terça-feira, 22 de setembro de 2015

“Muçulmanos precisam combater o  Câncer do Extremismo Islâmico” 

Denunciar o terrorismo, defender os direitos humanos e promover a educação. Enquanto o auto-proclamado grupo, Estado Islâmico, conhecido como ISIS, continua a cometer atrocidades no Mèdio Oriente, os muçulmanos devem confrontar a ideologia totalitária que a impulsiona e aos outros grupos terroristas. Todas as ações terroristas levadas a cabo em nome do İslão, afeta profundamente todos os muçulmanos, alienando-os dos outros cidadãos e levando ao abismo da compreensão acerca do ethos da fè.

Não è justo culpar o İslão pelas atrocidades dos radicais violentos, mas quando os terroristas reivindicam este disfarce islâmico e carregam esta identidade mesmo que sem importância nenhuma. Portanto membros da fé, precisam fazer tudo dentro do possível para prevenir que este câncer infecta as nossas comunidades. Senão, seremos parcialmente responsabilizados por manchar a imagem da nossa fè.
Primeiramente, devemos denunciar a violência  e não cair em ato de vitimizar. O fato de passarmos por momento de opressão não pode servir de desculpas para causá-la ou exultar o terrorismo. De que os terroristas estão cometendo graves pecados em nome do İslão , não constitui meramente uma opinião própria; trata-se de uma conclusão inevitável de uma leitura justa das fontes básicas: o Quran e os relatos da vida do Profeta Muhammad. Os princípios nucleares dessas fontes-retransmitidos durante séculos por estudiosos que dedicaram-se em examinar os ditos e as praticas do profeta, e as intenções do autor no Livro Sagrado-dissipando quaisquer que sejam as reivindicações feitas sob justificação religiosa.
Em segundo lugar, é importante promover um entendimento holistico do Islão, uma vez que a flexibilidade para acomodar diferentes realidades do seu aderente pode geralmente ser abusiva. A essência da Ética İslâmica, no entanto, não foram deixadas somente para serem interpretadas. Um desses princípios, diz que tirar a vida de um inocente trata-se de um crime contra toda a humanidade(Quran 5:32). Mesmo no caso de legitima defesa em situações de guerra, a violência contra qualquer não-combatente, especialmente mulheres, crianças e clero, é especificamente proibida o uso da força de acordo com os ensinamentos do Profeta.
Precisamos demonstrar esses valores através da demonstração da solidariedade para com as pessoas que procuram e anseiam pela paz no mundo. Dado a natureza da psicologia humana e as dinâmicas das noticias, è óbvio que as vozes com maiores repercussões no mundo têm menores probabilidades de serem destaques do que dos extremistas. Mas, em vez de culpar a media, devemos encontrar formas inovadoras para assegurar que nossas vozes sejam ouvidas.
Em terceiro lugar, os Muçulmanos precisam promover publicamente os direitos humanos- a dignidade, vida e a liberdade. Estes são os mais básicos valores islâmicos, e nenhum individuo, e nem qualquer lider politico ou religioso, tem a autoridade de fazê-los desaparecer. Vivendo a essência da nossa fè significa respeitar a diversidade- cultural, social, religioso e politico. Deus identifica a aprendizagem mutua como o objetivo primário da diversidade (Quran 49:13). Respeitando cada ser humano como uma criação de Deus (17:70) è automaticamente respeitando o pròprio Deus.
Em quarto lugar, os Muçulmanos devem oferecer oportunidades educacionais para cada membro das suas comunidades, onde os estudos das Ciências, Humanidades e Artes estão enraizadas numa cultura de respeito para com qualquer ser vivente. Os governos do mundo Muçulmano precisam complementar o curriculum escolar que norteiam os valores democráticos. A sociedade civil tem um grande papel na promoção do respeito e aceitação. Um dos grande exemplos disso, è o fato dos membros do movimento Hizmet terem criados mais de 1000 escolas, centros de ensinamento e instituições de diálogos em mais de 150 países.
Em quinto lugar, proporcionar a educação religiosa aos Muçulmanos será decisivo para impedir os extremistas de usarem o instrumento que têm em disposição para expandir essas ideologias enganosas. Quando a liberdade religiosa è negada, como tem sido por décadas em partes do mundo Muçulmano, a fé cresce nas sombras, deixando-a para ser interpretada pelos radicais desqualificados.

Por ultimo, torna-se imperativo que os Muçulmanos apoiem a igualdade dos direitos entre os homens e as mulheres. Às mulheres devem ser dadas oportunidades e serem livradas das pressões sociais que negam essas igualdades. Os Muçulmanos têm um grande exemplo através da Aisha, esposa do Profeta Muhammad, uma académica altamente qualificada, professora e proeminente líder comunitária do seu tempo.
O Terrorismo é um problema multifacetàrio, portanto as soluções devem ser endereçadas a partir das camadas politicas, económicas, sociais e religiosas. Abordagens que submetem os problemas à religião colocam em risco a juventude e larga escala populacional mundial. A comunidade internacional agiria bem ao perceber de que as primeiras vitimas do terrorismo são exatamente os Muçulmanos- quer literalmente como simbolicamente- e eles podem ajudar na marginalização dos terroristas e prevenir o recrutamento de membros. Por isso, os governos devem evitar as declarações e ações que resultam na alienação dos Muçulmanos.
O extremismo violento não possui religião; haverão sempre pessoas  que manipularão as Escrituras da Fè. Tal como os cristãos não defendem ou apoiam a queima do Quran ou as ações do Ku Klux Klan, os Budistas não toleram as atrocidades contra os Muçulmanos Rohingya, os verdadeiros Muçulmanos também não apoiam ou toleram a violência.
Os Muçulmanos têm historicamente acrescentado muito para a prosperidade da civilização humana. As maiores contribuições dos Muçulmanos foram feitas em períodos quando a fè nutria do respeito mútuo, liberdade e justiça. Poderá ser, talvez muito difícil a missão de restaurar a imagem manchada do İslão, contudo os Muçulmanos podem ser a guia para a paz e a tranquilidade nas suas sociedades.
Fettulah Gulen è um estudioso Islâmico e fundador do Movimento da Sociedade civil “Hizmet.”
Lai Baldé-Correspondente, 21/09/2015

Sem comentários:

Enviar um comentário

ATENÇÃO!
Considerando o respeito pala diversidade, e a liberdade individual de opinião, agradeço que os comentários sejam seguidores da ética deontológica de respeito. Em que todas as pronuncias expressas por escrita não sejam viciadas de insultos, de difamações,de injúrias ou de calunias.
Paute num comentário moderado e educado, sob pena de nao sair em público