quinta-feira, 21 de junho de 2018

JOSÉ MÁRIO VAZ - ENTREVISTA

No completar do seu quarto ano de mandato, o Presidente guineense justifica nomeação de sete primeiros-ministros com defesa de interesses do povo.
Para José Mário Vaz, foi preciso nomear sete primeiros-ministros durante os seus quatro anos de mandato porque os diferentes governos "não foram capazes" de responder às necessidades da população.

"O Presidente decide sempre atendendo às necessidades do seu povo. Eu senti que os diferentes Governos, os diferentes primeiros-ministros que foram nomeados não foram capazes de atender às necessidades do nosso povo", afirmou José Mário Vaz durante uma entrevista conjunta a vários órgãos de comunicação social.

Na entrevista, a primeira dada em quatro anos de mandato, que se assinalam a 23 de junho, José Mário Vaz disse que "foi obrigado" a tomar aquela decisão, que não foi de "ânimo leve", mas tendo em conta os interesses do país.

"Alguém pode dizer de que não podia ter feito, mas quando os interesses do país falam mais alto somos obrigados de facto a tomar estas decisões", sublinhou.

Desde as eleições gerais, realizadas em 2014, o Presidente guineense nomeou sete primeiros-ministros (um dos quais duas vezes).

A Guiné-Bissau viveu até recentemente um grave impasse político, que levou à intervenção da comunidade internacional, acabando com a imposição de sanções a 19 individualidades do país pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).

Questionado pelos jornalistas sobre as razões pelas quais nunca dissolveu o parlamento, José Mário Vaz invocou o seu legado.

"Desde 1994 nenhuma legislatura chegou ao fim, nunca um Presidente da República cumpriu o seu mandato. Nessas condições, pesei prós e contras e dissolver ou manter o parlamento, tal como estamos a assistir hoje. Constatei que o custo de dissolver o parlamento era muito pesado para a Guiné-Bissau porque iria implicar muita coisa, desde eleições antecipadas, financiamento, e como o benefício de manter o parlamento era melhor para o país, mantive o parlamento até hoje", afirmou.

Sobre alegadas divergências que tem com o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), vencedor das legislativas de 2014 e partido que o apoiou para a sua eleição nas presidenciais, José Mário Vaz disse não existir nenhuma.

"Não posso de forma alguma aceitar que tenho divergência com o meu partido. Nunca poderia ter porque estou sentado nesta cadeira hoje, a cadeira da Presidência da República, graças ao meu partido. Graças ao povo guineense", disse.

Em relação a Domingos Simões Pereira, presidente do PAIGC, e que foi o primeiro chefe de Governo a ser demitido por José Mário Vaz em 2015, o Presidente esclareceu que não existe qualquer problema.

"Trabalhamos para o bem da Guiné-Bissau, para o bem do nosso povo", disse.

Questionado sobre se vai trabalhar com Domingos Simões Pereira, caso o PAIGC vença as eleições legislativas de novembro e volte a ser indicado para primeiro-ministro, José Mário Vaz sublinhou que não tem preferências.

"Somos obrigados a trabalhar juntos para o futuro do nosso país. Aprendemos muito com o passado, para mim que ganhe o melhor, que ganhe a pessoa que os guineenses têm confiança para dirigir os destinos do nosso país, eu como Presidente da República estou aqui para trabalhar com todos, sem nenhuma preferência", afirmou.

Na entrevista, José Mário Vaz explicou também que não sentiu qualquer pressão da comunidade internacional para resolver o impasse político na Guiné-Bissau e sublinhou que foram os guineenses que chegaram a um consenso.

"Tudo isto foi construído, sem sombra de dúvida, a partir de nós mesmos. Nós, os guineenses, conseguimos dialogar. Conseguimos por de lado tudo o que nos detinha naquele momento e através de algumas figuras importantes, do bispo de Bissau, das mulheres facilitadoras e da sociedade civil, todo o mundo participou para que nós pudéssemos encontrar esta solução”, disse.

“Não foi a comunidade internacional, foi a iniciativa dos guineenses e estamos felizes com essa iniciativa e hoje estamos na posição em que estamos graças à iniciativa do guineense", acrescentou o chefe de Estado.

Sobre a sua recandidatura às presidenciais, José Mário Vaz remeteu uma decisão para depois das eleições legislativas, previstas para 18 de novembro.

Até lá, o Presidente quer todos os guineenses empenhados para que as eleições tenham lugar na data prevista e sem qualquer problema.
Rispito.com/Lusa, 21-06-2018

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