sábado, 23 de março de 2019

"RAMOS DO MESMO TRONCO"

A imagem pode conter: 3 pessoas, pessoas a sorrir, pessoas em pé e ar livreNuma altura em que a proclamação da força da nossa União foi posta em causa e de que maneira, por interesses mesquinhos alheios aos de um povo;

Numa altura em que os valores que nortearam a criação da nossa nação são constantemente desrespeitados, com apelos à violência a surgirem a cada dia que passa. Valores e ideais que custaram sangue e suor aos nossos valentes irmãos guineenses;

Numa altura em que o futuro do país está fortemente comprometido e a pobreza a ceifar vidas no seio da população, que não tem outra alternativa, sem outro tecto, sem plano B, e começa a dar sinais de desespero;

Eis que surge no meio de tamanha confusão e desespero um verdadeiro factor de União e Coesão Nacionais - a selecção nacional de futebol.

A imagem pode conter: 23 pessoas, pessoas a sorrir, pessoas em pé e ar livreNo meio de toda essa trapalhada situação política, os Djurtus, mais uma vez, irão proporcionar aos guineenses, neste sábado dia 23, uma oportunidade de reafirmamos que a força da nossa União é mais forte e coesa do que qualquer partido político, grupos étnicos, religião ou facções.

A imagem pode conter: 9 pessoas, ar livreEu, sou do Sporting, tu és do Benfica, ele é do Porto e eles ali são do Barcelona, Real, Liverpool ou Manchester United, mas todos nós respondemos pela mesma bandeira que está a flutuar nos céus e nos nossos corações. Ou seja todos nós somos Djurtus. Somos uma equipa e uma nação.

Não importa o resultado do jogo. Não importa, por agora, se vão jogar bem ou mal, importa, sim, essa força de unidade nacional que a selecção transmite e proporciona. Mais do que um resultado desportivo está um país Unido à volta da causa nacional.

Devemos aproveitar o vento da União que a selecção leva consigo à Guiné-Bissau para juntarmos as mãos e elevar o nível de vida dos mais carenciados e, consequentemente, desenvolver projectos que venham mudar de forma concreta a vida dos guineenses. Devemos aproveitar esse legado deixado pelos jogadores da selecção para colocar de lado as nossas ambições pessoais e colocar a Guiné-Bissau acima de tudo. Primeiro, segundo e terceiro. Quiçá, só assim, seremos os “suíços de Africa” como outrora éramos apelidados.

Todos os sonhos são possíveis até que "Djurtus" seja campeão!

Texto: BRAIMA DARAME
FOTOS: ALBANO BARAI

CNE - Novo parlamento da Guiné-Bissau toma posse a 18 de abril

A imagem pode conter: 3 pessoas, pessoas sentadas e interioresO presidente da Comissão Nacional de Eleições da Guiné-Bissau, José Pedro Sambú, disse que a tomada de posse do novo parlamento foi marcada para 18 de abril.

"É a CNE que marca a data para a tomada de posse dos deputados, mas antes de marcar a data viemos aqui para fazer uma concertação junto do presidente da Assembleia Nacional Popular e ficou retido o dia 18 de abril", afirmou José Pedro Sambu, que falava aos jornalistas após um encontro com Cipriano Cassamá, no parlamento, em Bissau.

Segundo os resultados definitivos das eleições legislativas de 10 de março divulgados pela Comissão Nacional de Eleições, o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) conseguiu 47 deputados, o Movimento para a Alternância Democrática (Madem-G15) 27, o Partido da Renovação Social (PRS) 21, a Assembleia do Povo Unido - Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB) cinco, e a União para a Mudança e o Partido da Nova Democracia, um deputado, cada um.

Os resultados das eleições, bem como o nome dos deputados eleitos, já foram publicados esta semana no Boletim Oficial (equivalente ao Diário da República).

O PAIGC, a APU-PDGB, a União para a Mudança e o Partido da Nova Democracia assinaram na segunda-feira um acordo de incidência parlamentar e governativa, que lhes permite ter uma maioria de 54 deputados na Assembleia Nacional Popular.

O Madem-G15 e o PRS também assinaram um acordo de incidência parlamentar.
Rispito.com/Lusa, 23-03-2019

quarta-feira, 20 de março de 2019

INDIFERIDO MAIS UM RECURSO DE MADEM-G15

Depois de ser indeferido o recurso do segundo partido mais votado pela CNE... Agora foi a vez Supremo Tribunal de Justiça a indeferir o recurso interposto pelo MADEM-G15, que recorreu a instância judicial máxima contra o despacho da CNE
A imagem pode conter: texto
A imagem pode conter: texto
A imagem pode conter: texto
A imagem pode conter: texto
A imagem pode conter: texto

segunda-feira, 18 de março de 2019

PRS A BEIRA DE CRISE 

Depois de um mau resultado eleitoral tido na ultimas legislativas, Ibraima Sori Djaló, antigo presidente do Parlamento da Guiné-Bissau e um dos fundadores do Partido da Renovação Social, lidera um Movimento designado de Salvação do PRS e da Memória de Kumba Iala,  pediu hoje a "demissão coletiva" da atual direcção superior num prazo não superior a 48 horas.

CNE inicia formalidades para a posse de novo parlamento

A Comissão Nacional de Eleições (CNE) da Guiné-Bissau iniciou as formalidades para tomada de posse de novos deputados ao parlamento, eleitos nas legislativas de 10 de março, disse à Lusa o presidente da instituição, José Pedro Sambú.

Para próxima sexta-feira, está marcada uma reunião entre a CNE e o presidente do parlamento cessante, Cipriano Cassamá, e desta reunião sairá uma data para a posse de novos deputados, constituição da mesa e das bancadas do novo parlamento.

Uma carta dirigida ao parlamento, a solicitar a reunião, seguiu hoje para o gabinete de Cipriano Cassamá, atualmente ausente do país.

A Lusa teve acesso à cópia do edital a ser publicado nas Comissões Regionais de Eleições (CRE) e na própria CNE, em Bissau, contendo os números de votos obtidos pelos 21 partidos que disputaram as eleições, percentagem de cada um, os votos válidos, nulos, em branco e os de protestos.

O documento também contém a taxa de participação e de abstenção registadas no processo.

Com a publicação do edital, datado de 13 de março, a CNE já informou o Governo cessante, através do Ministério da Função Pública, sobre a urgência de o documento ser também anunciado através do Boletim Oficial (equivalente ao Diário da República).

O presidente da CNE, José Pedro Sambú, acredita que toda essa tramitação será feita ainda no decurso desta semana.

Com a posse dos novos deputados e uma vez que a CNE já comunicou ao Presidente guineense, José Mário Vaz, sobre os resultados eleitorais, este convidará ao partido vencedor que indique o nome do primeiro-ministro a quem dará posse e, subsequentemente, pedirá a lista do elenco governamental que também será empossado pelo chefe do Estado.

José Pedro Sambú lembra que a lei determina que a investidura de novos deputados, bem como a posse do novo Governo, ocorram dentro de 30 dias após as eleições, mas salientou ser determinação da CNE “ter tudo feito no mais curto espaço de tempo possível”.
Rispito.com/Lusa, 18-03-2019

PAIGC, APU, União para a Mudança e PND assinam acordo de incidência parlamentar

O Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde, a Assembleia do Povo Unido, a União para a Mudança e o Partido Nova Democracia assinaram hoje um acordo de incidência parlamentar para obterem maioria no parlamento.

O acordo, assinado numa unidade hoteleira em Bissau, permite que os quatro partidos juntos obtenham a maioria dos deputados do parlamento, nomeadamente 54 dos 102 deputados eleitos para a Assembleia Nacional da Guiné-Bissau, nas eleições legislativas de 10 de Março.
O objetivo, segundo o documento divulgado à imprensa, é a estabilidade governativa, mas também o "resgate dos valores da democracia, devendo ser capitalizada e ajustada ao contexto de retorno à normalidade constitucional".

No âmbito do acordo, os quatro partidos políticos comprometem-se a "entendimentos e consensos" no parlamento guineense relativos às "reformas políticas e institucionais necessárias ao normal funcionamento do Estado de Direito democrático, nomeadamente a revisão da Constituição da República, lei-quadro dos partidos políticos, lei eleitoral, bem como das reformas profundas dos setores de defesa e segurança, administração pública e justiça".

O acordo prevê igualmente a formação de um Governo inclusivo que "reflita o presente entendimento entre as partes".

Segundo os resultados definitivos das eleições legislativas de 10 de março na Guiné-Bissau, divulgados na sexta-feira pela Comissão Nacional de Eleições, o PAIGC obteve 47 deputados, o Movimento para a Alternância Democrática 27, o Partido de Renovação Social 21, a Assembleia do Povo Unido - Partido Democrático da Guiné-Bissau cinco e a União para a Mudança e o Partido da Nova Democracia elegeram um deputado, cada um.
Rispito.com/Lusa, 18-03-2019

sábado, 16 de março de 2019

O RESCALDO DAS ELEIÇÕES

Hoje, do que se fala mais é o rescaldo das eleições... E o primeiro factor a realçar é que as mesmas foram  considerada mais uma vez de livres, justas e transparentes. Onde a postura do povo guineense mereceu, como sempre, estar no topo da classificação.

Quando falamos de um povo é sempre importante mencionar o valor da sua conjuntura, do seu comportamento e da sua obediência.
O povo da Guiné-Bissau merece respeito pela sua humildade, mas também pela sua forma sabia de expressar sempre que é chamado para dissipar a verdade da mentira.

Exactamente foi nesta base, que depois de tudo que a Guine-Bissau sofreu na crise iniciada com a demissão de 1º governo de PAIGC. Passados quatro anos, este povo que da sua maioria, muitos consideram de analfabetos e desinformados. Mas a sua linguagem eleitoral sempre expressa  o quanto este povo é experiente em falar com os políticos, de maneira justa e respeitoso nas urnas.

Três dias passaram depois da votação (13-03-19), CNE, a entidade competente para administrar o processo eleitoral e de anunciar os resultados,  avançou com os provisórios oficiais. Dos quais a CNE reconfigurou no dia 15 de Março, e mandou publicando-los no boletim oficial, para tornar assim definitivamente oficial o recado de povo guineense  aos políticos.

O recado que mexeu com sensibilidade de todas as formações politicas, entre os que reconheceram democraticamente a suas derrotas, como os que reclamam injusto o resultado anunciado, mas que não passa de mérito de cada um, baseado no seu trabalho feito tendo em conta o seu comportamento e a sua idoneidade politica.

O povo demonstrou a classe politica que cada um merece seu respeito como cidadão, mas também cada um merece repreensão sempre que é necessário. Se não vejamos:

PAIGC habituado a maioria absoluta caiu para 41% com soma 47 mandatos, um resultado que embora atribui vitoria ao partido mas ficou aquém de um mandato confortável... No qual é obrigado a recorrer acordos e alianças para poder governar o país e de tentar pôr em prática seu programa eleitoral.
Seja como for, PAIGC conseguiu ser o partido vencedor das eleições, mas de certeza percebeu a linguagem do povo. O que significa certo descontentamento embora continua uma réstia de confiança no partido.

PRS, que outrora ocupava o lugar de segunda força politica do país, foi o partido que levou a chicotada mais dolorosa   dada pelo povo. Com apenas vinte e um mandatos, PRS, não só deve estar a chorar a falta dos vinte mandatos que tinha na legislatura passada, como também perdeu o lugar da segunda força politica no parlamento e o prestígio de ser  o líder da oposição.
Uma repreensão muita amansador que o partido deve repensar e rectificar eventuais falhas, assim como afinar novas estratégias de ré-erguer a sua confiança perante o povo em caso ainda quiser garantir um lugar na convivência dos chamados "Partidos Grandes"

MADEM-G15 é um partido com prémio de revelação no cenário politico da Guiné-Bissau. 27 dos 102 mandatos é o total atribuído a um partido novo mas que na verdade demonstrou ter homens e mulheres de experiências maduras.
Querendo ou não, este partido dirigido pelo popular Braima Camará, e a cúpula maioritariamente dos deputados expulsos do PAIGC na legislatura passada, conseguiram traduzir em pratica um trabalho que merece elogios.
Depois de travar muita guerra com seus antigos camaradas da mesma casa, ainda num país mergulhado em profunda crise, MDEM-G15 se afirmou como  partido politico num espaço de sete meses antes das eleições. Com um efeito inédito, MADEM-G15 catapultou-se de maneira folgada para o lugar de segunda força politica e líder da oposição do país.
Um partido aquém de um alcance para chefiar o governo, mas é um partido ganhador perante a expressão do povo.

APU PDGB, é um partido que no ultimo julgamento popular apareceu num lugar prestigiado e de muita responsabilidade.
Uma confiança  atribuída pelo povo, com cinco mandatos no total, mas que se revê numa chave de equilíbrio para uma estabilidade governativa do país.
Um atributo que pode engrandecer a dimensão do partido como também penaliza-lo... dependendo da sua atuação e do seu comportamento perante a tamanha responsabilidade que pende aos seus ombros no desenrolar dessa legislatura.

União para a Mudança e o Partido da Nova Democracia, com um mandata cada, também faz parte do parlamento com papel não menos importante perante a criação de um mandato com folga e de oposição necessária.

Nesta base, vai um agradecimento especial a todos os partidos  que fizeram parte neste embate eleitoral, com certeza de terem valioso contributo para o fortalecimento da democracia do país

Em fim... É importante que todos compreendam que o maior vitorioso é o pais e a democracia,  onde as diferenças de ideia sejam consideradas simplesmente  de adversidade e não um choque de inimigos. Pelo que é necessário colaboração de todos em detrimento de transformar  essa vontade popular numa legislatura de sucesso.
Samba Bari

A imagem pode conter: texto

sexta-feira, 15 de março de 2019


 
A imagem pode conter: texto

CNE indifere a reclamação do MADEM-G15

O Movimento para Alternância Democrática (Madem G-15) entregou hoje na Comissão Nacional de Eleições (CNE) da Guiné-Bissau reclamações referentes às legislativas de domingo, mas a instituição indeferiu-as por não cumprirem as exigências técnicas.

Em causa estão "vícios na votação" nas legislativas de domingo alegados pelo Madem G-15, que contesta a atribuição de apenas 27 deputados.

Em comunicado, a CNE confirmou à Lusa que foram recebidas as reclamações do Madem G-15, mas também indicou que estas queixas "são consideradas extemporâneas" e, logo, indeferidas, tendo sido já comunicado essa recusa.

Para que as reclamações fossem atendidas nesta fase pela CNE teriam de ter sido acolhidas primeiro nas assembleias do voto e pela Comissão Regional de Eleições (CRE), conforme a lei eleitoral, refere a CNE.

Na quarta-feira, o diretor da campanha eleitoral, Marciano Barbeiro, disse aos jornalistas que o Madem iria entregar queixas, esperando que a CNE "seja competente" para apreciar de “forma serena e tranquila” os elementos apresentados pelo movimento que, no seu entender, iriam provar que os resultados eleitorais que lhe foram atribuídos “não são aqueles que, de facto, alcançou” nas urnas.

Segundo Marciano Barbeiro, as Comissões Regionais de Eleições (CRE) não deram resposta a várias reclamações do Madem, como indica a lei eleitoral, que serão agora encaminhadas para a CNE pelo partido liderado por Braima Camará.
De acordo com os resultados provisórios oficiais, o Madem elegeu 27 dos 102 deputados ao próximo parlamento guineense.

Os resultados provisórios indicam que o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), alcançou 47 mandatos, o Madem 27, o Partido da Renovação Social (PRS) 21, a Assembleia do Povo Unido - Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU/PDGB) 5, a União para Mudança (UM) e o Partido da Nova Democracia (PND), todos com um deputado cada.

O PAIGC já anunciou um acordo de incidência parlamentar para governar com a APU/PDGB, UM e PND.
Rispito.com/Lusa, 15-03-2019

Portugal felicita PAIGC pela vitória nas legislativas 

O PAIGC venceu as legislativas de 10 de março, com 46,1 por cento dos votos, mas assegura uma maioria absoluta no parlamento apenas com acordos eleitorais, segundo os resultados provisórios.

Governo português felicitou esta quinta-feira o Partido Africano para a Independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde (PAIGC) pela vitória nas legislativas de domingo, garantindo que vai continuar a trabalhar "em estreita proximidade" com as autoridades guineenses.
"O Governo português regista a divulgação dos resultados eleitorais provisórios pela Comissão Nacional de Eleições da Guiné-Bissau, saúda todas os partidos concorrentes e felicita o PAIGC e o seu líder, Domingos Simões Pereira, pela sua vitória", refere em comunicado o Ministério dos Negócios Estrangeiros, liderado por Augusto Santos Silva.

No documento, o Governo garante que vai continuar empenhado em trabalhar em "estreita proximidade com todas as autoridades guineenses", tanto ao nível bilateral como "no contexto da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, da União Europeia e das Nações Unidas".

O PAIGC venceu as legislativas de 10 de março, com 46,1 por cento dos votos, mas assegura uma maioria absoluta no parlamento apenas com acordos eleitorais, segundo os resultados provisórios hoje anunciados.

No domingo, mais de 761 mil guineenses foram chamados a votar nas três mil mesas de voto, incluindo a diáspora.

Os resultados provisórios divulgados pela Comissão Nacional de Eleições (CNE) atribuem ao Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) 47 dos 102 lugares no parlamento, 27 ao Movimento para Alternância Democrática (Madem G-15), e 21 ao Partido da Renovação Social (PRS).

A Assembleia do Povo Unido - Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU/PDGB) ficará com cinco lugares no novo parlamento, enquanto a União para Mudança e o Partido da Nova Democracia, terão um deputado cada.

Mesmo antes de conhecidos os resultados eleitorais provisórios, o PAIGC anunciou um acordo político com a APU-PDGB, depois de já ter assinado um outro, no início da campanha eleitoral, com a União para a Mudança e o Partido da Nova Democracia.

O Madem-G15 assinou também um acordo político com o PRS e anunciou, entretanto, que apresentou várias reclamações junto da Comissão Nacional de Eleições.
Segundo a CNE, houve 15,3% de abstenção.
Rispito.com/RTP Noticias, 15-03-2019

Embaixador angolano esperançado numa Guiné-Bissau próspera

O embaixador de Angola na República da Guiné-Bissau, Daniel Rosa, renovou, em Bissau, esperanças da constituição de um governo, nesse país, que possa, efectivamente, consolidar o processo de estabilidade política e de desenvolvimento económico e social.
A Guiné-Bissau realiza eleições legislativas e presidenciais de forma regular desde 1994, mas a fase mais difícil de gestão política é no período pós-eleitoral e, por essa razão, nenhum governo concluiu uma legislatura, assim como nenhum Presidente da República concluiu um mandato.

Os actos de governação são sempre interrompidos por via de golpes de Estado ou por divergências de fundo no plano político entre o Primeiro-Ministro e o Presidente da República.

Em entrevista à Angop, nesta quinta-feira, em Bissau, o embaixador Daniel Rosa espera que seja formado um Governo na Guiné-Bissau que esteja pronto a cooperar com a comunidade internacional, em especial com Angola, com quem tem laços de amizade e solidariedade alicerçados ao longo da luta de libertação nacional contra o colonialismo português.

O diplomata angolano disse que, em função das sucessivas crises políticas na Guiné-Bissau, o Estado angolano suspendeu a implementação de projectos ambiciosos nesse país, avaliados em mais de 700 milhões de dólares.

Trata-se do projecto de exploração mineira Bauxite-Angola, da construção do Porto de Águas profundas de Buba (zona sul de Bissau), bem como do caminho-de-ferro que facilitaria o escoamento de produtos mineiros para outros países.  

“Só nesta legislatura, assistimos à nomeação de sete primeiros-ministros, o que significa que o país é muito instável, razão pela qual suspendemos a implementação destes projectos”, declaraou o embaixador angolano na Guiné-Bissau.

Daniel Rosa disse estar convicto de que, depois da estabilização política na Guiné-Bissau, o Governo angolano irá pedir a realização de uma segunda Comissão-Mista Bilateral para que a Guiné-Bissau redefine as prioridades em que Angola possa dar a sua contribuição.

O diplomata angolano elogiou, entretanto, a forma “ordeira e pacífica” como decorreram as eleições legislativas de domingo, que deram vitória ao Partido da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), liderado por Domingos Simões Pereira, com 46, 1 por cento dos votos expressos.

Considerando os laços históricos existentes entre os dois países e a transcendência destas eleições, que marcaram mais uma etapa do processo de estabilização democrática na Guiné-Bissau, fez saber a fonte, Angola doou um milhão de dólares americanos, com base no Acordo de Financiamento assinado entre o Governo angolano e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

“A comunidade internacional, em especial Angola (faz parte do Comité de Pilotagem do Processo Eleitoral), não vão abandonar a Guiné-Bissau, aliás basta ver pela contribuição que sempre demos no passado e voltamos a dar em 2018 para a estabilização política da desse país, membro da CPLP”, observou.

O embaixador disse que a comunidade internacional jogou um papel decisivo, quer na facilitação do diálogo, quer nas contribuições materiais e financeiras, o que permitiu a conclusão do recenseamento dos eleitores e de todas as fases conducentes ao processo eleitoral.

A este propósito, Daniel Rosa destacou o papel da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que permitiu a assinatura do Roteiro de Bissau para a saída da crise-política institucional, o Acordo de Conacry e o Protocolo Adicional de Lomé, que viabilizou a nomeação do actual Governo, em Abril de 2019, liderado por Aristides Gomes.

Segundo o embaixador Daniel Rosa, as relações entre os dois países caracterizam-se como boas, tendo sido reforçadas com a abertura de uma Missão Diplomática da República de Angola na República da Guiné-Bissau, em 2006.

Em 2007 realizou-se, em Bissau, capital guineense, a 1ª Sessão da Comissão Mista Bilateral Angolano-Guineense, que resultou na assinatura do Protocolo de Cooperação Económica entre os Governos dos dois países.

Mas a implementação de um Acordo Geral de Cooperação afigura-se de difícil execução, tendo em consideração as constantes alterações ao nível dos interlocutores guineenses, em virtude da persistente instabilidade política ao longo dos últimos anos, acrescentou o diplomata.

Para si, as dificuldades económicas que sempre estiveram presentes na Guiné-Bissau e, sobretudo, a instabilidade política que em várias ocasiões assolou o país, constituem factores que continuam a impedir, grandemente, o estabelecimento de um quadro propício à realização de acções e projectos de cooperação de âmbito institucional e/ou empresarial entre Angola e a Guiné-Bissau.

“Pensamos que a Guiné-Bissau vai empossar o Parlamento nos próximos trinta dias e, simultaneamente, formar Governo. Acreditávamos que esse Governo poderá cooperar com a comunidade internacional, em particular com Angola, com quem tem relações fraternais de irmandade desde há muitos anos”, exprimiu.

A comunidade angolana residente na Guiné-Bissau é muito reduzida, de aproximadamente 100 pessoas com registo consular feito.

A Missão diplomática na Guiné-Bissau se estende, igualmente, ao Senegal e à Gâmbia, onde existe uma comunidade angolana mais considerável em relação a Guiné-Bissau.

No caso da Gâmbia, adiantou, a comunidade angolana é maioritariamente composta por mulheres casadas com cidadãos gambianos.

De acordo com os resultados das eleições legislativas guineenses divulgados pela Comissão Nacional de Eleições, o PAIGC obteve 47 mandatos na Assembleia Popular.

O MADEM-15, constituído por dissidentes do PAIGC, obteve 27 deputados, PRS 21, APU-PDGM (5), PND e UM com um deputado cada, totalizando 102 lugares que compões a Assembleia Popular da Guiné-Bissau.

Mais de 761 mil eleitores guineenses foram chamados às urnas um novo parlamento entre os candidatos apresentados por 21 partidos.

As Missões de Observação Eleitoral da União Africana (UA) e da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP) consideraram “que as eleições legislativas de 10 de Março, na Guiné-Bissau, decorreram num ambiente de paz, calma e serenidade, tendo sido livres e justas”.   

A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) também considerou “livres e justas” as eleições guineenses de domingo, e apelou a todos os actores políticos intervenientes no processo a reconhecerem os resultados eleitorais.
Rispito.com/Angop. 15-03-2019

quinta-feira, 14 de março de 2019

Madem entregou reclamações junto da Comissão Nacional

O Movimento para Alternância Democrática (Madem G-15) da Guiné-Bissau, que ficou em segundo lugar nas legislativas de domingo segundo os resultados provisórios,  apresentou várias reclamações junto da Comissão Nacional de Eleições (CNE).

Em conferência de imprensa, realizada depois de o partido mais votado -- Partido Africano para a Independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde (PAIGC) -- ter dito que respeitava os resultados provisórios que lhe davam uma maioria parlamentar, dois dirigentes do Madem apelaram à calma entre os seus apoiantes e prometeram reagir, mas só após a resposta da CNE às reclamações feitas.

O diretor da campanha eleitoral, Marciano Barbeiro, disse aos jornalistas que o Madem espera que a CNE "seja competente" para apreciar de "forma serena e tranquila" os elementos apresentados pelo movimento que, no seu entender, irão provar que os resultados eleitorais que lhe foram atribuídos "não são aqueles que, de facto, alcançou" nas urnas

Segundo Marciano Barbeiro, as Comissões Regionais de Eleições (CRE) não deram resposta a várias reclamações do Madem, como indica a lei eleitoral, que serão agora encaminhadas para a CNE pelo partido liderado por Braima Camará.

"Não temos motivos para pensar sequer que existirá alguém interessado em prejudicar o Madem", observou Marciano Barbeiro.

O representante na CNE do partido, criado há oito meses, Queba Djaité reforçou ainda que o Madem "apenas está a fazer o que prevê a lei" guineense, em caso de desacordo com os resultados eleitorais.

A lei eleitoral guineense prevê que os resultados definitivos sejam publicados entre sete a 10 dias após a votação.

Segundo os resultados provisórios oficiais hoje anunciados pela CNE, o Madem elegeu 27 dos 102 deputados ao próximo parlamento guineense.

De acordo com os resultados provisórios, o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), alcançou 47 mandatos, o Madem 27, o Partido da Renovação Social (PRS) 21, a Assembleia do Povo Unido - Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU/PDGB) 5, a União para Mudança (UM) e o Partido da Nova Democracia (PND), todos com um deputado cada.

Fonte do PRS indicou à Lusa que o partido também só se vai pronunciar sobre os resultados após a publicação dos resultados definitivos.
Rispito.com/Lusa, 14-03-2019

quarta-feira, 13 de março de 2019

PAIGC vence eleições sem maioria absoluta

PAIGC obtém 46,1 por cento dos votos e elege 47 deputados, segundo os resultados provisórios anunciados pela CNE. Assegura maioria absoluta no Parlamento com acordos eleitorais com APU-PDGB, UM e PND.

Os principais acontecimentos da contagem dos votos na Guiné-Bissau:

Partido de Domingos Simões Pereira garante maioria absoluta graças aos acordos com APU-PDGB (5 deputados), UM (1 deputado) e PND (1 deputado)

Líder do PAIGC lamenta o facto de os números anunciados pela CNE não coincidirem com as expectativas do partido - obter a maioria absoluta - mas garante que aceita os resultados e vai estabelecer as "alianças necessárias" para a estabilidade. 

Sobre a futura relação com José Mário Vaz, Domingos Simões Pereira sublinha: "Nunca afirmei estar indisponível para trabalhar com o Presidente da República". 

O líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, afirmou que o maior vencedor das legislativas de domingo é a Guiné-Bissau e que será primeiro-ministro de todos os guineenses. "Na condição de presidente do partido escolhido pelo povo para governar o país, na condição de próximo primeiro-ministro da Guiné-Bissau, gostaria de dizer que o maior vencedor desta eleição é o nosso país", afirmou Domingos Simões Pereira, na sede do partido em Bissau. 

Domingos Simões Pereira fez o seu primeiro discurso após conhecidos os resultados eleitorais, no Salão Amílcar Cabral na presença dos jornalistas e de dirigentes do partido, enquanto milhares de apoiantes aguardavam que fosse para o palco, montado no lado lateral da sede, para festejar a vitória. 

Após o anúncio dos resultados provisórios, o debate é aceso nas redes sociais. Entre festejos e queixas dos guineenses, Miguel de Barros, sociólogo guineense, lamenta, no Twitter, a eleição de apenas 14 mulheres, apontando para o "imobilismo em relação à paridade" na Guiné-Bissau.

Conforme os resultados provisórios da CNE:

PAIGC com 47 mandatos, MADEM G15 passa ser a segunda forca politica com 27 mandatos, enquanto que o PRS cai para terceira forca com apenas 21 mandatos, APU PDGB assume-se de quarta forca com 5 mandatos, enquanto que UM conquista 1 mandato a semelhança de PND que também tem 1 mandato.
Rispito.com, 13-03-2019

PARTIDOS COM ACORDOS ASSINADOS A ESPERA DE CNE

O Partido Africano para a Independência da Guiné-Bissau (PAIGC) e a Assembleia do Povo Unido - Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU/PDGB) celebraram um acordo de incidência parlamentar para garantir estabilidade no país após as legislativas de domingo.

O acordo foi assinado nesta terça feira, 12 de Março, no hotel Azali em Bissau, após a reunião dos líderes dos dois partidos, Domingos Simões Pereira (PAIGC) e Nuno Nabian (APU/PDGB), numa conferência de imprensa conjunta.

No mesmo dia, na sede do Madem, em Bissau, o Movimento para a Alternância Democrática (Madem-G15) e o Partido de Renovação Social (PRS) assinaram também outro acordo com o mesmo nome. Ou seja, de incidência parlamentar e governativa para a estabilidade da Guiné-Bissau.

No ato,  Alberto Nambeia, presidente do PRS, afirmou "Este acordo político é para estabilizar o país" sublinhando que é preciso haver entendimento para o desenvolvimento do país.
"A Guiné-Bissau não merece o que se passa hoje. Porque guerra continua entre a classe politica não acaba com as greves,  nao melhora infraestruras nem garante uma saúde. Daí que ja é altura de todos os guineenses lutarem para o bemn do país.

Braima Camará agradeceu também ao PRS a "oportunidade" de terem uma "maioria clara" para estabilizar a Guiné-Bissau.
"O Madem e o PRS é que têm condições para ter uma maioria para salvar a pátria", frisou.

O acordo assinado entre os dois partidos é de incidência parlamentar e governativa e o primeiro-ministro será designado pelo partido com maior representação parlamentar.
Rispito.com 13-03-2019