terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Professores guineenses divididos e os alunos continuam ausentes das escolas públicas

Os professores das escolas públicas na Guiné-Bissau continuam num braço de ferro sobre a continuidade de movimentos grevistas e os alunos recusam-se a comparecer nas salas de aulas.
Um porta-voz de um coletivo de professores dispostos a leccionarem, Mamadu Indjai, explicou hoje aos jornalistas que na sua escola, Liceu Rui Barcelos e Cunha, em Bissau, dos 146 docentes, 120 estão dispostos a dar aulas.
O problema é que os alunos não compareceram hoje nas salas de aulas, frisou Indjai.
O coletivo, que quer uma solução com o Governo, perante as greves que têm sido decretadas desde outubro por três sindicatos da classe, fez circular um abaixo-assinado pelo país apelando para que os docentes retomem o serviço.
Mamadu Indjai disse que o coletivo perdeu confiança nas lideranças dos três sindicatos dos professores (Sinaprof, Sindeprof e Siese) por terem sido “apanhados em atos de aliciamento” por políticos.
Líderes dos três sindicatos estão a ser investigados pela justiça por terem, alegadamente, recebido viaturas pagas pelo Presidente guineense, José Mário Vaz, em 2017, numa altura em que também realizavam greves.
Os dirigentes dos três sindicatos foram presos, durante 24 horas, por ordem do Ministério Público, que os investiga, e negam as acusações.
Os três sindicatos recusam-se a levantar as greves, que já vão na quarta vaga, mesmo perante os apelos de diversas personalidades e organizações sociais do país.
Perante os apelos do coletivo de professores que não concordam com as greves por tempo indeterminado, os três sindicatos exortaram, no domingo, os pais dos alunos para que não enviassem os seus educandospara as escolas porque não haveria aulas.
Irinelda Gomes, da federação das associações dos alunos, lamentou “a falta de consenso entre os professores”, sublinhando que, mesmo perante as acções de sensibilização, os estudantes não compareceram nas escolas públicas.
“Que os professores tenham piedade de nós. Estão a revindicar, mas estão a violar os nossos direitos”, observou, esclarecendo que alguns alunos ainda foram hoje, mas eram poucos.
“Na sala de 18 alunos, só la estavam seis”, afirmou Erinelda Gomes, citando o caso da sua turma no liceu Rui Barcelos e Cunha.
O secretário-geral do Ministério da Educação guineense, Júlio Delgado, considerou estranha a ausência dos alunos depois de tantas manifestações a exigir a retoma das aulas.
O dirigente afirmou que as aulas já podem funcionar e que os alunos que faltarem até final de janeiro poderão ser deixados de lado nas avaliações do ano lectivo.
Os professores iniciaram greve logo no início do ano letivo, em outubro passado, sendo que as escolas públicas não funcionaram durante todo o primeiro período, e ainda não voltaram à atividade depois da interrupção de Natal, apesar de muitos professores já terem regressado ao trabalho.
Rispito.com/Lusa, 08-01-2019

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