terça-feira, 31 de julho de 2012


Responsável pelo pagamento de salários desaparece com dinheiro de efectivos
O responsável pelo pagamento de salários na divisão policial da região de Quinara, no sul do país, Djibril Turé, fugiu no passado dia 21, com o dinheiro correspondente aos ordenados do mês de Julho, dos efectivos da região.

A informação foi avançada à PNN por uma fonte do Comando Regional da Zona Sul da Polícia e Ordem Pública. «Djibril Turé levantou o vencimento dos funcionários da Zona Sul desde o dia 21, mas até à data não voltou à zona para efectuar este pagamento», refere a fonte.

De acordo com a mesma, a Inspecção-geral do Ministério do Interior já tem conhecimento do sucedido. 

A PNN sabe que Djibril Turé foi procurado em casa, onde a sua esposa referiu que desconhece o seu paradeiro. 

Turé terá desaparecido com uma quantia superior a três milhões de Francos CFA. 

A Zona Sul tem como Comandante da Polícia da Ordem Pública, Amiro Baldé.


Tráfico de droga aumentou na Guiné-Bissau após o golpe de Estado



Uma alerta do  Conselho de Segurança das Nações Unidas desta terça-feira  refere que o tráfico de droga na Guiné-Bissau aumentou depois do golpe de Estado de Abril, sublinhando que o país é uma das principais plataformas para a entrada de drogas na Europa.

Numa resolução, este órgão com sede em Nova Iorque (EUA) exigiu que a ordem constitucional seja reposta. “Os membros do Conselho de Segurança condenam a interferência contínua dos militares na política e expressam a sua preocupação com os relatórios sobre o aumento do tráfico de droga desde o golpe de 12 de Abril”.


O Conselho de Segurança anunciou ainda que poderá marcar uma cimeira internacional para discutir formas de fazer regressar a democracia ao país onde aumentaram as actividades dos cartéis de droga da América Latina, havendo fortes suspeitas de que há altas patentes militares guineenses envolvidas no negócio de fazer chegar a droga, sobretudo cocaína, à Europa.


Recorda-se que em 2010, os Estados Unidos tinham acusado alguns militares, entre eles o antigo contra-almirante que chefiava a Marinha, José Américo Bubbo Na Tchuto, de tráfico de droga. 

segunda-feira, 30 de julho de 2012


Carlos Gomes Júnior nega envolvimento na morte de Roberto Cacheu

O Primeiro-ministro deposto da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, negou qualquer envolvimento e que tenha «mãos sujas» na alegada morte do deputado do PAIGC, Roberto Ferreira Cacheu.
Falando domingo, 29 de Julho, para mais de 500 membros da comunidade guineense na Cidade da Praia (Cabo Verde), Carlos Gomes Júnior, em tom de comício, disse que não foi ele quem mandou «bombardear» a casa de Roberto Ferreira Cacheu, em Dezembro de 2011, na sequência de uma alegada tentativa abortada de golpe de Estado, em que o deputado do PAIGC era apontado como um dos cabecilhas.

Desde a alegada tentativa abortada de golpe de Estado de 26 de Dezembro último que Roberto Ferreira Cacheu nunca mais foi visto em público, circulando informações em Bissau que poderá ter sido morto ou estar fora do país.

Na semana passada, o ministro da Presidência do Conselho de Ministros e porta-voz do Governo de transição da Guiné-Bissau, Fernando Vaz, convocou jornalistas e o Corpo Diplomático acreditado em Bissau para mostrar a alegada vala comum onde jazem os restos mortais de Roberto Ferreira Cacheu e de mais duas pessoas, mas depois da escavação nada foi visto. Para esta semana, Fernando Vaz promete novos desenvolvimentos.

A declaração de Carlos Gomes Júnior na Cidade da Praia é claramente uma «indirecta» ao Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, António Indjai, líder do golpe de Estado de 12 de Abril último, da chefia do Governo guineense.

«Por isso mesmo escrevi, na semana passada, uma carta ao Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, na qual solicito o Conselho de Segurança para constituir um Tribunal Internacional para a Guiné-Bissau para o julgamento de todos os crimes de sangue cometidos nos últimos anos no país de 2000 a 2012», explicou o também Presidente do PAIGC.

O Primeiro-ministro deposto pelos militares guineenses disse que quer um esclarecimento cabal dos assassinatos ocorridos nos últimos 14 anos no seu país (desde 1998), nomeadamente os do Presidente Nino Vieira, do ex-deputado Hélder Proença, do antigo ministro e responsável da secreta guineense Baciro Dabó, dos antigos Chefes de Estado-Maior General das Forças Armadas, generais Ansumane Mané, Veríssimo Correia Seabra, Tagmé Na Waié, do coronel Domingos Barros, do comodoro Lamine Sanhá, o ex-Chefe dos Serviços de Informações do Estado, Samba Djaló e o recente caso do desaparecimento do deputado Roberto Ferreira Cacheu.

«Quero que todos os responsáveis sejam julgados e condenados. Se tiver mãos sujas que seja julgado e condenado», declarou Carlos Gomes Júnior «arrancando» estrondosos aplausos dos participantes.

Gomes Júnior reafirmou que é um «insulto» para os guineenses e para os democratas a forma como o Presidente de transição, Serifo Nhamadjo, foi nomeado por um «meninozito» referindo-se ao ministro dos Negócios Estrangeiros da Nigéria.

«Nós os guineenses e os democratas não devemos admitir mais este insulto», advogou.

Carlos Gomes Júnior terminou o seu discurso dizendo que não pretende continuar a fazer política a partir do exterior, mas sim dentro do território guineense, deixando a entender que regressará muito brevemente à Guiné-Bissau.

O Primeiro-ministro deposto da Guiné-Bissau encontra-se na capital cabo-verdiana a participar na reunião do Comité África da Internacional Socialista juntamente com o Secretário-Geral da Internacional Socialista, Luis Ayala, e os Secretários-Gerais do PS de Portugal, António José Seguro, e do Senegal, Tanor Dieng.
PONTO DI MIRA: Que ideias possíveis para encontrar o rumo certo?


Samba Bari
Lincenciado em Relações Internacionais - Lisboa
Já vai a um bom tempo que a nossa Guiné se serve de referencia do mal-estar, de agitação, de golpes e de assassinatos... O que não é acusação nem calunia mas sim uma verdade.

Um país com a política e políticos muito criticados... o que não é inveja nem difamação mas sim uma realidade.
Hoje, são poucas ou nenhuma crítica poderá ser feita que não seja a repetição semelhante entre as tantas já feitas anteriormente... Não há dor e desgosto que ainda não chegamos de sentir ou provar...

Portanto, o que não nos falta nessa vida, e no estado em que estamos, é a razão de crítica e motivos para se revoltar...

Infelizmente, até hoje, a Guiné-Bissau é uma conhecida república internacionalmente como um país de sublevações e crimes, cujo as demonstrações internas de coragem e as ações de força, acabou por nos tirar o espírito de competitividade em termos ideais, e as valorizações individuais por competência.

Um mal que toca com todos nós, independentemente do lugar onde possamos estar ou a viver... Somos sempre contaminados com essa grave doença de não estarmos a encaminhar num rumo certo, em quase todos os aspetos.

Tal como na semana passada nesse espaço (Ponto di mira), referi de que, quem tem doença nunca deve desistir de luta em combate dessa doença, já que adoecer não é sinónimo de mais poder resgatar a saúde.

Por isso, e desta vez, gostar-me-ia de aparecer neste espaço semanal com um tema diferente. Ou seja, para pedir antes de mais a si amigo leitor, em especial a você que é meu irmão Guineense. Que ponha de lado o seu sentimento nervoso... Distancie do seu espírito de revolta... E dispense o seu desabafo de crítica... Para juntar comigo nesse lançamento de reflexão profunda e concurso de ideias viáveis que visam a busca de sairmos nesse mal-estar persistente da Guiné-Bissau.

Que ninguém duvide da sua capacidade e qualidade... Que ninguém se ponha de lado no problema que é de todos nós. Porque só com o concurso de ideias e debates aproximados é que poderemos achar a sintonia que nos leva ao entendimento preciso. E isso começa agora, nesse espaço.

Caro compatriota...
Não é bom que estejamos parados com esse mal-estar... Ou de ter só a voz crítica... Inconformado com o mal-estar mas quieto no pensamento e na ação. Alias, a própria razão de crítica traz num homem consciente e ponderado, um serviço incansável de procurar alternativa e solução... Tal como a curiosidade e a dúvida nos abre caminho ao conhecimento.

Dê a sua palavra (por escrita), através do comentário ou e-mail (kandongadinoba@gmail.com). O “RISPITO” Vai selecionar das melhores e mais moderadas ideias para sair em público. Por isso, elabore uma ideia mais construtiva possível, com cautelas de que a sua voz irá chegar a quem não imaginavas lhe pudesse ouvir. E, eventualmente valiosa para ser o modelo da estabilidade do país.

Não se exclua... vamos confiar na nossa capacidade e despender a nossa vontade de encontrar alternativas, para inverter esse mau estar. Já que em cada ser humano idóneo, a vida impõe nele uma responsabilidade de fazer algo de importante com vontade e interesse.

Eis a questão:
Na sua opinião, o que se deve fazer para que a Guiné-Bissau possa encontrar definitivamente o seu rumo certo?

Samba Bari

domingo, 29 de julho de 2012

O deposto Primeiro-ministro quer tribunal especial da ONU para julgar "crimes de sangue" 
Carlos Gomes Junior
O Primeiro-ministro deposto da Guiné-Bissau


O Primeiro-ministro do Governo deposto da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, quer que a ONU institua um tribunal especial para julgar "todos os crimes de sangue" ocorridos no país nos últimos 14 anos. 
   
A pretensão de Gomes Júnior foi transmitida em carta enviada pelo próprio ao secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, revelada pela RDP-Africa e cuja autenticidade já foi confirmada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros do governo deposto, Mamadu Saliu Djalo Pires. 
   
"O Carlos Gomes Júnior enviou uma carta pessoal ao secretário-geral das Nações Unidas pedindo um Tribunal especial para julgar todos crimes de sangue ocorridos no país nos últimos 14 anos. Para que se saiba de uma vez por todas onde está a verdade material dos factos", disse Djaló Pires. 
   
Nos últimos 14 anos, vários dirigentes guineenses foram assassinados em processos cujas circunstancias ainda não são conhecidas. Entre os assassinados encontram-se o Presidente 'Nino' Vieira, três chefes militares, vários ministros e deputados. 
  
A carta teria sido enviada a Ban Ki-Moon através do seu representante especial na Guiné-Bissau, Joseph Mutaboba. 
   
"Seria um Tribunal à semelhança daquilo que se criou para julgar casos como a morte do ex-Primeiro-ministro Libanês, Hariri, ou então o Tribunal criado para julgar os crimes ocorridos na Serra-Leoa ou na Libéria", defendeu Djalo Píres. 
Mamadu Djaló Pires, Carlos Gomes Júnior, bem como o Presidente interino guineense e vários outros membros do Governo deposto vivem em Lisboa desde o golpe de Estado. 
Confrontado com o pedido do Tribunal especial feito por Carlos Gomes Júnior, o porta-voz do Governo de transição, Fernando Vaz disse que "era bom que a ONU aceitasse" a criação desse tribunal.   

"A primeira pessoa a ser julgada nesse tribunal, como réu, seria o próprio Carlos Gomes Júnior", enfatizou Fernando Vaz, também ministro da presidência do Conselho Ministros e da Comunicação Social.




Proposto encontro de alto nível para discutir crise da Guiné Bissau na ONU


No relatório apresentado no Conselho de Segurança, o Secretário-Geral insta a comunidade internacional a trabalhar em conjunto para restaurar a ordem constitucional na sequência golpe de Estado ocorrido há quase quatro meses.

As Nações Unidas devem realizar um encontro de alto nível para definir uma estratégia comum para resolver a crise na Guiné-Bissau. A proposta foi lançada, quinta-feira (26/07/12), pela embaixadora do Brasil junto das Nações Unidas, Maria Luiza Ribeiro Viotti.Após uma reunião sobre o país, no Conselho de Segurança, a diplomata falou à Rádio ONU na qualidade de presidente da Estratégia de Paz para a Guiné-Bissau, no âmbito da Comissão de Consolidação da Paz da ONU.

"Este encontro seria uma oportunidade para que os parceiros internacionais da Guiné-Bissau pudessem participar e chegar a uma estratégia comum. A Cedeao, a Cplp, a União Africana e a União Europeia –  é preciso que todos estejam unidos em torno de uma plataforma para apoiar neste momento. Embora haja um consenso, de certa forma, que foi expressado nas resolução do Conselho de Segurança e nas determinações da União Africana, de que é preciso trabalhar para restauração da ordem constitucional, estabilidade e desenvolvimento do país, ainda não há uma estratégia comum", referiu.
No relatório apresentado no Conselho de Segurança, o Secretário-Geral insta a comunidade internacional a trabalhar em conjunto para restaurar a ordem constitucional na sequência golpe de Estado ocorrido há quase quatro meses.
Ao ler o documento, o representante especial do Secretário-Geral, Joseph Mutaboba, disse que o país está politicamente dividido entre apoiantes do governo de transição e dos líderes depostos pela junta militar a 12 de Abril.
Em declarações à Rádio ONU,  o embaixador da Guiné-Bissau junto das Nações Unidas, João Soares da Gama, pediu "consenso real" de organizações internacionais quanto à questão da estabilização do país.
"É uma crise muito complexa cuja solução não pode vir de apenas uma organização, não! Devemos estar todos de acordo. Há também uma outra questão, acho que os atores internos devem estar de acordo com o que está a ser feito. Portanto, o Paigc, que é o partido do país, com quase dois terços deputados não pode ser afastado da solução da Guiné-Bissau".
O período da realização da Assembleia-Geral, em Setembro, foi avançado para acolher o encontro internacional, a ser presidido pelo Secretário-Geral.
O informe de Ban Ki-moon pede ações concretas para combater a impunidade e que seja garantido que os responsáveis por assassinatos politicamente motivados e de outros crimes graves sejam levados à justiça.
Mutaboba referiu-se, igualmente, ao aumento do tráfico de drogas ilícitas e de atividades relacionadas com violações da ordem constitucional.

sexta-feira, 27 de julho de 2012


Governo anuncia descoberta do corpo do deputado Roberto Cacheu

Os corpos do deputado guineense Roberto Cacheu e de mais duas pessoas não identificadas foram encontrados hoje na localidade de Dingal (Bula), a 25 quilómetros de Bissau, anunciou o Governo de transição.


As autoridades governamentais chamaram os jornalistas, membros do corpo diplomático e representantes das Nações Unidas, da União Africana e da Comunidade Económica de Estados da África Ocidental ao local para verificarem a descoberta dos corpos, que estavam a ser exumados ao fim da tarde.
Encontram-se no local elementos da Polícia Judiciária da Guiné-Bissau e dos Serviços de Informações.
Afinal esse deputado da nação... Foi mesmo morto!!!!

Portugal e África Ocidental em choque no Conselho Segurança

Segundo a Lusa, - Portugal e a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) trocaram no dia 26/07/12, críticas no Conselho de Segurança da ONU sobre a Guiné-Bissau, com o bloco africano a qualificar o regresso das autoridades depostas como "exigência impossível" da CPLP.
A troca de argumentos foi protagonizada pelo representante permanente de Portugal na ONU e pelo seu homólogo da Costa do Marfim, em representação da CEDEAO, numa reunião do Conselho de Segurança em que Brasil e Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) pediram a realização de uma conferência internacional de alto nível sobre a Guiné-Bissau.
Youssoufou Bamba, embaixador costa-marfinense, afirmou que o "processo de transição" no país está a ser dificultado pela "fação pró-Carlos Gomes Júnior do PAIGC", o maior partido guineense, com "apoiantes internacionais", apesar dos esforços do governo saído do golpe de abril para "alcançar a inclusão e consenso".

quinta-feira, 26 de julho de 2012


Jornalista da TV acusado de crime de violação sexual
Um influente jornalista e apresentador da Televisão da Guiné-Bissau (TGB) começou a ser julgado esta quarta-feira, 25 de Julho, pelo colectivo de Juízes da Vara Crime do Tribunal Regional de Bissau.
A sessão de audiência, discussão e julgamento de Sibite Camará, que é acusado pelo Ministério Público guineense, visa condenar a prática de crime de violação sexual contra a sua própria filha, com cerca de 20 anos, que terá sido cometido durante vários anos.

Contactado pela PNN, Juliano Fernandes, advogado de defesa de Sibite Camará, disse acreditar que o seu constituinte vai ser absolvido.

«Nós, enquanto advogados, esperamos e estamos a trabalhar para que a sua inocência venha ser provada e Sibite Camará seja absolvido», declarou Juliano Fernandes.

Enquanto Silvestre Alves, advogado de defesa da vítima, não avançou com detalhes, tendo apenas sublinhado que os trabalhos ainda se encontram em curso.

Neste sentido, Silvestre Alves disse que os intervenientes estão a ser ouvidos de forma a avaliarem a real situação em relação às acusações de que o jornalista é alvo.

Detido desde meados de Março, Sibite Camará manteve o assunto de violação sexual contra a sua filha em segredo, tendo sido acompanhado pela Polícia Judiciária nos últimos anos, acabando por ser detido.

De acordo com as leis da Guiné-Bissau, caso Sibite Camará venha a ser provado culpado, poderá ser punido com uma pena entre os três e os doze anos de prisão.

União Africana ainda mantém as suas sanções contra golpistas

A União Africana (UA) disse que continuam em vigor as sanções impostas à Guiné-Bissau e às pessoas responsáveis pelo golpe de Estado do dia 12 de Abril.
A informação foi avançada à imprensa esta quarta-feira, 25 de Julho, em Bissau, pelo novo representante da UA para a Guiné-Bissau, à saída do encontro que manteve com Manuel Serifo Nhamadjo.

De acordo com o diplomata santomense ao serviço da UA, o encontro visou a harmonização de posições pela comunidade internacional, nomeadamente a CPLP, União Africana, União Europeia e CEDEAO, em +busca de uma saída constitucional pós-golpe na Guiné-Bissau.

«Esta harmonização deve envolver a sociedade civil guineense e entidades religiosas», precisou.

Entre as pessoas a quem se dirigem as sanções da UA, constam seis membros do Estado Major-general das Forças Armadas, nomeadamente António Indjai.

Da parte civil, figuram sete membros do Governo de Transição saído deste golpe, Presidente e Vice-Presidente da Câmara Municipal de Bissau e o Presidente de Conselho de Administração da Empresa de Electricidade e Águas da Guiné-Bissau, EAGB.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Portugal exportou 684 mil euros em armas e munições para a Guiné-Bissau desde 2009
Eurodeputada Ana Gomes defende que há uma violação da posição comum da UE em matéria de exportação de armas, vinculativa desde 2008
Ana Gomes
Eurodeputada Português
É um sector pouco representativo das exportações nacionais – nos primeiros cinco meses do ano a venda de armas e munições para o exterior representou 0,07% do total – mas um dos mais escrutinados e sujeito a pareceres prévios da direcção nacional da PSP. Os dados do Instituto Nacional de Estatística, actualizados até Maio de 2012 ainda que desde 2009 contem apenas com informação preliminar, permitem apurar todos os países de destino. A Guiné-Bissau surge como o sexto mais importante nos primeiros meses deste ano, com exportações na ordem dos 195 mil euros. Para a eurodeputada Ana Gomes, há uma violação da posição comum da UE em matéria de exportação de armas, que proíbe as vendas para países em risco de tensão e conflitos.
Os dados do INE revelam que desde 2009, ano do assassinato do presidente Nino Vieira, Portugal exportou 684 mil euros em armas e munições para a Guiné-Bissau. Ana Gomes sustenta que esta prática contraria as salvaguardas da posição comum assim como o trabalho da missão da UE para a reforma do sector de segurança na Guiné-Bissau, lançada em 2008 e que deixou o país em 2010. Já no início do ano, antes do golpe de Estado de Abril, uma missão da UE tinha estado no país para avaliar a evolução do combate à droga e implementação da reforma das Forças Armadas, tendo o parlamento europeu aprovado a 13 de Junho uma nova recomendação em que reafirmava a convicção “de que existe o perigo de que a Guiné-Bissau permaneça militarmente instável e incapaz de fazer face a uma corrupção omnipresente”. Nesta resolução, os eurodeputados apelavam ao conselho europeu para que estude a possibilidade de uma nova missão no país.
Neste proposito, o "Jornal i" questionou o Ministério dos Negócios Estrangeiros, o Ministério da Defesa e o Ministério da Administração Interna acerca das exportações para a Guiné-Bissau, mas a pergunta até neste momento está sem resposta. Só este ano, e segundos os dados preliminares do INE, as exportações de munições para o país ultrapassaram os valores totais para os últimos três anos.
 Segundo os dados do INE, nos primeiros cinco meses do ano houve uma quebra das exportações neste sector face ao mesmo período em 2011. Ainda assim, destaca-se um aumento das exportações para os PALOP, que atingem os 351 mil euros, o valor mais elevado desde 2006 para o período homólogo. No entanto, a Guiné-Bissau aparece em primeiro lugar, seguem-se as exportações para Moçambique (125 mil euros), São Tomé e Príncipe (12 mil euros) e Angola. O principal país de destino de armas, componentes e munições exportadas a partir de Portugal permanecem contudo os EUA, com um montante de 7 milhões de euros no total de 14 milhões atingido nestes primeiros cinco meses. Registam-se ainda exportações de pequena monta para Japão, Canadá, Coreia do Sul ou Cuba.

terça-feira, 24 de julho de 2012


Comissariado da Polícia passa os detidos para o Ministério Público

Cerca de duas dezenas de reclusos detidos nos últimos tempos pela Policia da Ordem Pública, através do Departamento de Informação Policial e Investigação Criminal guineense, viram, esta terça-feira, 24 de Julho, os seus processos-crime enviados para o Ministério Público.
16 indivíduos com idades compreendidas entre os 19 e os 29 anos fazem parte de grupos de jovens que atacavam e roubavam pessoas nas vias públicas, utilizando armas brancas e materiais cortantes, estimulados com o consumo de drogas.
Dos que fazem parte das quadrilhas constam o grupo designado «Nantes», «Os como é que é» e o grupo intitulado «Alquda», que frequentemente se envolviam nas cenas de confrontos entre bairros em Bissau.
Falando no acto, Armando Nhaga, Comissário Nacional da Policia de Ordem Pública, disse que se trata de uma detenção que teve o seu início nos bairros de Belém, Mindará e Bairro de Ajuda, onde alguns deles haviam sido detidos.
A operação teve o apoio da «Guarda Nacional», tendo o responsável máximo da polícia garantido que estes gangues já foram desmantelados e que nos próximos tempos a operação de género vai continuar.

segunda-feira, 23 de julho de 2012


PONTO DI MIRA: Quem trama outro, um dia tambem chora.

Samba Bari
Licenciado em Relacoes Internacionais - Lisboa
Eu acredito que o guineense não é incompetente, a ponto de ser confundido que a Guiné-Bissau já é uma república falhada. Porque super-homem ainda não existiu entres nós, para nos deixar a prova de ser insubstituivel no desempenho de qualquer que seja o trabalho compatível com a vida humana.

Nascemos para viver, e no decurso dessa vida servirmos de algo que chega a demonstrar o sinal da nossa existência e consequentemente fazer dessa própria vida, da coisa mais interessante.

Mas como somos todos diferentes, no que respeita a forma de pensar e de agir... Por além dos considerados bons, existem aqueles cujos corações vão sempre em contraposição do que rege a lei social. Porque têm uns modos de pensar e de agir, que promovem ideias chocantes que fazem uma sociedade revoltada durante muitos anos.
                   
Infelizmente é o nosso caso... O caso da Guiné-Bissau... Que depois de tudo ter começado com um arranque agradável, nos primórdios da luta armada, com a unidade nacional, sedo se começou as falhas que sustentaram o sistema que hoje nos fez de um povo com a história que temos.

Mas, a cada dia que um ser humano se levanta de um sono, a esperança de um bom futuro lhe bate na cara, revertendo nele a sanidade mental e espiritual de um ser importante de lutar com fé e convecção na vitoria.

Ainda bem que é assim... Porque:
Quem perde com o que deve fazer, deambula com passos incertos, num meio apetrechado de oportunistas em luta constante, para não desperdiçar de algo oportuno...
Quem entra em desespero, perde com o rumo da sua personalidade em detrimento de uma consequente morte lenta ou suicídio.
Quem está doente, nunca deve desistir de lutar pela saúde, porque adoecer não é sinonimo de estar vedado de ter mais saúde.

E nós guineenses... Na verdade estamos doentes e assistidos com sabor amargo... Contudo, não devemos perder com o que devemos fazer, nem entrar em desespero, muito menos desistir na luta contra a maldade que invade a nossa saúde.

Uma luta, não com armas na mão, nem com socos no rosto, mas uma luta que deve ser promovida de forma paciente e ponderada, de formas que possamos banir paulatinamente a endemia de ódio e de vingança que se radicou na Guiné-Bissau.

Durante os anos que passaram e das histórias que vivemos... Adquirimos uma vasta experiencia de que afinal matar para se promover, ou matar para se proteger, ou matar para se vingar não resulta nem resolve...
Simplesmente é um comportamento anti-social e arrepiante usado, mas que nunca foi e nem será uma solução. Aliás todos os que andaram a fazer mal acabaram mal... Porque a final, quem faz mal o mal lhe acontece.

Meus irmãos... Não tenhamos dúvidas que:
Não há nenhum assassinato que encobre a descoberta da verdade de um outro assassinato anterior.
Não há nenhum assassinato promotor de alguém num lugar, que não transforma esse alguém num assassino contínuo em busca de proteção e permanência nesse mesmo lugar.
Não há nenhum assassinato destinado a vingar-se de  assassinato anterior, que não semeia mais outro espirito de vingança que tarde ou cedo venha a acontecer.

Se tudo isso são realidades naturais e inalteráveis... Vale a pena deixarmos de matar ou mandar matar... Porque a final, com as matanças... Nunca sentimos e nem sentiremos confortáveis e tranquilos.

Eu acho que já fomos duros e violentos demais durante muitos anos... Mas que até hoje vivemos inseguros, com medo e injustiçados.
Porque não adotarmos agora métodos mais passivos e civilizados de resolver as coisas???

Eu acho que já perdemos muitas pessoas, que as ganancias do poder lhes fizeram de vítima... Mas que até hoje os lugares se sucedem por golpes e assassinatos.
Porque não usarmos os métodos democráticos e respeitar o direito a vida???

Meus irmãos e caros compatriotas... Por favor...
Guiné-Bissau é a nossa pátria.. E a democracia que temos se ainda é considerada uma piada, uma fachada, uma falácia ou uma mentira. Cabe a todos nós a implanta-la verdadeiramente… Porque ainda não perdemos oportunidade de encontrar esse caminho. Embora ele está longe, estreito, escondido e discreto, mas existe esse caminho.

Neste momento, estamos no limiar da tolerância perante o mundo inteiro... Significando isso que, cada fracasso da nossa parte, pressupõe mais um capítulo de retrocesso. De formas que, só temos que empenhar unidos, na base de uma amizade, valentia e perseverança.

Vamo-nos entender e poupar as nossas vidas... Sem o barrulho das armas  erguer a nossa Republica com o poder da democracia, para podermos saborear a nossa convivência só com o barrulho da boca... Porque ja temos a certeza de que, "quem trama outro um dia tambem chora

Samba Bari

domingo, 22 de julho de 2012


CPLP caminha para «beco sem saída»

O governo de transição da Guiné-Bissau considera que a CPLP caminha "para um beco sem saída" ao manter a posição de não reconhecimento das autoridades de Bissau e critica Portugal por "suspender ajuda humanitária".

Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) reuniu-se na sexta-feira (20/07/12) em cimeira de chefes de Estado e de governo, em Maputo, e defendeu a realização de uma reunião nas Nações Unidas para elaborar uma estratégia "abrangente" que permita restaurar "a ordem constitucional" na Guiné-Bissau, após o golpe de Estado de abril.
A CPLP não reconhece as autoridades de Bissau, criadas na sequência do golpe militar de 12 de abril, e em Maputo esteve a representar o país o Presidente de transição deposto, Raimundo Pereira.
Em Bissau o porta-voz do governo, Fernando Vaz, disse que a escolha pela CPLP de quem representaria o Estado da Guiné-Bissau foi "anti-estatutária" e ilegal e que a cimeira, ao pronunciar-se da forma habitual (de condenação e não reconhecimento) caminha "para um beco sem saída".
"Iremos continuar a nossa governação", com parceiros da CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental), União Africa e Nações Unidas, disse Fernando Vaz, prometendo abertura para dialogar com a CPLP quando a organização entender que estão reunidas as condições para ajudar o povo".
Fernando Vaz disse que o Governo tem conhecimento de "notícias dramáticas", de estados que chegaram ao ponto de suspender a ajuda humanitária à Guiné-Bissau, "caso de Portugal, que fez uma nota para as ONG portuguesas impedindo que enviem ajuda humanitária para o povo".
"O que pretende Portugal?, perguntamos nós", questionou Fernando Vaz, acrescentando que a posição do governo de transição é de abertura e de construir "estruturas e caminhos para o regresso à normalidade" para que a Guiné-Bissau viva em estabilidade e em paz.
"São esses os desígnios deste governo. Se a CPLP não vê nem entende isto, se se sobrepõe a posição de duas ou três pessoas face ao povo, a responsabilidade é só da CPLP, não é nossa", disse Fernando Vaz.

sábado, 21 de julho de 2012

Cimeira de Maputo defende a reunião de "alto nível" sobre Guiné-Bissau nas Nações Unidas

"Trabalhar pela convocação de reunião de alto nível, no âmbito das Nações Unidas, com vista à elaboração de estratégia abrangente e integrada que vise a restauração da ordem constitucional na Guiné-Bissau", refere a declaração sobre a situação na Guiné-Bissau saída da cimeira de Maputo.
A comunidade de países lusófonos defendeu a realização de uma reunião nas Nações Unidas para elaborar uma estratégia "abrangente" que permita restaurar "a ordem constitucional" na Guiné-Bissau, após o golpe de Estado de Abril.
"Trabalhar pela convocação de reunião de alto nível, no âmbito das Nações Unidas, com vista à elaboração de estratégia abrangente e integrada que vise a restauração da ordem constitucional na Guiné-Bissau", refere a declaração sobre a situação na Guiné-Bissau saída da cimeira de chefes de Estado e de Governo de Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste que hoje decorreu em Maputo.
Os chefes de Estado e de Governo dos oito consideram "fundamental promover, sob a égide das Nações Unidas, estreita coordenação com os estados da sub-região e com os demais parceiros regionais e internacionais, nomeadamente, a União Africana, a Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO) e a União Europeia, com vista ao estabelecimento de uma parceria que contribua, de forma efectiva, para a pacificação e estabilização interna da Guiné-Bissau".
A 12 de Abril, a poucos dias da segunda volta das eleições presidenciais na Guiné-Bissau, os militares afastaram o primeiro-ministro e candidato presidencial Carlos Gomes Júnior e o Presidente interino, Raimundo Pereira, que representou a Guiné-Bissau na Cimeira do Maputo.
Desde então o país é liderado por um governo de transição que a comunidade lusófona não reconhece, mas que tem beneficiado de apoio da CEDEAO.
Reiterando que "as únicas autoridades da Guiné-Bissau reconhecidas pela CPLP são as que resultam da legitimidade constitucional e democrática", os líderes lusófonos reclamam "a conclusão do processo eleitoral interrompido pelo golpe de Estado".
A declaração adianta que a primeira volta das eleições "foi considerada livre e transparente pela Comunidade Internacional" e sublinha "a necessidade de medidas consensuais e inclusivas que permitam a plena e oportuna restauração da ordem constitucional no país".
O texto manifesta ainda a "a necessidade de se prosseguir com a reforma do sector de Defesa e Segurança e de reforçar o combate ao narcotráfico na Guiné-Bissau, como elementos fundamentais de uma estratégia de estabilização eficaz e duradoura".

sexta-feira, 20 de julho de 2012


PAIGC Manifesta preocupação com o mistério a volta de paradeiro do Deputado Roberto Cacheu
O PAIGC, principal partido da Guiné-Bissau e no poder até o golpe de Estado de 12 de abril, disse hoje estar preocupado com "o presumível assassinato" do deputado e ex-governante Roberto Cacheu.

O deputado Roberto Cacheu, eleito pelo PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde) do qual é membro do 'bureau' político, é um conhecido adversário do ex-primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior.
É dado como desaparecido desde o dia 26 de dezembro na sequência de uma alegada tentativa de golpe de Estado da qual é apontado como estando envolvido. Alguns círculos políticos guineenses, nomeadamente o Governo de transição, admitem que Roberto Cacheu teria sido assassinado.
E perante essa imensa incerteza e misterio... Vem a tona, preocopação de todos, pelo que, PAIGC tambem nao  pode  ficar isento.

Durao Barroso reafirma a tolerancia zerro dos golpes na Guiné-Bissau

O presidente da Comissão Europeia disse hoje em Maputo, na abertura da IX conferência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que a União Europeia não tolerará mais golpes na Guiné-Bissau e reclamou o respeito pela ordem constitucional.
Convidado a participar na sessão de abertura da reunião de chefes de Estado e de Governo da CPLP, que tem como um dos principais pontos em agenda precisamente a situação na Guiné-Bissau, Durão Barroso, tal como já fizera na véspera, por ocasião da homenagem de que foi alvo por parte dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), voltou a lamentar que a Guiné-Bissau destoe de um quadro globalmente positivo e de progresso no quadro da lusofonia.
«Não posso deixar de assinalar a nossa maior preocupação relativamente à situação na Guiné-Bissau, onde a instabilidade provocada por alguns continua a impedir o progresso e prosperidade de todos», declarou.
O presidente do executivo comunitário apontou que «o povo guineense já sofreu demasiado e merece que lhe dêem uma oportunidade para viver em paz e estabilidade» e garantiu que «a posição da União Europeia é clara».
«Não toleraremos mais golpes e a ordem constitucional tem de ser respeitada», disse, saudando o presidente interino da Guiné-Bissau, Raimundo Pereira, presente na reunião, como «o legítimo representante dos guineenses».
A situação política na Guiné-Bissau, dirigida por militares golpistas desde 12 de Abril, será uma questão central na agenda da presidência moçambicana da CPLP, tendo Angola, que liderou a CPLP nos últimos dois anos, reconhecido que o impasse no país foi «a grande frustração» da sua presidência.
A Guiné-Bissau está representada na cimeira de Maputo por Raimundo Pereira e Mamadú Djaló Pires – respectivamente o Presidente interino deposto e o chefe da diplomacia do Governo deposto no golpe militar -, confirmando o que o ministro dos Negócios Estrangeiros português já tinha dito, na semana passada.
A CPLP, disse Paulo Portas, considera que a representação oficial do país «deve ser assegurada pelas autoridades que derivam do voto popular e não por quaisquer outras de natureza violenta, pela forma como se instalaram no poder»

quinta-feira, 19 de julho de 2012


Roberto Cacheu, um paradeiro desconhecido

Está ai mais um caso para esclarecer... O ex-director-geral do serviço de informação do Estado, Lino Lopes, dado como detido desde o dia 17 de Julho, juntamente com mais quatro pessoas, todas da anterior direcção do mesmo serviço. O atual Diretor-geral de Serviço de Informação do Estado Serifo Mane, desmentiu esta quinta-feira, 19 de Julho, que o seu antecessor tenha sido detido.
Em declarações exclusivas à PNN, Serifo Mane disse que o ex-director-geral do Serviço de Informação do Estado, Lino Lopes, em nenhuma circunstância foi preso. 

Neste sentido, o responsável máximo pela segurança guineense disse que, uma vez havendo informação sobre o eventual desaparecimento de deputado Roberto Ferreira Cacheu, era normal que Lino Lopes fosse convocado para o serviço.

Interrogado sobre o paradeiro do deputado Roberto Cacheu, Serifo Mane disse que o assunto ainda está coberto de confidencialidade.

Certo é que, o ministro da Presidência e Porta-voz do Governo, Fernando Vaz, falou hoje aos jornalistas, disse desconhecer o motivo da detenção, mas que tudo deverá estar relacionado com o desaparecimento de Roberto Cacheu, seis meses depois de tentativa de golpe de Estado do 26 de Dezembro passado. Do qual tudo indica, segundo o porta-voz, que ja foi assassinado pelo anterior regime... Mais um caso para esclarecer.

Presidente de transição da Guiné-Bissau pede diálogo com CPLP

O Presidente de transição da Guiné-Bissau, Serifo Nhamadjo, apelou à CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) para que dialogue com as novas autoridades do país e "todos juntos" resolvam os problemas no país. 

Serifo Nhamadjo
Presidente de transição da Guiné-Bissau  
  
"Para resolver os problemas temos de estar todos do mesmo lado, para juntos combatermos os males de que a Guiné-Bissau vem padecendo. Não é de costas voltadas que os podemos resolver", disse Serifo Nhamadjo em entrevista à Agência Lusa.
Na véspera da cimeira da CPLP em Maputo, Moçambique, que excluiu as autoridades de transição da Guiné-Bissau criadas na sequência do golpe de Estado de 12 de abril, Serifo Nhamadjo defendeu que a CPLP deve fazer parte da solução do país e lamentou "sinceramente" a falta de diálogo por parte da organização.
"Estando nós ou alguém, a transição teria de ser gerida e é importante que todos os esforços convirjam na solução desta crise. Até hoje não consegui entender o porquê da posição da CPLP em não fazer deslocar uma delegação a Bissau, tal como fez a CEDEAO (Comunidade Económica dos Países da África Ocidental), para, com todas as autoridades, resolver-se o problema", disse o Presidente de transição.
Primeiro vice-presidente da Assembleia Nacional Popular antes do golpe de Estado, Serifo Nhamadjo disse que está na Presidência por "inerência de funções", por "imperativos legais", e por isso não concorda "com a atitude dos responsáveis da CPLP", que terá na cimeira de chefes de estado e de governo, em Maputo na sexta-feira, a presença de Raimundo Pereira, Presidente interino do país até 12 de abril.
Serifo Nhamadjo disse também que a atitude da CPLP é surpreendente, porque, quando o ex-Presidente guineense foi assassinado, em Março de 2009, as autoridades da organização tiveram outra atitude.
"Precipitaram-se para que nós tomássemos providências" para a substituição. "No caso da Assembleia fomos pressionados para fazer alguma coisa, que até por lei nem era necessário".
O problema, na leitura do Presidente de transição, é que se liga o golpe de Estado à contestação das eleições presidenciais. O golpe deu-se na véspera do início da segunda volta, que tinha como candidato mais votado o primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior. Serifo Nhamadjo e outros quatro candidatos contestaram os resultados da primeira volta.
No entanto, lembrou na entrevista à Lusa, já se tinha registado "um levantamento no dia 01 de abril" de 2010, "e não havia eleições", bem como não havia eleições no golpe de 26 de dezembro de 2011.
"Essa tentativa de colar (o golpe e a contestação às eleições) é tentar escamotear outras razões. Porque o problema da Guiné-Bissau não é de hoje, vem do passado", sustentou,
"Há um acumular de vários problemas que são problemas mal resolvidos. Há vários mortos, vários recalcamentos. É preciso que todos juntos possamos equacionar os problemas e tentar dar uma solução definitiva", afirmou.
É por tudo isto que, considerou, a posição da CPLP, de não reconhecer o Governo de transição, "não está a ser muito realista".
"Porque o povo da Guiné-Bissau não tem culpa, a Guiné-Bissau como Estado não tem culpa. E se existem problemas com certas pessoas, então que se organizem para que juntos possamos identificar os problemas e identificar as soluções".

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Presidente interino deposto da Guiné-Bissau destaca reconstrução nacional por eleições democráticas


O presidente interino deposto da Guiné-Bissau, Raimundo Pereira, afirmou nesta terça-feira (17) em Maputo, capital de Moçambique, que a reconstrução de seu país só pode ser alcançada através de eleições democráticas.
No encontro com o presidente moçambicano, Armando Emilio Guebuza, Pereira afirmou que somente através de eleições livres e democráticas, e com o espírito de diálogo e entendimento, a reconstrução nacional pode ser concretizada. Ele disse ainda que tem confiança na recuperação da ordem no país.
Sendo o líder legítimo da Guiné-Bissau, Pereira vai participar da reunião da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), a ser realizada em Maputo neste fim-de-semana.
Um golpe militar derrubou, no dia 12 de abril, o governo legítimo liderado por Pereira, além de prender alguns altos funcionários do governo. Sob grande pressões internacionais, eles foram libertados pelos golpistas.

Governo recebe garantia de apoio de organização económica regional
Nesta quarta feira dia 18, no seu gabinete de trabalho o Primeiro-ministro do governo de transição, recebeu  o novo representante da UEMOA (União Económica e Monetária do Oeste Africano). Num encontro onde foi revelado o aspeto de reforço das relações de cooperação, no qual o representante garantiu  que essa organização sempre esteve e estará "ao lado da Guiné-Bissau", país que apoiou nos últimos três anos com cerca de 38 milhões de euros.

Segundo Agencia Lusa, essa garantia foi hoje dada pelo novo representante da UEMOA em Bissau, Ba Mamadou (do Mali), após uma reunião com o primeiro-ministro de transição, Rui de Barros.

A reunião com Rui de Barros, um conhecido de Ba Mamadou já que ambos trabalharam na Comissão da UEMOA durante quatro anos, serviu também, disse o responsável aos jornalistas, para discutir os "grandes programas" de apoio à Guiné-Bissau.