terça-feira, 17 de janeiro de 2017

BACIRO CANDE PREOCUPADO COM "PODERIO FÍSICO" DOS CAMARÕES

O selecionador da Guiné-Bissau, Baciro Candé, mostrou-se esta terça-feira preocupado com "o poderio físico" dos Camarões, que a equipa guineense vai enfrentar na quarta-feira, no segundo jogo da CAN'2017, que decorre no Gabão.

Falando para jornalistas guineenses que acompanham os djurtus, Baciro Candé disse ser preocupante a capacidade física dos camaroneses, mas salientou que os seus jogadores "têm bons argumentos" para a contrair.

"Na verdade, eles têm um poderio físico considerável, mas os meus jogadores têm bons argumentos técnicos, que vão colocar no terreno para tentar ganhar o jogo", afirmou Baciro Candé.

O selecionador guineense reconheceu que os Camarões possuem também jogadores com "alguma qualidade técnica", mas apenas "nalguns setores".

Os jogadores guineenses acreditam que podem alcançar um bom resultado, apesar de reconhecerem ter pela frente "uma grande seleção africana e mundial".

O médio Piqueti Djassi, do Sporting Braga B, e o defesa Mamadu Candé, do Tondela, elogiaram os Camarões, mas ambos afirmaram que os 'djurtus' estão com a moral em alta para o desafio de quarta-feira, a partir das 19 horas.

"São uma grande seleção africana, mas nós também temos os nossos argumentos e não temos medo deles", afirmou Piqueti Djassi, que no jogo inaugural, diante do Gabão, começou no banco, para mais tarde entrar e ajudar a Guiné-Bissau a empatar a partida a uma bola.

O defesa esquerdo do Tondela Mamadu Candé não saiu do banco contra os gaboneses, mas diz que está pronto para jogar se for chamado por Baciro Candé.

Sobre os Camarões, Mamadu Candé entende ser uma seleção composta por atletas "de classe mundial", mas diz que a Guiné-Bissau "também tem bons jogadores".

A Guiné-Bissau, única seleção lusófona presente na CAN'2017, integra o grupo A, com Gabão, Camarões e Burkina-Faso.

É a primeira vez que os guineenses participam na fase final da Taça das Nações Africanas e o golo do defesa Juary Soares (Mafra) marcado contra o Gabão foi o primeiro do país na competição.
Rispito.com/Lusa, 17-01-2017

Ramos Horta partilha vias de reconciliação nacional com Guiné-Bissau

Image result for ramos horta guinea bissauO ex-Presidente de Timor-Leste, José Ramos Horta, vai partilhar com as instituições da Guiné-Bissau a experiência timorense de reconciliação nacional num simpósio a decorrer de 27 a 30 de Janeiro na capital guineense, anunciou hoje a organização.

"Enfrentar o passado para construir a Guiné-Bissau de amanhã" é o título do evento que pretende ajudar o país a sarar feridas entre dirigentes guineenses e a pôr fim aos ciclos de instabilidade.

Como reflexo da situação, só nesta legislatura, iniciada há dois anos e meio, o país já conheceu cinco governos.
Rispito.com/Lusa, 17-01-2017

Procuradoria-Geral da República nega processo-crime contra José Mário Vaz

A Procuradoria-Geral da República da Guiné-Bissau anunciou em comunicado ter negado o pedido de instauração de um processo-crime contra o Presidente da República, José Mário Vaz, feito pela Assembleia Nacional Popular (ANP).

O parlamento "não observou as formalidades constitucionais e legais" para o Ministério Público abrir "o competente processo-crime contra o Presidente da República", refere-se no comunicado.

A Procuradoria explica que o pedido precisaria da aprovação por dois terços dos deputados do parlamento, ou seja, não basta um ofício assinado pelo presidente da ANP, tal como aconteceu.

Na base da queixa apresentada pelo presidente da ANP, Cipriano Cassamá, estão declarações feitas pelo chefe de Estado numa cerimónia pública em que celebrou o seu aniversário, a 10 de Dezembro, em Bissau, por onde num discurso em crioulo, José Mário Vaz referiu que ninguém será assassinado ou espancado por ordens do Presidente durante o seu mandato.

Na altura, a intervenção motivou um pedido de explicações da Liga Guineense dos Direitos Humanos, uma vez que a Constituição guineense "em nenhum momento deu esses poderes ao chefe do Estado", mas não houve mais esclarecimentos por parte da Presidência.

No comunicado divulgado nesta semana, 16 de Janeiro, a Procuradoria-Geral da República acrescenta que está a conduzir inquéritos em que o ex-primeiro-ministro Domingos Simões Pereira (presidente do PAIGC) figura como testemunha.
Nesse âmbito, a Procuradoria solicita a colaboração da ANP para que permita que o agora deputado seja ouvido.
Rispiti.com/Lusa, 16-01-2017

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Simpósio Internacional sobre processo de reconciliação  na Guiné-Bissau

Pela Iniciativa da Comissão organizadora da Conferencia Nacional Caminhos para Paz Reconciliação e Desenvolvimento(COCI), será realizado um simpósio Internacional sobre o processo de reconciliação  na Guiné-Bissau nos dias 27 e 30 de Janeiro 

O padre Domingos da Fonseca,  presidente da comissão de reconciliação disse nesta segunda-feira,  16 de Janeiro,  que a organização desse Simpósio Internacional visa sensibilizar a população guineense sobre o processo da reconciliação nacional. 

Sob o lema"Enfrentar o Radio Passado para Construir a futuro",  surge na necessidade de aumentar a consciência nacional sobre a necessidade de lidar com o passado para poder ultrapassar ciclo de instabilidade e conflito politico e social que insistentemente fustiga o país.  

Falando aos jornalistas nas instalações da Assembleia Nacional Popular,  o padre Domingos da Fonseca realçou que a Comissão de Reconciliação tem experiência suficiente para organizar o evento internacional, graças a provas evidentes dos resultados das consultas anteriores,  de analises e experiência captadas de outros países, nomeadamente, Timor-Leste,  Costa do Marfim e produziu o seu relatório final que será apresentado no simpósio.
Rispito.com, 16-01-2017 



HÉLDER VAZ ENTREGA CARTAS CREDENCIAIS À PRESIDENTE PORTUGUÊS

Hélder Vaz entregou hoje, dia 16 de Janeiro, ao Presidente da República Portuguesa, Prof. Dr. Marcelo Rebelo de Sousa, as cartas credenciais que lhe investem na qualidade de Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da Republica da Guiné-Bissau em Portugal.

A cerimonia decorreu na base de uma estrema tranquilidade, seguido de um  cortejo entre o Mosteiro dos Jerónimos e o Palácio de Belém, com guarda de honra a cavalo da GNR.

Depois de alguns anos que a diplomacia guineense vinha funcionando em Portugal com simples Encarregado de Negócios, Hélder Vaz retoma a representatividade do país ao mais alto cargo após ser acreditado pelo estado Português. 
Rispito.com, 16-01-2017

domingo, 15 de janeiro de 2017

EMPATE  DOS "DJURTUS" CELEBRADO EM BISSAU COM FESTA E EMOÇÃO 

Juary Soares - autor do golo
Os guineenses saíram às ruas de Bissau para dar largas à alegria com o empate 1-1 conseguido pela seleção de futebol na sua estreia numa fase final da Taça das Nações Africanas (CAN2017), a decorrer no Gabão.
Com apitos, tachos e tambores, velhos e jovens percorreram diferentes artérias da capital em festa, com emoção à mistura, para dar largas à alegria, referenciando a prestação dos 'djurtus' e o autor do golo do empate da Guiné-Bissau, o defesa-central do Mafra, Juary Soares.

"Juary é um amor", defendia a guineense Suzete, que saiu do bairro de Massa Cobra, subúrbios de Bissau, até à zona da Santa Luzia num corso festivo que trazia uma enorme bandeira da Guiné-Bissau e integrado por jovens.
O herói da seleção guineense nasceu há 24 anos, justamente no bairro de Massa Cobra, tendo feito parte da sua formação no Sporting de Portugal, passando depois, entre outras equipas, pelo Benfica de Macau, para se fixar no Mafra.
Mal o árbitro assinalou o final do jogo, as ruas de Bissau foram literalmente inundadas de pessoas, que, de todas as idades, corriam e dançavam.

O nome do autor do golo, Juary, era o mais citado entre os fervorosos adeptos, que agora sonham mais do que nunca em ver os 'djurtus' na final da CAN.
Em passos de corrida e dança à mistura, jovens percorreram toda a avenida Combatentes da Liberdade da Pátria, entoando o nome de Juary, que diziam ser o maior. No meio da alegria, os guineenses apontam para a conquista da taça.
"Vamos até à final e, desta vez, a taça é nossa", afirmava Rui, um taxista que deixou o carro em casa para participar de uma festa montada no Espaço Verde, no bairro da Ajuda, onde uma empresa de venda de cervejas colocou um ecrã gigante para retransmitir o jogo.

A advogada Muna Silá não cabia em si de contente. Considera que a seleção de futebol "é o único motivo de alegria" dos guineenses, enquanto a antiga ministra dos Negácios Estrangeiros Fatuma Baldé diz que os 'djurtus' são o orgulho do país, por isso, defende, merecem o apoio incondicional de todos.
Rispito.com/Lusa, 14-01-2017

sábado, 14 de janeiro de 2017


DJURTUS ESTREOU-SE A EMPATAR

Foto de Umaro Djau II.Foto de Umaro Djau II.A Guiné-Bissau, equipa com revelação crescente, estreou-se pela primeira vez na historia do país na maior competição de futebol africana, conseguiu um empate de uma bola, no jogo inaugural da CAN, frente equipa anfitriã, Gabão.
Uma partida bem disputada, com ambas equipas a jogarem com muita precaução para não deslizar perante o adversário. 
A primeira parte o jogo terminou com um empate de zero bola para ambos, mas o Gabão entrou na segunda parte a ganhar com um golo do inevitável Pierre-Emerick Aubameyang, a aproveitar uma falha da defensiva guineense.

Mas os Djurtus nunca baixaram braços, já ao cair do pano, a equipa guineense conseguiu o golo da igualdade por intermédio de Juary Soares, defesa de 24 anos, da equipa portuguesa de Mafra.

Em termos disciplinares, nada assinalar, porque não houve expulsões, com uma arbitragem justa e equilibrada. 
Rispito.com, 14-01-2017


sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

DJURTUS " PRONTOS E CONFIANTES" MAS SEM PRESENÇA DA CLASSE ORGANIZADA

Gabun Stade d'Oyem Eröffnung Präsident Ondimba (Getty Images/AFP/S. Jordan)Os jogadores da seleção de futebol da Guiné-Bissau "estão prontos" para o jogo deste sábado contra o Gabão, na abertura da Taça das Nações Africanas (CAN2017), disse hoje, em Libreville, o selecionador guineense, Baciro Candé.

Na última conferência de imprensa antes do jogo de estreia da seleção guineense numa fase final da CAN, Baciro Candé afirmou que sente os jogadores "sem pressão e prontos" para entrar na competição, que decorre no Gabão a partir deste sábado até 05 de Fevereiro.
Em conversa com jornalistas guineenses, Baciro Candé ainda não nota "nervosismo ou ansiedade" por parte dos seus jogadores, salientando que, embora seja a primeira partida dos ‘djurtus’ na CAN, os mesmos "estão habituados a grandes emoções do jogo na Europa".
Quanto ao modelo de jogo que pretende utilizar para contrariar os gaboneses, Candé falou em "várias alternativas", por ter "muitos e bons jogadores" à disposição.
seleção Guiné BissauBaciro Candé apenas lamenta o facto não ter sido possível realizar "pelo menos um jogo treino" no Gabão contra qualquer seleção, como era pretensão da equipa técnica para avaliar o nível competitivo de alguns jogadores.

Os guineenses estão confiantes de que vão vencer o Gabão na abertura da Taça das Nações Africanas (CAN 2017) de futebol, havendo mesmo quem já tenha feito o prognóstico com aquele que será o resultado final do jogo de sábado 2-1.
Braima Daramé, o jornalista desportivo que está acompanhar a seleção, lamenta contudo que os "Djurtus” não possam contar com a claque que foi organizada em Bissau porque as 60 pessoas que deveriam ter viajado para o Gabão na quinta-feira, reduziu para 50, depois para 20 e por fim acabou de não viajar  por várias razões entre elas financeiras não vão estar presentes em Libreville. Mas, está confirmada a presença na cerimónia de abertura do CAN 2017 o Presidente da República, José Mário Vaz e o ministro dos Desportos Tomás Barbosa.
Por outro lado, muitos elementos da comunidade guineense emigrada  (cerca de 150 pessoas residentes no Gabão) já prometem estar nos jogos da seleção,  assim como os guineenses de Conacri por nao estarem presentes a essa competição, decidiram apoiar os Djurtus que querem ver a ganhar já no sábado.  Por isso estão em filas a pedir camisolas e cachecóis da Guine-Bissau para um total apoio

Entrevistados pelos jornalistas guineenses que estão no Gabão, alguns se mostraram confiantes na vitória dos 'djurtus'.
Com Aubameyang, Gabão desafia grandes para ficar com título do CAN
Sem a Nigéria, que não se classificou, a Copa Africana de Nações começará neste sábado com o Gabão desafiando grandes seleções do continente, como Costa do Marfim, Egito, Argélia, Gana e Camarões, entre outras, para fazer valer o mando de campo e enfim conquistar um título inédito.
Rispito.com/Lusa/DW, 13-01-207

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

MCCI EXIGE EM LISBOA A DEMISSÃO DE JOSÉ MÁRIO VAZ  

O Movimento de Cidadãos Conscientes e Inconformados exigiram mais uma vez através de manifestação em Lisboa a demissão de José Mário Vaz.
O Presidente Guineense que está em Portugal para assistir as cerimonias fúnebres do malogrado Dr Mário Soares, o movimento aproveitou a circunstancia de  encher a frente do hotel com manifestantes para exigir a sua  imediata demissão.

O movimento repisou mais uma vez a incapacidade do José Mário Vaz conter a longa crise que assola o país e que, segundo o presidente do movimento, por ele mesmo criado e que ainda continua ser por ele alimentado. Com cinco governos em dois anos e meio de mandato, continua diariamente a revelar num presidente incapaz de garantir estabilidade.

O grupo foi recebido na porta do hotel pelo Encarregado de Negócios da Embaixada guineense em Portugal, Mbala Fernandes e de Hélder Vaz. Este ultimo, não escapou ataques verbais e de duras duras criticas perante a sua postura politica pelos manifestantes.

Os movimento chamou Hélder Vaz de oportunista politico, lembrando-o das  suas palavras de ontem contra José Mário Vaz e a sua reviravolta hoje recompensada com nomeação a cargo de Embaixador.

Os Cidadãos Conscientes e Inconformados ainda criticaram a postura antidemocrática de serem impedidos de manifestações em Bissau a mando de próprio Presidente de Republica, mas garantem continuar na mesma luta em tudo quanto é lugar, e em todos os lados possíveis com uma única exigência "JOSÉ MÁRIO VAZ RUA"
Rispito.com, 12-01-2017

Militares com dificuldades para tirarem do campo arroz produzido

Os militares da Guiné-Bissau estão com dificuldades para tirarem dos campos agrícolas "grandes quantidades" de arroz produzido por falta de máquinas de corte do cereal, disse hoje à agência Lusa, Lassana Ndami, chefe de produção do exército guineense.
Por iniciativa do chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, soldados guineenses produziram arroz nos campos agrícolas de Birikama, Fa Mandinga, Bidinga Na Nhasse e Bul, no leste do país, mas agora a dificuldade é tirar o produto do terreno.

O general Lassana Ndami acrescentou que o arroz produzido provém da totalidade dos 21 hectares dos quatro campos.
O arroz é a base da dieta alimentar dos guineenses mas grande parte do cereal consumido no país é importado.
Em condições normais, a Guiné-Bissau produz cerca de 111 mil toneladas de arroz e importa cerca de 150 mil toneladas, que custam 75 milhões de dólares (70,3 milhões de euros).

"Estamos com dificuldades para tirar o arroz porque foi uma produção de máquinas e agora não temos como tirar o arroz dos campos com a mão", disse o chefe da divisão de produção das Forças Armadas guineenses.
O ministro da Agricultura visitou os quatro campos e prometeu tentar arranjar uma solução mas até lá os militares vão tirando o arroz com a mão com ajuda de populares, afirmou o general Ndami.

O chefe da divisão de produção das Forças Armadas disse que o cultivo do arroz "é a resposta dos militares" ao apelo lançado pelo chefe do Estado-Maior, general Biague Na Ntan no sentido de "deixarem os problemas políticos com os políticos".
"Pediu-nos que trabalhemos. Deixemos a política com os políticos. Foi o que fizemos com esta grande quantidade de arroz que produzimos", enfatizou Lassana Ndami.
Sobre o destino a dar ao arroz produzido nos quatro campos de lavoura, o general Ndami afirmou que caberá ao Governo decidir.
Rispito.com/Lusa, 12-01-2017

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Djurtus terá 60 elementos na sua claque organizada

 A seleção de futebol da Guiné-Bissau, que abre a Taça das Nações Africanas (CAN) no próximo sábado com o anfitrião Gabão, terá 60 pessoas na claque organizada, que parte na quinta-feira para Libreville.


Luís Sá, da comissão organizadora da claque, disse hoje à agência Lusa que o primeiro-ministro, Umaro Sissoco Embaló, prometeu tratar da ida da claque por ser uma exigência dos jogadores, que já se encontram no Gabão desde segunda-feira.
O responsável afirmou que a claque para apoiar os 'djurtus' é composta de "um número reduzindo de pessoas", mas que vão tudo fazer para serem o 12.º jogador da seleção guineense que participa pela primeira vez na CAN.
"Somos poucos, mas prometemos ser muito bons", enfatizou Luís Sá, um conhecido músico da nova geração de artistas guineenses.
Além de Luís Sá, a claque organizada da Guiné-Bissau será integrada pelos músicos Miguelinho Nsimba (saxofonista), Star Candinha, Os Mecânicos, Corson de Tina, Menina Neya, Magongo, Tchongo, Djidji di Malayka, Tatiana e Iva e Ichy.

A estrutura também conta com dançarinos do ballet nacional "Esta é a nossa pátria amada", Netos do Bandim, os jovens do bairro de Mindará, os Kassav do Reno e do grupo harmonia de Sintra.

Luís Sá adiantou à Lusa que a claque organizada de apoio à seleção guinene pretende arrebatar o prémio de melhor organização na prova e para tanto irá levar danças e músicas que simbolizam o mosaico étnico da Guiné-Bissau. "Vamos inundar o Gabão com a nossa cultura", sintetizou Luís Sá.
Rispito.com/Lisa, 11-01-2017

Mais de 400 pessoas em fuga da Gâmbia procuram refúgio na Guiné-Bissau

Mais de 400 refugiados, em fuga da Gâmbia, entraram na Guiné-Bissau entre os dias 06 e 09 deste mês, disse hoje à Lusa o secretário-executivo da Comissão de Apoio aos Refugiados na Guiné-Bissau, Tibna Sambé Na Wana.

Os dados de que dispõe Tibna Sambé Na Wana foram fornecidos pelo escritório das Nações Unidas na localidade guineense de São Domingos a partir de registos feitos no posto fronteiriço de Djegue, que separa a Guiné-Bissau do Senegal.
Apesar de a Guiné-Bissau não fazer fronteira com a Gâmbia, Sambe Na Wana admite que pessoas vindas daquele país poderão estar a entrar no território guineense a partir de outras localidades.

A Gambia vive um período de tensão e de agitação política com o aproximar da data limite fixada pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) para avançar com uma intervenção militar para forçar o Presidente Yaya Jammeh a abandonar o poder.
Image result for refugiados da gambia entram na guine bissauPresidente da Gambia há 22 anos, Jammeh recusa-se a sair do poder na sequência de uma derrota eleitoral. Inicialmente reconheceu ter perdido as eleições mas dias depois voltou atrás com a sua posição.
A CEDEAO deu-lhe até dia 19 deste mês para sair do poder, caso contrário admite o uso da força.

Nos últimos há relatos nos órgãos de comunicação social guineenses da entrada em massa de pessoas, entre cidadãos da Guiné-Bissau residentes na Gâmbia e também de gambianos, a procurarem refugio em São Domingos, Canchungo, Ingoré, Bafatá, Gabu e Bissau.
O Governo guineense prepara um plano de contingência para acomodar os refugiados e o secretário executivo da comissão de apoio aos refugiados apela para que pessoas fugidas da Gâmbia se apresentarem junto das autoridades.
Rispito.com/Lusa, 11-01-2017

Incerteza política continua na Guiné-Bissau

Os tradicionais cumprimentos de novo ano que habitualmente decorria  de forma conjunta alegre e respeitosa entre as instituições da republica, este ano, tudo parece a conta-gotas e quase sem interesse nenhum.

No passado, dia 9 de Janeiro, um pouco mais de uma dezena de politicos entre dirigentes e deputados predominantemente do PRS foram apresentar os cumprimentos de Novo Ano ao PR José Mário Vaz, sem presença oficial de um único elemento do partido PAIGC.

No dia 10 de Janeiro, os deputados do PAIGC foram apresentar cumprimentos do novo ano ao Presidente de ANP, Cipriano Cassama, também sem a presença de um único elemento do PRS.
Com um discurso de Cassama a dizer que nunca foi e nem será hostil a nenhum primeiro-ministro, mas pediu ao PR de voltar a trás e de cumprir o acordo de Conacri.

Tudo continua numa incerteza total quanto ao que poderá der e vier, perante a contagem decrescente dos dias exigidos por lei perante um governo. Ou seja, o novo governo da Guiné-Bissau tem até o próximo mês para entregar à Assembleia Nacional Popular a proposta do seu programa, caso contrário, de acordo com a Constituição, entra em caducidade de funções.

O que  terá pesadas consequências políticas, sendo o Presidente da República obrigado a exonerar o Executivo, tal como aconteceu com o Governo do Carlos Correia e do  Baciro Djá.

Um Governo que também está a confrontar-se com a questão de aplicação de possíveis sanções aos políticos que estariam a inviabilizar a implementação do Acordo de Conacri. Tratando-se de uma possibilidade que, segundo fontes diplomáticas, está a ser avaliada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.

No meio deste cenário, o Governo do primeiro-ministro Umaro Sissoco procedeu recentemente a exonerações de governadores regionais e administradores sectoriais.

São vários capítulos em frente, mas todos embrulhados de muita incerteza e bastante preocupação para todos, principalmente os mais vulneraveis.
Rispito.com, 11-01-2017


terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Nota Informativa

A Comissão política do PAIGC em Portugal, chefiada pelo o seu Presidente, membro do Comité Central e Deputado da Nação Prof. Iafai Sani, assim como o Eng. Mario Cabral, membro de Bureau Político e Combatente da liberdade da pátria, deslocou-se  hoje, 09/01/2017 à Sede do PS, Partido Socialista, para render uma justa e sentida homenagem ao Dr. Mario Soares, com a assinatura de livro de honra.
Dr.Mario Soares foi sem dúvida um dos grandes pensadores do século XIX e XXI, Socialista,europeísta convicto e um apaixonado pela liberdade.

Importa salientar ainda a presença do Prof, Dr. Iancuba Injay,  Presidente  do PST e membro do espaço da concertação política.

A Comissão política do PAIGC em Portugal, aproveita para endereçar ao Partido Socialista (PS) e ao Povo português as nossas mais sentidas condolências.

09/01/2017
O Secretário
José Cupertino Silva


segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Conselho de jurisdição do PAIGC suspende onze dirigentes

"Os Djurtus" já receberam prémios pela qualificação e alguns prémios de jogos atrasados

Os jogadores da seleção de futebol da Guiné-Bissau já receberam os prémios pela inédita qualificação para a Taça das Nações Africanas (CAN), a realizar de 14 de janeiro a 05 de fevereiro, no Gabão.
Fonte do Governo indicou hoje à agência Lusa que os pagamentos foram efetuados no fim de semana, com os jogadores a receberam, cada um, 10 mil euros como recompensa pela qualificação do país para a CAN e ainda alguns prémios de jogo atrasados.
Alguns jogadores chegaram a receber 23 mil euros entre prémios dos jogos atrasados e o bónus pela qualificação, precisou a fonte.
No sábado, os jogadores recusaram treinar até que fossem pagos o prémio prometido pela federação e o Governo em caso de qualificação da Guiné-Bissau para a CAN.
O assunto mereceu uma reunião de emergência entre o presidente guineense, José Mário Vaz, e os três capitães dos 'djurtus', Bocundji Cá, Zezinho e Jonas Mendes.
"Nas primeiras horas de domingo, os jogadores receberam tudo o que tinham a receber", indicou a fonte do Governo.
Com o pagamento feito, os jogadores da seleção guineense já se mostram disponíveis para participar na CAN, devendo a viagem para o Gabão ocorrer ainda hoje logo que chegue ao país o avião que está a ser providenciado pelo primeiro-ministro.
Umaro Sissoco Embaló está, desde sábado, no Congo Brazzaville, onde tenta pedir emprestado, junto do presidente daquele país, uma aeronave para transportar os 'djurtus' para o Gabão ainda hoje.
Inicialmente, a viagem foi anunciada para as 12:00 (mesma hora em Lisboa), mas fontes da federação disseram à Lusa que o avião só deverá chegar à Bissau por volta das 15:00, altura em que será comunicada a hora da partida.
A Guiné-Bissau, único país lusófono na CAN2007, integra o grupo A da fase final, juntamente com o Gabão, contra o qual abre a competição, no próximo sábado, Camarões e Burkina Faso.
Rispito.com/Lusa, 09-01-2017

domingo, 8 de janeiro de 2017

Presidente denuncia corrupção no governo de DSP

Image result for jose mario vaz e botche candeGuiné-Bissau Presidente José Mario Vaz disse que cerca de 100 milhões de euros em receitas fiscais tinham sido desviados sob ex-primeiro-ministro Domingos Simões Pereira, cuja demissão é a causa da crise política no país.
"É triste, é como se o país tivesse sido enfeitiçado. Estes são 62 bilhões (cerca de 95 milhões de euros) que foram desviados ", disse Vaz na passada sexta-feira a noite durante o jantar oferecido pelo Ministro do Interior, Botche Cande.

Segundo José Mário Vaz, são tais práticas que levaram à demissão em Agosto de 2015, o governo do DSP Presidente do PAIGC , partido pelo qual ambos pertencem.

"Quando eu denunciei primeira corrupção no aparelho de Estado, as pessoas têm me criticado por não ter apresentado qualquer prova. Mas eu não estou apressado porque tudo tem seu tempo ", disse José Mário Vaz e visivelmente irritado acrescentou que "Hoje, há evidências",   que havia trazido uma grande pasta na qual foram de acordo com ele de suportar, sem indicação da sua origem.

"Onde estão as receitas das alfândegas e dos impostos que rendem 6 a 7,6 milhões de euros,  por mês"?
"Os autores destas irregularidades devem responder por suas ações. Até mesmo o presidente deve enfrentar a justiça ", disse Vaz, salientando que comissão anti-corrupção já esta criada.

Solicitado pela AFP, DSP se recusou de imediato reagir o caso
Fonte:http://www.jeuneafrique.com/depeches/390757/politique/guinee-bissau-president-denonce-malversations-ex-premier-ministre/

Grávidas morrem por falta de anestesistas

Uma mulher de 24 anos entrou no bloco operatório a esvair-se em sangue. Morreu em 20 minutos numa mesa de operações do Hospital Simão Mendes, em Bissau, vítima da urgência mais comum no país: um parto que requer cesariana.
Ia ter o primeiro filho, mas nem ela nem o bebé resistiram a uma viagem de centenas de quilómetros com uma hemorragia no útero, recorda Ramón Soto, o único anestesista de que o Estado guineense dispõe para satisfazer cerca de milhão e meio de habitantes.

Este é um dos casos com que justifica a importância da formação que está a decorrer de 35 técnicos em anestesia a distribuir pelas regiões - porque sem anestesia, não há cesariana, logo, os casos são encaminhados para Bissau por caminhos que, por vezes, mal servem para andar a pé.
Assim que terminem o curso de um ano, os 35 enfermeiros vão regressar às regiões de origem para começar a salvar grávidas de uma viagem de risco para a capital.
A taxa de mortalidade materna do país é a maior do mundo lusófono: morrem 549 mulheres por cada cem mil nascimentos (em Portugal são dez por cada cem mil, dados da Organização Mundial de Saúde de 2015).

A maioria dos partos acontece sem um profissional qualificado, acompanhamento que só é uma realidade para 45% das mães, segundo os dados do Inquérito aos Indicadores Múltiplos (MICS) de 2014.
A falta de recursos humanos é tão grande na Guiné-Bissau que é fácil ser o único profissional ou especialista em qualquer área.
Mas quando se trata de "uma especialidade como a Anestesiologia, que é 'anémica' até no primeiro mundo, com poucos profissionais", há um risco acrescido de não haver ninguém com nível científico para a praticar ou ensinar, realça Ramón Soto.
Há dois anos deixou Cuba e aceitou o desafio do programa H4+ de promoção da saúde materna e infantil, uma iniciativa de agências das Nações Unidas financiada pela cooperação sueca.

Os responsáveis pelo programa diagnosticaram o problema e escolheram Ramón Soto para o atacar, assumindo o papel de único anestesista da saúde pública de um país inteiro.
Já passou por uma responsabilidade que transformou este médico cubano, 54 anos, num homem hipertenso.
Na sala de operações, "às vezes pede-se uma epinefrina [estimulante cardíaco] e não há ou o carro de reanimação não está completo ou faltam medicamentos e tudo isso é fundamental para uma anestesia em segurança", descreve, ao falar dos sobressaltos que o consomem.

"Há problemas, há stresse", que desafiam Ramón Soto, pese embora os anos de experiência em cuidados intensivos e noutras cinco missões internacionais -- uma das quais no Iraque, que coincidiu com uma invasão militar.

Mais difícil ainda vai ser o trabalho dos técnicos em anestesia que está a formar, que podem ter que improvisar com menos meios do que na capital.
"Há muitas mortes, porque as mulheres não vão logo para o hospital. Ficam em casa e só na fase final procuram ajuda. Às vezes é tarde demais", queixa-se Júlio Nanque, 33 anos, enfermeiro no Hospital Regional de Catió, onde já viu a tragédia acontecer mais que uma vez, a 300 quilómetros da capital.

É um dos formandos que está a aprender a aplicar anestesia geral e local.
"Vamos aprender a trabalhar com epidural", destaca Maitana Cardoso, 35 anos, do Hospital de São Domingos, no norte, a meia-dúzia de quilómetros do Senegal.
A anestesia obstétrica está no centro da formação.
Resta saber se depois de colocados os novos técnicos, as grávidas conseguem ter tudo o resto do seu lado, para afastar o risco de morte, porque problemas não faltam.

"São precisos mais especialistas e mais recursos", acrescenta Soto.
Para já, em abril de 2017, haverá mais 35 técnicos em anestesia para dar esperança numa frente renovada de combate à mortalidade materno-infantil fazendo mais cesarianas nas regiões.
Rispito.com/Lusa, 08-01-2017

sábado, 7 de janeiro de 2017

Governo guineense exonera governadores regionais e presidente da Câmara de Bissau

O novo Governo da Guiné-Bissau exonerou todos os governadores regionais e o presidente da Camara Municipal de Bissau, mas não nomeou novos responsáveis para aqueles lugares, indicou o Conselho de Ministros.
Um comunicado assinado pelo ministro da presidência do Conselho de Ministros, Malal Sané, a que a agência Lusa teve acesso, dá conta da decisão assumida na reunião semanal do Governo, realizada às quintas-feiras.
Não foram invocados os motivos para a decisão e nem anunciados os novos responsáveis.
Fonte do Governo indicou à Lusa que os secretários regionais irão assumir a gestão corrente até à nomeação de novos governadores.
Na semana passada, um despacho do ministro da Administração Territorial, Sola Nquilin, suspendeu de funções os governadores das nove regiões administrativas da Guiné-Bissau, propondo novos responsáveis, mas três dias depois o despacho foi anulado por ordens do primeiro-ministro.
A maioria de governadores agora exonerados pelo Conselho de Ministros são elementos do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), vencedor das últimas eleições legislativas, mas que tem estado arredado do poder devido às divergências com o Presidente guineense, José Mário Vaz.
O PAIGC e mais três formações políticas com assento no Parlamento guineense recusaram-se a integrar o Governo por não concordarem com a decisão do Presidente do país em nomear Umaro Embaló como primeiro-ministro.
Também por decisão de Umaro Embaló, o Governo mandou exonerar de funções todos os Diretores Administrativos e Financeiros dos departamentos estatais. Os membros do Governo têm até hoje para apresentarem ao primeiro-ministro os nomes de novos responsáveis para aquelas funções.
Rispito.com/Lusa, 07-01-2017

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Presidente da republica despediu-se com "Os Djurtus" rumo a CAN/2017 

O Presidente da republica, José Mário Vaz, ladeado do Primeiro-ministro Umaro Sissoco, despediu-se no fim da tarde desta sexta feira (06-01-17) com "Os Djurtus", a seleção nacional da Guine-Bisau.

O chefe de estado entregou  a Bandeira Nacional aos “Djurtus”, com vista a participação do país no CAN/2017. E pediu que gostaria de receber de volta a Bandeira juntamente com o troféu nas mãos do Capitão, Bucundji Cá, numa cerimónia onde estavam presentes toda a comitiva desportiva, encabeçada pelo Manuel Nascimento Lopes presidente da Federação de Futebol guineense.
Bucundji Cá, no seu uso de palavras manifestou a vontade de responder as expectativas com garantias de que vão fazer de tudo, com empenho e dedicação para alegrar o povo. Mas também não perdeu a oportunidade de lançar apelo à entendimento na classe politica do país, no sentido de granjear maior união a nação guineense.
E no exterior do Palácio da presidência, estava muitudão de guineenses apoiantes da equipa nacional que irá participar pela primeira vez na CAN'2017, os adeptos sonham e vaticinam bons resultados na fase de grupos, em que os 'djurtus' irão defrontar o Gabão, os Camarões e o Burkina-Faso.
Rispito.com, 06-01-2017

AS INCONGRUÊNCIAS DO MINISTRO DA ECONOMIA E FINANÇAS

Geraldo Martins
João A. M. Fadia
No passado dia 4 de Janeiro, o Ministro da Economia e Finanças proferiu uma declaração em que afirmou que as finanças públicas estão numa situação grave devido às dívidas contraídas pelos governos (do PAIGC) nos últimos dois anos e criticou as opções tomadas na utilização desses fundos. Esta declaração está cheia de incongruências que não resisti em saltar por cima da ocasião.

Incongruência 1. O Ministro da Economia e Finanças parece que (também) tem dificuldades em efectuar operações de conversão monetária. Na sua declaração, converteu 30 bilhões de Francos CFA em 200 milhões de Euros. JESUS CRISTO! 30 bilhões de Francos CFA equivalem a aproximadamente 45 milhões de Euros e não 200 milhões de Euros como disse o Ministro. Para um contabilista de formação, que deve saber reconciliar activos e passivos até à última vírgula, isto é gravíssimo, para não dizer mais.

Incongruência 2. O Ministro disse que o Estado deve 40 bilhões de Francos CFA ao Banco Central. Este valor de 40 bilhões de Francos CFA corresponde ao stock acumulado dos títulos de tesouro emitidos pelo Estado da Guiné-Bissau entre 2013 e 2016 no mercado de títulos públicos da UEMOA. Ora, quem compra os títulos de tesouro no mercado de títulos da UEMOA são os bancos e outros estabelecimentos financeiros ou, por intermédio destes, o público em geral (nunca o Banco Central). Como é que os títulos de tesouro podem representar dívidas do Estado ao Banco Central? Ou foi um lapsos linguae do Ministro ou devo estar a precisar de um desenho para entender?

Incongruência 3. Ao computar a dívida do Estado junto aos bancos comerciais, o Ministro da Economia e Finanças considerou os 35 bilhões de Francos CFA da (tão badalada) operação de resgate dos bancos. Convém lembrar que esta operação consistiu na aquisição pelo Estado de parte da carteira de crédito mal parado junto de dois bancos comerciais do país a fim de permitir que os mesmos retomassem o financiamento à economia e os operadores económicos relançassem as suas actividades. A operação foi meramente contabilística (o Estado não desembolsou um tostão) e os bancos em causa foram mandatados pelo Estado a celebrarem acordos de reestruturação das dívidas com os empresários e a procederem à sua recuperação. Mas não é aqui que está a incongruência.
A incongruência está no facto de o actual Ministro da Economia e Finanças, à data da realização da operação, ser meu Conselheiro e de, nessa qualidade, ter participado comigo e com a minha equipa em várias discussões com diversas instituições financeiras regionais e internacionais, nomeadamente o Banco Oeste Africano de Desenvolvimento (BOAD), na procura das opções mais viáveis para esta operação com a qual ele estava absolutamente de acordo.

Incongruência 4. Durante os dois governos do PAIGC desta legislatura (de Julho de 2014 a Maio de 2016), emitimos 28 bilhões de Francos CFA em novos títulos de tesouro (15 bilhões em Julho de 2014 e 13 bilhões em Abril de 2016. Excluem-se aqui as renovações de títulos por não contribuem para aumentar o stock da dívida pública). O Ministro da Economia e Finanças pergunta onde foi parar esse dinheiro. Este estranho exercício faz-me lembrar um outro, em tempos. Lol lol.
Aqui vai a explicação: Os 15 bilhões de Francos FCA foram emitidos logo no início da legislatura e serviram essencialmente para:
  • a) Pagar os quatro meses de salários em atraso acumulados pelo governo de transição. Na altura, a massa salarial mensal era de 3.2 bilhões de Francos CFA. Logo, 12.8 bilhões de Francos CFA foram consumidos em salários.
  • O remanescente foi utilizado para:
  • b) Pagar subsídios atrasados ao sector da educação para que o ano lectivo pudesse começar atempadamente;
  • c) Financiar o Plano de Contingência contra o ébola;
  • d) Financiar a retoma do fornecimento de energia eléctrica em Bissau;
  • e) Pagar parte do serviço da dívida externa, que já não estava a ser paga desde Dezembro de 2010 quando a Guiné-Bissau beneficiou do perdão da dívida ao abrigo da iniciativa HIPC.

É importante sublinhar que o pagamento de todos os atrasados da dívida externa pelo governo em 2014 foi crucial para o restabelecimento do programa com o FMI e a credibilização do país, e foi fortemente elogiado pelos parceiros de desenvolvimento da Guiné-Bissau durante a mesa redonda de Bruxelas em Março de 2015, tendo permitido ao país receber promessas de financiamento sem precedentes de 1.5 mil milhões de US$ (Em relação ao que diz o Ministro sobre a mesa redonda, não me vou pronunciar aqui).
Onde está a incongruência? A incongruência está no facto de o actual Ministro da Economia e Finanças, na altura Director Nacional do BCEAO, ter participado activamente na montagem financeira da operação de emissão dos 15 bilhões em títulos de tesouro, conhecendo perfeitamente o destino que se ia dar (e que acabou por ser dado) ao dinheiro.

Incongruência 5. A segunda emissão de títulos de tesouro, a de Abril de 2016, no valor de 13 bilhões de Francos CFA, serviu basicamente para reembolsar um empréstimo contraído pelo governo junto à Ecobank em 2011 no valor de 7.8 bilhões de CFA para a reestruturação da empresa Guiné Telecom e GuinéTel. O dinheiro nunca foi utilizado para os fins de reestruturação destas empresas, mas a dívida continuou ali, a crescer exponencialmente devido à elevada taxa de juro de 9,75%.
Em Março de 2016, o capital mais os juros deste empréstimo ascendiam a quase 10 bilhões de Francos CFA. Decidimos então emitir 13 bilhões de Francos CFA em títulos de tesouro, a uma taxa de juro de 4,6% (10 bilhões para reembolsar a dívida à Ecobank e estancar a hemorragia financeira e 3 bilhões para pagamento dos salários de Abril de 2016, num contexto de dificuldades de liquidez, devido à não aprovação do Orçamento Geral do Estado).

A incongruência? Quem era o Ministro da Finanças em 2011, ano em que o empréstimo para a reestruturação da Guiné Telecom e GuinéTel foi contraído?
Eis pois a utilização dada aos fundos.
Para terminar:
Como diria o Brasileiro, a fala de um Ministro da Economia e Finanças é apreciada sobretudo pelo seu rigor. Tantas incongruências numa única declaração pública dão muito que pensar.