sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Boicote dos professores marca início do ano lectivo

O ano lectivo nas escolas públicas da Guiné-Bissau iniciou oficialmente quinta-feira, mas os dois sindicatos dos professores apelaram os docentes para não darem aulas até que o Governo resolva "uma série de problemas" da classe.
Em nota à imprensa, o Sindeprof (Sindicato Democrático dos Professores) e o Sinaprof (Sindicato Nacional dos Professores) acusam o Governo, entre outros, de não cumprir com os pontos constantes no memorando assinado no passado mês de julho que permitiu, na altura, o levantamento de uma greve dos docentes.
O memorando previa, entre outros, o pagamento de salários e subsídios aos professores e a aplicação do Estatuto da Carreira Docente (ECD).
A aplicação daquele diploma, aprovado em 2011, tem sido principal motivo das greves dos professores que acusam os sucessivos governos de incumprimento.
O ECD vai permitir que os docentes passem a auferir salários dentro de um regime especial, acompanhados de aumentos de acordo com os anos em que estiverem em efectividade de funções.
Perante o que o Sinaprof e o Sindeprof consideram de "manobras" do Governo na aplicação do ECD, os professores "não devem dar aulas", refere a nota dos sindicatos.
A abertura do ano lectivo deu-se num momento em que cerca de quatro mil professores das escolas públicas estão com salários do mês de Setembro "bloqueados" pelo Ministério das Finanças, que considera a sua inscrição na Função Pública de irregular.
Na passada segunda-feira, foi iniciado um novo processo de inscrição dos professores que não receberam salários e ainda de outros funcionários públicos nas mesmas situações. No total são cerca de oito mil pessoas.
Falando no acto da abertura simbólica do ano lectivo, o ministro da Educação guineense, Sandji Faty, revelou quinta-feira que mais de 30% dos professores inscritos acabam por abandonar a docência para outros serviços "à procura de melhores salários".
O novo recenseamento presencial visa "limpar do banco de dados" aqueles professores que não dão aulas, mas cujos nomes ainda constam das listas do ministério da Educação, explicou à Lusa uma fonte daquele ministério que nega a existência de dívidas para com os docentes.
Rispito.com/Angop, 13-10-2017

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