sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Advogado do ex-primeiro-ministro Aristides Gomes admite pressão sobre ONU em Bissau

O advogado guineense Luis Vaz Martins admitiu que algumas agências das Nações Unidas no país
podem estar a sofrer pressões para entregarem o antigo primeiro-ministro do país, Aristides Gomes, refugiado nas instalações da organização em Bissau desde fevereiro.

Demitido das suas funções pelo atual Presidente guineense, Umaro Sissoco Embaló, Aristides Gomes pediu proteção pessoal na sede da Uniogbis (agência da ONU para consolidação da paz na Guiné-Bissau) e que deve encerrar definitivamente em dezembro.

Aristides Gomes tem sido acusado pela justiça guineense de ter, alegadamente, cometido crime económico e peculato, durante o período em que liderou o Governo do país, mas os seus advogados sempre negaram as alegações.

De acordo com os advogados do político, o magistrado Juscelino Pereira "tentou forjar" um suposto despacho em que atribuía a decisão ao Tribunal de Relação, em como Aristides Gomes estava com uma medida de coação que o obriga a não se ausentar do país, com risco de fuga por ter dupla nacionalidade, guineense e francesa.

O presidente do Tribunal de Relação, o juiz Tijane Djaló desmentiu que aquela instância tenha produzido qualquer despacho nesse sentido e esclareceu que não existe nenhum processo em curso contra Aristides Gomes naquele tribunal.

O coletivo de advogados que defendem Gomes apresentaram hoje uma queixa-crime contra Juscelino Pereira a quem acusam de "falsificação, prevaricação, usurpação de função pública, sequestro e mais crimes".

Em nome do coletivo de advogados, Luís Vaz Martins, antigo presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos, disse aos jornalistas que aguardam que o Ministério Público atue contra o magistrado, mas se não o fizer admitem avançar para outras instâncias tanto no país como no estrangeiro.

Sobre o facto de Aristides Gomes estar na sede da Uniogbis, que está prestes a fechar as portas, Vaz Martins afirmou que o coletivo está a analisar a situação, embora tenha a consciência de que aquela agência da Organização das Nações Unidas "esteja a sofrer muita pressão do poder político para entregar" o ex-primeiro-ministro, enfatizou.

"Estamos em crer que as agências da ONU não estão a levar de forma fiel o que se passa em relação a este processo que é uma perseguição política mais do que algo de ilegal que o nosso constituinte tenha feito", defendeu Vaz Martins.
Rispito.com/Lusa, 30-10-2020

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Ministro da Defesa nega envio de armas para a Guiné-Conacri

Sandji Faty negou esta segunda-feira que tenha sido enviada qualquer arma do país para a Guiné-Conacri, como foi referido pelo Governo daquele país vizinho
O ministro da Segurança e Proteção Civil da Guiné-Conacri, Damantang Albert Camará, disse, na semana passada, ter informações “seguras e fidedignas” sobre uma suposta entrada no seu país de armas de uso militar, vindas da Guiné-Bissau.

“Não tenho essa informação, mas cabe à pessoa que fez essa declaração responsabilizar-se pelo que disse”, afirmou hoje Sandji Faty, quando respondia aos jornalistas numa visita efetuada ao quartel da Marinha de Guerra guineense.

De acordo com o ministro da Defesa guineense, da parte das autoridades de Bissau não há qualquer registo de saída ou desaparecimento de armas do exército.

Fronteira entre a Guiné-Bissau e a Guiné Conacri

“Nos país estão todas as nossas armas sob a responsabilidade do Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas. As armas são como as pessoas, têm um nome e um apelido, não se pode perder uma arma e não se saber de onde saiu”, declarou o general Faty.

Na opinião do ministro da Defesa guineense, a existirem armas ilegais na Guiné-Concri serão de um outro país que não a Guiné-Bissau, que se mantém tranquila, apesar das acusações e insinuações da parte de Conacri, observou.

“Nós não estamos minimamente preocupados, porque pensamos que estamos naquele conceito que hoje em dia se usa muito que é ‘fake news'”, sublinhou Sandji Faty.

A haver qualquer situação anómala nesse sentido, o ministro lembrou que existem “canais apropriados”, através das embaixadas dos dois países e ainda a convenção de Genebra.

“Nem é preciso ir ao mercado do Bandim e fazer declarações que não são abonatórias entre países irmãos”, notou Faty, referindo-se ao principal centro de comércio na Guiné-Bissau.

O ministro guineense disse ser, contudo, de lamentar as mortes e distúrbios que têm estado a acontecer na Guiné-Conacri, na sequência das últimas eleições presidenciais realizadas no passado dia 18. 

O Presidente guineense, Umaro Sissoco Embaló, afirmou também na passada sexta-feira tratar-se de ‘fake news’.

 “Isso é ‘fake news’. Internamente temos problemas de armas como é que vamos introduzir armas na Guiné-Conacri”, questionou o chefe de Estado.

O Presidente Alpha Condé, de 82 anos, ganhou um controverso terceiro mandato presidencial com 59,49% dos votos, de acordo com números ainda provisórios, anunciou a comissão eleitoral guineense no sábado.

O seu principal adversário, Cellou Dalein Diallo, que se declarou vencedor das presidenciais antes da divulgação dos resultados, obteve 33,5% dos votos, segundo a mesma comissão.

A oposição estima que os confrontos tenham causado a morte a 27 pessoas, mas esse número não foi confirmado oficalmente.

O Presidente da Guiné-Bissau tem sido uma das vozes críticas da candidatura de Alpha Condé a um terceiro mandato na Guiné-Conacri, tendo mesmo chegado a acusá-lo de “estar a tentar um golpe de Estado”.
Rispito.com/Plataforma, 29-10-2020

Movimento contra devastação florestal na Guiné-Bissau pede a PR para travar corte de árvores

Um movimento contra a devastação da floresta da Guiné-Bissau vai pedir ao Presidente, Umaro Sissoco Embaló, para vetar a decisão do Governo de permitir a retoma do abate de árvores para madeira, disse hoje o líder da organização.
Carlos Uissa explicou à Lusa que está a correr uma petição na Internet que, em cerca de uma semana, já vai com cerca de duas mil assinaturas de pessoas que concordam com a iniciativa.

O movimento quer que Umaro Sissoco Embaló "diga não ao Governo" na sua decisão de admitir o corte de árvores na floresta guineense, uma ação que Carlos Uissa considera como um "crime ambiental".

"O povo guineense já está a sentir as consequências desses atos criminosos, ventos e chuvas derrubam casas todos os anos, a temperatura do ambiente aumenta a cada mês", observou Uissa, emigrante guineense na Suíça, mas bastante interventivo na vida social do país.

Este emigrante e outros guineenses criaram o movimento contra a devastação da floresta em 2012 e na altura conseguiram que o então Governo aprovasse uma moratória contra o abate de árvores, que durou cinco anos.

Carlos Uissa defende que embora o corte de árvores não tenha parado totalmente "seria muito grave" voltar a admitir que a floresta guineense seja atacada, como anunciou o Governo no passado dia 08.

"Apelamos aos jovens nas suas comunidades para que vigiem a floresta, para que denunciem qualquer tentativa de cortar as árvores. Já nos abandonaram, já comeram tudo o que é do povo, agora querem devastar a floresta que é o nosso último sustento de verdade", sublinhou o ativista ambiental.

O movimento liderado por Carlos Uissa quer que o assunto seja levado ao parlamento para um debate e depois lançar uma campanha de reflorestação nacional "para remediar o que se devastou" entre 2012 e 2014, disse.

"No crime ambiental da altura, a cada hora chegavam ao porto de Bissau (para exportação) sete contentores de 20 pés, levando lá dentro 90 toros de madeira", declarou, frisando que o movimento vai fazer "o que for preciso" para travar as pretensões do Governo.

O ativista disse ser "argumento falacioso" quando o Governo vem dizer ser preciso autorizar o abate de árvores da floresta "para construir carteiras para os alunos".

"É mais do que claro que não há interesse nacional aqui. Há pessoas que querem colocar em causa o nosso meio ambiente por causa dos seus interesses obscuros. É tudo uma questão da ganância", sublinhou Carlos Uissa.
Rispito.com/Lusa, 29-10-2020

quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Líder do PAIGC diz que Guiné-Bissau vive situação de "poder absoluto"

De acordo com o líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, "tem-se feito o uso do poder absoluto,
pondo em causa as liberdades individuais e coletivas e a separação dos poderes" na Guiné-Bissau.
O líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, considerou esta terça-feira, em Luanda, que se vive na Guiné-Bissau uma situação de “poder absoluto” que põe em causa liberdades individuais e coletivas e a separação de poderes.

Em declarações aos jornalistas à saída de uma audiência de mais de meia hora concedida esta terça-feira pelo Presidente de Angola, João Lourenço, o dirigente do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) disse que o seu partido vai continuar a lutar contra esta situação “bastante complexa” para fazer imperar a lei através de mecanismos constitucionais.

É este o quadro existente, para o qual o PAIGC vai continuar a lutar, a exigir o imperativo da lei, o respeito pela ordem constitucional, a separação dos poderes, para que os direitos individuais e coletivos sejam de facto respeitados”, garantiu.

De acordo com Domingos Simões Pereira, não tem sido o caso, “tem-se feito o uso do poder absoluto, pondo em causa as liberdades individuais e coletivas e a separação dos poderes”.

O político sublinhou que o PAIGC “é um partido histórico, responsável, que tem feito uso exclusivamente dos mecanismos constitucionais e democráticos“, contudo, “esta luta fica desigual, desequilibrada, quando outros utilizam mecanismos à margem daquilo que a Constituição prevê”.

Mas nós acreditamos que quem acompanha, o povo, quem tem essa aceitação popular, será capaz de, fazendo uso desses mecanismos, poder repor aquilo que é o império da lei”, concluiu.

O político guineense frisou que o encontro aconteceu no âmbito das relações tradicionais de amizade e cooperação entre o PAIGC e o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), liderado por João Lourenço.

Segundo Domingos Simões Pereira, a situação no seu país, tal como havia afirmado em fevereiro, quando esteve em Luanda, exige um acompanhamento, sobretudo dos principais parceiros e amigos, e Angola está na lista prioritária dos principais amigos.

E o camarada Presidente João Lourenço tem-se disponibilizado para ouvir, para compreender, para acompanhar a situação da Guiné-Bissau e neste quadro convidou-me a vir cá partilhar com ele a nossa visão, a nossa leitura sobre a situação política, para desta forma poder melhor acompanhar a situação vigente do país”, referiu.

O presidente do PAIGC considerou bastante mais complexa a situação política prevalecente no país, resumindo que todos os passos dados depois das eleições presidenciais, num recurso ao Supremo Tribunal de Justiça a contestar os resultados, não surtiram os efeitos esperados, porque foi considerado improcedente.

O Supremo Tribunal de Justiça da Guiné-Bissau validou os resultados das eleições presidenciais, que acabou com o contencioso eleitoral apresentado pelo segundo candidato mais votado na segunda volta das presidenciais de 29 de dezembro de 2019, formalizando a vitória de Umaro Sissoco Embaló.
“Nós, mesmo não concordando com essa avaliação, mesmo achando que se estava a subtrair ao povo guineense o direito de conhecer a verdade eleitoral, declaramos formal e publicamente que aceitávamos e respeitávamos essa decisão do Supremo Tribunal de Justiça“, recordou Simões Pereira, candidato derrotado nas presidenciais.

No entanto, o líder do PAIGC disse que é preciso, no regime constitucional existente na Guiné-Bissau, separar os poderes, reconhecer que antes disso houve eleições legislativas e é preciso reconhecer o poder executivo a quem venceu as eleições legislativas”, explicou.

Depois de ter tomado posse numa cerimónia simbólica, o Presidente guineense demitiu o Governo liderado por Aristides Gomes, do PAIGC, partido vencedor das eleições legislativas de março de 2019.
Rispito.com/Observador, 28/10/2020

Economia da Guiné-Bissau em risco de entrar em ‘default’

O analista económico Aliu Soares Cassamá disse que é possível prever que a Guiné-Bissau entre em
incumprimento financeiro, tendo em conta o elevado nível de dívida externa, que ronda os 80% do Produto Interno Bruto (PIB).

Para Soares Cassamá, economista, a situação da Guiné-Bissau “tende a degradar-se” à luz dos próprios critérios de convergência da União Económica e Monetária da África Ocidental (UEMOA), que determina que nenhum país pode ter dívida pública superior a 70% do seu PIB.

Quadro sénior de um banco comercial em Bissau, o economista entende que “ou o país inicia rapidamente a renegociação da sua dívida ou o seu perdão ou então corre risco de vir a entrar em ‘default’ (incumprimento financeiro)”, observou.

Aliu Soares Cassamá comentou para a Lusa a situação na Zâmbia, declarada na semana passada pela agência de notação financeira Standard & Poor’s como o primeiro país africano a entrar em incumprimento financeiro devido à pandemia de covid-19.

O economista explicou que um país entra em ‘default’ quando a sua dívida pública dispara de forma exponencial ao mesmo tempo que tem as Finanças Públicas em degradação acentuada.

No caso da Guiné-Bissau, Aliu Soares Cassamá disse que o quadro existe, a que acresce ainda, refere, uma flexibilidade “cada vez mais reduzida” de o país conseguir financiamento externo, com a visível queda das receitas coletadas internamente.

Aliu Soares Cassamá apontou que neste momento a receita interna da Guiné-Bissau “caiu em 50%” e que dessa coleta 76% são destinados para o pagamento de salários aos servidores públicos e os restantes 24% “nem chegam para pagar dívidas ou fazer investimentos”, frisou.

O caminho para evitar o colapso, destacou Cassamá, seria produzir mais, desenvolver o setor industrial, promover reformas no ensino e no quadro fiscal, evitar “o endividamento irracional” e sair da dependência de uma economia baseada sobretudo na castanha do caju, notou.

“A Guiné-Bissau corre sérios riscos de entrar em incumprimento financeiro devido ao elevado serviço de dívida e forte dependência das receitas da castanha do caju”, observou o analista.

Em resumo, disse Soares Cassamá, o quadro atual de dependência de toda a economia guineense na castanha do caju caracteriza-se pelo baixo nível de crescimento e uma acentuada instabilidade macroeconómica.

O analista prevê também que a economia guineense “vai sofrer ainda mais”, dada a sua fragilidade e exposição ao chamado choque externo, sobretudo quando, disse, começar a aparecer o verdadeiro impacto provocado pela covid-19.

Até porque, sublinhou Aliu Soares Cassamá, os principais credores do país “vão estar à espera”.

Soares Cassama explicou que os credores a que se refere são Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional, Banco de Desenvolvimento da África Ocidental, Banco Africano de Desenvolvimento e União Económica e Monetária da África Ocidental.

O Ministério das Finanças da Guiné-Bissau está a tentar estabelecer um novo programa com o Fundo Monetário Internacional, com o apoio do Banco Mundial, com o objetivo de “equacionar a sustentabilidade” da dívida do país.

O Conselho de Ministros da Guiné-Bissau deliberou, na quinta-feira, adiar a discussão do Orçamento do Estado de 2021 por causa das “negociações em curso com as instituições de Bretton Woods”, segundo o comunicado divulgado à imprensa.

Num relatório, divulgado na semana passada, o Fundo Monetário Internacional prevê que a economia guineense cresça 3% em 2021.
Rispito.com/Visão, 27-10-2020

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Representante Especial do Secretário-Geral das Nações econtra com o Primeiro-ministro

Rosine H. Sori Culibaly, Representante Especial do Secretário-Geral das Nações Unidas na Guiné-
Bissau encontrou neste dia 26 de Outubro com o primeiro-ministro, Nuno Nabiam. Após o encontro, Nuno Nabim publica na sua pagina de facebook:

" Visita normal, ao nível da ONU é uma obrigação interagir com as autoridades do país, analisamos a situação do país, e felicitamos a Sua Excelência Senhor Primeiro-Ministro Nuno Gomes Nabiam pelas realizações do Governo. Trocamos impressões sobre o papel das Nações Unidas após a reconfiguração da ONU na Guiné-Bissau e após a partida da UNIOGBIS, que termina o seu mandato em Dezembro de 2020.

Também abordamos um conjunto de ações de acompanhamento da consolidação da paz e da estabilidade do país, num trabalho de equipa e de parceria que irá prosseguir a nível da CEDEAO e da União Africana.

Também falamos sobre a consolidação das reformas que as Nações Unidas tem assistido a Guiné-Bissau e felicito o facto de eu e o Primeiro-Ministro partilharmos da mesma análise sobre as dificuldades que o Governo enfrenta. Vamos trabalhar em conjunto para apoiar o Governo e o povo da Guiné-Bissau. "

GOVERNAR PARA TODOS

Eng.Nuno Gomes Nabiam Primeiro-Ministro da Guiné-Bissau

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Guiné-Bissau e Senegal vão pedir empréstimo conjunto para financiar vias

A Guiné-Bissau e o Senegal vão pedir um empréstimo conjunto para financiar a melhoria de vias rodoviárias entre os dois países, anunciou hoje o ministro da Economia guineense, Vítor Mandinga.

"OBanco Africano de Desenvolvimento, com a intervenção do meu colega [do Senegal], deu-nos uma boa oportunidade de ver este projeto multinacional entre a Guiné-Bissau e o Senegal. Amanhã [sexta-feira] vamos assinar um pedido de crédito", afirmou o ministro.

Vítor Mandinga falava aos jornalistas juntamente com o seu homólogo nigeriano, Amadou Hott, que iniciou hoje uma visita de dois dias à Guiné-Bissau, depois de um encontro com o chefe de Estado guineense, Umaro Sissoco Embaló.
"Cerca de 87% das nossas estradas estão intransitáveis. Só esta constatação dá a obrigação ao Governo e convida os irmãos senegaleses e outros irmãos de África e parceiros internacionais para apoiarem os esforços da Guiné-Bissau no sentido de garantir a melhoria das infraestruturas rodoviárias de base, mas também outras infraestruturas, quer industriais, quer do plano do ordenamento agroindustrial, hidroagrícola, quer a ainda a nível energético", salientou o ministro.

No âmbito da visita, os dois ministros trocaram experiências em relação ao desenvolvimento de vários setores, nomeadamente vias rodoviárias, agricultura, energia e administração pública.

Em relação à administração pública, Vítor Mandiga salientou a importância da reforma do setor.
"Como sempre temos dito temos 16 funcionários para cada 1.000 habitantes. O Senegal com 16 milhões de habitantes tem apenas sete funcionários por cada 1.000 habitantes. Há países que têm cinco funcionários para cada mil habitantes. Vejam a desproporção", disse.

A Guiné-Bissau tem uma população de cerca de dois milhões de habitantes.
"Nós gastamos 76% das nossas receitas fiscais para pagar salários. Onde é que vamos sair com dinheiro para investimento público?", questionou o ministro, salientando que é preciso indemnizar pessoas e contribuir para a sua reinserção social e produtiva.

Já o ministro do Senegal destacou a importância de os dois países terem "administrações eficazes, que trabalhem com celeridade e que tenha igualmente os efetivos requeridos".
"Falámos sobre como podemos apoiar e melhorar o nível", acrescentou.

O ministro senegalês disse também que deu a conhecer ao seu homólogo diferentes modelos utilizados pelo seu país no desenvolvimento agrícolas, financiamento a jovens e mulheres para começarem o seu próprio negócio, e de produção e fornecimento de energia elétrica por privados.

Amadou Hott informou que os dois países vão realizar uma comissão mista ainda este ano, em Bissau.
A última comissão mista entre os dois países decorreu em 2011.
"Vamos também encorajar o setor privado senegalês a investir na Guiné-Bissau", disse.

O ministro da Economia do Senegal termina sexta-feira a visita de trabalho a Bissau com encontros com o primeiro-ministro, Nuno Gomes Nabiam, e a assinatura de um acordo de cooperação com o seu homólogo guineense.
Rispito.com/Lusa, 23/10/2020

Guiné-Bissau inicia prospeção de petróleo em 2021

2021 será o ano para desfazer todas as dúvidas sobre se a Guiné-Bissau poderá vender petróleo no mercado internacional. É o que afirma o diretor-geral da petrolífera estatal guineense Petroguin em entrevista à DW.

Ainda sem data ou mês marcado para o arranque dos trabalhos de perfuração dos blocos, a Guiné-Bissau aponta 2021 como o ano para tirar todas as dúvidas sobre se existe ou não petróleo suficiente que possa ser vendido no mercado internacional
"Ainda é muito cedo para afirmar que temos petróleo em solo guineense. Mas em 2021 vamos tirar todas essas dúvidas", afirma em entrevista exclusiva à DW Danilson Ié, diretor-geral da petrolífera guineense Petroguin. 
"Repare que é a mesma bacia petrolífera que passou pelo Senegal, Mauritânia, Guiné-Conacri e Gâmbia. Todos esses países já descobriram petróleo, só falta mesmo a Guiné-Bissau fazer a pesquisa."

Neste momento, ainda há três blocos livres no "offshore", mas a corrida às licenças de prospeção continua, segundo a petrolífera.

Os trabalhos atrasaram por falta da aprovação de pacotes legislativos por parte do Governo e da sua promulgação pelo Presidente da República, refere Danilson Ié. Agora, "todos esses procedimentos já foram feitos e estamos à espera dos parceiros para iniciarmos a perfuração no próximo ano. Não fosse a Covid-19 já estava feito o furo", afirma.
Na semana passada, o Presidente Umaro Sissoco Embaló promulgou vários diplomas legais que permitem que se avance para a fase de perfuração nas zonas "offshore" em que se acredita existir petróleo. O Governo extinguiu duas licenças de prospeção, mas concedeu outra licença e estendeu a validade de três.

Acordos já assinados
A Petroguin já autorizou várias empresas estrangeiras, de vários países, a iniciar a prospeção de hidrocarbonetos em 11 dos 14 blocos no "offshore". Os acordos foram assinados no final de setembro em Bissau. 

"Cada um desses parceiros faz o seu trabalho técnico, sem custos para o Estado da Guiné-Bissau. Depois desse trabalho vamos para a fase de construção de furos. Enquanto não tivermos a descoberta comercial, todo esse trabalho não terá custos para o país."

Só "depois da perfuração é que se saberá se o petróleo que temos tem o valor comercial ou não. Por causa da pandemia não iremos começar logo no início de 2021. Vamos reunir a direção para acertar a data", avança Danilson Ié à DW.

O diretor-geral da petrolífera guineense Petroguin acrescenta que, pelas informações de que dispõe dos técnicos, tudo indica que o país tem petróleo suficiente para poder vender no mercado internacional, embora estudos desenvolvidos por empresas estrangeiras há mais de 20 anos não revelem a existência daquele recurso com valor comercial.
Rispito.com/DW, 23/10/2020

Forças policiais guineenses de prevenção na embaixada da Guiné-Conacri ameaçada de vandalismo

Elementos do batalhão da polícia de choque da Guiné-Bissau estão em frente à embaixada da Guiné-Conacri em Bissau, que tem estado sob ameaça de vandalismo por parte de cidadãos daquele país, constatou a Lusa.

Forças policiais guineenses de prevenção na embaixada da Guiné-Conacri ameaçada de vandalismo

Desde as primeiras horas de hoje que todo o perímetro da embaixada da Guiné-Conacri, no centro de Bissau, está ocupado por polícias armados, controlando o acesso de viaturas à zona.

Fonte do Ministério do Interior guineense, que comanda várias corporações policiais, disse à Lusa que a medida foi tomada pelo Governo de Bissau em resposta "às ameaças reais" à embaixada da Guiné-Conacri.

Na quarta-feira, um grupo de cidadãos daquele país "tentou entrar à força" na instalação da embaixada, mas foi impedido pelas forças da ordem da Guiné-Bissau, explicou a fonte.

Em vários países de África, há relatos de atos de vandalismo em embaixadas da Guiné-Conacri, por parte de cidadãos daquele país, alegadamente descontentes com o processo eleitoral em curso.

Na Guiné-Bissau, onde existe uma considerável comunidade de cidadãos da Guiné-Conacri, são recorrentes, nos últimos dois meses, ações de campanha e de apoio aos líderes e partidos políticos em corrida eleitoral.

Bissau foi palco, na semana passada, de várias manifestações por parte de apoiantes de Alpha Condé e Cellou Diallo, dois principais candidatos à presidência da Guiné-Conacri.

As manifestações costumam trazer às ruas da capital guineenses jovens e dezenas de viaturas com música, cartazes e dísticos de apoio dos dois candidatos, e a polícia da Guiné-Bissau chegou a ser chamada para evitar confrontos.

As rivalidades entre as duas candidaturas nas eleições da Guiné-Conacri também animam as conversas nas redes sociais entre os cidadãos da Guiné-Bissau, com uns a apoiarem Alpha Condé, presidente que tenta um terceiro mandato, e Cellou Diallo, eterno candidato à presidência do país.

Cerca de 5,4 milhões de eleitores escolheram domingo o próximo presidente da Guiné-Conacri, numa eleição marcada pela contestação à recandidatura de Alpha Condé e pela morte de dezenas de manifestantes.

O Presidente cessante, Alpha Condé, de 82 anos, primeiro chefe de Estado eleito democraticamente em 2010 após décadas de regimes autoritários na Guiné-Conacri, foi reeleito em 2015 para um segundo mandato e vai tentar agora um terceiro.

Durante um referendo em março, muito contestado, fez aprovar uma nova Constituição e de seguida considerou, com os seus apoiantes, que o novo texto lhe permite voltar a concorrer ao escrutínio.

Os seus adversários denunciaram um "golpe de Estado constitucional". Segundo a oposição, pelo menos 90 pessoas morreram no último ano devido a incidentes durante manifestações contra uma nova candidatura de Condé.
Rispito.com/Lusa, 23/10/2020

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

PAIGC condena "perseguição" a ex-PM Aristides Gomes

O PAIGC condenou esta quarta-feira o que considerou ser uma "perseguição política" contra o antigo primeiro-ministro guineense Aristides Gomes e acusou o Ministério Público de "usurpar poderes" e "falsificar processos".
No final de um encontro com o chefe de Estado guineense, Umaro Sissoco Embaló, esta quarta-feira (21.10), Califa Seidi, líder parlamentar do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), disse que discutiram com o Presidente a situação política no país e a situação de Aristides Gomes.

"Também abordámos a situação do primeiro-ministro Aristides Gomes que nos últimos tempos tem estado a ser privado dos seus direitos fundamentais, nomeadamente pelo Ministério Público que tem estado a forjar processos e já foi desmentido pelo Tribunal de Relação, que desmentiu que haja qualquer processo contra Aristides Gomes", afirmou Califa Seidi em declarações aos jornalistas.

Segundo o líder parlamentar do PAIGC, o partido tem conhecimento de que está a ser "forjado outro processo".

"Para nós é uma perseguição política e o PAIGC tem de denunciar e condenar este ato, sobretudo do Ministério Público, que é a nossa instituição que defende a legalidade, mas que anda a falsificar processos, a usurpar poderes e que não é salutar para um Estado de Direito democrático", salientou. 

Em relação à situação política do país, Califa Seidi disse que há uma "boa via de abertura de diálogo com vista a encontrar soluções" para o que o país "tem estado a viver nos últimos tempos".

Ex-primeiro-ministro continua refugiado

Aristides Gomes está refugiado há vários meses na sede da ONU em Bissau, depois de ter sido demitido do cargo de primeiro-ministro pelo atual Presidente guineense.

A agência de notícias Lusa teve acesso na semana passada a um despacho atribuído ao cartório do Ministério Público junto do Tribunal de Relação da Guiné-Bissau, com data de agosto, que aplicava a medida de coação de obrigação de permanência a Aristides Gomes por suspeita de participação económica em negócio e peculato, confirmando a veracidade deste documento junto de fonte oficial do Ministério Público. 

O presidente do Tribunal de Relação da Guiné-Bissau, Tijane Djaló, afirmou que nenhum processo-crime contra o ex-Primeiro-Ministro Aristides Gomes deu entrada na câmara criminal daquela instituição e muito menos o despacho que aplicou medidas de coação.

Por seu turno, a Procuradoria-Geral da República da Guiné-Bissau informou na segunda-feira (19.10) que há dois processos a tramitar no Ministério Público onde o antigo primeiro-ministro Aristides Gomes figura como suspeito.

O coletivo de advogados de Aristides Gomes disse que vai avançar com uma queixa-crime na câmara criminal do Tribunal da Relação contra o magistrado que elaborou o despacho contra o antigo primeiro-ministro guineense.

O coletivo de advogados salientou também que Aristides Gomes nunca foi ouvido pelo Ministério Público e que nunca foram notificados de quaisquer medidas de coação.
Rispito.com/DW, 22/10/2020

Morte de crianças com menos de 5 anos continua a diminuir

Os resultados do sexto Inquérito aos Indicadores Múltiplos na Guiné-Bissau, apresentados hoje pelo Fundo da ONU para a Infância, em Bissau, indicam que a morte de crianças com menos de cinco anos continua a diminuir no país.
Segundo a representante da Unicef em Bissau, Nadine Perrault, os resultados do sexto Inquérito aos Indicadores Múltiplos (MICS-6), realizado entre 2018 e 2019, apresentam resultados encorajadores.

"Eles são traduzidos pela contínua redução da taxa de mortalidade de crianças menores de cinco anos. Também se registam avanços no número de mulheres grávidas que procuram cuidados pré-natais", disse Nadine Perrault,

A representante da Unicef na Guiné-Bissau salientou também que houve um "aumento significativo de registos de nascimento", que subiram mais de 20% em relação ao último MICS, que são realizados de cinco em cinco anos.

O relatório, divulgado à imprensa, indica que a taxa de mortalidade infantil em crianças menores de cinco anos, nos últimos cinco anos, "foi de 51 para 1.000 nados vivos", ou seja, "aproximadamente cinco crianças em 100 morrem antes de completar cinco anos".

"O MICS mostra uma tendência de redução contínua das taxas de mortalidade para menores de cinco anos", refere o relatório, salientando que as regiões de Gabu, Biombo e Quinara apresentam as taxas mais elevadas de mortalidade infantil.

Em relação aos registos de nascimento, o relatório salienta que quanto mais estudos a mãe tem maior é a probabilidade de a crianças ser registada, ou seja, "66% das mães com instrução secundária registaram os filhos, contra 39% das mães com nível pré-escolar ou nenhum".

"Em sentido contrário, quando comparada com a situação de 2014, a prática da excisão genital feminina afetou mais meninas e mulheres. Outra área em que precisamos redobrar esforços é a Educação. Os desafios neste setor são enormes", disse.

O documento indica que a Mutilação Genital Feminina (MGF) diminuiu em entre crianças menores de 14 anos, mas que "uma em cada duas mulheres" com idades compreendidas entre os 15 e os 49 anos "foi submetida a alguma forma de MGF".

As regiões de Gabu e Bafatá são as zonas do país que apresentam a maior percentagem de MGF, 96% e 87%, respetivamente.

Os dados indicam também que uma em cada 10 mulheres com idades compreendidas entre os 15 e os 49 anos "pensa que a prática de MGF deve continuar".

O MICS-6 foi realizado pelo Instituto Nacional de Estatística da Guiné-Bissau, com o apoio técnico da Unicef e financeiro de várias agências das Nações Unidas.
Rispito.com/Noticia ao Minuto, 22/10/2020

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Presidente da Gâmbia em visita de algumas horas à Bissau

O Presidente da República da Gâmbia, Adama Barrow está na Guiné-Bissau para uma visita oficial de algumas horas, a convite do seu homólogo guineense, Umaro Sissoco Embalo.

Internacional Osvaldo Vieira pelo seu homólogo guineense, Umaro Sissoco Embalo, com honras militares e saudações culturais.

Em declarações á imprensa no Aeroporto internacional de Bissau, após a recepção do Presidente Gâmbiano, o chefe de Estado guineense Umaro Sissoco Embalo considerou de excelentes as relações entre a Gâmbia e Guiné-Bissau.
“A visita de Adama serve-se para reforçar ou seja elevar os laços existentes entre os dois povos irmãos”, disse Umaro Sissoco Embalo.

Por sua vez, o Presidente Adama Barrow disse que esta é a primeira vez que vem ao país e que a sua vinda serve para reforçar as relações já existentes entre os dois países.
“A Guiné-Bissau e Gâmbia são países irmãos, com a mesma cultura, por isso é preciso trabalhar em conjunto para o desenvolvimento das duas nações, sobretudo a Guiné Bissau”, explicou.

Para tal, Barrow afirmou que o Presidente da Guiné-Bissau precisa de ser apoiado para que o país possa progredir.
“Os combatentes da liberdade da pátria lutaram e libertaram o país do jugo colonial e agora resta a união no seio dos guineenses e trabalhar em conjunto para desenvolver o país”, disse.

Afirmou estar esperançado de que o país vai encontrar um rumo certo, antes do Presidente Sissoco terminar o seu mandato.

O Chefe de Estado gâmbiano depositou coroas de flores no Mausoléu Amilcar Cabral, em Amura, em jeito de reconhecimento ao pai da nacionalidade guineense e cabo-verdiano.
Rispito.com/Lusa, 21/10/2020

terça-feira, 20 de outubro de 2020

Suspenso adoções internacionais para combater tráfico

O Governo da Guiné-Bissau decidiu suspender todos os processos de adoção internacional no país para evitar o tráfico de crianças e o negócio das casas de acolhimento, anunciou a ministra da Mulher, Conceição Évora.
Em entrevista à Lusa, a ministra explicou que a suspensão dos processos foi decidida "porque tem havido sistematicamente adoções que não estão a seguir as normas estabelecidas".

"Nós sabemos que o Governo da Guiné-Bissau não tem uma casa de acolhimento de Estado, existem casas de acolhimento que recebem essas crianças órfãs e tem havido essas adoções de forma ilegal e que às vezes conduzem ao tráfico de seres humanos, neste caso de crianças", explicou Conceição Évora.

O Conselho de Ministros da Guiné-Bissau analisou na semana passada uma proposta de decreto-lei relativa às adoções internacionais, que decidiu trabalhar ainda mais, e mandatou os ministérios da Mulher, Justiça e Interior a suspender todos os atos administrativos relativos à adoção internacional de crianças e jovens.

"O que tem acontecido é que a adoção está a ser feita de forma ilegal e às vezes não há cadastro de todo o processo. Estamos a perder guineenses, o Estado não sabe quem é essa pessoa que adotou, não conhece, e a partir do momento que a criança passa no aeroporto perde-se o rastro da criança e isso não pode acontecer", afirmou a ministra da Mulher.

Para Conceição Évora, o Estado deve saber quem são as pessoas que adotam as crianças e os jovens e para que "fins são levadas".

"Hoje o mundo está confrontado com o tráfico de crianças, as crianças são exploradas, sexualmente, abusadas. É por causa disso que estamos a ter uma mão mais controladora sobre a adoção internacional", salientou.

Questionado sobre se a proposta de decreto-lei vai produzir muitas alterações à lei agora em vigor, a ministra disse que a lei não difere muito.

"A aplicabilidade da lei é que queremos controlar, porque as pessoas não estão a respeitar as normas. Há casais que estão a seguir os trâmites normais para a regularização dessa adoção, mas a maior parte dos casos que acontece neste momento não segue esses trâmites normais por isso é que queremos suspender para poder obrigar ao cumprimento escrupuloso da lei da adoção no país", disse.

A ministra disse também ter tido informações de pessoas que levam crianças que nem sequer foram registadas pelos pais biológicos.

Outras das razões pelas quais o Governo decidiu suspender as adoções internacionais estão relacionados com o facto de o processo se estar a tornar num negócio.

"Em certas casas certas pessoas fazem isso e isso é tráfico", disse.
Rispito.com/Lusa, 20/10/2020

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Jose Maria Pereira Neves visitou memorias do passado em Conacri

Foi um momento de enorme emoção para mim
Estive, hoje de manhã, no antigo Secretariado do PAIGC em Conakry, onde hoje funciona a Embaixada da Guiné Bissau.

Visitei a Casa onde residiu Amílcar Cabral, pude ver a réplica do seu carro e da sua cama, e estive no preciso lugar onde foi assassinado.

Em companhia do Embaixador da Guiné Bissau e do Representante da CEDEAO na República da Guiné Conakry, conheci, ainda, a Sala de Trabalho de Aristides Pereira e a sua antiga residência.

Pude constatar o grau de degradação do espaço e a grandeza do património material do PAIGC em Conakry. Muito já se perdeu. Urge requalificar o espaço e homenagear os homens grandes das duas Pátrias irmãs que juntos lutaram pela independência.

Estes dias em Conacry, pude perceber ainda mais nitidamente a grandiosidade da Obra de Amílcar Cabral e do PAIGC e a importância do patrimonio material e imaterial da luta de libertação nacional.

Do Presidente da República ao mais comum do Cidadão, o exemplo de Amílcar Cabral e dos seus companheiros de luta está bem presente na memória de todos.

Só por isso, valeu a pena esta deslocação, em tempos assaz difíceis de pandemia e de instabilidade...

Sociólogo guineense diz que só novo poder em Conacri poderá reatar relação com Bissau

O sociólogo e analista guineense Diamantino Domingos Lopes disse que só um novo poder na Guiné-Conacri, que vai a eleições no domingo, poderá "abrir espaço para reatar" as relações políticas e diplomáticas com a Guiné-Bissau.

Cerca de 5.500 eleitores da Guiné-Conacri escolhem no domingo o próximo Presidente do país, numa eleição marcada pela contestação à candidatura a um terceiro mandato do chefe de Estado cessante, Alpha Condé, e pela morte de pelo menos 90 manifestantes e opositores.

Os eleitores poderão escolher entre 12 candidatos, incluindo duas mulheres, mas a chefia do Estado deverá ser disputada entre Alpha Condé e o líder da oposição, Cellou Dalein Diallo. (NOVA VERSÃO PARA CORRIGIR NO TEXTO O NOME DO SOCIÓLOGO E ANALISTA GUINEENSE, QUE É DIAMANTINO DOMINGOS LOPES E NÃO DIONÍSIO DOMINGOS LOPES)
"A relação entre a Guiné-Conacri e a Guiné-Bissau está adormecida há muito tempo. Com uma nova autoridade, haverá espaço para reatar essa cooperação", defendeu o sociólogo guineense.

Diamantino Domingos Lopes que falava à agência Lusa, por telefone, a partir de Bissau, assinalou a difícil relação entre os atuais chefes de Estado dos dois países vizinhos: Umaro Sissoco Embaló e Alpha Condé.

O Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, tem sido uma das vozes críticas da candidatura de Alpha Condé a um terceiro mandato na Guiné-Conacri, tendo mesmo chegado a acusá-lo de "estar a tentar um golpe de Estado".
"Umaro Sissoco Embaló, enquanto primeiro-ministro, sentiu-se prejudicado por Alpha Condé, que assumiu a mediação da crise política guineense a mando da Comunidade Económica de Países da África Ocidental (CEDEAO)", apontou.

Na altura, prosseguiu, o agora chefe de Estado da Guiné-Bissau considerou que Alpha Condé não "teve uma mediação clara e transparente" e acusou-o de se "inclinar" para o Partido Africano para a Independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde (PAIGC) e para o seu presidente, Domingos Simões Pereira.
"Acusou Alpha Condé de ser contra os fulas (etnia maioritária nos dois países)", apontou Diamantino Domingos Lopes, considerando, no entanto, que apesar de o opositor de Alpha Condé nas eleições ser fula, a questão étnica não é determinante.

Para o sociólogo, a relação entre os dois chefes de Estado "deteriorou-se" ao ponto de a Guiné-Conacri não ter sido convidada para o aniversário da independência da Guiné-Bissau, que se assinalou em 24 de setembro.
"Historicamente a Guiné-Bissau ganhou a independência através da Guiné-Conacri. Tudo começou e terminou na Guiné-Conacri, era lá que tínhamos a nossa base militar e a estratégia de guerra era desenhada e executada a partir da Guiné-Conacri", disse.

Por outro lado, apontou, a divisão política guineense traduz-se numa inclinação maior do PAIGC para a Guiné-Conacri e do Presidente Umaro Sissoco Embaló para o Senegal.
"Levamos o nosso problema interno ao nível da CEDEAO e dos nossos principais vizinhos. Estamos nesta perspetiva divisionista que não ajuda em nada o povo e o país", disse.

Por isso, acredita que, se Alpha Condé for reeleito a relação entre os dois países deverá manter-se neste mesmo nível.

Admitindo que possa melhorar, acredita que "não terá grande impacto na vida das populações".
"Não se vai sentir a relação política e diplomática, se o Cellou Dalein Diallo ganhar, a relação vai ser outra por causa dos laços afetivos e da perspetiva de relançamento de um novo poder. Vai-se sentir mais a presença da Guiné-Conacri na Guiné-Bissau", considerou.

Diamantino Domingos Lopes apontou o "enorme potencial" da Guiné-Conacri e a "longa relação histórica" com a Guiné-Bissau para sublinhar que a relação entre os dois estados "não pode continuar adormecida".
"Tendo os dois chefes de Estado de costas voltadas", os países perdem, reforçou, sustentando que há relações comerciais e económicas que são prejudicadas pela inexistência de relações políticas e diplomáticas.

Para o sociólogo, nos últimos 10 anos este "é o momento mais complicado" na relação dos dois vizinhos.
"Desde 2016, a situação ficou mais complicada e há uma clara `guerra` política e diplomática. A Guiné-Conacri fechou as fronteiras sem informar as nossas autoridades e isso mostra quão complexa é a relação neste momento", disse.

Ainda assim, Diamantino Domingos Lopes, acredita que este conflito está a passar ao lado das populações dos dois países, que mantêm a mobilidade entre os dois países.
Rispito.com/Lusa, 19/10/2020

Guiné-Bissau entrou num novo ciclo de tensão pós-eleitoral

O analista político guineense Rui Jorge Semedo afirmou hoje que o país entrou num novo ciclo de tensão pós-eleitoral e que já há sinais inconsistência na aliança que apoiou a eleição do Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló.

"O país entrou num novo ciclo, que já é tradicional, de tensão pós-eleitoral e esta situação agravou-se mais do que as situações anteriores", disse à Lusa Rui Jorge Semedo.

Segundo o analista político, os fatores que contribuíram para aquele agravamento foram a situação ocorrida após a divulgação dos resultados eleitorais, com a "interferência" da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e da União Africana, que "legitimaram os resultados" e sobrepuseram-se à decisão do Supremo Tribunal de Justiça.
"Esta situação conduziu a uma outra situação mais complicada, que foi a rejeição dos resultados das eleições legislativas de 10 de março, porque quem ganhou as legislativas não foi na verdade o grupo que está a governar. Forjou-se uma maioria inexistente do ponto de vista do regimento do parlamento e isso transformou-se num ambiente inapropriado para o relacionamento institucional", disse Rui Jorge Semedo.

Na sequência da sua tomada de posse, o Presidente guineense demitiu o Governo, que tinha sido formado na sequência dos resultados das legislativas, ganhas pelo Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), e nomeou um outro, formado por uma aliança de partidos e movimentos que apoiaram a sua eleição.

O analista político salientou que, por outro lado, a aliança que conduziu Umaro Sissoco Embaló ao cargo de Presidente da República "não é uma aliança consistente a começar pela luta pelo poder dentro do partido que o apoiou nas eleições presidenciais", referindo-se ao Movimento para a Alternância Democrática (Madem-G15).
"O que se visualiza neste momento é uma disputa, o mesmo que aconteceu nas últimas duas legislaturas. O PAIGC apoiou José Mário Vaz para assumir o cargo de Presidente e depois o conflito eclodiu justamente entre o PAIGC e o candidato que tinha apoiado. É esta linha que também estamos a observar. Neste momento, há muitos indícios que não há um relacionamento saudável entre o Madem-G15 e o Presidente da República", afirmou.

Para Rui Jorge Semedo, aquele não é um bom sinal, destacando que o líder do Madem-G15, Braima Camará, goza de "muita influência dentro da base que apoiou o Presidente da República".
"Outro aspeto a tomar em consideração é que todas as formações políticas com assento parlamentar criticaram e muito este comportamento que nos últimos tempos tem ocorrido de sequestros e espancamentos de cidadãos. Diariamente está a ser mais visível o crescimento de comportamentos que possam conduzir à obstaculização, novamente, desta legislatura", afirmou.

Questionado sobre se o novo ciclo de tensão política está a ter impacto na sociedade guineense, Rui Jorge Semedo disse que "aparentemente" a sociedade está mais calma, em comparação com o período da campanha eleitoral.

Mas, acrescentou, a "sociedade guineense continua dividida, basta acompanhar os programas matinais nas diferentes rádios com dimensão nacional para analisar os discursos que cada parte faz e os posicionamentos sobre a forma como o país está a ser dirigido".

Para Rui Semedo, o país não vai sair facilmente daquela divisão, que tem uma componente étnica e religiosa, e que só pode ser atenuada com uma "relativa estabilidade e indícios de boa governação".
"Enquanto os gestores políticos não conseguirem ter a serenidade necessária, a responsabilidade e estratégia necessárias, para conseguirem dar sinais de que há algo a acontecer, indicando alguma coisa com impacto real na vida das pessoas, acho que a pobreza nos empurra para este confronto e a contribuir para a nossa desintegração enquanto sociedade, a nossa democracia e tudo o que nos possa ajudar a prosseguir com os desafios do desenvolvimento", afirmou.

Sobre a proposta de revisão da Constituição apresentada por uma comissão técnica, criada pelo Presidente guineense, o analista disse que é uma "proposta inexistente".
"Não é competência do Presidente da República constituir uma comissão técnica para propor a revisão", disse.
"Tudo o que estamos a acompanhar é na verdade o despreparo do ponto de vista político e constitucional das autoridades políticas guineenses em assumir com idoneidade as suas responsabilidades", afirmou, salientando que o chefe de Estado está a patrocinar mais um conflito institucional.

Rui Jorge Semedo disse também que a constituição da comissão técnica mostra a "vulnerabilidade da classe intelectual guineense" que é "ávida na manipulação".
"Ninguém quer trabalhar honestamente para ganhar algo, também de uma forma honesta, e todos estão a vender-se em troca de benefícios materiais e financeiros. É uma sociedade que caracterizo como já não tendo moral para fazer nada. Tudo vale, é uma relação intensa de 'dá cá, toma lá'", disse.
Rispito.com/Lusa, 19/10/2020

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

 


Analista político retalia contra ministro com espectro de confrontos étnicos

O analista político-jurídico do programa matinal da Rádio Bombolom FM, Marcelino Intupé, disse na tarde desta quarta-feira 14 de Outubro ter sido alvo de agressões verbais e tentativas de agressões físicas por parte de homens do ministro do Interior Botche Candé. 

Segundo Marcelino Intupé, que é também Chefe do Gabinete do 1º vicepresidente da ANP, os seus agressores justicaram a acção como uma reacção a supostos insultos que o analista profere contra o ministro nos seus comentários na Rádio. Intupé negou ter proferido insultos contra o ministro, mas advertiu que, se for raptado, sequestrado ou morto, por pertencer ao grupo étnico balanta, “nenhum fula [grupo étnico do ministro] sobreviverá na Guiné-Bissau”. 

Em directo no noticiário das 14 horas da Rádio Bombolom FM, o analista revelou que três elementos ligados ao Gabinete de Botche Candé deslocaram-se à sede da ANP, no seu gabinete, e depois de algumas discussões proferiram insultos e ameaçaram ajustar contas.

“Nunca insultei o Botche Candé. Se quiserem podem rever todas as minhas intervenções. O que é verdade é que disse que ele é incompetente para as funções que está a exercer. Mas apresentei os meus fundamentos. Se for a isso que chamam de insultos, eu não partilho da mesma opinião”, começou por referir Marcelino Intupé. 

O jurista disse ainda na sua intervenção que, quando os três elementos chegaram ao seu gabinete, tentaram o humilhar através de agressões verbais. “Não conseguiram atacar-me sicamente, porque não calhou”. 

Mas na perspectiva de Marcelino Intupé, tudo que foi praticado pelos seus ‘visitantes’ não passa de um recado do ministro. “Tudo o que vieram fazer, foi com conhecimento de Botche Candé. Portanto, quero que o ministro saiba que, se me raptarem, torturarem ou matarem, porque sou balanta, posso dar uma garantia: nenhum fula viverá neste país”, ameaçou o analista.
Rispito.com/e-Global, 15/10/2020

Assessor de Botche Candé qualifica jornalistas de “bêbados e delinquentes 

O gabinete de Assessoria do ministro do Interior da Guiné-Bissau, Botche Candé, acusou o sindicato dos jornalistas de uma postura tendenciosa na comportamento negativo dos seus associados. 

Em conferência de imprensa promovida pelo Ministério do Interior, para reagir às denúncias anónimas de presumíveis actos de assédio sexual a novos recrutas, por parte das suas chefias, uma matéria que ocupou os espaços da comunicação social guineense, Maquilo Baio, assessor do ministro, qualificou os jornalistas de “bêbados e delinquentes”, e alguns comentadores de “perturbados mentais”. 

O mesmo assessor acusou o sindicato de ser cúmplice, por não prestar a devida atenção ao respeito às regras deontológicas dos seus associados, e estar sempre disponível para os defender em caso de reacção do suposto lesado.

O mesmo assessor acusou o sindicato de ser cúmplice, por não prestar a devida atenção ao respeito às regras deontológicas dos seus associados, e estar sempre disponível para os defender em caso de reacção do suposto lesado. 
“É preciso que aprendam que, a defesa não se faz apenas na recta final, quando o associado sofre com a reacção da vítima. É sindicato deixe de forma inequívoca a sua posição. Mas não é assim que se comportam no sindicato dos jornalistas na Guiné-Bissau. São tendenciosos e só defendem os seus associados”, acusou Maquilo Baio. 

Para os jornalistas guineenses as declarações do responsável da comunicação de Botche Candé foi um ataque violento e intimidatório contra a imprensa, visando especialmente os programas matinais das rádios Capital FM e Bombolom FM. 

Aliu Maquilo Baio, que se assume como homem de confiança de Botche Candé, disse que muitos jornalistas actuam à margem das regras deontológicas, porque fazem tudo para agradar alguns políticos. Tendo destacado que o dono da Rádio Bombolom FM, Agnelo Regalla “é o menino de recados do Maquilo Baio disse também que não tinha dúvidas de que todo o trabalho que se faz nas duas estações de rádio, Capital FM e Bombolom FM, tem como objectivo agradara Domingos Simões Pereira. 

“Na Rádio Bombolom o apresentador do programa matinal dá-se ao luxo de levar para efeitos de comentários um louco. Marcelino Intupé é um perturbado mental. Uma pessoa que agrediu a mãe; que desmentiu um pastor na igreja e agrediu o professor na escola. Uma pessoa de mente entupida que insistentemente chama o ministro Botche Candé de analfabeto. Doravante todos estes delírios acabaram. Sempre que atacarem ao ministro, nós vamos atacar”, garantiu Aliu Maquilo do gabinete de Botche Candé. “O jornalista que o convida é um cúmplice, porque Sobre o assédio aos novos recrutas, Walter Sucuma Morais também do gabinete de Botche Candé , disse que o autor das acusações terá de “provar as suas armações na justiça”.

 Num tom mais ameaçador, o assessor de imprensa, Aliu Maquilo disse que “os jornalistas devem saber que, se têm microfones, os outros também dispõem dos seus instrumentos”.
Rispito.com/e-Global, 15/10/2020