sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

NOVAS CHEFIAS MILITAR TOMAM POSSE

Quando correm rumores sobre um suposto "golpe de Estado" na Guiné- Bissau, o Presidente Umaro Sissoco Embaló efectuou mudanças nas chefias militares, os quais tomaram posse esta quarta-feira 24 de Fevereiro.

O Brigadeiro-General Dinis Incanha, sobrinho do Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas, Biagué Na Ntan, tomou posse como Chefe da Casa Militar da Presidência da República, substituindo o Brigadeiro-General António Abel. 
O Comodoro Victorino Tegba foi nomeado Vice-Chefe do Estado Maior da Armada, também tomou posse esta quarta-feira. Após um impasse e debates internos para a substituição de lbraima Papa Camará, exonerado de Chefe do Estado Maior da Força Aérea, a sua função passou a ser assumida pelo Major General Joaquim Filinto Silva Ferreira, que terá como "vice" o Brigadeiro General Mama Saliu Embaló, o qual deixa as suas funções na Contra Inteligência Militar.

Ibraima Papa Camará passa a assumir a presidência do Instituto da Defesa Nacional, que segundo algumas fontes "é um cargo de fim de carreira"
Rispito.com/e-Global, 26-02-2021

Choque com a presidencia provoca caos na ordem dos advogados

A Ordem dos Advogados da Guiné-Bissau (OAGB) pretende encontrar uma solução equilibrada relativamente à questão da mudança da sua sede, mas os avanços registados não são favorávels a Ordem. 
O Bastonário, Basilio Sanca, que está a negociar as novas instalações, considera que o Presidente da República está a"abusar do poder", quando decidiuretirar do imóvelos bens pessoais dos advogados. Basilio Sanca garantiu que os visados estão a ponderar entrar com um processo que poderá culminar com a destituição de Umaro Sissoco Embaló, como Chefe de Estado. 
Na antecâmara, está na forja Uma Assembleia-geral dos Advogados em que será tomada uma posicãO sobre a continuidade das negociações entre as partes, ou aguardar o cumprimento da Providência Cautelar. 
O ambiente que paira entre a Ordemea Presidência da República é tenso. A agravar o clima, alguns advogados consideram o comportamento da direcção como uma negação da justiça e incentivo aos desmandos de Umaro Sissoco Embaló. 
Por esse motivo, a Assembleia geral mandatou a Direcção da Ordem para avançar com uma queixa e exigir a devolução provisória do imovel mas também condenar a Presidencia da República por esbulho violento.
Os dois pedidos foram deferidos por um juiz de dircito que apreciou o processo e considerou que a Presidência deve retirar-se e devolver o imóvel. Uma consideração que não foi acatada. 
Antes da providência Cautelar ser decidida pelo juiz, a Presidência já iniciara obras de renovação do espaço. Quando a Providência Cautelar foi deferida, a Presidência da República decidiu retirar do interior do imóvel todas as pertenças da Ordem, uma atitude que alguns advogados qualificaram de "comportamento abusivo". 
A inflexibilidade da Presidência está a dividir os advogados, e um grupo defende que a postura da Presidência justifica suspender as negociações, enquanto não for cumprido o parecer do Tribunal. Consequentemente as negociações que estão em curso não estão a produzir efeitos. 
A Ordem encarregou-se de preparar o projecto de expropriação, mas o novo espaço não está definido. Bem como, devido a que o Decreto ainda não foi aprovado, o Bastonário desconhece qual será o estatuto da nova sede, ou seja, se será uma direcção ou apenas um espaço em que a Ordem, ou a Presidência, terá de pagar uma renda. 
"Para mim, não é isso que interessa. Interessa aqui analisarmos o comportamento do Presidente da República que está a ser demasiadamente grave. Não pode retirar as pertenças da Ordem. Nós nem sabemos quando é que vamos para a nova sede, ou como está a ser tratado aquilo que é nosso.
 Porqué? Porque não temos acesso ao interior da sede. E mais, nas negociações nem nos contam como vamos receber as novas instalações", disse Basilio Sanca.
Vários advogados são contra as negociações e defendem uma ruptura. O Bastonário defende outra estratégia, e considera que existe a possibilidade de a Ordem avançar com um processo, tendo em conta que duas figuras já foram identificadas e podem ser acusadas de "esbulho violento e ocupação da propriedade alheia". 
"O que é grave é tirar tudo aquilo que é nosso na sede, mesmo estando perante uma decisão judicial. Nós podemos avançar com um processo principal e ele pode perder o mandato por isso", insistiu o Bastonário. 
A problemática da sede da OAGB está a gerar um ambiente de caos na instituição. Por um lado com o deteriorar das relações entre a Ordem e a Presidência da República, e por outro com o evoluir das discordâncias entre a Direcção da Ordeme os advogados associados. 
Alguns advogados criticam a forma como a Direcção está a tratar esta matéria, uma vez que através do voto a posição maioritária será abandonar as negociações e avançar com um processo.
Rispito.com/e-Global26-02-2021

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

POR UMA REVOLUÇÃO DEMOCRÁTICA

As declarações do Chefe de Estado difundindo por um lado, rumores do seu eventual assassinato assim como o de responsáveis do sector securitário e, por outro lado de um possível golpe de estado em preparação, trazem-nos más recordações.

Colocam em evidência que o Sistema esgotou completamente o seu potencial.

Mais trágico ainda, a incapacidade congénita da classe politica que dirige este País há longos anos, de se questionar e de fazer o inventário de um Sistema que tornou-se uma ameaça existencial para a nossa segurança coletiva, constituindo um problema.

É o que salta aos olhos e que choca!

Os paliativos até aqui utilizados, dos quais a corrupção constitui o último patamar, mostraram os seus limites.

A utilização excessiva da corrupção, o recurso massivo de fundos desviados do erário publico, os recursos financeiros oriundos de tráficos diversos e variados, assim como os financiamentos de origem indeterminada usados no momento das eleições, criaram a ilusão durante algum tempo. Transformaram a nossa democracia em momento de carnaval e de diversão.

O despertar é cada vez mais doloroso porque os factos são teimosos.

A população constata a cada dia que passa que este Sistema não tem nada de bom a oferecer.

Com o passar do tempo, todos os guineenses conseguem avaliar sem dificuldade os estragos que tem provocado:

1-Destruição da nossa administração publica através de uma politização e partidarização excessiva;

2-Descrédito do nosso sistema judicial que funciona no vazio, distante das preocupações das populações;

3-Desarticulação do nosso sector privado causado por uma politização inadequada;

4-Instrumentalização das nossas forças de defesa e segurança;

5- Ausência total de perspetivas de futuro para os guineenses, principalmente para a camada juvenil.

Estes dirigentes políticos destruíram sistematicamente todas as tecnoestruturas institucionais do Paìs.

Para evitar que a sua responsabilidade seja colocada em evidência, eles procuram instrumentalizar as populações, precipitando-as em conflitos étnicos e religiosos.

Infelizmente para eles, as populações, sobretudo os jovens, compreendem cada vez melhor que esses indivíduos que controlam o poder do Estado há demasiados anos, não têm nada mais do que agendas e interesses pessoais e que, todas as invocações de narrativas étnicas, são argumentos falaciosos para continuar disfarçadamente, as suas obras de predação ás custas de um Paìs esgotado.

As jogadas escondidas duraram demasiado tempo.

Os guineenses já compreenderam que os governantes e alguns políticos são os únicos beneficiários deste Sistema podre.

Em conjunto, trabalhemos pois para o nascimento de uma nova República!

Idriça Djalo
Presidente do Partido da Unidade Nationa

Presidente da Guiné-Bissau ainda não conseguiu promover unidade nacional e consenso

O sociólogo guineense Diamantino Domingos Lopes considerou que o Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, não conseguiu ainda promover a unidade nacional e o consenso, num balanço negativo ao seu primeiro ano de mandato.
"A missão do Presidente da República depois de um processo eleitoral tão conturbado, com um nível de divisão social muito grande era de mobilizar o consenso e não conseguiu isso porque não começou como deveria", afirmou.

Diamantino Domingos Lopes referia-se à tomada de posse, em 27 de fevereiro de 2020, quando ainda decorria um recurso de contencioso eleitoral no Supremo Tribunal de Justiça, à demissão do Governo liderado por Aristides Gomes, que tinha saído das legislativas, realizadas em 2019, e a uma série de perseguições políticas ocorridas no ano passado, de acordo com organizações civis.
"Esse processo de mobilização de consenso nacional não foi conseguido pelo Presidente da República e se não conseguiu o essencial da sua missão que é de promover a unidade nacional, não se pode esperar um balanço positivo" do seu primeiro ano de mandato, salientou.

Para o analista, foram feitas algumas tentativas, incluindo investimentos públicos, como a reconstrução de estradas, mas aquelas melhorias são "elementares e não essenciais".
"O essencial para a Guiné-Bissau é a promoção da unidade nacional, esse é o papel do Presidente e o Presidente não conseguiu e não conseguiu por vários motivos", disse.

Os motivos, segundo o analista, são o facto de não ter conseguido "digerir as sequelas das eleições presidenciais" e por "agir emotivamente".
"Até agora não conseguiu superar essas sequelas e isso influenciou negativamente as suas intervenções públicas. Sempre que aparece em público mina essa possibilidade de mobilização do consenso, em quase todas as suas intervenções", afirmou.

Esta limitação, para Diamantino Domingos Lopes, tem "caracterizado negativamente" o primeiro ano de mandato do Presidente, mas também os problemas relacionados com a violação de direitos humanos aos quais o seu nome aparece associado.

O analista referia-se ao caso do deputado Marciano Indi, sequestrado por agentes de Estado, ao sequestro do bloguista conhecido por Doka Internacional, ao ataque à Rádio Capital e também ao sequestro e espancamento de dois ativistas políticos, que acusaram publicamente um segurança do Presidente de os ter espancado no Palácio da Presidência.

"Quando acontecem essas coisas envolvendo o nome do Presidente da República acabam por minar o seu sucesso, acabam por comprometer a sua imagem que deveria ser de mobilização de consenso, não de torturar as pessoas, causar pânico, meter medo", disse.
"É nessa perspetiva que uma parte da sociedade caracteriza o regime liderado pelo atual Presidente da República", acrescentou.

Para o analista, o Presidente deve melhorar a sua atuação e a sua forma de abordar os assuntos.
"Precisa de ser um Presidente com um discurso mais conciliador, de mais mobilização do que de palavra de ordem, o contexto não é favorável para a palavra de ordem", disse.
"É preciso mobilizar as pessoas, falar com as pessoas, sensibilizar, ter a capacidade de educar, ele tem de participar, fomentar a ressocialização da sociedade, visando uma maior integração e maior relação social e isso falta", afirmou.

Umaro Sissoco Embaló tomou posse em 27 de fevereiro quando ainda decorria um recurso de contencioso eleitoral no Supremo Tribunal de Justiça pelo seu adversário na corrida Domingos Simões Pereira, líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).

Após a polémica tomada de posse, num hotel da capital guineense e com apenas alguns deputados presentes, o chefe de Estado demitiu o Governo de Aristides Gomes, formado na sequência das legislativas realizadas no mesmo ano e ganhas pelo PAIGC, e ordenou a instalação do Governo de Nuno Nabiam com a ajuda de militares.
Rispito.com/RTP Noticias

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

O que significam as trocas nas Forças Armadas?

Analistas acreditam que há um mal-estar que torna impossível dar a volta à instabilidade política. Alegados rumores de golpe e mudanças em cargos militares geram receio de que a crise no Governo possa estar a agravar-se.
O clima político-militar na Guiné-Bissau gerou apreensão depois dos rumores sobre um alegado golpe de Estado que estaria em fase de planeamento e das substituições nas Forças Armadas na semana passada.

A 12 de fevereiro, o Presidente Umaro Sissoco Embaló denunciou rumores sobre um possível golpe de Estado. Dias depois, o chefe de Estado procedeu a algumas mudanças nas Forças Armadas do país.

Para o analista político Luís Vaz Martins, há um mal-estar evidente na Guiné-Bissau e tais mudanças em cargos militares confirmam a existência de uma crise que vem assombrando as instituições do país.
"Há mal-estar. As declarações e atuações de Umaro Sissoco Embaló não confortam a esmagadora maioria dos guineenses e os seus aliados, aqueles que o ajudaram a assumir o poder", observa Martins.

As exonerações e nomeações da passada sexta-feira (19.02) foram as primeiras alterações feitas por Sissoco na classe castrense desde que assumiu a Presidência, há quase um ano.

O chefe do Estado Maior da Força Aérea, Ibraima Papa Camará, foi exonerado das funções por motivos desconhecidos e nomeado novo presidente do Instituto de Defesa Nacional (IDN).

À frente do IDN estava Augusto Mário Có, agora exonerado. Para o lugar de Camará foi escolhido Joaquim Filinto Silva Ferreira. Ferreira terá como adjunto Mamadú Saliu Embaló, que ocupa o lugar do exonerado Carlos Bampoque.

A DW África soube que, paralelamente a essas mudanças, haveria a intenção de promover transferências de soldados e oficiais subalternos entre as unidades militares.

Uma fonte militar ouvida pela DW, entretanto, acredita que essas transferências não são exequíveis. "Há mais de duas semanas elas são conhecidas, mas ainda ninguém se movimentou", disse. 

Entretanto, já esta terça-feira (23.02), o Presidente guineense mudou o chefe da Casa Militar da Presidência. Umaro Sissoco Embaló exonerou do cargo o brigadeiro-general António Abel e nomeou para o posto o coronel Dinis Incanha. 

O líder do Partido da Unidade Nacional (PUN), Idriça Djaló, afirma que é impossível contornar a instabilidade. Para Djaló, a crise nunca terminou e o país ruma a mais uma fase dessa instabilidade.
"É a fase mais quente da crise. É aquilo que eu estava à espera. Não podia haver outra possibilidade a não ser esta", calcula o líder do PUN.

Analistas falam num alegado mal-estar entre o Presidente Sissoco e o primeiro-ministro Nuno Nabiam - uma situação que não foi desmentida pelos setores políticos do país. Causa estranheza entre analistas que, nas últimas semanas, Nabiam tenha aparecido pouco publicamente.

Esta segunda-feira (22.02), Midana Nantcha, dirigente do partido de Nabiam, a Assembleia do Povo Unido - Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB), criticou o chefe de Estado.
"O comportamento de Umaro [Sissoco Embaló] que assistimos hoje na Guiné-Bissau, não é conflito que está a provocar? Dividir as pessoas e insultar juízes. Qual é a sua confiança? Presidir Conselho de Ministros todas as semanas para bloquear o primeiro-ministro. Porquê?", questiona.

Artigo atualizado às 20h20 (CET) de 23 de fevereiro de 2021, com a informação da exoneração do chefe da Casa Militar da Presidência.
Rispito.com/DW, 24-02-2021

terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Músicos da Guiné-Bissau querem apoio do Estado

O presidente da associação de músicos da Guiné-Bissau, Justino Delgado, anunciou hoje que vai exigir ao Estado subvenções para os artistas que estão há cerca de um ano sem trabalhar devido à ausência de espetáculos.
Para evitar a propagação do novo coronavírus, as autoridades guineenses têm estado a decretar estados de emergência, de calamidade ou de alerta. Neste momento o país está em estado de calamidade da saúde.

O presidente da associação de músicos da Guiné-Bissau disse que o Estado devia "olhar mais" para os artistas, por serem os "mais penalizados" com a pandemia de covid-19.

Justino Delgado afirmou que a conferência de imprensa serviu para demonstrar a "indignação pela forma como os artistas têm sido tratados" pelo Governo.

"Durante este confinamento os artistas estão a passar mal e nada foi feito para os ajudar", declarou Justino Delgado, que vai agora "exigir justiça" que passa, entre outras medidas, pela atribuição de subvenções.

O presidente da associação de músicos da Guiné-Bissau vai entregar ao Governo e ao Alto Comissariado para a Covid-19 um documento com propostas de medidas que devem ser adotadas para "minimizar o sofrimento" dos artistas.
"Todo o mundo está a trabalhar, por que não os músicos?", questionou Justino Delgado, considerando inconcebível o tratamento que é dado aos artistas, salientando que nos outros países as autoridades encontraram soluções para atenuar a situação.

Justino Delgado considerou o artista como servidor público e destacou que muitos já produziram obras com valor científico pelo que mereciam outro tratamento, no lugar de continuarem a mendigar ajudas, frisou.

Delgado perguntou ainda se é digno que um artista, chefe de família, tenha que roubar ou pedir esmolas para sobreviver.
Rispito.com/Lusa, 23-02-2021


DIRIGENTE DE APU-PDGB AMEAÇA CONVOCAR REVOLTA POPULAR PARA “TRAVAR DESMANDOS” DO PR

O dirigente da Assembleia de Povo Unido – Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU – PDGB), Mídana Nantcha, revelou que o Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, tomou “simbolicamente” posse como o chefe de Estado graças ao apoio de Nuno Gomes Nabiam e de Alberto Nambeia, por supostamente estes terem pessoas ligadas aos setores de segurança.

Em conferência de imprensa, realizada, esta segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021, na sua residência em M’Pantcha, na presença do líder da bancada da APU-PDGB, Marciano Indi, Mídana Nantcha, que também foi diretor da campanha de uma ala da APU que apoiou o candidato presidencial do PAIGC, Domingos Simões Pereira, acusou Sissoco Embaló de estar a “fomentar o conflito étnico e de dividir” os guineenses na Guiné-Bissau.

Inconformado com atual situação política do país, Nantcha acusou ainda o chefe de Estado de “usurpar as competências do governo” e de estar a cumprir a agenda do Presidente do Senegal, Macky Sall.
“Ele não é o Presidente da República da Guiné-Bissau. Ele é o governador de uma província do Senegal” ao serviço do Macky Sall. Umaro quer entregar o nosso petróleo ao estado senegalês. Mas isso não vai acontecer. Não se pode hipotecar o país para o benefício pessoal” avisou.

Para além de acusar o chefe de Estado de não “ter preparação para ser presidente”, o dirigente de APU-PDGB acusou também Sissoco Embaló de estar a violar as normas democráticas a seu belo prazer, lembrando que “o nosso sistema é semi-presidencialista. Ele preside todas as reuniões do conselho de ministros como se fosse um sistema presidencialista. Nuno Gomes Nabiam é agora o seu chefe de Gabinete. Nomeou Soares Sambú para vice-primeiro ministro e coordenador da área econômica sem respeitar os preceitos constitucionais”.
Mídana avisou que, doravante vai mobilizar uma revolta popular para exigir o fim de desrespeito de estado de direito democrático no país, adiantando que “ou morremos todos ou que ele atue com base nos preceitos constitucionais“ e convida os jovens a juntarem- se a essa causa comum para pôr fim “aos desmandos de Umaro Sissoco Embalo”.
“Ele criou subsídios elevados. Como pode Umaro Sissoco Embaló receber subsídios de 50 milhões por mês, enquanto há pessoas a morrer a fome no país. Estão a guardar o dinheiro para as próximas eleições, outras pessoas a construírem prédios, outras a receberem três bilhões de francos cfas, enquanto as estradas continuam esburacadas e a situação econômica das populações continua péssima” denunciou.

Recentemente o chefe de Estado denunciou que teria havido um plano de golpe de estado e para assassiná-lo e mais dois membros do governo, Sandji Fati, Ministro da Defesa, e Botche Cande, Ministro do Interior.

Esse dirigente apuano questionou “porque é que ele não chamou o primeiro ministro, o presidente da ANP, por outras palavras ele quis-nos dizer que Nuno Gomes Nabiam é que estaria a planear este suposto golpe de estado”.

Quem não escapou às críticas do dirigente de APU–PDGB é o antigo candidato presidencial, Carlos Gomes Júnior.

Mídana Nantcha afirmou que foi dado ao Carlos Gomes Júnior o ministério da justiça e o ministério público para “queimar o arquivo de assassinatos ocorridos em 2009”, período em que “CADOGO” era primeiro ministro e Presidente do PAIGC, acusando o procurador geral da República, Fernando Gomes, de estar a fazer uma justiça seletiva ao referir-se à destruição da rádio capital FM, a 26 de julho de 2020.
“A rádio foi vandalizada. Como é que vão notificar o jornalista da rádio?! É assim a justiça?! O processo não deveria começar com a identificação e consequentemente tradução a justiça dos autores que vandalizaram a rádio?! Não sei se se lembram, antes de a rádio ser vandalizada, o deputado Braima Camará apresentou uma lista de ouvintes que supostamente são pagos para ligar e insultar as figuras na rádio capital FM” recordou, questionando “não podemos desconfiar que seja ele [Braima Camara] o autor da destruição da rádio capital.
Rispito.com/O Democrata, 23-02-2021

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Advogados discutem proposta da Presidência após expulsão da sede

Presidência da Guiné-Bissau cedeu um imóvel nos arredores da capital em alternativa à sede da Ordem dos Advogados nas imediações do Palácio Presidencial, segundo a União dos Advogados de Língua Portuguesa.

A União dos Advogados de Língua Portuguesa (UALP) acompanha com atenção o diferendo entre a Presidência da República da Guiné-Bissau e a Ordem dos Advogados guineenses, despoletada há cerca de três semanas por causa da usurpação da sede da instituição representativa daquela classe profissional.

Segundo o presidente da UALP, Luís Paulo Monteiro, a Ordem dos Advogados da Guiné-Bissau (OAGB) deve reunir-se nos próximos dias para analisar a contraproposta do Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, depois do Tribunal Regional de Bissau ter ordenado a devolução do edifício-sede da aglomeração à classe profissional a 17 de fevereiro.
"Os advogados guineenses vão reunir-se brevemente em assembleia extraordinária para discutir a proposta da Presidência da República da Guiné-Bissau em ceder à Ordem dos Advogados da Guiné-Bissau um imóvel duplex nos arredores de Bissau", diz Luís Paulo Monteiro.

Encerrada a cadeado
A sede da OAGB foi encerrada a cadeado por elementos da Presidência da República, um dia depois de terminar o prazo dado pelo gabinete do Chefe de Estado aos advogados para desocuparem o imóvel. 

Segundo os responsáveis de segurança de Sissoco Embaló, a localização do imóvel – nas imediações do Palácio Presidencial – colocava em causa a equipa do mais alto órgão de soberania da Guiné-Bissau.

Luís Paulo Monteiro, que é também bastonário da Ordem dos Advogados de Angola, diz que a UALP vai acompanhar este episódio até ao fim, pois, conforme referiu no seu último comunicado, "a usurpação da sede" da congénere guineense "constitui uma manifesta e deliberada negação do Estado de Direito".
"Há que repor o direito que assiste a Ordem dos Advogados da Guiné-Bissau, repor o regular funcionamento da [referida] Ordem e a liberdade do exercício da advocacia por parte dos advogados da Guiné-Bissau", referiu.

Pedro Pais de Almeida, presidente da Federação dos Advogados de Língua Portuguesa (FALP), está, no entanto, convencido de que Umaro Sissoco Embaló irá acatar a sentença judicial proferida pelo Tribunal Regional de Bissau.
"Acredito que a Ordem dos Advogados da Guiné-Bissau saberá tomar todas as medidas legais adequadas para a defesa dos seus interesses e dos seus direitos, como aliás fez com a providência cautelar, de restituição de posse que foi bem sucedida", defende.

Para Pedro Pais de Almeida, este episódio, só por si, "não constitui um indício de violação sistemática das regras do Estado de Direito na Guiné-Bissau".
"Aliás, até diria mais: a Presidência da República da Guiné-Bissau tem aqui uma excelente oportunidade para demonstrar que a Guiné-Bissau é um Estado de Direito, e fá-lo-á na medida em que acate a decisão proferida pelo Tribunal no passado dia 17 de fevereiro", concluiu.
Rispito.com/DW, 22-02-2021

Presidência nega a proposta de militares senegaleses no palácio

Reagindo à suposta intenção do Presidente Umaro Sissoco Embaló colocar no Palácio Presidencial em Bissau militares senegaleses com a missão de garantir a sua segurança, fonte na Presidência desmentiu "categoricamente" a informação.

Segundo a fonte na Presidência a reunião referida de terça-feira, 16 de Fevereiro, em que supostamente teria participado Umaro Sissoco Embaló, o vice-Chefe de Estado-maior das Forças Armadas, Mamadu Turé "N'Krumah", mas tambémo presidente senegalês, através videoconferência, "nunca teve lugar".
A mesma fonte precisou também que o presidente Umaro Sissoco Embaló "reúne frequentemente com as chefias militares, no quadro das suas funções como Comandante Supremo das Forças Armadas", sendo nestas ocasiões abordados "assunto referentes à segurança Nacional".

"Os rumores sobre a ameaça de um golpe de Estado e intenção de uma acção contra o chefe de Estado, continuam a circular, mas o presidente nunca sugeriu que fossem colocados militares senegaleses, ou de qualquer outra nacionalidade, na Presidências da República sublinhou a mesma fonte na Presidencias guineense.
Rispito.com/e-Global, 22-02-2021

Covid-19: Músicos guineenses passam fome e pedem subvenção

A Associação Profissional dos Músicos da Guiné-Bissau revelou esta segunda-feira (22.02), que os seus associados estão a passar fome e os seus filhos por “enormes dificuldades”, devido ao encerramento de espaços culturais, por causa da pandemia da Covid-19.

Os músicos realizaram conferência de imprensa, na qual denunciaram a “situação difícil” que dizem estar a enfrentar.

“(Podemos) sair às ruas com os nossos filhos, com tambores e latas e os nossos filhos a dizer pai, mãe, não comemos e estamos a passar, para as pessoas ouvirem. Mas não vamos fazer isso, porque somos ricos, somos ricos e somos a classe que mais trabalhou para a Guiné-Bissau. Vimos como associação de músicos legalizada, para não dizer que o Estado não pode dar alguma coisa de forma individual. Mas pode dar à associação para resolver os seus problemas”, disse Luís Mendes (Iche), vice-presidente da Associação Profissional dos Músicos da Guiné-Bissau.

Justino Delgado, presidente da organização, anuncia que vai entregar uma proposta ao governo e ao Alto Comissariado de Luta Contra a Covid-19, para “minimizar” as dificuldades.

“Vamos produzir um documento que vamos entregar ao governo e ao Alto Comissariado de Luta Contra a Covid-19. Quero que levem a conta de que já há um ano que os artistas não têm nada, há um ano que estão nesta situação e devem ser recompensados. Enquanto há confinamento, artistas têm que receber (dinheiro) até terminar o confinamento. Vamos elaborar um documento de forma cívica e pacífica para lhes entregar de forma a perceberem que somo gente que percebe. O que exigimos é a subvenção à classe artística, que é a única penalizada com o confinamento”, disse Justino Delgado.

Devido à pandemia do novo coronavírus e ao estado de calamidade decretado pelas autoridades guineenses, todos os espaços culturais, discotecas e salões de espetáculos foram encerrados.
Rispito.com/Capital News, 22/02-2021

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Portugal oferece cinco mil máscaras às Forças Armadas guineenses

O embaixador de Portugal na Guiné-Bissau, José Caroço, entregou hoje ao Governo guineense cinco mil máscaras para as Forças Armadas, no âmbito do combate ao novo coronavírus.

As máscaras foram recebidas pelo diretor geral da Política de Defesa guineense, general Malam Camará, na presença dos chefes dos três ramos das Forças Armadas e de vários oficiais militares.

No seu discurso de entrega das máscaras, o embaixador português em Bissau sublinhou que a oferta se enquadra em "vários gestos concretos que dão corpo de maneira verdadeiramente eficaz e real à frutífera cooperação" que existe entre Portugal e a Guiné-Bissau no domínio militar.

José Caroço destacou ainda que a oferta das máscaras vai ajudar as Forças Armadas na sua "verdadeira batalha em prol da saúde pública", que disse ser uma tarefa para todos.

O embaixador de Portugal em Bissau frisou igualmente que a cooperação técnico-militar entre os dois países "tem contribuído no quadro mais vasto da cooperação fraternal" entre Lisboa e Bissau.

"Esta questão da pandemia é mais um exemplo", notou José Caroço.

Falando em representação do ministro da Defesa da Guiné-Bissau, Sandji Faty, o diretor-geral da Política de Defesa Nacional guineense, general Malam Camará, afirmou que as máscaras vão ajudar as Forças Armadas no combate à pandemia de covid-19.

"As máscaras vão ajudar-nos no combate ao inimigo invisível, mas quão letal se não forem tomadas medidas adequadas", declarou o general.

Malam Camará também enalteceu o nível da cooperação técnico-militar entre a Guiné-Bissau e Portugal, que disse iniciar-se formalmente em 1989, no âmbito da qual, disse, têm acontecido iniciativas "memoráveis, substâncias e multiformes" traduzidos em apoios de Portugal às Forças Armadas guineenses, observou.

"É mais um gesto solidário demonstrativo da qualidade da cooperação, sem olhar pelas circunstâncias que possam nos rodear", defendeu Camará, pedindo ao embaixador que transmita o reconhecimento das autoridades guineenses pelos apoios de Portugal.

A Guiné-Bissau regista um total acumulado de 2.950 casos de covid-19 e 46 vítimas mortais.
Rispito.com/RTP Noticias, 18-02-2021

Ébola: Guiné-Bissau já está a atualizar plano de prevenção devido a surto na Guiné-Conacri

O coordenador do Centro de Operações de Emergências de Saúde da Guiné-Bissau disse à Lusa que o plano de resposta ao Ébola, elaborado em 2014, está a ser atualizado devido a um surto na vizinha Guiné-Conacri.

"Já criámos uma comissão para rever o plano que se vai reunir ainda hoje à tarde para elaborar um documento que será levado a Conselho de Ministros para o Governo tomar decisões sobre o que será feito", afirmou Dionísio Kumba.

A Guiné-Bissau foi um dos países notificados pela Organização Mundial da Saúde devido aos surtos de Ébola que apareceram recentemente na República Democrática do Congo e na Guiné-Conacri, país com o qual faz fronteira.

Em 2014, a Guiné-Bissau já tinha um plano de resposta montado devido ao surto de Ébola registado na Guiné-Conacri, Libéria e Serra Leoa, que provocou a morte a milhares de pessoas.

O médico guineense manifestou preocupação com a situação, lembrando que o sistema de saúde guineense "é frágil" e que o país está a enfrentar a segunda vaga de covid-19.

Segundo o coordenador do Centro de Operações de Emergências de Saúde da Guiné-Bissau, a estratégia de prevenção, para já, vai passar por controlar as zonas de mais fluxo de pessoas na fronteira.

Apesar de a Guiné-Conacri ter encerrado a fronteira há alguns meses com a Guiné-Bissau, há muitos pontos clandestinos por onde as pessoas entram e acaba por não haver uma "limitação clara".

"Há pontos clandestinos e fragilidades que ninguém controla e neste período que vai começar a campanha de castanha de caju há muita movimentação. Vamos visitar, para ver a zona com maior fluxo de fronteiras para fazer controlos sanitários", afirmou o médico guineense, que não recomenda o encerramento da fronteira.

Dionísio Kumba pretende igualmente iniciar a sensibilização das populações residentes nas zonas fronteiriças com a Guiné-Conacri, sul e leste, sobre o vírus, nomeadamente os mais velhos e os régulos, e vai propor ao Governo que os funerais só sejam realizados com a presença das autoridades sanitárias.

Os sintomas do Ébola são febre alta, vómitos, hemorragia e diarreia e numa fase mais avançada há registo de um conjunto de insuficiências dos órgãos.

"Estes sintomas têm de ser evidenciados para que a população possa perceber e alertar as autoridades sanitárias", disse.

O Ébola é transmitido aos seres humanos através de animais infetados. A transmissão humana ocorre através de fluidos corporais.

O vírus, que provoca febres altas, vómitos e diarreias, foi identificado pela primeira vez em 1976 na República Democrática do Congo (RDCongo) e deve o seu nome a um rio no norte do país, perto do qual teve origem o primeiro surto.

Segundo o Centro de Prevenção e Controlo de Doenças da União Africana (Africa CDC), foram reportados nos últimos dias 11 casos de Ébola no continente, quatro casos e duas mortes na RDCongo e sete casos e quatro mortes na Guiné-Conacri, onde o surto está circunscrito à província de Nzérékoré.
Rispito.com/RTP Noticias, 18/0.2/2021

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Rumores de golpe de Estado: "Falso alarme" pode desestabilizar a Guiné-Bissau

PAIGC quer esclarecimento cabal de Sissoco sobre denúncia de tentativa de golpe de Estado. Analistas criticam postura do chefe de Estado e entendem que um Presidente não deve comentar publicamente rumores sem fundamento.

O Presidente da Guiné-Bissau denunciou no último fim-de-semana um alegado plano de assassinato em massa de vários dirigentes. Em declarações aos jornalistas no aeroporto de Bissau, no sábado (13.02), à chegada do Senegal, Umaro Sissoco Embaló revelou que há rumores de uma alegada tentativa de golpe de Estado e um plano para o assassinar, ao ministro do Interior, Botche Candé, e ao ministro da Defesa Nacional, Sandji Fati.

O Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) reuniu a sua Comissão Permanente para a analisar a situação e exige ao Presidente guineense que esclareça a situação.

Odete Semedo, vice-líder do principal partido na oposição, disse à DW que o partido estranha as declarações de Sissoco Embaló: "Reagimos com alguma estupefação vindo de um Presidente da República, que é uma pessoa que em princípio é idónea e saberá o que está a dizer. Compete-lhe dar respostas e esclarecer quais são as suas fontes." A única preocupação do PAIGC, assegura, "é o firmar da paz e sucesso para o povo guineense."

Umaro Sissoco Embaló não deu mais informações sobre a alegada tentativa de golpe de Estado. O ministro do Interior diz apenas que estão a investigar a situação e o ministro da Defesa não aceita comentar o assunto.

Declarações "surpreendentes" e "inadequadas"
Analistas políticos ouvidos pela DW em Bissau criticam a postura do chefe de Estado e afirmam que Sissoco Embaló lançou um "falso alarme" que pode desestabilizar o país.

Para o analista Rui Jorge Semedo, a comunicação do Presidente não só é surpreendente, também é inadequada. "Se realmente está em curso uma situação que pretende alterar a ordem política na Guiné-Bissau, não é o Presidente da República a aparecer em público a fazer essas denúncias. Seria o Ministério do Interior ou outras instituições a dar essa informação, mas também com elementos que provam a denúncia", argumenta.

O analista lembra que Sissoco está a repetir a velha estratégia dos sucessivos Presidentes da Guiné-Bissau, usada como pretexto para acusar ou deter os adversários públicos sem nunca apresentar provas.
"Esta denúncia é mais uma ameaça aos esforços para a construção da paz, ao mesmo tempo para encurralar os adversários políticos e próprio mal-estar entre o próprio Presidente da República e o seu primeiro-ministro e com o partido que o apoiou durante as eleições presidenciais. Mas nunca aceitou assumir esse mal-estar publicamente", sublinha.

Rui Semedo não entende que o chefe de Estado tenha perdido a confiança nas Forças Armadas que sempre estiveram ao seu lado. "O Presidente da República, desde que assumiu a posse, sempre vangloriou as Forças Armadas, sempre considerou as forças de republicanas. Inclusive patrocinou a retirada da ECOMIB alegando que o problema não está na classe castrense, mas sim nos políticos", recorda. Por isso, este pronunciamento recente "é uma contradição com o que tem dito sobre os militares", conclui o analista.

Rui Landim, politólogo guineense e comentador político, diz que o Presidente fez uma "declaração leviana" que pode pôr em causa a estabilidade política do país. "Não é o papel do Presidente da República comentar rumores, até chegar ao ponto de dizer que há um plano de assassinato em massa. Isto prova que estamos num pandemónio, não é Estado, não é nada. Porque o Estado tinha acabado há muito tempo", critica.

Para o analista, estas declarações do Presidente colocam o país numa situação de falso alarme. "Chegar ao ponto de suspeições de assassinatos é muito mau para o país, porque não se pode num contexto de contestação social. Isto é ridículo e o país saiu a perder", diz.
"Um Presidente não pode lançar um falso alarme em como há um plano de assassinato em massa sem provas, só para inviabilizar o país. O Ministério Público poderia investigar esta situação", defende ainda o analista.

Umaro Sissoco Embaló desafiou ainda quem o quiser atacar que o faça porque anda "sozinho e com os vidros do carro em baixo".
Rispito.com/DW, 16-02-2021

PAIGC esclarece que Aristides Gomes esteve refugiado por recomendação da ONU e CEDEAO

Aristides Gomes, ex-primeiro-ministro, esteve refugiado na sede da Organização das Nações Unidas por recomendação da organização e da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental.

O PAIGC disse que o ex-primeiro-ministro Aristides Gomes esteve refugiado na sede das Nações Unidas por recomendação da organização e da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).

Aristides Gomes esteve refugiado na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Bissau, quase um ano, na sequência da sua demissão do cargo pelo atual Presidente guineense, Umaro Sissoco Embaló, tendo deixado o país a semana passada.

Num comunicado enviado esta segunda-feira à comunicação social, a comissão permanente do PAIGC precisou que Aristides Gomes esteve refugiado na sede das Nações Unidas por “recomendação da ONU, conjuntamente com as forças da Ecomib então estacionadas no país, na sequência da análise de risco da sua segurança levada a cabo”.

A direção do PAIGC reconhece e enaltece a intervenção do sistema da ONU, nomeadamente do representante do secretário-geral da ONU para a África Ocidental e Sahel, Mohamed Ibn Chambas, sob a coordenação da presidência da CEDEAO e particular supervisão de Nana Akufo-Affo, Presidente do Gana” e que assume a presidência da organização da África Ocidental, lê-se no comunicado.

Segundo o PAIGC, o gesto da ONU e da CEDEAO é avaliado pelo partido como “contributo fundamental para o combate à justiça seletiva na Guiné-Bissau”.

Aristides Gomes saiu na sexta-feira da sede das Nações Unidas em Bissau, onde se encontrava refugiado há cerca de um ano, por, segundo os seus advogados, temer pela sua segurança.

O Governo liderado por Aristides Gomes foi demitido um dia depois de Umaro Sissoco Embaló assumir a Presidência da Guiné-Bissau, em 27 de fevereiro de 2020, numa iniciativa que o então primeiro-ministro considerou como um golpe de Estado.

Na quinta-feira, a Procuradoria-Geral da República ouviu, nos autos, o antigo primeiro-ministro, na presença dos seus advogados e emitiu uma nota a informar que autorizou a sua saída do país mediante uma medida de coação de Termo de Identidade e Residência.

A Procuradoria informou que correm, contra Aristides Gomes, processos-crimes a que terá que responder assim que for convocado e após o tratamento médico no estrangeiro.
Rispito.com/Observador, 16-02-2021

Guiné-Bissau preocupada com surto de Ébola na vizinha Guiné-Conacri

A Guiné-Bissau está atenta "mas sem muita preocupação" com um surto da gripe aviária no Senegal. O que faz mesmo soar o sinal de alerta vermelho na Guiné-Bissau é o surgimento de casos de infecção e de mortes pelo Ébola na vizinha Guiné-Conacri, as autoridades sanitárias guineenses tendo convocado para amanhã terça-feira, uma reunião de emergência sobre o assunto.
Cinco anos depois do fim de uma grave e longa epidemia que matou 11.300 pessoas, boa parte na África Central e Ocidental, nomeadamente na Guiné-Conacri, este país está a conhecer um novo surto de febre hemorrágica.

A informação chegou, de forma oficial, ao Ministério da Saúde, no Domingo, através de uma nota da delegação da OMS em Bissau.

O coordenador do Centro de Operações de Emergência em Saúde (COES), Dionísio Cumba, disse esta Segunda-feira que a situação é bastante preocupante, tendo em conta a proximidade e a mobilidade da população entre os dois países.

Dionísio Cumba explicou que a informação da OMS dava conta do caso de uma enfermeira que morreu do Ébola, cujo cadáver foi levado para uma outra localidade e que agora a doença está a alastrar-se na Guiné-Conacri.

A preocupação das autoridades sanitárias guineenses é no sentido de saber se existe alguém que possa ter estado naquele funeral e que agora se encontra no país.

A Guiné-Bissau faz fronteira a leste e a sul com a Guiné-Conacri. Actualmente não existem restrições de acesso entre os dois países.

Na Terça-feira, o COES vai reunir delegados da Saúde das regiões leste e sul, ONG que actuam naquela zona e parceiros internacionais para propor medidas de prevenção ao Ébola.

Num outro aspecto, há relatos de um surto da gripe aviária H5N1 no norte do Senegal.

O director-geral da Pecuária da Guiné-Bissau, Bernardo Cassamá, disse que a situação merece atenção mas sem grandes preocupações porquanto toda a importação de produtos avícolas feita no Senegal ocorre na região sul daquele país onde ainda não há relato de qualquer surto da gripe aviária.
Rispito.com/RFI, 16/02-2021

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

PGR DA GUINÉ-BISSAU VAI SER JULGADO NO DIA 25 DE MARÇO

O Coletivo de Juízes do Tribunal Regional de Bissau marcou para 25 de Março 2021, o início da sessão de audição, discussão e julgamento de Fernando Gomes, atual Procurador Geral da República.
No despacho, Fernando Gomes é acusado de alegado desvio de fundos, quando era ministro da Função Pública, funções que exerceu no período em que Carlos Gomes Júnior era primeiro-ministro.
Por alem de Fernando Gomes, também vai Alfa Baldé, Mamadú Sani e Augusto Formoso Mendes Costa, outrora altos dirigentes do Ministério da Função Pública.
Esta é a primeira vez, na história da Guiné-Bissau, que um Procurador Geral da República vai ao julgamento, sobre um crime que tenha cometido