sexta-feira, 22 de julho de 2016

SEGUIDORES INCONFORMADOS E CRISE DE LIDERANÇA NA IX LEGISLATURA DA GUINÉ-BISSAU

Uma nova mudança nos processos da liderança tem constituídos problemas das mais abrangentes. Entretanto, a Guiné-Bissau tem recebido as exigências à volta desse tema que da África tem sido comum. 

É comum até pensar e dizer que: nasci para governar e outros nasceram para serem governados. No continente africano essa ideia passou a ser uma coisa de ouvir e calar mesmo não estar de acordo. O que para o dito popular nos leva a crer que assim deve ser. “Quem cala, consciente! ”. Nós–, os Bissau-guineenses, passamos a adotar a moda São Tomé e Príncipe – “Ver e crer! ”.


Já fomos até divididos entre Os Aculturados –“Os de Praça” e OsNão Aculturados – “Os de Tabanca/Mato”. Desta forma, tem gente que nasceram para revezar nos ministérios, nas secretarias de estado e diretorias gerais/de serviços... e vale até ressaltar que outros são formados nos cursos partidários para serem ministros, secretários de estados, diretores gerais/serviços, assim por diante; o que em nenhuma instituição de ensino, seja ela pública ou privada, não existe os cursos para serem ministros, secretários de estados, diretores gerais/de serviços e quanto mais para ser deputado da nação. 

A criação do“complôt”, palavra derivada do termo francês, virou uma profissão mais bela na Guiné-Bissau, simplesmente porque todos querem ser ministros apenas duma só vez. Ganhamos a fama ao nível internacional por sermos conhecidos como campeões em golpes de estado e nas práticas de linchamentos constantes que fazem do nosso pequeno país ganhar fama ao nível mundial. Enquanto isso, temos casos de mortos, espancamentos, peculato, clientelismo, corrupção generalizada no setor público, ... paraserem esclarecidos, mas sem nenhuma responsabilização dos que até aqui revezaram no poder, ninguém tem interesse em encontrar os responsáveis para serem responsabilizados pelos seus atos fictícios até aqui cometidos.  

Das duas décadas e algumas sobras que o país já tem da democracia, não sabemos o que é terminar uma legislatura. Coisa feia! Somos aconselhados do que a saída para os imbróglios que constantemente encontramos mergulhados, só podem ser ultrapassados por nós – Guineenses, mas os caminhos da moldura da perenidade dos nossos políticos, que até aqui andamos, inverossímil por nós, mas não negável, não nos deixam sair da prisão que nos colamos. Já culpamos os políticos, o tempo, a Deus Pai Todo Poderoso, o fulano, sicrano, beltrano, assim por diante. Não obstante, a culpa ainda é nossa, porque somos nós que lhes elegemos e, cada povo merece os governantes que tem.

Sou de opinião de que liderar é difícil, mas nunca foi impossível. Só se torna impossível quando não conseguimos consolidar as nossas bases de liderança e manter-se coeso. É isso que acontece e está acontecendo com o PAIGC (Partido Africano para Independência da Guiné e Cabo-Verde), partido cujo o povo lhe confiou 57 assentos parlamentar e a presidência da república para fazer o espetáculo nas instituições estatais. Mas cujo o fórum não o é lugar de espetáculo. E, o PRS (Partido da Renovação Social), passou a ser o sustento de qualquer que seja o governo a entrar em função, aproveitando a infantilidade “Paigcista”. Enquanto isso, lugar de espetáculo passou a ser ANP (Assembleia Nacional Popular/Câmara dos Deputados), composto por 102 deputados por cada legislatura, passou a ter 117 deputados. Os “15 deputados passaram a ser um pesadelo para atual liderança do PAIGC. Fictício virou contra feiticeiro.

É sabido que o problema da liderança e liderados tem sido uma questão de muitos séculos. Inclusive os líderes e liderados continuaram a evoluir duma forma rápida. Assim sendo, o século XXI é marcado como o século de muita mudança,essas mudanças que poderiam ser vistas em “dar as ordens” e ”cumprir as mesmas”. Antes o líder dava as ordens e esperava o cumprimento das mesmas por parte dos liderados/seguidores. Mas hoje assistimos uma inversão dos fatos. Desta feita, o poder da influência dos líderes passou a ser coisa dos liderados – seguidores. 

Aqui podemos concluir que: os lideres já não têm controles do poder e influência que antes detinham sobre os liderados. Percebe-se que essas duas ferramentas desceram de cima e vieram parar em baixa, ou seja, o poder e a influência foram transferidas dos líderes– cima, para os seguidores -  baixo. Os seguidores têm mais facilidades em reunir e estarem coesos do que os líderes. Percebemos que os níveis de confiança e da aprovação dos líderes estão ficando cada vez mais baixos do que no passado.

Tem líderes que ainda são de opiniões de que a liderança é estática – mas não é bem assim. E para quem continua em defesa dessa opinião, pode ter a certeza de que está fadado ao fracasso. Todo líder é um ser humano de consciência e, principalmente, de ação. Por mais que não concordemos com essa ou aquela atitude de alguém que possui a liderança, devemos reconhecer que não basta que analise ação, devo sentir-me estimulado a agir também, a me desalojar, a mudar as “n” coisas a que fiquei acomodado, eu, por não ser uma pessoa acomodado, saí do silêncio enquanto guineense, que sabe e que precisa aprender cada vez mais para ter a história de sua vida em suas próprias mãos. O momento atual, exige de nós todos sem exceção de X ou Y, mas sim de A até Z, uma crítica mais profunda dos nossos governantes que de nada sabem, senão as lutas constantes pelo poder e assim podendo apropriarem-se do nosso erário público fazendo o de privado. 

Para os líderes que continuaram ainda com essas suposições erradas de que a liderança é estática, têm margens para mudança, porque é cedo mudar. Devem mudar porque a liderança que antes é vista como uma coisa familiar, hoje passou ser algo que pode ser ensinada e aprendida de uma forma rápida e fácil. Também pode ser ensinada aos diferentes tipos de pessoas e não dependente apenas de um grupo restrito de familiares e descendência. A liderança no nosso tempo passou a ser coisa que pode ser ensinada em simultânea e as pessoas diferentes sem a descriminação do gênero masculino ou feminino. 

Via-se que ser um líder é mais importante que ser um seguidor; algo que no nosso dia-a-dia vimos que é invertido sem o consentimento dos líderes. A importância mudou de cima para baixo. Ou seja, se colocarmos a frente de um triângulo equilátero – podemos perceber que ambos os lados são iguais, mas quando um se pretende fazer diferente dos outros dois lados, de qualquer das formas causará um efeito negativo a si mesmo. É isso que acontece no processo de liderança guineense. 
Acredito que tem chegado a uma conclusão do que os três lados do triângulo equilátero têm o mesmo peso em cada lado. Essa idéia é a mesma que podemos ver no campo político e/ou na governação de um país. 
E, por você ser um bom leitor, como de sempre dispensa muito do seu pouco tempo em acompanhar os assuntos da pátria de Amílcar Lopes Cabral – Guiné-Bissau, vamos ver um outro exemplo que nos possa levar uma conclusão mais profunda sobre a liderança. 

Um líder precisa de muitas ferramentas para liderar, entre elas passo a citar apenas três que nesse caso realço de suma importância tendo em conta ao atual contexto que a Guiné-Bissau se encontra mergulhado: 1º - Poder; 2º - Autoridade e 3º - Influência.

Um líder só tem o poder de mandar e desmandar quando lhe esse é dado - poder. E como pode o líder mandar se não lhe é dado esse poder?Um líder só tem autoridade quando tem a capacidade de obter dos seguidores o que ele quer. E como pode um líder ter a posição de obter algo dos seguidores que lhe desacreditou? Um líder só tem a influência quando persuade os seguidores em acreditar naquilo que é o seu plano estratégico. E como também pode um líder ter influência sobre seguidores que antes eram menos esclarecidos e agora muito bem esclarecidos do que os nossos pseudo-líderes?

Novos significados, novas linguagens na política guineense. 
Algo mudou desde o começo desta legislatura, marcada com crises cíclicas.

Portanto, a classe castrense já não constitui motivos por golpes de estado e levou a valorização do fórum judicial para a concretização e viabilização das posições. Houve indubitavelmente uma crise de valores e de figuras para o nosso país. Dignidade, decoro e probidade saírem em desuso; os significados de muitos valores mudaram em apenas doze meses de imbróglio. Donaire não é mais um estilo de comedimento. Enquanto isso, o povo está exuberante dos políticos que nada fazem durante o mandato, senão disputas pelo poder sem tréguas. Nas linguagens também se observa uma crise profunda. A contenção verbal já não faz parte do dicionário dos nossos políticos. 

Papa Sufre Fernando Quadé
Jahu, São Paulo/Brasil, 22 de Julho de 2016.
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