quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Entrevista com Dr. Tcherno Djaló Candidato a próximas eleições Presidenciais da Guiné-Bissau

Dr. Tcherno Djaló foi o Obreiro da chegada de Universidade Amílcar Cabral em Bissau de onde foi reitor durante algum tempo, cargo que só deixou para assumir a pasta de educação como Ministro no governo de Nino Vieira.

Até na tomada de decisão de voltar para a Guiné-Bissau e seguir a vida politica e como candidato presidencial, exercia a profissão do professor e como docente na Universidade Lusófona em Lisboa.

Dr Tcherno Djaló (T.Djaló), é um dos candidatos para a Presidência da republica da Guiné-Bissau para as próximas eleições-gerais marcadas para o mês de Novembro aqui entrevistado por Rispito.com (Rispito).

(Rispito) Como é que surgiu a sua ideia de se candidatar a presidência da republica?

(T. Djaló) A ideia surgiu no mês de Julho de ano passado a quando da entrega dos Diplomas aos finalistas é que fui confrontado com a situação do país pela comunidade, pessoas da base sobre a situação do descalabro total. Depois os jovens vieram ter comigo

explicando que a situação da educação está como está, e eles sabem que a educação onde eu estou nunca pode ser esquecida.
Daí que alguns quadros decidiram falar comigo de forma muito séria, demonstrado a preocupação de estarem num país onde os quadros não são valorizados etc, etc... acrescentando que o país precisa é de um dirigente que estava isenta e descomprometida "sem rabo de palha" livre de envolvimento nos diferentes problemas que o país conheceu para ver se definitivamente podemos inaugurar um novo ciclo politico no país. 
Portanto foi na base dessa conversa que reflecti e cheguei a conclusão que era altura de estar presente como foi também em 1999. Foi daí que quando voltei para Lisboa conversei com a família e depois fui falar com a Universidade onde lecciono, pedindo dispensa para poder por-me a disposição do país que me viu nascer. Foi tudo na base das necessidades que o país está a travessar e eu com vontade e disponível para dar algo de bom, porque se nós os quadros não levantarmos agora um dia vamos acordar e ver que já deixamos de ter um país e este é o momento de aproveitarmos para uma viragem total.

(Rispito) Dr tem algum apoio partidário?

(T. Djaló) Esta coisa de cunho partidário é agora tudo relativo, porque 40 anos 40 partidos num país de tamanho e população que temos, isso é prova mais que suficiente da fragmentação extrema da vida politica guineense, o que os guineenses querem mais do que os partidos são propostas, alternativas credíveis,  uma nova visão, um novo projecto de sociedade... Pois sem menosprezar os partidos mas vê-se que os partidos já mostraram os seus limites.
Para mim o mais importante é que os compatriotas percebam, entendam as propostas alternativas do meu programa. E depois disto os partidos que vierem acordar partilhando mesmos princípios, visão idêntica sobretudo de não violência e de respeito da vida e pessoa humana etc. ou seja quem partilhar a identidade do meu programa eu não terei a oposição de negar. Mas para mim o mais importante é propor alternativa aos guineenses sem estar muito preocupado com cunho partidário.

(Rispito) Tem um segredo ou uma mensagem em especial convincente para cativar o voto popular?

(T. Djaló) O simples que estou a fazer, alias o grupo das pessoas que estão comigo, a juventude essencialmente a espinha dorsal da sociedade que estão a volta da minha candidatura estamos a trabalhar afincadamente na proposição da alternativa e para que ela seja entendida em todas as regiões onde temos passado homens mulheres, lideres religiosos e não só... De facto a receptividade tem estado a superar expectativas e muito encorajador

(Rispito) Dr tem alguma diferença a marcar nesse jogo de politica atual?

(T. Djaló) O que eu posso é por-me a disposição do meu país, entregando-me de corpo e alma, dar a minha inteligência, submeter o meu projecto politico ao povo e empenhar-me com toda a dedicação e vontade de cumpri-lo na integra.
Seja como for eu não quero ganhar sozinho, o meu maior interesse é para que a Guiné-Bissau ganhe, porque se o país ganhar seremos todos vitoriosos. Que ninguém tenha ilusão ou fé no ganhar de um grupinho em detrimento do país nos sirva de algo importante sobretudo na fase em que estamos.
Eu estou a vontade no que estou a fazer, pondo o país a cima de todos os interesses... É por isso que eu deixei o meu trabalho como professor aqui em Lisboa para poder ajudar o país, reunir os guineenses no geral, de todas as categorias sociais e de todos os quadrantes e de apresentar a todos as minhas ideias. Discutir o projecto de ideias não de pessoas, atacar o sistema que nos levou na situação em que nós estamos agora e empenhar com interesse e vontade em como mudar o sistema.


(Rispito) Qual será a prioridade do seu mandato se ganhar as eleições

(T. Djaló) A prioridade é de resolver o problema da energia que é a base fundamental de arranque para qualquer actividade que visa progredir para um desenvolvimento. Pois a energia é como o sangue para o organismo humano, já que um organismo sem sangue é um organismo morto, da mesma forma que um pais sem energia nunca consegue viver. 
Depois agricultura para tirar o país na fome e em constantes dependências tendo uma terra cultivável e fértil. Seguidos de saúde e educação.

Portanto, energia, agricultura, saúde e educação esses quatro pilares são fundamentais para começarmos a construir o edifício pela fundação.
Depois a nível institucional temos outros desafios como a reforma que eu chamei de "Refundação do estado", 
do qual peço um referendo para a revisão constitucional para primeiro instalarmos um regime presidencialista, tendo em conta que o regime semi-presidencialista que vigorou desde a independência tem sido motivo de crispação onde existe fugas de responsabilidade e de paralisia do funcionamento do aparelho de estado. Acho que é importante que tenhamos um país onde as responsabilidades sejam difusas, ou seja ninguém é responsável pelo que está acontecer no país.
Depois temos outras propostas que é de dar um outro enquadramento ao nosso Parlamento de criação de uma Câmara (Senado) onde estarão representados todas as identidades do país e as figuras que nós temos como mais importantes (ex-Chefes de Estado, ex-Primeiros-Ministros, comandante das Forças Armadas, lideres religiosos por air fora..). Esse servirá de alavanca de exercícios de uma cidadania ativa e também de fiscalizar o processo legislativo e executivo com vista a consolidação de Estado do Direito Democrático. 
Pelo que temos estas propostas em termos adicionais e depois no sector de defesa e segurança que passa pela luta contar trafico de droga que é para limparmos o nome do país e a nossa boa imagem para recuperarmos a confiança.
(Rispito) Se o Dr. for escolhido como presidente da republica o Dr consegue ser o garante da estabilidade e ter capacidades de estabilizar o país?

(T. Djaló) Capacidade eu acho que todos temos, mas acho que não podemos mudar uma sociedade de um dia para outro, embora há que ter sensibilizações e persistência para podermos mudar as mentalidades por formas a podermos ter a paz que é fundamental para qualquer actividade que queremos desenvolver no país.
Portanto nós temos que estar a altura desses desafios e compreender a preocupações da nossa sociedade. Isso para querer dizer que se não me sentisse a altura não me avançaria com esse projecto... É preciso evocar o nosso espírito de patriotismo para encontrarmos as formas e os mecanismos mais adequados para normal funcionamento do aparelho do estado isso depende da capacidade da pessoa de dialogar e convencer e não de vangloriar com arrogâncias de ser o dono do país ainad com rabo de palha e de não ter autoridade nem de poder exigir nada. 
São esses princípios que tenho em mente e de não recuar perante o que é fundamental.

(Rispito) Estando na presidência da republica, o Dr consegue ter um coração suficiente de aturar tanta pressão politica e social durante os 5 anos de mandato?

(T. Djaló) Haverá sim... A calma é aparente pois o país é que precisa de ajustamento não o próprio Presidente... O Presidente serve do apaziguador um homem de equilibrar e não estar aí a sacudir o coqueiro.
O país está muito abalado e é preciso pessoa calma para acalmar e mudar as coisas de maneira eficaz, e não um Presidente que estaria aí feito um bombeiro pi-romano ou agitado a correr de um lado a outro para apagar fogo.
A natureza humana é feita assim, eu não sou uma pessoa de caráter muita agitada mas sou muito persistente, nunca escolhi o facilitismo na minha vida sempre deparei com grandes desafios sou homem que exerço e invisto muito por causa e é isso é que dá sentido ao nosso combate... E eu dou tudo para o meu país.

(Rispito) Qual será a sua estratégia politica de migração e no intensivo para captação dos intelectuais necessários?

(T. Djaló) E deixar tudo avançar e cada um faz o seu, pois o país é todo nosso e ninguém deve esperar tudo feito e resolvida para chegar depois. É verdade que os riscos são inerentes e a vida é feita de riscos e vazios que cada quadro deve compreender. 
É natural que também não se pode pedir alguém para ir suicidar-se. Por isso mesmo é que nós na presidência vamos trabalhar para que haja segurança possível que garanta uma vida sem grades riscos para quem queira voltar e contribuir para o país possa voltar. 
Todos os que me conhecem sabem de que onde eu estou os quadros são muito valorizados e são muito desejados nos processos do desenvolvimento e não de olhar para quem quer que seja como indesejado ou como ameaça tal como agora acontece

(Rispito) Qual é a seu projecto para a paz

(T. Djaló) Eu sempre disse para que haja paz unidade e uma verdadeira reconciliação é preciso par os que estão em frente saibam e estejam preparadas para mobilizar o país no seu todo em torno da unidade nacional e não de se limitar a num grupo.
E a paz requer que cada cidadão seja dada a mesma oportunidade de acordo com as suas

aspirações e o seu mérito e as suas capacidades em função da sua origem porque este é um país que depende de todos, nada de monopoliza-lo por um grupo restrito de pessoas.A necessidade de dar oportunidade a cada um de nós é o facto primeira para que haja paz. Porque a paz não se decreta mas sim um algo que se faz de concreto, fruto de uma vivência ou uma pratica de cada dia que mostra que afinal cada guineense tem os mesmos direitos... Sem subdivisão do país em classes: guineense de primeira e guineense de segunda.

(Rispito) Para as considerações finais o microfone ao seu dispor

(T. Djaló) Estamos a preparar para fazermos destas eleições de uma mudança, pois a Guiné não deve falhar dessa viragem. Cada país tem os seus momentos históricos marcantes e nós este é o momento crucial da nossa história.Embora o calendário está apertado, mas... _Mais meses ou menos meses lá vamos chegar, o importante é que todos se mobilizem numa pertença única e de que a Guiné-Bissau é de todos nós.
Todos os compatriotas de fora ou de dentro que tenham esta oportunidade como o momento de mais grande viragem e que merece a contribuição de todos com esperança de que isso vai mudar... Eis a razão do lema do nosso movimento de candidatura  NOVA ESPERANÇA para a Guiné-Bissau.
Viva a Guiné-Bissau
Viva o povo guineense


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