domingo, 11 de outubro de 2020

“Na Guiné-Bissau há regras e quem manda é o Presidente da República”

O Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, vincou hoje que o país já não é um palco de circulação de droga como no passado, considerando que o “Estado estava quase no chão”, sem meios para lidar com o problema.
Umaro Sissoco Embaló fez o balanço da sua visita de Estado a Portugal e prometeu que o país europeu será um parceiro privilegiado da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) quando assumir a presidência em exercício daquela organização sub-regional.
“Penso que é muito positiva a minha vinda para Portugal, porque Portugal é a porta de entrada na União Europeia e é para mostrar que somos dois povos condenados a andarem juntos”, afirmou Umaro Sissoco Embaló, numa conferência de imprensa em Lisboa.

Na visita, Sissoco Embaló acordou com o primeiro-ministro português, António Costa, a visita do chefe de governo de Lisboa a Bissau, que já está definida “para novembro”.

Na sua opinião, as crises políticas na Guiné-Bissau são já coisas do passado e “havia uma interpretação errada da comunidade internacional” que está a mudar.

Presidência da CEDEAO
Para tal, a Guiné-Bissau quer aumentar a sua presença na sub-região, colocando-se como elemento de ligação entre o espaço lusófono e a CEDEAO, que tem uma maioria de países anglófonos e francófonos.
“A dimensão da Guné-Bissau junto do espaço da CEDEAO não é a mesma [como] há 20 anos” e “Cabo Verde também tem as suas influências na zona e é um membro ativo” na organização, afirmou.

“Nós juntos podemos ser porta-vozes de Portugal na CEDEAO”, afirmou Sissoco Embaló, acrescentando que tem um acordo com os parceiros vizinhos para assumir a presidência em exercício da organização.

O Presidente da Guiné-Bissau explicou que “será a primeira vez que um país lusófono vai presidir à CEDEAO”, sucedendo ao Gana, e admitiu que esta nomeação é também “uma forma de prestígio” para o país.

Investimento
“A Guiné é um país virgem para investimento”, afirmou Sissoco Embaló, salientando que o que falta fazer depende da estabilidade no país.

“Para haver infraestruturas é preciso estabilidade” e o “investimento vem com a credibilidade” e “hoje todas as instituições estão a funcionar plenamente”, afirmou.

Mas há “regras e quem manda é o Presidente da República”, avisou Sissoco Embaló.

Nas declarações aos jornalistas, Umaro Sissoco Embaló afirmou-se amigo do Senegal, com quem quer renegociar o acordo sobre a gestão dos hidrocarbonetos na área conjunta, e voltou a criticar o Presidente da vizinha Guiné-Conacri, Alpha Condé, acusando-o de “estar a tentar um golpe” ao forçar um terceiro mandato.

Na visita a Portugal, Sissoco Embaló discutiu com o governo português o perdão de dívida e o apoio de Lisboa a projetos locais, como a certificação das infraestruturas que irão permitir o processamento do peixe capturado nas águas guineenses.

A discussão sobre a dívida está a ser feita também com outras organizações internacionais, como o Fundo Monetário Internacional, e países como a China, o maior credor do país.

Droga e corrupção
Na conferência de imprensa, o chefe de Estado guineense alegou que o país já não é um palco de circulação de droga como no passado, considerando que o “Estado estava quase no chão”, sem meios para lidar com o problema.
“A corrupção e narcotráfico são coronavírus políticos”, considerou, minimizando a substituição que foi promovida de elementos das autoridades criminais.
“Para mim, não há ninguém minimamente insubstituível”, justificou, embora salientando que o fenómeno da droga nunca foi tão grave como os observadores internacionais apontavam.
“Falávamos da Guiné-Bissau como se fosse a Colômbia ou a Venezuela”, disse.

Umaro Sissoco Embaló voltou a defender uma constituição de pendor mais presidencialista, recordando que a Guiné-Bissau dá um protagonismo maior ao Presidente da República do que Portugal ou Cabo Verde, na nomeação de figuras do Estado ou na presidência do Conselho de Ministros.

Mas “não estou como um Kim Jong-un”, numa referência ao líder norte-coreano, considerando que a centralização de poder permite combater a instabilidade política.
Rispito.com/Plataforma 11/10/2020

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