domingo, 6 de novembro de 2016

Manifestantes pedem novas eleições e o consenso entre políticos na incerteza 

Apesar da ordem do Governo para cancelar a manifestação convocada pelo Movimento de Cidadãos Conscientes e Inconformados, centenas de pessoas manifestaram-se este sábado (05.11) a favor de novas eleições legislativas.

Centenas de pessoas manifestaram-se durante a manhã deste sábado (05.11) na Avenida Amílcar Cabral, em Bissau. Gritando palavras de ordem contra o Presidente da República, José Mário Vaz, os manifestantes exigiram a convocação de eleições legislativas antecipadas, para acabar com a crise política no país, que se arrasta há 15 meses.
Sana Canté, presidente do Movimento de Cidadãos Conscientes e Inconformados (MCCI), organização que convocou a manifestação, defende que José Mário Vaz deve dissolver o Parlamento e realizar novas eleições e considera que o sistema está “bloqueado”.

Polícias e militares formaram um cordão que impediu o acesso dos manifestantes à Praça dos Heróis Nacionais e ao Palácio da Presidência. Durante a manhã, aconteceram alguns momentos de tensão entre ambas as partes, com a polícia a afastar manifestantes com gás lacrimogéneo, num protesto que aconteceu, de resto, de forma pacífica.
Para além do MCCI, associaram-se a esta manifestação o movimento “Minjderis di Guiné No Lanta” (Mulheres da Guiné-Bissau levantemo-nos) e a associação Cidadãos do Mundo, que tem defendido que o país deve ter uma gestão transitória da Organização das Nações Unidas (ONU).
Os manifestantes gritaram “Basta, Jomav”, nome pelo qual o Presidente é conhecido enquanto empresário, depois de no carro de som que acompanhava a manifestação ter sido relembrada uma das intervenções do atual Presidente durante a sua campanha em 2014, onde prometia quatro anos de estabilidade política para a Guiné-Bissau.

Um ano depois de subir à presidência da República, demitiu o Governo, criando uma crise política da qual o país ainda não conseguiu sair.
"Presidente rua, Presidente rua; o povo não é lixo e abaixo a ditadura" serviu como mote à manifestação da manhã do passado sábado (05.11).
Alguns dos manifestantes começaram a dispersar ao início da tarde, enquanto outros prometeram continuar cara a cara com o cordão policial. Um protesto aconteceu contra vontade do Governo.

Na sexta-feira (04.11), o Governo da Guiné-Bissau ordenou o cancelamento da manifestação convocada pelo MCCI.
Em comunicado, o secretário de Estado da Ordem Pública, Marcelino Cabral, invoca, entre outras razões, a visita da Presidente da Libéria e da Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), Ellen Johnson, como um dos motivos para esta ordem de cancelamento e a realização de uma manifestação pró-Presidente, também no centro da capital guineense.
A manifestação aconteceu, ainda assim. Lesmes Monteiro, da direção do MCCI, garantiu na sexta-feira que a manifestação iria ter lugar a qualquer custo e afirmou que ninguém notificou a organização. “Temos autorização da Câmara Municipal e a promessa do Ministério do Interior em como irá garantir a segurança da nossa manifestação, pelo que vamos continuar com a nossa iniciativa”, disse à agência Lusa.
A visita da comitiva da CEDEAO liderada por Johnson realizo-se no âmbito das negociações com vista a ultrapassar a crise político-institucional do país, na sequência dos acordos de Bissau e de Conacri. A comitiva vai reunir com o Presidente da Guiné-Bissau e com outros dirigentes, para tentar encontrar uma solução para a crise no país.

A delegação chefiada por Ellen Johnson, a Presidente da Libéria, manteve neste sábado (05.11) vários encontros em Bissau sem conseguir encontrar uma solução ou reunir consensos entre PAIGC, PRS, grupo dos quinze deputados dissidentes do PAIGC, Assembleia Nacional Popular e o próprio governo. 
As divergências persistem e não há luz no fundo de túnel que consiga tirar o país do impasse que perdura há mais de um ano.
O PAIGC, vencedor das eleições legislativas com maioria absoluta, mas que expulsou 15 dos 57 deputados eleitos, continua a exigir que o Presidente lhe devolva o poder. 
O PRS, segunda força política mais votada nas eleições legislativas e que suporta o atual Governo de Baciro Djá, quer que seja nomeada uma nova figura para o cargo do
primeiro-ministro, tendo em conta a nova maioria parlamentar formada entre o partido e o grupo dos quinze deputados dissidentes do PAIGC.
Por seu lado, Baciro Djá, atual primeiro-ministro, entende que o seu Governo tem maioria parlamentar e que, por isso, deve continuar no Governo.
O impasse e a crise política continuam, e o país segue com greves a acontecer em vários setores da economia, sobretudo na saúde e educação, provocando uma grande agitação social no país.
Rispito.com/DW, 05-11-2016

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