segunda-feira, 26 de março de 2018

Associação exige intervenção do estado para travar ritual com crianças

A presidente de uma organização não-governamental guineense de luta contra práticas nefastas exigiu esta segunda-feira que o estado intervenha com urgência para travar a fuga de milhares de crianças das escolas para um ritual de iniciação nas matas.

Fatumata Djau Baldé, antiga ministra dos Negócios Estrangeiros guineense e líder do Comité Nacional para o Abandono das Práticas Nefastas (CNAPN), quer a intervenção do primeiro-ministro, Artur Silva, para acabar com a ida de crianças ao 'fanado', ritual que obriga os jovens a ficarem durante 45 dias nas matas.

Segundo Djau Baldé, o ritual acontece neste momento em Bissau, em Biombo (nordeste) e no Oio, no norte. Já o ano passado, referiu, o mesmo ritual foi organizado em algumas localidades do país e durante o período escolar.
"O Estado não faz nada quando devia proibir a realização dessa prática durante o período escolar", observou a líder do CNAPN que reclama pela urgência de uma lei sobre o ritual masculino como foi feito em relação às raparigas.

Djau Baldé sublinhou que o Governo devia ordenar imediatamente a retirada das crianças das 'barracas' (santuários nas matas) onde se encontram em cumprimento de um ritual que a dirigente disse não fazer sentido que seja observado durante 45 dias.

"Não podemos permitir que algumas pessoas hipotequem o futuro daquelas crianças", defendeu Baldé, conhecida também pelo seu ativismo na luta contra a excisão genital feminina na Guiné-Bissau.

A responsável também não concorda que se diga que o 'fanado' dos rapazes é o cumprimento da tradição quando se vê, disse, pais das crianças a serem obrigados a pagar 40 ou 50 mil francos CFA (entre 60 e 75 euros) para retirem os seus filhos das 'barracas'.

"Até a tradição está a perder o seu valor. Agora é tudo feito a troco de dinheiro", observou Fatumata Djau Baldé.
Rispito.com/DN, 26-03-2018

Sem comentários:

Publicar um comentário

ATENÇÃO!
Considerando o respeito pala diversidade, e a liberdade individual de opinião, agradeço que os comentários sejam seguidores da ética deontológica de respeito. Em que todas as pronuncias expressas por escrita não sejam viciadas de insultos, de difamações,de injúrias ou de calunias.
Paute num comentário moderado e educado, sob pena de nao sair em público