segunda-feira, 19 de abril de 2021

DA CIVILIDADE NA POLÍTICA

Desde o momento da criação do Partido da Unidade Nacional em 2002, colocamos os valores éticos e morais no topo das nossas preocupações políticas.

Foi á luz destes valores e princípios que construímos metodicamente o nosso partido, num ambiente político onde a imoralidade tem sido o elemento transversal do Sistema político, que se tornou um pesadelo para os guineenses.
As crises políticas ao longo de décadas têm sido alimentadas pela corrupção dos partidos dominantes e pelas traições recorrentes que constituem o seu motor permanente.
Compreendo por isso, o zelo dos novos convertidos aos valores democráticos e á moralidade pública. Infelizmente, estes recém-convertidos põem em prática esses valores, com a mesma virulência totalitária como o faziam outrora, no período do partido único.
Nos últimos anos, os adeptos dos partidos políticos transformaram as redes sociais, de um fantástico instrumento que poderia servir para ajudar na divulgação dos ideais democráticos, em autênticos tribunais da santa inquisição.

Não se compreende que num momento de grande importância para a comunidade religiosa muçulmana a que pertenço, o convite do Presidente da República á qual respondi nesse quadro, suscite reações adversas, vindos de círculos próximos do PAIGC.

Em diversas ocasiões, as festas religiosas, têm sido uma oportunidade e uma honra para convidar líderes dos diferentes partidos políticos, ainda que não partilhemos as mesmas ideias.
Assim, tive o prazer de receber em minha casa por altura de algumas celebrações religiosas, colegas políticos como Domingos Simões Pereira, Agnelo Regala, Vitor Mandinga, Umaro Sissoko Embalo, Manecas dos Santos, entre outros, num ambiente de confraternização, de respeito e de tolerância.
Sempre acreditei que a dureza do combate político não deve fazer de nós inimigos mortais. Se divergimos na política, temos outros espaços onde devemos reencontrar-nos: na família, nos círculos de amizades, na comunidade religiosa, em atividades associativas, etc...

As personalidades referidas que aceitaram o meu convite, não perderam em nenhum momento a sua natureza e nem alteraram por essa razão as suas convicções políticas, da mesma forma que eu não mudei a minha forma de pensar por ter convivido com eles.
As nossas diferenças políticas devem ser exprimidas na maior civilidade.
Estas novas práticas de insultos e de terrorismo político, principalmente nas redes sociais, não nos engrandecem, antes pelo contrário.
Estranha-me o facto de, por aceitar um convite feito no quadro de um evento especificamente religioso, tenham sido desencadeados insultos gratuitos ordenados por pessoas que se mantêm escondidas na sombra.

Os que têm acompanhado a minha carreira política, conhecem bem as minhas convicções. Sabem que não tenho procurado nem trabalho nem ganhos materiais na política.
Graças a Deus, tenho uma vida profissional que me propícia inteira satisfação.
Nunca recebi do Estado Guineense, até hoje, um franco CFA, uma casa, uma viatura, ou qualquer vantagem que seja.
Poucos dentre nós, actores políticos, podem fazer a mesma afirmação!
Sou uma das raras pessoas neste País que não deve absolutamente nada ao Sistema.

Tenho dito e repetido que não exercerei nenhuma função política sem ter um mandato do povo expresso nas urnas.
A honorabilidade que possuo não me foi concedida e não depende de mais ninguém, a não ser da minha pessoa.

Na minha idade e com o meu percurso, mais do que todos os votos, do que todos os bens desta vida, é a HONRA, a minha maior riqueza e responsabilidade.
Neste mês sagrado, em que nos voltamos para o nosso Criador, desejo a todos os meus compatriotas, momentos de reflexão e de maior generosidade.
Idriça Djaló
Presidente do Partido da Unidade Nacional PUN

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