em meados de Julho.O irmão da Milocas, Carlos Pereira já não aguentou e decidiu falar a Voz da América a partir de Lisboa onde reside.

“De lá não se pode estar assim a comentar e a dizer muita coisa, com o medo da retaliação da polícia angolana ou das autoridades angolanas, mas o que nos chega é isso, está desaparecida desde finais de Julho. Suspeitamos de muita coisa. Que ela tivesse dado com muita coisa e tivesse necessidade de fugir, de esconder ou que tenha havido alguma retaliação.”
A jornalista guineense de 58 anos vive em Luanda para onde se emigrou há oito anos, e tem ali leccionado jornalismo na Universidade Independente e no Instituto Superior Técnico Metropolitano. Milocas também notabilizou-se na sociedade angolana pelas suas análises sobre as crises políticas na Guiné-Bissau.
“Mesmo a nível da Rádio e a nível da TPA chamavam-na para comentar o assunto. E depois apanhou essa confusão toda do último conflito na Guiné com a missão da Missang que teve que sair e suspeitavam disso e daquilo, o receio é que ela tenha sido apanhada no meio dessa confusão toda.”
Domiciliada no Bairro do Benfica em Luanda, Milocas tem uma irmã mais nova que também reside na mesma cidade com que se contactava de vez em quando e em ocasiões de extrema necessidade.Por isso o primeiro alarme foi dado pela mãe que vive em Lisboa e com quem se contactava regularmente.Desde a participação do seu desaparecimento há mais de quatro meses que se supõe que a polícia angolana esteja a levar a cabo as investigações.
“Foi-se uma vez à Polícia angolana para se identificar um cadáver que tinha aparecido por lá, mas que não tinha nada a ver com ela, e depois fizeram tudo. Apresentaram a dita queixa e as autoridades até agora, penso que não disseram nada. Mandaram aguardar.”Em Bissau o governo Guineense diz que assim que tomou conta da ocorrência pediu imediatamente esclarecimentos ao governo angolano através dos canais diplomáticos.
O Secretário de Estado das Comunidades Guineense, Idelfrides Fernandes confirmou isso mesmo à Voz da América a partir de Dacar, onde se encontra em missão de serviço.
“A nossa representação diplomática já entrou em contacto com o ministério do interior que me informou que não há nenhum registo da saída de Milocas Pereira para o exterior. Fora de Angola. Nesta situação pedimos um inquérito para poder apurar a situação real.”
Segundo o Secretário de Estado Idelfrides Fernades, desde então tem seguido de perto o assunto e o último contacto que ainda teve com a representação diplomática guineense em Luanda remonta há três semanas.
A Voz da América contactou também a polícia angolana, que remeteu para a sua jurisdição de Luanda toda a informação sobre o caso. A nossa reportagem não foi no entanto bem-sucedida nos contactos que teve depois, com o departamento policial de Luanda, mas prometemos acompanhar este caso nos próximos dias. 
Governo de transição guineense decidiu reduzir para metade  o imposto sobre a exportação do caju
O Governo de transição da Guiné-Bissau baixou para metade os impostos sobre a exportação da castanha de caju mas na capital do país, segundo fonte empresarial, ainda permanecem 20 mil toneladas do produto por vender.
A medida foi contestada pela Câmara de Comércio, Indústria, Agricultura e Serviços, mas  que foi elogiada pela Associação Nacional dos Importadores e Exportadores da Guiné-Bissau.
Mamadu Iero Jamanca, presidente da Associação, disse nesta segunda-feira 19/11/12 em conferência de imprensa que a diminuição de taxas e impostos foi de "importância vital nesta fase de dificuldade de exportação da castanha de caju".