segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Jomav pede tempo para decidir sobre candidatura

defaultPresidente guineense diz que precisa de "mais uns dias" para decidir se vai ser candidato às presidenciais de 24 de novembro. Jomav terminou mandato em 23 de junho e vai permanecer no cargo até a eleição de um sucessor.
O Presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, pediu este sábado (17.08) aos seus apoiantes mais uns dias para anunciar se será candidato às eleições presidenciais, marcadas para 24 de novembro.

"Peço mais uns dias", disse o Chefe de Estado guineense num encontro que reuniu centenas de apoiantes provenientes de várias regiões da Guiné-Bissau, organizado pela Plataforma de Apoio a Jomav.

"Peço-vos só uns dias e daremos uma resposta. Daremos uma resposta em função de tudo aquilo que aqui disseram", salientou o Presidente.

O Presidente guineense terminou o mandato em 23 de junho, mas vai permanecer no cargo até à eleição de um novo chefe de Estado. A primeira volta das presidenciais na Guiné-Bissau está marcada para 24 de novembro. Caso nenhum candidato obtenha a maioria dos votos, a segunda volta está prevista para 05 de janeiro.

Dos vários possíveis candidatos às presidenciais do país, até ao momento, já confirmaram a sua candidatura dois antigos primeiros-ministros do país, nomeadamente Carlos Gomes Júnior, como independente, e Umaro Sissoco Embalo, candidato do Movimento para a Alternância Democrática, partido criado em 2018 e que foi o segundo mais votado nas legislativas de 10 de março.
Rispito.com/DW, 19-08-2019


sexta-feira, 16 de agosto de 2019

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Madem-G15 pede novo recenseamento para as presidenciais 

O Movimento para a Alternância Democrática da Guiné-Bissau (Madem-G15) defendeu hoje a realização de um novo recenseamento para as presidenciais de novembro ou a criação de uma estrutura que supervisione o processo de atualização de dados.

"O Madem defende um novo recenseamento, tendo em conta todas as anomalias [registadas durante o recenseamento para as legislativas], tendo em conta que houve uma recusa ao direito dos cidadãos, tendo em conta que o recenseamento é considerado biométrico mas que milhares de pessoas ficaram sem colocar dados biométricos, tendo em conta que a muitas pessoas foi recusado o direito de votar e de se registarem", afirmou o secretário-geral do partido Djibril Baldé.

Para o dirigente do partido, "tudo isso (...) justifica a necessidade de fazer de um recenseamento novo".
Image result for Djibril Baldé madem-g15 guine bissauGibril Baldé falava aos jornalistas no final de um encontro com o presidente da Comissão Nacional de Eleições, José Pedro Sambú, salientando que o partido está aberto, por via do consenso, a encontrar uma solução, mas que inclua sempre a necessidade de recensear aqueles que não foram recenseados, de ponderar o recenseamento de cidadãos que fizeram 18 anos desde o último recenseamento e de consolidação dos dados biométricos.

"Queremos um recenseamento limpo e para ser limpo tem de haver um órgão, que não o Governo, a fazer a supervisão deste processo", disse, propondo a criação de uma estrutura de supervisão e direção composta por elementos do Governo, da Comissão Nacional de Eleições, dos partidos políticos, candidatos às presidenciais, sociedade civil e comunidade internacional.

A Guiné-Bissau realiza eleições presidenciais a 24 de novembro e o Governo apresenta sexta-feira o Plano Operacional para a Consolidação do Registo Eleitoral.

Madem-G15 pede novo recenseamento para presidenciais da Guiné-Bissau
Num despacho divulgado na terça-feira, a Comissão Nacional de Eleições informou os eleitores de que entre 17 de agosto e 15 de setembro vão decorrer as correções das omissões verificadas nos cadernos eleitorais.

"A Guiné-Bissau não deve correr esse risco. Estas eleições são muito sensíveis e de muita responsabilidade e devemos todos pugnar-nos por realizar eleições limpas, para que quem saia vencedor saiba que ganhou limpo e quem perder saiba que perdeu limpo", afirmou o secretário-geral do Madem-G15.

O processo de recenseamento eleitoral para as eleições legislativas de 10 de março foi bastante polémico, com vários partidos políticos, incluindo o Madem-G15, a acusarem o Governo de irregularidade durante todo o processo.
Rispito.com/Noticia ao Minuto, 16/08/2019

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Carlos Gomes Júnior promete ser "lutador incansável" pela unidade da Guiné-Bissau

Image result for carlos gomes junior bissauO antigo primeiro-ministro guineense Carlos Gomes Júnior prometeu hoje ser um "lutador incansável" pela unidade da Guiné-Bissau e pelo fim da impunidade, na apresentação oficial da sua candidatura às eleições presidenciais, marcadas para 24 de novembro.

"Como Presidente da República serei um lutador incansável pela promoção da unidade nacional, pelo diálogo e compreensão entre os guineenses em todos os quadrantes, seja no quadro do diálogo institucional com os demais órgãos de soberania, com os partidos políticos, com as instituições militares no quadro do papel do Presidente da República enquanto comandante supremo das Forças Armadas, com a sociedade civil, com o setor privado, com as instituições religiosas, os estudantes, jovens e mulheres", disse Carlos Gomes Júnior.

O antigo presidente do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) falava durante a apresentação oficial da sua candidatura às eleições presidenciais de 24 de novembro em Ponta Gardete, nos arredores de Bissau, perante dezenas de apoiantes.

"Lutarei para que a verdade, a fraternidade e a solidariedade imperem no seio dos guineenses, para que a Guiné-Bissau se afirme pela solidez das suas instituições e órgãos e se diga não à irresponsabilidade e à impunidade, por forma a se promover uma genuína e consistente reconciliação nacional", afirmou.

Carlos Gomes Júnior foi primeiro-ministro da Guiné-Bissau entre 2004 e 2005 e entre 2008 e 2012, tendo sido deposto num golpe de Estado na sequência da realização da primeira volta das presidenciais para substituir o antigo Presidente Malam Bacai Sanha do cargo, após ter morrido devido a doença.

Ainda enquanto primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior candidatou-se às presidenciais de 2012 da Guiné-Bissau, com o apoio do PAIGC, tendo vencido a primeira volta, mas os restantes candidatos não aceitaram os resultados eleitorais, levando a que os militares fizessem um golpe de Estado, onde foi deposto e detido.

Carlos Gomes Júnior saiu depois da Guiné-Bissau, tendo vivido entre Portugal e Cabo Verde nos últimos anos.
Rispito.com/Lusa, 14-08-2019

Candidatura às presidenciais seria "obrigação" após "criar expetativa nos guineenses"

Demonstration in BissauEm entrevista exclusiva à DW, Domingos Simões Pereira diz sim a uma candidatura às eleições de 24 de novembro - se essa for a vontade do PAIGC - e acusa o Presidente José Mário Vaz de "atentado às regras democráticas".
Domingos Simões Pereira está totalmente disponível para entrar na corrida às eleições presidenciais de 24 de novembro na Guiné-Bissau, se o Partido Africano para a Independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde (PAIGC) entender que é a pessoa certa para derrotar José Mário Vaz, o seu principal adversário.

Em entrevista exclusiva à DW África, em Lisboa, afirma que tem essa "obrigação", depois de criar expectativa entre os guineenses: "Eu fiz os guineenses acreditar, eu faço parte desse acreditar dos guineenses. Eu não posso virar cara à luta".

Simões Pereira acredita que a soma de todas as sensibilidades existentes no seio do partido saberá interpretar a sua disponibilidade e garante que a decisão sobre quem será o candidato do PAIGC será conhecida dentro de dez dias.

"Dentro do PAIGC, se há algo que hoje funciona são as regras. O estatuto é o que fala mais alto. E, portanto, de acordo com o estatuto, nós vamos ter uma reunião do presidium para estabelecer a agenda da nossa comissão permanente", afirma.

Guinea-Bissau Domingos Simões Pereira José Mário VazNessa altura, será apresentada uma proposta ao Bureau Político do PAIGC e caberá ao Comité Central deliberar sobre o candidato. Nesta condição, Simões Pereira diz que ainda é cedo para falar de propostas concretas, mas adianta já que não será necessário mudar a Constituição para alterar o regime semipresidencialista.
"Eu acho que as pessoas é que não têm sabido interpretar e fazer jus àquilo que é o ordenamento jurídico que foi escolhido. Eu acredito que o sistema semipresidencial é mais democrático do que os outros sistemas", explica.

A figura presidencial, sublinha, é fundamental, nomeadamente nas Forças Armadas, onde "o trabalho do Presidente da República é muito importante" para avançar com a reforma.

E os desafios não ficam por aqui: "Temos um ambiente a cuidar. Somos um país ribeirinho. Somos um país que, com a alteração climática, temos um aumento do nível das águas do mar que pode por em causa várias zonas do nosso território. Nós temos camadas sociais vulneráveis. Temos uma taxa de mortalidade infantil e materna das mais elevadas do mundo".

"A alteração desse quadro", frisa Simões Pereira, "passa por um Presidente da República que tem sensibilidade suficiente para trabalhar com o Governo no sentido de destacar parte do seu orçamento para o atendimento dessas necessidades".

Para o líder do PAIGC, o Presidente da República dever ser uma figura que promova o "diálogo permanente" com todos em busca de consensos que favoreçam a construção da nação guineense. Neste âmbito, propõe exercer uma presidência aberta sem se constituir num factor de bloqueio. Garante à comunidade internacional que será um factor da estabilidade, com o envolvimento de todos os guineenses.

"Essa garantia à comunidade internacional tem que resultar do compromisso que nós vamos estabelecer a nível interno. É impossível dar garantias à comunidade internacional quando nós não somos capazes de consolidar uma postura nacional a favor dos grandes objectivos", considera.

Domingos Simões Pereira quer uma Guiné-Bissau comprometida, onde a lei seja respeitada e onde a Constituição deve ser realmente a matriz. "Todos temos um único objetivo, que é a vitória da Guiné-Bissau", sublinha.
O líder do PAIGC admite que o seu principal adversário poderá ser José Mário Vaz, cujo mandato de cinco anos como chefe de Estado terminou oficialmente a 23 de junho passado, considerando que "isso depende dele e do partido".

"O meu partido irá decidir quem apresentar como seu candidato. No caso dele é bastante mais fácil. Terá que ser simplesmente ele a decidir", afirma.

Domingos Simões Pereira garante que, "em termos pessoais", não se sentiu atingido pelo facto de não ter sido indigitado para o cargo de primeiro-ministro pelo Presidente, ainda em funções até à realização das eleições, mas, "enquanto cidadão" o caso muda de figura, "porque é claramente um atentado às regras democráticas".
"Um Presidente da República que não aceita aquilo que é o resultado de umas eleições legislativas não tem condições de contribuir para a consolidação democrática", sublinha.
"Com a minha não confirmação como chefe de Governo, senti que houve aí um desperdício de oportunidades", lamenta, sublinhando, no entanto, que olha "sempre para as partes positivas dos factos".

"Olho para o quadro global e tenho que concluir que, mesmo sem a minha indigitação, o país dispõe de um plano estratégico operacional, o país dispõe de um Governo, de uma Assembleia Nacional Popular democrática e funcional. Temos outros desafios mas temos também algumas conquistas", considera.

O problema da relação entre Domingos Simões Pereira e José Mário Vaz "só existe num sentido", esclarece. "No sentido do José Mário Vaz em relação ao Domingos Simões Pereira e não o contrário", precisa. "Considero que o exercício de funções públicas obriga a uma preparação de cada um dos titulares a compreender que está a desempenhar ou a cumprir uma missão. E não propriamente a escolher aquilo que é mais conveniente para ele. Porque nenhum de nós foi escolhido para gostar do outro".

Simões Pereira considera que Jomav provou que é um cidadão que não partilha as preocupações da grande maioria dos guineenses, "insistiu e provocou a crise", remata, referindo-se ao período entre 2015 e 2019, em que o país viveu uma espécie de "calvário inventado e sustentado por um homem que, obviamente, tinha o apoio de mais gente atrás dele".

Respeito por todos os candidatos

O líder do PAIGC não está igualmente preocupado com a candidatura independente de Carlos Gomes Júnior, que mantém a sua condição de militante. Diz respeitar todos os cidadãos nacionais que, no gozo das suas liberdades, se mostrem disponíveis a servir o país.

"Se é essa a condição com que o Carlos Gomes se apresenta como candidato tem que ter o nosso respeito, tem que ter a nossa consideração e esperamos que também no uso das suas liberdades o povo guineense saiba decidir se ele tem condições para o efeito ou não", sublinha.

Domingos Simões Pereira, que regressou esta terça-feira (13.08) à Guiné-Bissau, estabeleceu contatos intensos com várias entidades e setores da diáspora guineense em Portugal, com os quais refletiu sobre a situação política, social e económica guineense.

Se for eleito Presidente da República, Simões Pereira garante que deixará a liderança do partido.
Rispito.com/DW, 14/08/2019

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

A saúde é um comércio rentável que está “inltrado” por alguns grupos, acusa ministra

Image result for magda ministra de saude guine bissauA Ministra da Saúde Pública, Magda Robalo Silva, disse que o sistema de saúde na Guiné-Bissau alguns grupos que “capturaram o sistema”, impossibilitando a sua melhoria.

Num encontro, este sábado 10 de Agosto, com médicos e farmacêuticos, Magda Robalo Silva disse que o actual sistema de saúde está “inltrado e dominado” por interesses comerciais, sublinhando que esses interesses conspiram para manter o status quo

“Eu acho que o sistema de saúde na GuinéBissau tornou-se um comércio rentável para alguns grupos, porque capturam o sistema e não conseguimos fazer avançar aquilo que deveria ser as questões programáticas que permitem reduzir a mortalidade, a morbilidade e ter uma melhor saúde, o maior bem-estar na GuinéBissau” insistiu, denunciando que “há interesses comerciais instalados que fazem do no sector da saúde”

Por outro lado, a ministra da Saúde disse que o sistema de saúde é “excessivamente dependente” do nanciamento externo, e que há ruptura de stocks de medicamentos que acontece no país, mas que não se consegue explicar

“Há ruptura de stocks que acontece, mas que não se consegue explicar por quê é que quando o paciente chega tem que ir comprar os medicamentos, soros, antes de ser atendido. Nós temos uma central de medicamentos que devia poder fornecer esses medicamentos, mas que entra em situação de rotura de stocks. Eu também penso que nós temos um sistema que é excessivamente dependente do nanciamento externo, e que nós temos procedimentos burocráticos, que são evam a lado nenhum e que somos largamente decientes em matéria de sistema de informação e gestão de nanças públicas, contabilidade e prestação de contas” disse Magda Robalo Silva, asseverando que há uma espécie de “comércio interno nos hospitais”, por considerar que os “pagamentos informais e directos” imperam nas unidades hospitalares

“Há um uxo do nanciamento de fundos que não são contabilizados. Eu penso que o nosso sistema tem processos arcaicos, aleatórios, politizados e que não nos permitem funcionar como se funciona em pleno século XXI em qualquer parte do mundo. Nós temos que mudar isso e mudar isso rapidamente se quisermos avançar” disse a governante.

“A gestão dos recursos humanos é um problema  vão, mas o salário continua a cair na conta. As pessoas não fazem concursos públicos para serem colocadas em diferentes postos. Há toda uma situação com a gestão dos recursos humanos que tem que mudar. As pessoas têm que merecer o posto em que estão e têm que ser avaliadas pelo trabalho que fazem, e se não derem rendimento têm que ser exoneradas” disse Magda Robalo Silva, sublinhando que “no nosso sistema impera a informalidade. A falta de prossionalismo, de rigor, de incumprimento das normas e a impunidade. Como resultado de tudo isto, eu acho que nós temos um sistema com uma crise crónica de credibilidade. Um sistema que é fragmentado, descoordenado, injusto. O guineense que mais precisa de cuidados de saúde é o que menos especializados de que precisa”.
Rispito.com/e-Global, 12-08-2019

Futuras líderes da Guiné-Bissau preparam-se em acampamento

As futuras líderes guineenses estão em estágio num acampamento com 150 raparigas dos 16 aos 28 anos, na localidade de Canchungo, norte do país, com o objetivo de "remover barreiras e normas socioculturais e promover a valorização das meninas".

O acampamento, primeira escola nacional de jovens mulheres líderes da Guiné-Bissau, é uma organização da Rede Nacional de Jovens Mulheres Líderes (Renajelf -GB), presidida por Fatumata Sané, de 25 anos, médica recém-graduada em Bissau.
A Lusa visitou a escola, que decorre em seis oficinas improvisadas em vários pontos da cidade de Canchungo, onde estão 25 jovens raparigas em cada uma das oficinas, vindas de todas as zonas da Guiné-Bissau a receberem formações em domínios diversos como inteligência emocional, doenças sexualmente transmissíveis, gravidez precoce e não desejada, liderança, cultura e arte, gestão associativa, direitos humanos e migração, entre outras valências.

Profissionais seniores, na sua maioria mulheres já no mercado de trabalho, foram convidadas pela Renajelf para ministrarem aulas práticas e noções básicas às futuras líderes, de quem se espera "atitudes, melhoria de virtudes, autoconfiança" nas suas comunidades, a partir de "novos valores cívicos".

A presidente da rede disse à Lusa que "uma menina empoderada será uma mulher fortalecida e pronta para participar nas esferas da tomada de decisões" na sua comunidade e no próprio país, daí se sentir encorajada a continuar com a iniciativa nos próximos anos.

Fatumata Sané destacou também o facto de a iniciativa, a primeira no país, ter juntado "meninas, futuras líderes" oriundas de todas as regiões e de todas as franjas sociais - de organizações comunitárias, jovens com deficiência física, de confissões religiosas, jovens jornalistas, de partidos políticos, desportistas, empreendedoras e militares.

De todas, Sane espera mudanças "a partir de agora" nas suas comunidades e espaços, sobretudo que sejam portadoras de valores que "os mais velhos não têm" e que sejam também "derrubadoras das barreiras e normas socioculturais" que dificultam a ascensão das mulheres aos lugares de decisão, disse.

A líder da Renajelf considerou que a remoção de barreiras na escola vê-se com a presença de sete jovens militares num acampamento organizado por civis entre 04 e 11 de agosto, com os apoios do Governo guineense e agências locais das Nações Unidas.

"É necessário a diversidade, o que é a nossa força, tirando a farda, elas são civis", frisou Fatumata Sané.
Chaviana da Silva é uma das 150 jovens presentes no acampamento.

Oriunda de Bissau, esta guineense de 23 anos concorda com a visão defendida pela líder da rede e, em poucos dias, disse já ter aprendido "muita coisa" sobre os direitos humanos e migração, referindo que a sua meta de vida é "ajudar o país a ser próspero para que os jovens deixem de arriscar a vida, tentando a emigração irregular".

Chaviana disse ter aprendido que aquela forma de sair do país acarreta riscos como a fome, doenças, assassínios e torturas. Mas, acrescentou, sem a estabilidade na Guiné-Bissau, os jovens vão continuar a escolher aquela forma para abandonarem o país.

Dados do Governo guineense indicam que 60% da população ativa é considerada jovem e cerca de 61% da população é do sexo feminino, num país com cerca de 1,8 milhões de pessoas.
Rispito.com/Lusa, 12-08-2019

Guiné-Bissau quer ser o portal dos EAU para a América Latina

_w0i7729.jpgO ambicioso plano de ecoturismo e desenvolvimento de infra-estrutura da Guiné-Bissau seria fundamental para tornar a pequena nação da África Ocidental uma porta de entrada para a América Latina para os Emirados Árabes Unidos, segundo o primeiro-ministro do país."Estamos na esquina da África Ocidental, na costa do Atlântico.

"Estamos na esquina da África Ocidental, na costa do Atlântico. Mesmo sem um vôo direto, o Brasil está a menos de cinco horas de Bissau [a capital com o único aeroporto internacional do país]", disse o primeiro-ministro Aristides Gomes. a Emirates News Agency, WAM, numa entrevista exclusiva em Abu Dhabi. "Dadas as crescentes relações entre os EAU e a América Latina, nosso país pode ser uma porta de entrada", acrescentou.

Agora, a viagem entre a Guiné-Bissau e os Emirados Árabes Unidos leva de 16 a 28 horas, já que não há voos diretos, enquanto o vôo direto entre Dubai e o Brasil chega em 15 horas. Desenvolver a infra-estrutura aeronáutica da Guiné-Bissau pode criar uma rede de turismo que liga a África Ocidental e a América Latina e reduzir consideravelmente o tempo de viagem entre essas regiões e o Golfo, explicou Gomes, em visita oficial a Abu Dhabi na semana passada.

O governo planeja um projeto de ecoturismo no Arquipélago de Bijagós, um grupo de 88 ilhas espalhadas pelo Atlântico ao largo da costa da Guiné-Bissau, o que também pode atrair turistas dos Emirados Árabes Unidos, disse ele. "O novo destino pode oferecer um pacote para as pessoas que viajam para a América Latina e outras partes da África", disse o primeiro-ministro.

Listado em 1966 pela UNESCO como uma reserva da biosfera, o Arquipélago dos Bijagós possui uma flora e fauna marinhas raras no mundo, incluindo tartarugas marinhas e hipopótamos marinhos.

Durante a visita dos Emirados Árabes Unidos, o primeiro-ministro encontrou-se com o Xeque Abdullah bin Zayed Al Nahyan, Ministro de Relações Exteriores e Cooperação Internacional, e discutiu as relações bilaterais e formas de melhorar a cooperação geral.

O Xeque Abdullah sublinhou a sua vontade de melhorar as relações bilaterais dos EAU com a Guiné-Bissau.

_w0i7741.jpg"Foi uma reunião extraordinária", disse o primeiro-ministro, revelando que a cooperação em energia renovável e estratégia de desenvolvimento sustentável foi um tema importante nas discussões. "Estamos impressionados com a forma como os Emirados Árabes Unidos efetivamente utilizaram suas receitas de petróleo e adotaram um caminho de desenvolvimento sustentável", disse Gomes.
O primeiro-ministro e sua delegação também se reuniram com Mohammed Saif Al Suwaidi, diretor-geral do Fundo para o Desenvolvimento de Abu Dhabi, ADFD, e discutiram a cooperação em obras de desenvolvimento e financiamento.

Sobre a sua ambição de melhorar a economia da nação empobrecida, o primeiro-ministro disse ter procurado a parceria dos EAU no projeto de ecoturismo no Arquipélago de Bijagós e nos projetos de aviação e energia renovável do país. "Temos que construir tudo a partir dos arranhões", disse Gomes.

O país não tem sua própria companhia aérea. O único aeroporto internacional da capital recebe voos do resto da África e de Portugal. A infra-estrutura do aeroporto precisa ser mais desenvolvida para receber mais vôos, disse ele.

A Guiné-Bissau ainda não possui um projeto de energia renovável e a maior parte da eletricidade é produzida por combustíveis fósseis. "Estamos apenas começando. Temos que ir passo a passo [em energia renovável]", disse o primeiro-ministro.
Rispito.com/Ag. Noticias dos Emirados, 12-08-2019

Tabanka Djaz lança novo álbum em Outubro com temas a chamar atenção dos políticos guineenses

Tabanka DjazO grupo musical Tabanka Djaz deve lançar no mercado, em Outubro, um novo álbum e, como sempre, “lá estarão temas a chamar atenção” dos políticos da Guiné-Bissau, pela situação política “muito complicada e preocupante”, segundo Micas Cabras.

O líder da banda, em declarações na Baía das Gatas, após a actuação do grupo, formado maioritariamente por guineenses residentes em Portugal, adiantou que “o mais grave de tudo” é que “não se vê a luz ao fundo do túnel”, capaz de indicar uma melhoria na Guiné-Bissau.

“Cada etapa que é ultrapassada, à espera de dias melhores, acontece sempre episódios desagradáveis”, concretizou a mesma fonte, pelo que, sustentou, é momento de os políticos na Guiné-Bissau “começarem a pensar um pouco mais no povo”.

Crítico da forma como o seu país tem vindo a ser dirigido, Micas Cabral declarou que já são “mais de 40 anos de independência” e que a Guiné-Bissau “ainda não deu um passo”, tirando os primeiros anos pós-independência, precisou, em que o país “deu mostras de desenvolvimento e algum sentido de Estado e de Nação”.

“Mas, infelizmente, nos últimos 30 e poucos anos, tem sido catastrófica a situação na Guiné-Bissau, temos pena porque é a nossa terra, vivemos na Europa, mas o sonho é regressar, viver, sermos acolhidos por aquilo que é nosso e é pena que cada vez notámos que tal está cada vez mais distante”, considerou.

Por isso é que, ao cantar as suas músicas de intervenção, segundo Micas Cabral, Tabanka Djaz mais não faz do que chamar a atenção aos políticos, o que já vem desde 1996, com o disco “Esperança”.

“Nessa álbum, cantamos a esperança da Guiné-Bissau, mas infelizmente essa música ‘esperança’ contínua actual, o que é grave, e não gostaríamos que assim fosse”, explicou Micas Cabral, pois, o desejo, sintetizou, era falar dessa música como sendo do passado.

“Mas ela é uma música do presente pelo que se torna necessário que se repense muito seriamente a Guiné-Bissau”, pontuou.
Sobre a actuação dos Tabanka Djaz no Festival da Baía das Gatas, 22 anos depois, o vocalista considerou-se “super feliz” por regressar àquele palco, do qual guarda “boas recordações” e que foi oportunidade de reviver “bons momentos”.
Rispito.com/Expresso das Ilhas, 12/08/2019

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

 “Sou uma aposta dos jovens para refundar o Estado da Guiné-Bissau”

A imagem pode conter: 1 pessoa, a sorrir, em pé e textoO principal partido da oposição na Guiné-Bissau, MADEM-G15, designou o terceiro vice-presidente para ser seu candidato nas próximas eleições presidenciais marcadas para 24 de novembro. Analista discorda com a escolha.

O  Movimento para a Alternância Democrática (MADEM-G15) vai concorrer ao primeiro pleito presidencial com o antigo primeiro-ministro, Umaro Sissoco Embaló, deliberou o órgão máximo do partido. Sissoco superou nesta sexta-feira (09.08) José Mário Vaz, atual Presidente da Guiné-Bissau e o constitucionalista Carlos Vamain nas primárias do Movimento para a Alternância Democrática, a segunda força política no Parlamento guineense.

Em entrevista à DW África, Sissoco disse que a votação decorreu de forma livre e transparente: "Os membros do Conselho Nacional do MADEM-G15 expressaram de forma livre e transparente com 70% dos votos a favor do general Umaro Sissoco Embaló e 25 % contra. Isto demonstra democracia interna de um partido. Sinto-me um homem que será suportado pelo grande partido que é o MADEM-G15 ”.

Sissoco único candidato votado
De acordo com o partido, Sissoco Embaló acabou por ser o único candidato escrutinado pelo Conselho Nacional, uma vez que as outras duas pessoas que estavam em liça nas primárias, o atual Presidente guineense, José Mário Vaz, e o advogado Carlos Vamain, não se encontravam fisicamente na sala da reunião.

Nascido em Bissau, em setembro de 1972, Umaro Sissoco Embaló, general na reserva, foi primeiro-ministro guineense entre novembro de 2016 e janeiro de 2018. Agora pretende ser Presidente da República para "refundar o Estado guineense".

" Vou respeitar e fazer respeitar a Constituição da República, refundar o Estado, fazer cumprir todas as normas da República, no âmbito das prerrogativas do Presidente. Pretendo promover a coabitação entre o Presidente e os demais órgãos de soberania e garantir a justiça para todos”, disse o também terceiro vice-presidente do MADEM.
"Acabar com indisciplina e repor autoridade do Estado”

Enquanto candidato às presidenciais, Sissoco promete aos guineenses que, se for eleito Presidente do país a 24 de novembro, vai usar toda a sua influência para mobilizar fundos para o Governo, e acredita que pode fazer a diferença.

"Comigo o país tem a ganhar. É uma nova eraesou de uma nova geração. Se olharmos para as grandes potências mundiais, todos os líderes são jovens. Sou um homem muito conhecido nas relações internacionais e vou usar a minha influência para atrair investimentos para o país”.
A imagem pode conter: 1 pessoa, interioresSissoco, que se afirma como uma aposta da juventude, pretende dar à Guiné-Bissau uma nova imagem, se for eleito: "Construir uma Guiné que seja respeitada na cena internacional porque perdemos o rumo. Hoje, sempre que temos que tomar uma decisão ficamos dependentes do que a CEDEAO decide, o que a CEDEAO pensa... comigo será diferente... tenho que perguntar o que os guineenses pensam e querem. Vou acabar com tanta indisciplina que existe neste país”.

Sobre o recenseamento eleitoral, que Umaro Sissoco contestou nas legislativas de março, o candidato do MADEM faz duas propostas:

"Como o Governo tem a noção clara que serei o candidato vencedor, com o atual recenseamento ou não, penso contudo ser melhor um recenseamento de raiz ou uma atualização dos cadernos eleitorais”, afirma o candidato em entrevista à DW África a partir de Bissau.
Sissoco foi uma boa escolha
Ouvido também pela DW África, o analista político Luís Petit diz que o MADEM não fez uma escolha acertada ao eleger Sissoco como candidato para as presidenciais, porque não tem o peso exigido para enfrentar outros nomes, como José Mário Vaz e Carlos Gomes Júnior.
"Ele não tem uma grande experiência política e não a demonstrou enquanto primeiro-ministro. Além disso, não granjeou grande simpatia ao nível do país. José Mário Vaz, que foi o Presidente, tem uma experiência política vantajosa em relação a Sissoco. O que aconteceu nas primárias, a sua desvantagem, tem a ver com a questão da militância e a ligação com o partido [MADEM]”.
Nesta primeira entrevista à DW África, enquanto candidato, Umaro Sissoco Embaló pede aos guineenses para acreditaram nele, porque, segundo disse, o "homem é que faz a função".

428 dos 617 conselheiros votaram
Segundo Rui Nene Djatá, presidente da comissão eleitoral que presidiu às primárias do MADEM, Umaro Sissoco Embaló recolheu o voto favorável dos 297 membros do Conselho Nacional (órgão máximo entre congressos), 107 contra e 24 conselheiros abstiveram-se.

Participaram no processo das primárias do MADEM 428 conselheiros, dos 617 que compõem o órgão.
Rispito.com/DW, 09-08-2019

Governo da Guiné-Bissau proíbe jogos de fortuna e azar

A Secretaria de Estado do Turismo da Guiné-Bissau proibiu a realização de jogos de fortuna e azar, ameaçando com apreensão para quem desrespeitar a medida.

A decisão é fundamentada com o facto de os jogos decorrerem fora das normais legais, que determinam que as máquinas, localmente chamadas de ‘Colos Colos’, devem estar em recintos fechados e vedadas à participação de menores de idade.
A secretária de Estado do Turismo e Artesanato, Catarina Taborda, que assina a ordem, considera que os jogos são realizados de “uma forma desorganizada” em todo território nacional e que o Estado não poderia ficar indiferente, perante a sua missão de proteger todos os cidadãos.

A suspensão é temporária, mas Catarina Taborda salienta no comunicado que a permissão às empresas e particulares para a retoma daqueles jogos só ocorrerá com o cumprimento das normas estabelecidas e ainda com novos requisitos a serem elaborados pela secretária de Estado do Turismo.

As máquinas de ‘Colos Colos’ invadiram a Guiné-Bissau há dois anos, levando a que os jovens e crianças passem largas horas a jogar, na expectativa de ganharem algum dinheiro.

O jogador introduz uma moeda de 100 francos CFA (0,15 cêntimos de euro) na máquina, carrega numa imagem que aparece no écran (que pode ser uma equipa de futebol, uma fruta ou um animal) e o dono (geralmente um jovem) carrega num botão que faz girar uma espécie de roda até um ponteiro parar, ou não, na figura escolhida.

Quem acertar ganha o dobro do dinheiro investido, enquanto o dono da ‘Colos Colos’ fica com a moeda de quem perdeu.

Especialistas neste jogo disseram à Lusa que “em dias bons” o dono da máquina pode arrecadar até 10 mil francos CFA (cerca de 15,20 euros).

O atual Governo considera que este tipo de jogo de fortuna e azar constitui “um descaminho” para a juventude.
Rispito.com/Lusa, 09-08-2019

Carlos Lopes: “Os africanos têm de aproveitar a obsessão europeia com a migração”

O antigo assessor político de Kofi Annan, que encerrou em 2016 uma longa carreira na ONU, defende uma transformação estrutural de África, com uma aposta na industrialização verde e uma maior integração. “A África fragmentada não tem futuro”, garante.

Carlos Lopes refere que o desenvolvimento de África depende da China, que está a "expandir a influência" a um custo muito barato, por isso é preciso maior integração.

Encerrou há três anos a sua carreira na ONU por vontade própria, depois de ter sido “braço-direito” do então secretário-geral Kofi Annan e de exercer vários cargos de topo, o último como chefe da Comissão Económica para África. Dedica-se agora à “actividade puramente académica” (professor na Universidade da Cidade do Cabo), ao aconselhamento estratégico de dirigentes africanos (ajudou a elaborar o documento Agenda 2063 para a União Africana) e à divulgação de ideias, tendo lançado recentemente em inglês Africa in Transformation - Economic Development in the Age of Doubt. É um livro optimista sobre o desenvolvimento do continente africano através da industrialização.

Estratégia de crescimento inclusivo, melhores sinergias entre instituições regionais, investimento forte em infra-estruturas, desenvolvimento sustentável com melhores práticas, aposta no agronegócio e na industrialização, na economia azul e no ecoturismo. Isto resume bem o seu livro?

De certa forma retira do livro os elementos essenciais do que deve ser uma estratégia a que chamo de transformação estrutural. Uma parte dessa estratégia é não fazer as coisas como se fazia antes. A transformação estrutural é uma mudança da forma de governar em África. Por isso, classifico os países em duas categorias: os rentistas e os reformadores. Os rentistas vivem dos recursos naturais ou de fontes como a ajuda ao desenvolvimento, sem necessidade de fazer o esforço de transformação; os transformadores estão a tentar ir além de uma política conformista e alterar a estrutura da economia. O elemento essencial dessa alteração é a introdução da industrialização acelerada.

É muito crítico da “narrativa feliz” da ascensão de África, porquê?
Tenho três dificuldades com essa narrativa. A primeira é estatística: as estatísticas são muito débeis, apenas 16 países têm contas nacionais em dia, significando que a estrutura do PIB, o tamanho das economias é projectado. Temos 60% da população africana sem bilhetes de identidade, sem registos de nascimento, ou seja, o tamanho da população não é conhecido, mas estimado. Temos apenas 1% do território africano cadastrado com registo de propriedade. Não se pode fazer diagnóstico de qualidade sem boas estatísticas.

Segundo problema, é uma narrativa construída sobre as oportunidades de negócio para os outros e não sobre as oportunidades de crescimento e transformação dos africanos. A terceira dificuldade é que se trata de uma narrativa muito superficial, não vai à profundidade, nem à necessidade de contextualizar e mete tudo no mesmo saco; essa simplificação acaba por ser contraproducente porque não permite ver que há países que estão na boa direcção e países que não estão. Essa narrativa serviu para recompor um pouco a imagem de África junto do mainstream, mas acabou por ter um efeito perverso junto dos africanos.
Rispito.com/publico, 08-08-2019

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

CONTINUA O TRABALHO PARA A PRIMEIRA TELENOVELA DA GUINÉ-BISSAU

Cerca de 50 participantes discutiram os diferentes aspetos da vida, cultura e tradições da Guiné-Bissau a serem incluídos na série intitulada “Sol e suor”, inspirada no hino nacional.

O retiro, realizado nas instalações da UNIOGBIS, na presença do Sr. João Cornélio, Diretor-Geral da Cultura, contou com a presença de agências da ONU na Guiné-Bissau, Governo e especialistas da sociedade civil nas áreas de saúde, educação, justiça, construção da paz. , reconciliação nacional, entre outros.

As discussões foram conduzidas pelo Sr. Abdulai Sila, Presidente da Associação de Escritores e coordenador do projeto, que destacou o poder transformador social da novela: “Só quando acreditamos e imaginamos um país melhor o podemos construir!"

O projecto da novela, que visa a mudança de comportamento e desenvolvimento de conteúdos educativos para a consolidação da paz, é financiado pelo Fundo de Consolidação da Paz da ONU, no contexto do projecto Immediate Response Facility em apoio ao sector dos media, coordenado pelo UNIOGBIS e gerido pelo PNUD.
Rispito.com/UNOGBIS, 08-08-19

Conselho de Segurança da ONU pede à Guiné-Bissau preparação atempada das eleições

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas pediu  à Guiné-Bissau o reforço dos trabalhos para uma preparação atempada das eleições presidenciais de novembro e a redução gradual da missão UNIOGBIS no país.
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Numa declaração conjunta sobre a consolidação da paz na África Ocidental, aprovada nesta quarta feira 07 de Agosto, o Conselho de Segurança da ONU destacou em particular a realização pacífica de eleições legislativas na Guiné-Bissau e fez várias recomendações aos países que se preparam para eleições neste e no próximo ano.

“O Conselho de Segurança realça a necessidade de os poderes nacionais da Guiné-Bissau, Costa do Marfim, Guiné e Togo trabalharem juntos para facilitar a preparação atempada e realização de eleições genuinamente justas, credíveis, atempadas e pacíficas, e para tomarem todos as medidas apropriadas para prevenir a violência”, lê-se no documento.

O mesmo pedido exorta aqueles países “a assegurar a igualdade de condições para todos os candidatos e trabalhar com vista à plena, igual e significante participação das mulheres, inclusive com vista a aumentar o número de mulheres nomeadas para altos cargos do governo, de acordo com as respetivas constituições e compromissos regionais, nacionais e globais”.

O Conselho de Segurança saudou ainda o “recente compromisso dos líderes políticos da Guiné-Bissau que levou à nomeação de um novo primeiro-ministro e definindo a data das eleições presidenciais para 24 de novembro de 2019”.

Fazendo alusão à resolução 2458 deste ano, o Conselho de Segurança da ONU “reitera o pedido para a UNIOGBIS [gabinete integrado das Nações Unidas para a consolidação da paz na Guiné-Bissau] decrescer gradualmente e transferir funções para o UNOWAS [Escritório das Nações Unidas para a África Ocidental e Sahel]”.

Outro dos pontos mais destacados do documento foi o trabalho feito pelo UNOWAS, missão cujo mandato deverá ser prolongado em 31 de dezembro em países como a Guiné-Bissau e outros em pós-transição de poderes.

“O Conselho de Segurança observa o aumento das exigências para o UNOWAS, inclusive na Guiné-Bissau, países na pós-transição (…), e continua a sublinhar a necessidade de mais apoios e recursos adequados para o UNOWAS”, refere o documento.

O órgão da ONU saudou ainda a decisão do secretário-geral de rever os objetivos do mandato do UNOWAS e pede recomendações de António Guterres até 15 de novembro.

Na mesma declaração, o Conselho de Segurança sublinhou as preocupações pelos desafios à paz na África Ocidental, nomeadamente as ameaças impostas pelo terrorismo, pirataria marítima, conflitos entre pastores e agricultores, crimes transnacionais organizados, tráfico de pessoas, de armas ou drogas e a exploração ilegal de recursos naturais em várias áreas.
Rispito.com/Lusa, 08/08/2019

Duas figuras se destacam para as presidenciais no PRS

A imagem pode conter: 1 pessoa, fatoA imagem pode conter: 1 pessoa, a sorrirNo seio do Partido da Renovação Social, se destacam até neste momento, dois militantes que manifestamente  perfilam com interesse de um apoio desse partido para as próximas presidenciais.
Dr Florentino Mendes Pererira que ha muito se falou, e agora o Professor Dr Tcherno Djaló, que acaba de pedir apoio formalmente ao partido.
Ao que tudo indica, tal como reza os estatutos, os dois vão ser votados nas primárias do partido. Quem sair com maior voto, será candidato do partido e consequentemente a figura com mérito de apoio legal no seio do Partido da Renovação Social. 

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Governo da Guiné-Bissau prolonga ano letivo até 2020

Armando Mango - Sprecher der Regierung Guinea-Bissau (Guinean Government )Os alunos das escolas públicas afetadas pelas sucessivas greves vão às aulas até janeiro de 2020, anunciou o Governo guineense, que tem 20 dias para apresentar ao Parlamento o OGE. PRS diz que continua a crise na ANP.

O Governo da Guiné-Bissau prepara-se para apresentar ao Parlamento, dentro de pouco mais de 20 dias, um programa de Emergência, que prevê, entre outras medidas, o prolongamento do ano escolar. O programa foi aprovado em Conselho de Ministros, revelou à DW o Executivo de Bissau.

O ministro da presidência do Conselho de Ministros e porta-voz do Governo guineense, Armando Mango, disse esta terça-feira (06.08), que o Governo decidiu prolongar o ano letivo 2018/19, que foi interrompido por sucessivas greves de professores. "O Governo decidiu não anular o ano escolar. Fez-se um diagnóstico para saber que escolas foram atingidas e quantos alunos foram afetados com as greves. Avaliámos também em termos financeiros o custo de anular o ano e de continuar, vimos que é abismalmente diferente para melhor se programarmos a continuação do ano escolar", anunciou Mango.

Professores das escolas públicas realizaram durante os quatro anos da crise política inúmeras greves para reivindicar, entre outros, o pagamento dos salários em atraso e a melhoria das condições de trabalho, com entrada em vigor do estatuto da careira docente.

Ano letivo vai até janeiro

De acordo com o ministro da presidência, o ano letivo vai continuar de setembro até janeiro de 2020 para os alunos das escolas afetadas pelas greves. E o próximo ano letivo deve começar em janeiro e terminar em agosto, para permitir a estabilização do sistema do ensino na Guiné-Bissau.
O jovem ativista e professor da escola pública, Sumaila Jaló alerta, no entanto, que é imperativo que o Governo não ponha em causa o próximo ano letivo: "Neste momento, temos pouco mais de 60 dias letivos cumpridos desde o início do ano escolar e não há aulas há quatro meses nas escolas públicas, para além de estamos na época chuvosa em que, nos meses de julho a setembro, não dá para as aulas funcionarem. O Governo deve pensar nisso e na interferência do ato de tentativa de salvar o ano e comprometer o calendário do próximo ano letivo. Também temos as questões pedagógicas".

Perante a inquietação dos guineenses sobre o assunto, o ministro da Educação Nacional e Ensino Superior, Dautarin da Costa, reuniu-se esta terça-feira com os parceiros nacionais e internacionais do setor para a apresentação e discussão do Plano de Recuperação das Aprendizagens dos Alunos afetados pelas greves.

Apresentação Programa do Governo e OGE na ANP

O prolongamento do ano letivo é uma das medidas previstas no programa de emergência do Governo liderado por Aristides Gomes, debatido esta semana em Conselho de Ministros. Segundo o porta-voz do Executivo, Armando Mango, o Governo empossado há um mês, tem até 3 de setembro para submeter ao Parlamento os principais instrumentos de governação: o programa de Governo e o Orçamento Geral do Estado (OGE).

"Nos termos legais e constitucionais, o Governo tem 60 dias após a sua nomeação para apresentar o programa. O Governo fez um programa de emergência, já aprovado pelo Conselho de Ministros e o programa para o resto da legislatura, mais o Orçamento Geral do Estado vão ser apresentados dentro deste espaço temporal que sobre desses 60 dias. Portanto, antes de 3 de Setembro, esses instrumentos de governação devem ser apresentados na Assembleia Nacional Popular", avança o governante.

Impasse continua no Parlamento

Mas a Assembleia Nacional Popular (ANP) continua de portas fechadas. O Partido de Renovação Social (PRS), a terceira força política no Parlamento, continua a reclamar para si a indicação do nome do primeiro secretário da mesa da Assembleia - um lugar que, atualmente, é ocupado pelo partido mais votado, o PAIGC
Vítor Pereira, porta-voz do PRS, diz que ainda não estão reunidas as condições para garantir o normal funcionamento do Parlamento guineense. "A mesa da Assembleia ainda não está completa. A constituição da mesa, não estando completa não há mesa, não assembleia e não há nada. Foi-nos negado o nosso direito de estar na mesa da ANP, de uma forma ilegal. Portanto, não estou a ver como o Parlamento vai reunir para se apresentar um programa do Governo. A não ser que o façam à força e contra a lei", diz.
Para Vitor Pereira, sem a conclusão da eleição da mesa do Parlamento não haverá a sessão para debater o programa do Governo e o seu partido continua a não reconhecer a legitimidade da atual mesa da Assembleia Nacional Popular.

Houve decisão judicial
Sumaila Jaló lembra, no entanto, o PRS que não há motivos para adiar os trabalhos na Assembleia, porque a Justiça guineense já se pronunciou sobre o assunto.
A partir do momento em que a Assembleia Nacional Popular tem a sua mesa constituída dentro do quadro regimental e em funções, neste momento não há nada que possa impedir a plenária do Parlamento funcionar.

Em maio, o PRS pediu à vara cível do Tribunal Regional de Bissau para impugnar a eleição da mesa da assembleia, mas o tribunal anunciou que não tinha competência para apreciar o assunto, remetendo o "dossier" ao Parlamento.
Rispito.com/DW, 07-08-2019