terça-feira, 22 de agosto de 2017

José Mário Vaz no campo agrícola em nome do projeto "Mão na Lama"

O Presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, deixou por uns dias o Palácio da Presidência para meter a "Mão na Lama" e ajudar a população de Calequisse, no setor de Canchungo, região de Cacheu, a aumentar a produção agrícola.
Vestido com calças de ganga, botins, t-shirt vermelha da seleção nacional de futebol da Guiné-Bissau e um chapéu de palha, o Presidente guineense é apenas mais um agricultor entre várias dezenas e no meio do campo só é possível de detetar através de alguns seguranças que o rodeiam.
No meio dos mais 150 hectares de terreno preparados para receber na sua maioria arroz, mas também tubérculos, o chefe de Estado guineense trabalha lado a lado com a população para "resolver o problema da autossuficiência alimentar, sobretudo a nível do arroz", afirmou em declarações aos jornalistas.
Na segunda-feira, foi dia de fazer a monda e arrancar as ervas que fazem mal ao arroz e não o deixam crescer. Alinhadas, dezenas de mulheres limpam o terreno, enquanto outros tantos homens tratam dos canais, que devem estar limpos e sem obstáculos para irrigar as plantações.
"O país gasta anualmente entre 45 a 50 milhões de dólares por ano e eu acho que esse dinheiro é muito dinheiro para o país, que podia perfeitamente resolver esse problema sem estar constantemente a importar o produto básico da alimentação do povo da Guiné-Bissau, que é o arroz", explicou.

Para José Mário Vaz, a agricultura deve ser utilizada para aumentar a produção de arroz, mas também para "relançar a economia, criar emprego e manter a população nas suas aldeias e nas suas zonas".
"A nossa determinação é mostrar que estamos verdadeiramente a meter a mão na lama", salientou.
A zona de Calequisse é o berço do projeto "Mão na Lama" e inclui 155 hectares de terreno, 50 dos quais já plantados com arroz.
"Aqui estamos com uma média de 4 a 5 toneladas por hectare e estamos a tentar fazer duas colheitas por ano e vamos criar as condições para começarmos a lavrar durante a época seca", explicou o Presidente.
Mas, Jomav (como é conhecido na Guiné-Bissau) tem uma ambição maior, que é reproduzir o projeto em 39 setores do país.
Para isso conta com a ajuda do Fundo da Arábia Saudita e também com 116 régulos guineenses, que segunda-feira foram conhecer o projeto.
Cada guineense consome cerca de 130 quilogramas de arroz por ano, o que significa um consumo anual total de 200.000 toneladas.
A Guiné-Bissau produz apenas cerca de 100.000 toneladas de arroz.
Rispito.com/Lusa, 22-08-2017

DW África entrevista líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira

Em entrevista exclusiva à DW África, líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, mostra otimismo sobre o fim do impasse político na Guiné-Bissau e reforça importância do Acordo de Conacri.
O impasse político na Guiné-Bissau poderá estar próximo do fim, abrindo portas para a convocação do povo guineense às urnas. É, pelo menos, o que transmite o otimismo de Domingos Simões Pereira, líder do Partido Africano para a Independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde (PAIGC), vencedor das últimas eleições legislativas, mas afastado do poder devido às divergências com o chefe do Estado guineense, José Mário Vaz. 
Em entrevista exclusiva à DW África, o primeiro-ministro destituído em 2015 por José Mário Vaz assegura que não parece haver outra alternativa ao Acordo de Conacri, patrocinado pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), e que prevê a formação de um Governo consensual integrado por todos os partidos representados no Parlamento. O acordo prevê ainda nomeação de um primeiro-ministro de consenso e da confiança do chefe de Estado, além de outros pontos.
A proposta de realização de eleições, feita antes pelo PAIGC, continua válida, admite Simões Pereira, que veio a Lisboa de férias, mas também para relançar o seu programa académico, relacionado com uma tese de doutoramento na Universidade Católica sobre a construção de um Estado, com recurso ao caso da Guiné-Bissau.
Em declarações à DW, Domingos Simões Pereira frisou que a crise no país não teve como origem as relações pessoais e incompatibilidade entre ele e o atual Presidente, José Mário Vaz. Simões Pereira falou ainda sobre os indícios de uma solução aceitável perante a crise política e institucional na Guiné-Bissau.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Cipriano Cassamá reafirma importância do Acordo de Conacri na Cidade da Praia


O Presidente da Assembleia Nacional Popular da Guiné-Bissau, reafirmou, na Cidade da Praia, Cabo Verde, que o Acordo de Conacri está claro e precisa de ser cumprido pelo Presidente da República.

Cipriano Cassamá disse ainda que José Mário Vaz deve ter a vontade e a coragem de tirar a Guiné-Bissau e o seu povo da situação em que se encontra, contestando desta forma a necessidade de uma nova mediação para a crise política guineense.

O Presidente da Assembleia Nacional Popular da Guiné-Bissau está na Cidade da Praia no âmbito de uma missão da União Parlamentar Africana.
Rispito.com/RTP, 21-08-2017

Umaro Sissoco rejeita acusações de estar a dividir o país

O primeiro-ministro guineense, Umaro Sissoco Embaló, recusou nesta segunda-feira as acusações de estar a dividir o país, sublinhando que é muçulmano, mas a mulher é católica e que na Guiné-Bissau "há pessoas" que não podem chefiar o Governo.
"Eu sou fula, sou muçulmano, mas minha mulher é católica. Não sei como posso dividir este país. Se tenho uma mulher (católica) que partilha o mesmo teto comigo, a mesma casa, como é que eu posso. Isso foi sempre um sentimento dos guineenses", afirmou em entrevista à agência Lusa, Umaro Sissoco Embaló, quando questionado sobre acusações de estar dividir o país.
Para Umaro Sissoco Embaló, na Guiné-Bissau "há pessoas que não podem ser primeiro-ministro".
"Há categorias dessas pessoas que não podem ser e, sobretudo, quando toca a um muçulmano na Guiné é grave ser um responsável. Mas eu não vivo daquilo, nem pretendo ter esse sentimento. Até os meus amigos mais próximos são católicos. Mas isso não é só contra mim é contra qualquer outra pessoa que não pertença a uma classe", afirmou o primeiro-ministro, sem especificar a classe a que se referia.
Sobre o desafio de ser primeiro-ministro guineense, Umaro Sissoco Embaló disse que é "grande, porque a Guiné-Bissau desde 07 de Junho de 1998 tem tido várias convulsões políticas".
"Acho que podia fazer a ponte entre a classe política e o presidente da República achou por bem nomear-me para fazer essa ponte. É o que estou a fazer neste momento", explicou.
Umaro Sissoco Embaló foi o quinto primeiro-ministro nomeado (em Dezembro de 2016) pelo Presidente guineense, José Mário Vaz, depois das eleições legislativas de 2014 ganhas pelo Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).
A nomeação de Umaro Sissoco Embaló foi feita após a assinatura do Acordo de Conakry, mas provocou controvérsia com o PAIGC a afirmar que não foi o nome escolhido para chefiar o Governo guineense no âmbito daquele acordo.
O Acordo de Conacri, patrocinado CEDEAO, prevê a formação de um governo consensual integrado por todos os partidos representados no parlamento e a nomeação de um primeiro-ministro de consenso e da confiança do chefe de Estado, entre outros pontos.
O actual Governo da Guiné-Bissau, de iniciativa presidencial, não tem o apoio do partido que ganhou as eleições com maioria absoluta e o impasse político tem levado vários países e instituições internacionais a apelarem a um consenso para a aplicação do Acordo de Conacri.
Questionado sobre a falta de apoio político para governar, o chefe do executivo guineense disse que o único partido representado no parlamento que não o apoia é o seu partido, o PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde).
"Tirando o PAIGC, todos os deputados dos partidos no parlamento estão a apoiar-me, independentemente de os líderes não me apoiarem", disse.
Mas, para Umaro Sissoco Embaló, o mais importante é tirar o país da "situação em que se encontra".
"O bom senso entre os guineenses um dia vai prevalecer porque para mim não é a China ou os Estados Unidos ou a França que têm de vir aqui ditar o que temos de fazer. Não. Nós, é que temos de ter a consciência como boa gente, pessoas de bem", disse.
Referindo-se ainda ao impasse político que o país atravessa, Umaro Sissco Embaló afirmou que vem desde 1998, depois da guerra civil, e que o país está a "ver as consequências".
"Nenhum Governo, nenhum Presidente acabou o mandato. E é lamentável, mas um dia temos de ter consciência do mal que estamos a fazer a nós mesmos. Penso que estamos a falar e é a melhor solução, é a conversa entre os guineenses", lamentou.
Questionado sobre a relação com os outros órgãos de soberania, Umaro Sissoco Embaló disse que tens boas relações com o Presidente José Mário Vaz, com o presidente do Supremo Tribunal e com o presidente da Assembleia Nacional Popular (parlamento), Cipriano Cassamá, que qualificou de "amigo pessoal".
Mas, independentemente das relações, Umaro Sissoco Embaló lembrou que o parlamento "já não funciona há dois anos".
Sobre as prioridades do seu Governo, o primeiro-ministro destacou a transparência e boa gestão da coisa pública, saúde, educação e infra-estruturas.
Rispito.com/Angop, 21/08/2017

Situação na Guiné-Bissau é "complicada" disse Secretária executiva da CPLP

Image result for maria do carmo silveiraA situação na Guiné-Bissau é "complicada", pois "continuam a persistir o extremar de posições entre as partes envolvidas", considerou hoje em São Tomé a secretária executiva da Comunidade dos Pa"A situação é complicada. Continuam e persistir um extremar de posições entre as partes envolvidas, mesmo apesar de uma tentativa de mediação que foi adotada bastante recente de um grupo de senhoras que pretende dar um contributo para ver se consegue encontrar uma plataforma de entendimento entre os diferentes atores", disse Maria do Carmo Silveira.
A secretária executiva da CPLP, que iniciou hoje uma visita de três dias a São Tomé e Príncipe, lembrou a sua recente deslocação a Bissau onde constatou que "as posições estão muito extremadas".
"Todos reconhecem que é necessário dialogar mas muito pouco é feito em termos de iniciativas concretas no sentido de se encontrar uma plataforma para esse diálogo", salientou.
Na sua primeira visita a São Tomé e Príncipe, depois de empossada no cargo, Maria do Carmo Silveira teve hoje um encontro com o ministro dos Negócios Estrangeiros e Comunidades, Urbino Botelho, e inaugurou no Centro Cultural do Brasil uma exposição denominada "Futuro Aposta na CPLP".
Maria do Carmo Silveira, que falava aos jornalistas no final do encontro com o chefe da diplomacia são-tomense, sublinhou que "o Acordo de Conacri tem sido bastante deficiente" e a sua implementação "continua a suscitar problemas".
O Acordo de Conacri, patrocinado pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), prevê a formação de um governo consensual integrado por todos os partidos representados no parlamento e a nomeação de um primeiro-ministro de consenso e da confiança do chefe de Estado, entre outros pontos.
O atual Governo da Guiné-Bissau, de iniciativa presidencial, não tem o apoio do partido que ganhou as eleições com maioria absoluta e o impasse político tem levado vários países e instituições internacionais a apelarem a um consenso para a aplicação do Acordo de Conacri.
A secretária executiva da CPLP referiu que a CPLP entende que o conflito político em Bissau é "um problema político interno", reconhece que "em democracia é normal que haja divergências politicas, porque unanimismo não é bom", mas que o importante é que "as soluções para os conflitos, para as divergências políticas sejam encontradas dentro do quadro constitucionalmente constituído".
Maria do Carmo Silveira lamenta que as "tentativas no terreno" para encontrar uma solução para o diferendo ainda não tenham "resultados muito positivos, porque o impasse continua".
"Continuamos a apelar às partes no sentido de cumprir os acordos estabelecidos e as recomendações das instituições internacionais como as Nações Unidas e o grupo do P5 (constituído por União Africana, ONU, CEDEAO, CPLP e UE).
Rispito.com/RTP Noticias, 21-08-2017

Governo espera chegar a acordo sobre pescas com a UE em Setembro

O primeiro-ministro guineense, Umaro Sissoco Embaló, disse nesta segunda-feira à agência Lusa que espera chegar a um acordo com a União Europeia (UE) sobre as pescas no próximo mês de Setembro.
"Estamos a negociar e penso que no próximo mês vamos concluir os acordos onde nós não vamos pretender lesar a União Europeia, nem a União Europeia lesar a Guiné-Bissau, que nunca foi o caso", afirmou.
O primeiro-ministro guineense explicou também que a União Europeia é um "grande parceiro" do país, mas que o acordo de pescas não era negociado há uns anos.
"Cada Governo que vem tem a sua visão e a sua forma de negociar e de estar", disse.
A União Europeia e a Guiné-Bissau não conseguiram chegar a acordo sobre o novo acordo de pesca na quarta ronda de negociações.
A 30 de Junho, fonte europeia informou que a quarta ronda de negociações do acordo de pescas entre a União Europeia e a Guiné-Bissau foi marcada por "divergências", nomeadamente a nível da contrapartida financeira europeia.
No entanto, segundo a mesma fonte, as duas partes mostraram vontade de regressar em breve às negociações, de modo a ultrapassar questões financeiras e técnicas que permitam a entrada em vigor do acordo, em Novembro.
A contrapartida financeira que a União Europeia (UE) paga para os seus navios, nomeadamente portugueses, poderem pescar nas águas guineenses é "a principal divergência", salientou a fonte europeia.
Bruxelas contribui com 9,5 milhões de euros anuais (os acordos são renegociados a cada quatro anos) e Bissau quer ver essa verba aumentada.
A Comissão Europeia quer que a contribuição financeira "seja baseada numa avaliação séria e mais realista dos preços e modalidades".
Por outro lado, segundo a mesma fonte, falta o acordo para aplicar um sistema de quotas de pesca, tendo Bruxelas declarado a sua disponibilidade para ajudar a Guiné-Bissau a nível técnico, no sistema electrónico de controlo das capturas.
No entanto, a UE considera que o Sistema de quotas proposto pela Guiné "colocaria um peso desproporcional sobre a frota da UE, o que tornaria suas actividades economicamente inviáveis".
Já Bissau, através do seu ministro das Pescas, Orlando Viegas, afirmou que o Governo guineense considera "pouco o que a União Europeia paga para ter acesso aos recursos" do país.
Rispito.com/Angop, 21-08-2017

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

PM mantém proibição de crianças talibés pedirem esmola

Image result for umaro sissocoO primeiro-ministro guineense, Umaro Sissoco Embaló, disse hoje que os pais devem ser sensíveis à questão dos talibés que andam a mendigar pela cidade e que mantém a proibição que impede aqueles estudantes do Corão de pedir esmola.
"Qualquer pessoa que é mãe ou pai tem de ser sensível a essa situação e não fazer política com este assunto", afirmou, em conferência de imprensa, Umaro Sissoco Embaló.
Image result for manos talibe"Para as crianças irem à escola e aprenderem há horas normais. Imaginem que enviam uma criança para a feira do Bandim pedir esmola entre as 06:00 e as 19:00, a que horas é que essa criança vai aprender ensinamentos corânicos?", questionou o primeiro-ministro.
Umaro Sissoco Embaló reforçou a sua posição com o facto de ser muçulmano, ter estudado em pequeno o Corão, e nunca ninguém o ter mandado pedir esmola.
"O Corão está traduzido em todas as línguas. Vão ver nesse livro se há algum parágrafo a dizer que os meninos têm de mendigar na rua", disse aos jornalistas.
Image result for manos talibePara o primeiro-ministro, as escolas corânicas são para transmitir conhecimento e os estudantes que as frequentam também vão à universidade.
"Eu gosto muito dos meus filhos e por isso é que vou proibir os filhos dos outros de andarem a pedir na rua", disse, acrescentando quem quiser ter uma escola para talibés tem de ter condições e pedir autorização.
O primeiro-ministro disse também que o "Governo tem de criar condições para haver escolas corânicas, associadas à escola oficial e na língua oficial que é o português".
"O que é grave é crianças inocentes andarem a pedir esmola. Como guineense isto toca-me", concluiu
Rispito.com/O Jogo, 18-08-2017

Umaro Sissoco considera atentados em Espanha de "atitude cobarde"

O primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, condenou os atentados ocorridos em Espanha, considerando-os como uma "atitude cobarde".
"O que se passou em Espanha é uma atitude cobarde. Ninguém tem direito de tirar a vida a um ser humano", afirmou, em conferência de imprensa, Umaro Sissoco Embaló.
O primeiro-ministro guineense enviou também às famílias enlutadas as condolências do povo guineense.
Uma grande comunidade guineense vive em Espanha, principalmente em Barcelona, Madrid e Bilbau.
Espanha foi alvo na quinta-feira e hoje de dois ataques terroristas, em Barcelona e em Cambrils, Tarragona, que fizeram 14 mortos e 135 feridos.
Uma portuguesa de 74 anos, residente em Lisboa, está entre as vítimas mortais do ataque em Barcelona, e uma jovem de 20 anos, que a acompanhava, está desaparecida.
O ataque de Barcelona, em que uma furgoneta avançou sobre a multidão nas Ramblas, grande avenida do centro da capital catalã, matando 13 pessoas, foi reivindicado pelo grupo extremista Estado Islâmico.
Horas depois, de madrugada, cinco homens num automóvel atropelaram um grupo de pessoas em Cambrils, uma estância balnear a cerca de 100 quilómetros de Barcelona, fazendo um morto e cinco feridos.
O porta-voz da polícia catalã anunciou que foram feitas quatro detenções, três marroquinos e um espanhol, nenhum deles com antecedentes ligados ao terrorismo.
Rispito.com/Lusa, 18-08-2017

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

DENUNCIAS DE AGRESSÃO FÍSICA E VERBAL DA PJ AOS ADVOGADOS

Um grupo de advogados da Guiné-Bissau denunciou alegados atos de agressões físicas e verbais que têm sido alvo por parte de agentes da Polícia Judiciaria, em Bissau, os quais exigem que cessem.
Em conferência de imprensa, os advogados Fernando Gomes, Ruth Monteiro e José Paulo Semedo, todos do mesmo escritório, denunciaram situações de alegadas agressões de agentes da PJ quando estavam a defender cidadãos em processos.
Em nome do grupo, Fernando Gomes, antigo ministro do Interior da Guiné-Bissau, afirmou estarem em curso no país "atitudes de autoritarismo e de total desrespeito às leis" por parte dos agentes da PJ. Para Fernando Gomes, "é inconcebível tolerar ou aceitar" agressões de advogados no exercício das suas funções num Estado de direito democrático.
O responsável prometeu que a seu escritório irá tomar "todas as diligências necessárias" no plano nacional e internacional para responsabilizar os agressores e, se for o caso, o próprio Estado da Guiné-Bissau.
Fernando Gomes disse não ser normal que no espaço de cinco meses três advogados do seu escritório tenham sido vítimas de agressões verbais e físicas nas instalações da PJ quando estavam a defender cidadãos em processos.
Os advogados José Paulo Semedo e Ruth Monteiro explicaram situações de agressões que teriam ocorrido com os próprios. Os dois apresentaram queixas-crimes contra os agressores mas, destacaram, ainda não obtiveram respostas.
Ruth Monteiro anunciou que vai avançar com uma queixa nas instâncias internacionais contra o Estado guineense, que acusa de nada fazer para "chamar à razão" os agentes da PJ, nomeadamente o diretor, Bacari Biai, e o seu adjunto, Juscelino Pereira. Contactada pela Lusa, a PJ da Guiné-Bissau remeteu esclarecimentos para mais tarde. 
Rispito.com/Lusa, 16-08-2017

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Advogados  pedem ratificação do protocolo do Tribunal Africano dos Direitos Humanos

O bastonário da Ordem dos Advogados da Guiné-Bissau, Basílio Sanca, considerou como "fundamental" que o país ratifique o protocolo de criação do Tribunal Africano dos Direitos Humanos e dos Povos.
"É fundamental que o Estado da Guiné-Bissau ratifique o protocolo de criação do Tribunal Africano dos Direitos Humanos e dos Povos, evoluindo no sentido de garantir a plena proteção dos direitos humanos no seu território", afirmou Basílico Sanca.
O bastonário da Ordem dos Advogados guineense falava no seminário realizado pelo Tribunal Africano dos Direitos Humanos e dos Povos em Bissau para sensibilizar as autoridades guineenses a ratificar o protocolo, que permite o acesso das organizações não-governamentais e indivíduos aquele órgão judicial da União Africana.
"A questão da proteção dos direitos humanos não é um assunto interno dos estados ou uma faculdade dos estados. Ela implica uma obrigação internacional supra estadual, ao mesmo tempo, uma obrigação moral de aceitação de conquistas da sociedade no âmbito da proteção dos direitos humanos", sublinhou Basílio Sanca.
Para Basílio Sanca, a Guiné-Bissau tem uma "oportunidade para avançar no sentido de ratificar o instrumento da criação do Tribunal Africano dos Direitos Humanos e do Povos, tornando-se num Estado de Direito com ambição de assegurar mais garantias de acesso a instâncias judiciais no seu ordenamento jurídico para a garantia dos direitos, liberdades e garantias das pessoas no seu território".
O bastonário da Ordem dos Advogados apelou também para o reforço da ação do Estado no domínio dos direitos humanos e para o aumento da cooperação com as instituições nacionais e internacionais que atuam no domínio da proteção dos direitos humanos.
O Tribunal Africano dos Direitos Humanos e dos Povos foi criado em 2006.
Dos 55 estados-membros da União Africana, apenas 33 ratificaram o protocolo e somente oito submeteram a declaração de aceitação de competência do Tribunal, que permite o acesso das organizações não-governamentais e dos indivíduos aquele órgão judicial.
Rispito.com/Lusa, 16-08-2017

terça-feira, 15 de agosto de 2017

 Presidente lamenta morte de mais de 300 pessoas na Serra Leoa

O Presidente da Guiné-Bissau lamentou esta terça-feira, em Bissau, a morte de mais de 300 pessoas ocorrida na segunda-feira, na Serra Leoa, na sequência de um deslizamento de terras na capital daquele país, Freetown.
José Mário Vaz endereçou uma mensagem de condolência ao seu homólogo serra-leonês, Ernest Koroma, manifestando-lhe a solidariedade da Guiné-Bissau e o "profundo pesar" pelos "trágicos efeitos" causados pelo deslizamento de terra.
A Serra Leoa tem sido afectada nos últimos dias pelas fortes chuvas. O deslizamento de terras da última segunda-feira causou vários feridos e motivou o desalojamento de milhares de pessoas.
"Neste momento difícil o nosso pensamento está com todas as vítimas desta tragédia, muito em particular com as famílias que perderam os seus entes queridos", lê-se ainda na mensagem do Presidente guineense a que a Lusa teve acesso.
Também numa mensagem da presidência, o líder guineense condenou o "bárbaro e vil atentado" que teve lugar, no domingo, num café da capital do Burkina-Faso, Ouagadougou, ceifando a vida a mais de dez pessoas e vários feridos.
O atentado foi perpetrado por um grupo terrorista local.
Para José Mário Vaz, "o trágico acontecimento" vai contra os valores universais defendidos pelas nações e povos do mundo pelo que merece "repúdio e condenação" do povo da Guiné-Bissau que manifesta, através da mensagem do Presidente, "as mais sentidas condolências e solidariedade" ao do Burkina-Faso.
Rispito.com/Lusa, 15-08-2017

Missão do Tribunal Africano dos Direitos Humanos visita a Guiné Bissau

Image result for Sylvian OreUma missão do Tribunal Africano dos Direitos Humanos e dos Povos conclui hoje uma visita de dois dias à Guiné-Bissau,  no quadro de uma campanha de sensibilização e  denúncias de eventuais violações de direitos.
À saída, segunda-feira (14), de encontro com o primeiro-ministro guineense, o presidente do tribunal informou que o propósito da missão é dar a conhecer o papel do tribunal na proteção dos direitos humanos no continente africano.
Sylvian Ore explicou que os cidadãos podem recorrer ao referido órgão quando forem esgotados todos os instrumentos nacionais. “A Guiné-Bissau assinou o protocolo de acordo de Adesão do Tribunal Africano, mas ainda não o ratificou”, disse.
O chefe da missão disse estar confiante que a ratificação será feita brevemente, para que o povo guineense possa beneficiar do mandato do tribunal e ver se estão de acordo com a Carta Africana dos Direitos dos Homens e as regras internacionais.
Sylvian Ore esclareceu que o tribunal não tem missão de fazer uma avaliação ou apreciação dos Direitos Humanos na Guiné-Bissau, mas sim promover a proteção dos direitos dos povos.
A missão do tribunal africano manteve também encontros com o presidente da República,  presidente da Assembleia Nacional (Parlamento) e presidente do Supremo Tribunal de Justiça.
Nesta terça-feira,  em colaboração com governo, a missão promove um seminário de sensibilização.
Rispito.com/África 21, 15-08-2017

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Habitantes da tabanca de Bara preferem ter fome e construir estrada

Image result for tabanca de Bara a Mansoa, na Guiné-BissauChegar hoje da tabanca de Bara a Mansoa, na Guiné-Bissau, demora apenas 20 minutos de carro devido a uma estrada construída pela população, que optou por "ficar com fome", mas ter acesso à saúde e sair do isolamento.
Os 18 quilómetros distância entre Bara e Mansoa, na região de Oio, centro da Guiné-Bissau, eram na época seca percorridos em três horas.
Na época das chuvas, as pessoas ficavam isoladas e para chegar a Mansoa eram obrigadas a caminhar entre mato e bolanhas (arrozais) e a levarem uma muda de roupa para chegarem limpos à cidade.
Farto do isolamento e das dificuldades para chegar a Mansoa, Tchikng Athé teve a ideia de construir a estrada e começou a mobilizar a população.
"Isto era como se fosse uma ilha, na época da chuva. Caem as primeiras chuvas e já não há como os carros chegarem aqui à nossa tabanca. Por isso decidimos ficar com fome (não resolver outros problemas), mas resolver o problema da estrada", afirmou à agência Lusa.
Cansado da promessa dos políticos, Tchikng Athé recordou a sobrinha, que morreu o ano passado a tentar chegar a Mansoa para ir ao médico e muitas outras mulheres grávidas que perderam a vida.
Image result for tabanca de Bara a Mansoa, na Guiné-Bissau"Os carros não conseguiam chegar à nossa tabanca, era preciso carregá-las com macas improvisadas. Agora podemos dizer: Deus obrigado. Lutamos mas não acabamos, mas agora os carros entram até à tabanca", disse, lembrando que todos são filho da Guiné-Bissau.
Em Bara já há estrada, mas ainda há dívidas para pagar aos donos da máquina e a outras pessoas de boa vontade que ajudaram a população, que contribui com cerca de 20.000 francos cfa (cerca de 30 euros) por pessoa de trabalho, as crianças e os mais velhos não pagaram.
"Agora é muito fácil andar nesta estrada, daqui até Mansoa. Agora podes vestir boa roupa em casa, sair e apanhar o transporte na tua porta até Mansoa", afirmou.
Para concretizar a ideia de Tchikng Athé contribui Manuel Jorge Sigá, que era o antigo motorista que fazia a ligação entre Mansoa e Bara durante a época seca.
"Para fazer três carreiras (de transporte publico) num dia, vir de Mansoa para aqui, eras obrigado a começar a viagem de Mansoa para cá às 03:00 para parar às 09:00. Levavas três horas entre a estrada principal para aqui em Bara. Três horas para vir, três horas para ir", explicou à Lusa.
Manuela Jorge Sigá foi o engenheiro e o topógrafo da estrada e quem discutiu os preços, mas sempre acompanhado pelos representantes da população.
"Não sou nem engenheiro, nem topógrafo, mas fui eu que alinhei esta estrada com as minhas mãos. É apenas uma curiosidade. Como se diz em crioulo a cabra não costuma morder (as pessoas), mas se estiver em apuros morde", afirmou.
Já o presidente do comité da tabanca de Bara, Damna Mbali, recordou as promessas dos partidos, que "falam coisas bonitas, mas que não passam disso mesmo"
"Não confiamos mais em nenhum partido, mas sim nas nossas mãos. Agora uma pessoa sai daqui e rapidamente chega à Mansoa, até uma criança vai rapidamente e volta à tabanca. Agora a população está satisfeita, quando passa pela minha casa, ou vai a passar na estrada, diz-me sim senhor, fizeram um bom trabalho", afirmou.
Rispito.com/Lusa, 14-08-2017

Não admitimos que o PR da Guiné-Bissau exija reconhecimento da sua legitimidade e a retire aos outros

Agnelo Regalla: «Não admitimos que o PR da Guiné-Bissau exija reconhecimento da sua legitimidade e a retire aos outros»O presidente do partido União para a Mudança foi ministro da Comunicação Social nos dois últimos governos constitucionais da Guiné-Bissau. Durante a sua estada na Praia, na passada semana, Agnelo Regalla falou com o Expresso das Ilhas sobre a crise que se vive actualmente no seu país. Regalla imputa ao Presidente José Mário Vaz a maior cota parte da responsabilidade na crise político-institucional guineense por desrespeitar o princípio da separação de poderes e querer ser simultaneamente presidente e chefe do governo.

domingo, 13 de agosto de 2017

Conselho Nacional Islâmico contra proposta de retirar crianças talibés das ruas

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O porta-voz do Conselho Nacional Islâmico (CNI) da Guiné-Bissau, Siradjo Bary, disse  que a sua organização é contra a medida anunciada pelo primeiro-ministro de retirar das ruas e enviar para um centro crianças talibés

Em declarações à rádio Capital FM de Bissau, o dirigente do CNI disse que a sua organização considera "estranha" a medida anunciada pelo primeiro-ministro, Umaro Sissoco Embaló, de retirar crianças talibés das ruas e mandá-las para as ilhas, no arquipélago dos Bijagós.
"Para nós é estranho ouvir que há uma ordem para prender e mandar as crianças talibés para as ilhas", declarou Siradjo Bary, sublinhando ser normal que os jovens talibés peçam esmolas, sob orientação dos seus mestres.
O talibé é um adolescente ou jovem muçulmano sob o cuidado de um mestre que o ensina o Corão, o mais importante livro da religião islâmica. Durante esse processo muitos aparecem a pedir esmolas pelas ruas de cidades guineenses e de países vizinhos para onde são mandadas pelos pais.
O próprio Siradjo Bary disse ter servido o seu mestre corânico no Senegal, para onde foi estudar a religião, mas nos campos de lavoura.
Na Guiné-Bissau, explicou, os mestres corânicos, por não terem campos e lavoura, mandam os seus alunos pedir esmola.
"É normal que uma criança em aprendizagem trabalhe para o seu mestre", no campo ou pedindo esmola, sublinhou o porta-voz do CNI, notando ainda não ser crime pedir esmola.
"Isso não constitui crime nenhum, quem quiser oferecer algo às crianças oferece, quem não quiser não lhes dá nada. Não estão a roubar nada de ninguém", observou Siradjo Bary.
O CNI reuniu-se já com o ministro da Presidência do Conselho de Ministros, Soares Sambú, na ausência do primeiro-ministro, que se encontra fora do país, em visita privada.
Assim que Umaro Sissoco Embaló chegar ao país o CNI será recebido em audiência para esclarecer a questão, afirmou Siradjo Bary.
O Conselho Islâmico da Guiné-Bissau aprova que se retire as crianças das ruas, mas que sejam colocadas num lugar onde poderão apreender a religião de forma organizada, assinalou Siradjo Bary.
O primeiro-ministro guineense esclareceu quinta-feira que não pretende mandar prender crianças, mas retirá-las das ruas, porque mendigar esmola não faz parte do ensino do Corão.
Rispito.com/Lusa, 13-08-2017