quinta-feira, 19 de abril de 2018

COMPORTAMENTO DESENFREADO DA EMPRESA DA EAGB PARA COM OS CONSUMIDORES!

Para um pais pequeno e frágil como a Guiné-Bissau, há determinadas questões que devem ser ponderadas.
O forte crescimento do consumo de energia tem resultado numa actuação enfocada em resolver os problemas de curto e médio prazo. A acção no horizonte 2018 assume-se como a prioridade.
Realmente, não se podem privatizar alguns sectores estratégicos do estado mas a nossa EAGB deve passar pela privatização urgente e libertar os consumidores de uma situação de stress permanente.
No entanto só é possível desenvolver um sector eléctrico que apoie de forma adequada as aspirações do país se,paralelamente,desenvolvermos uma visão de longo prazo para o sector no Norte, no Leste e no Sul e tivermos projectos estruturantes de levar os serviços básicos de energia a todas as povoações do país.Isto requer uma visão integrada de desenvolvimento da rede eléctrica e das responsabilidades das novas entidades do sector.

O potencial hidroléctrico do país é vasto e o tempo de desenvolvimento dos projectos, longo. Ora, nos últimos tempos temos vindo a sofrer cortes sistemáticos de corrente eléctrica uma vez que essa empresa tem uma arrecadação de receita diária proveniente da venda do ‘’saldo’’, como é habitualmente apelidado, no montante de 4 mil euros, correspondente a 3 milhões FCFA.A empresa recebe do Ministério das Finanças um valor mensalentre 400 e 500 milhões de FCFA e gasta cerca de 30 mil litros de combustívelpor dia.Assim sendo, a questão que se coloca éa seguinte: Fazendo as contas dos 400 a 500 milhões que vêm das Finanças,mais a venda diária do ‘’saldo’’, mesmo pagando todas as despesas correntes não dá para manter a corrente eléctrica 24h por dia? A que se deve essaincapacidade? Má gestão? Desvio de procedimento? 
A maioria dos guineenses que é cliente da EAGB já sofreu pelo menos um daqueles cortes de energia não programados e com certeza terá sofrido uma enorme frustração.
O BADEA vai ajudar a Guiné-Bissau com um financiamento estimadoem 11 milhões de dólares (6 mil milhões FCFA/ou 6 Billhões FCFA) para a construção de uma central eléctrica em Bissau.
O projecto de construção dacentral eléctrica em Bissau tem um volume de investimento total de 22,25 milhões de dólares (13 mil milhões FCFA/ou 13 Bilhões FCFA) sendo o restante financiamento garantido pelo governo guineense e por uma entidade financeira no valor restante de 10,75 milhões de dólares (equivalente a 6 mil milhões de FCFA/ou 6 bilhões FCFA).
A construção dacentral eléctrica vai também permitir que o governo poupe cerca de 250 mil euros (cerca de 163 milhões FCFA) em taxas mensais que paga actualmente a uma empresa privada, fora o custo com o gasóleo.
Será que com tanta desorganização e falta de transparênciaestará o nosso Estado em condições de comparticipar com o montante em falta? Ou vamos ter que recorrer à venda de títulos do Tesouro no mercado monetário da UEMOA a uma taxa que se situaráentre os 5%e os 6%?
Apesar de considerar que é da mais elementar racionalidade económica que as tarifas eléctricas reflictam os custos de produção, devia-se procurar prestar um melhor serviço público ao nível do fornecimento de electricidade às populações do país.
Todos sabemos que ainda é manifestamente deficiente o fornecimento de energia eléctrica em todo o território nacional. Aliás, é raro o dia em que não falta a luz num ou em vários bairros de Bissau.

Recomendações:
Para evitar crises no abastecimento da energia eléctrica,a EAGB, instituição estatal, deverá ser privatizada com o objectivo de garantir o fornecimento da energia 24h por dia e em todo o território nacional;
Estabelecer um conjunto de projectos de investimentos no quadro de um programa que se pretende sustentável e ambicioso para o desenvolvimento dos sectores de energia e água;
A Construção de um sistema moderno de recepção directa e armazenamento de combustivel (Fuel-Óleo pesado e Gasóleo, para evitar os roubos sistemáticos que se têm observado)
A construção de raiz de uma sede para esta empresa e a reestruturação do seu quadro de pessoal.

Assim, não faz sentido o cenário de aumento das tarifas de electricidade enquanto a qualidade dos serviços mantiver as actuais características. Não podemos continuar a assistir a interrupções constantes e imaginar esta restrição a longo prazo. Acho que devemos sair desta situação em que continua a parecer normal que a energia eléctrica seja fornecida com as irregularidades a que assistimos.
Mestre : Aliu Soares CASSAMA
OBS: Todas as ideias aqui transcritas são da inteira responsabilidade do seu titular (autor)

Sem comentários:

Publicar um comentário

ATENÇÃO!
Considerando o respeito pala diversidade, e a liberdade individual de opinião, agradeço que os comentários sejam seguidores da ética deontológica de respeito. Em que todas as pronuncias expressas por escrita não sejam viciadas de insultos, de difamações,de injúrias ou de calunias.
Paute num comentário moderado e educado, sob pena de nao sair em público