quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Políticos em divergências na indicação de primeiro-ministro

Ainda não foi desta que as partes divergentes conseguiram chegar a um acordo que ponha termo à crise política que, há já algum tempo, grassa na Guiné-Bissau. O país continua paralisado à espera das saídas para a crise, enquanto os políticos se vão digladiando, tentando, cada um a seu modo, fazer passar as suas teses.

Os acordos assinados há cerca de duas semanas na capital da Guiné Conacri parecem apresentar algumas incongruências que, em princípio, tornam praticamente inviável a sua execução, sobretudo no aspecto concernente à figura que deverá liderar o governo de inclusão a ser formado em breve com base nos postulados de Conacri, que no fundo representa uma das partes mais nevrálgicas dos acordos.
Contrariamente ao que se esperava, à luz dos acordos de Conacri, os poderes  atribuídos ao Presidente José Mário Vaz parecem ter contribuído para o extremar de posições entre as partes envolvidas no processo, deixando indiciar um eventual retorno do processo à fase inicial, com o Chefe de Estado a aparecer como o principal culpado.
Fontes geralmente bem informadas mostram a grande complexidade do processo guineense, onde o factor homem aparece como a principal causa do “desaire” político que exige muito mais de todos os intervenientes no processo, sem desprimor para as interferências externas que gravitam à volta da Guiné-Bissau, em defesa dos seus interesses.
Os resultados de um círculo de conferências regionais sobre a reconciliação nacional levada a cabo em meados do ano em curso na Guiné-Bissau, tornados públicos pelos escritórios das Nações Unidas no país, apontam a corrupção e a falta de ética na política como um dos principais travões para o desenvolvimento da Guiné-Bissau. Na sua declaração, a ONU aponta igualmente o egoísmo e a falta de tolerância como uma das principais preocupação do país. Isso para dizer que qualquer que venha a ser a solução para a crise política em curso na Guiné-Bissau, a mesma tem inevitavelmente que passar por estudos aprofundados sobre a situação no país, passando pela formulação de um modelo adequado de reconciliação, sustentado por um diálogo franco, aberto e transparente e perdoar as mágoas do passado.
Ao atribuir ao Presidente José Mário Vaz poderes excepcionais para a escolha das três individualidades que iriam disputar a liderança do poder executivo e com poderes de decisão para determinar a pessoa certa que deve ou não ocupar o cargo, o Presidente Alpha Condé pode ter falhado por excesso de zelo ou mesmo confiança.
E as razões para tais afirmações são sobejamente conhecidas por todos, quer seja a nível da Guiné- Bissau como da comunidade internacional e dispensam aqui qualquer tipo de apresentações.
O impasse registado na ronda negocial que, durante cerca de duas semanas, decorreu em Conacri, terá, na opinião de muitos, ditado a assinatura dos acordos no formato em que o mesmo foi feito. O PAIGC, a maior força política da Guiné-Bissau, e o PRS, a segunda maior força política da oposição, partidos com assento parlamentar, representantes da sociedade civil, igrejas e da comunidade internacional representadas em Bissau, não conseguiram chegar a um consenso após uma moratória de duas semanas de negociações.
Em função dos poderes que lhe foram consagrados, o Presidente José Mário Vaz assumiu a responsabilidade de indicar, através do “consenso” (as aspas são propositadas), todas as forças envolvidas no diálogo, três individualidades que, em princípio, um deveria ser escolhido, também por consenso, para ocupar o tão disputado cargo. O  PAIGC defendeu numa carta tornada pública no fim de semana passado em Bissau, que, nos acordos de Conacri, ficou decidido, por consenso, o nome da individualidade que, em princípio, deve ocupar o cargo e que aguardam apenas pela decisão do Chefe de Estado para o tornar público.
O partido liderado por Domingos Simões Pereira acusou o Presidente José Mário Vaz de minimizar a decisão do PAIGC e aliados, dando início a uma ronda de consultas para procura de uma individualidade que, segundo acusa a maior força política guineense, corresponda aos seus interesses.
Mas essas acusações do PAIGC foram desmentidas tanto pelo PRS como pelo PND. Iaia Djalo, líder do Partido Nacional para o Desenvolvimento (PND), que ocupa igualmente a função de conselheiro do Presidente José Mário Vaz, negou que tenha sido acordado, na reunião de Conacri, uma  proposta de indicação de três nomes para liderar o próximo executivo até ao final da presente legislatura.
“Não foi assinado nenhum documento em Conacri, ou qualquer acordo que preveja a nomeação de um Governo de transição e o consequente primeiro-ministro para conduzir os próximos meses, bem dizer, até ao final da actual legislatura”, afirmou Iaia Djalo.
Posicionamento idêntico foi assumido pelo secretário-geral do PRS, Florentino Mendes, que negou igualmente ter havido algum consenso em relação ao nome da pessoa que vai liderar o governo inclusivo, para que o país possa sair da crise política. 

As  consultas  foram suspensas no final da semana passada com tenções ainda mais endurecidas entre os atores da vida politica. Perante ideia clara de um descontrolo total do presidente da republica, do seu papel fundamental de garante da estabilidade e de normal funcionamentos das instituições.

Guiné-Bissau está mais uma vez perante uma legislatura falhada e a imagem dum presidente de republica com interpretações difusa e por muitos, mal vista.
Rispito.com/Jornal de Angola

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