segunda-feira, 21 de outubro de 2019

José Mário Vaz questiona fundos do Governo

O Presidente da Guiné-Bissau e recandidato nas eleições presidenciais de 24 de Novembro acusa o actual Governo de financiar campanhas eleitorais com dinheiro do Estado, questionando o destino de cerca de 16 milhões de euros em títulos do Tesouro.
“O Governo faz a emissão de títulos de Tesouro num montante aproximado de 20 biliões de francos CFA, significa 32 milhões de euros. Desses, 16 milhões já receberam na primeira tranche e eu pergunto: para onde levaram esse dinheiro, esse dinheiro é para quê”?, questiona José Mário Vaz, em entrevista à Lusa em Lisboa.
Referindo que o Executivo “não paga salários a tempo e horas”, o Chefe de Estado manifesta também dúvidas sobre o destino das verbas que o Governo arrecada através da Direcção-Geral das Alfândegas, Direcção-Geral de Contribuições e Impostos, fundos autónomos ou do apoio orçamental e acusa: “O dinheiro que devia ser utilizado nas escolas, hospitais, infra-estruturas, saneamento básico, está a ser desviado para o financiamento das campanhas”.
O Governo da Guiné-Bissau é liderado pelo PAIGC, vencedor das eleições legislativas de Março deste ano, mas sem maioria e coligou-se com a Assembleia do Povo Unido - Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB), Partido da Nova Democracia e União para a Mudança.
Questionado sobre como vai financiar a sua campanha, uma vez que concorre como independente, José Mário Vaz refere que vai “pedir apoios”, tal como fazem os outros candidatos, mas que será uma “campanha pobre”, “sem opulência”. “Há candidaturas que têm muito dinheiro, muito dinheiro mesmo. Mas ter dinheiro não significa ganhar as eleições, sobretudo quando o dinheiro é do tesouro público”, diz Jomav, nome pelo qual é conhecido, manifestando a confiança de que “o povo irá castigar as pessoas que utilizam incorrectamente os seus recursos”.
Instado a comentar as acusações de Domingos Simões Pereira, candidato apoiado pelo PAIGC, de que faz entrar no país dinheiro de origem duvidosa, José Mário Vaz respondeu: “Dinheiro de origem duvidosa eu não conheço”.
E devolve as acusações, referindo que Domingos Simões Pereira paga, sobretudo a jovens, “para dizer mal do Presidente”, “tanto em Portugal como na Guiné-Bissau”.
“Eu sou um empresário de sucesso, mas só tenho uma casa em Portugal e ele, num curto espaço de tempo, em seis ou oito meses, já tem muitas casas aqui em Portugal”, continua.
Sobre o facto de Domingos Simões Pereira ser apontado pelos adversários como o candidato apoiado pela comunidade internacional, José Mário Vaz diz que não está preocupado. “Não são os estrangeiros que vão votar na Guiné-Bissau, votam os guineenses”, diz, admitindo, no entanto, que esse apoio “pode ter uma ou outra influência sobre o voto”.
Questionado sobre o motivo de, durante o seu mandato de cinco anos, o país ter tido sete primeiros-ministros, o Presidente justificou com a necessidade de garantir que “a paz, a tranquilidade e a liberdade” eram preservadas e com o combate à corrupção.
“Quando o dinheiro do Estado não vai para o cofre do Estado, quando vai para o bolso das pessoas, torna-se impossível concretizar o sonho de um povo”, diz, referindo-se à corrupção, que admite não ter conseguido combater ainda.
Rispito.com/Jornal de Angola, 20-10-2019

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