domingo, 26 de agosto de 2018

ENTREVISTA EXCLUSIVA COM BRAIMA CAMARA

Numa altura em que o país vive com espetativas de mais um ato eleitoral marcado, mas com uma levada duvida na sua materialização, devido falta de meios próprios e as promessas tardam a chegar.

Rispito.com e a Radio Rispito Online, convidou o coordenador da recente formação politica MADEM-G15, na pessoa do Braima Camará, para uma entrevista exclusiva. Objetivado em saber e partilhar as principais razões que motivaram a criação do Movimento para a Alternância Democrática.

Uma entrevista que sempre pode acompanhar em detalhe no youtube, basta clicar aqui.


Rispito.com/Radio Rispito Online - Acabam de lançar uma campanha nacional de militância de MADEM-G5, o que isso representa?

Braima Camara - Isso é força de vontade popular... uma manifestação da força da vontade popular. Em suma, não é nada mais nada menos do que a demonstração da força da vontade dos guineenses. Na pressão da maioria dos jovens, ou a maioria da juventude da Guiné-Bissau, nós não conseguimos resistir as suas tentações, incluindo a maioria do povo guineense.
Tudo fazemos para que pudesse haver reconciliação dentro do PAIGC, mas a direção atual do partido se enveredou ao caminho de radicalismo, ausência de tolerância, uma dose elevada de arrogância. O que nos acabou de levar na tomada de decisão de criamos o Movimento de Alternânca Democrática.

Esse movimento que agora está numa onda crescente todos os dias. Em que todos os cidadãos dentro e fora do país, facilmente podem constatar claramente de que é uma força popular que veio trazer a mudança almejada.

Rispito.com/RRO - Braima  Camará, enquanto empresário de sucesso na Guiné-Bissau, o que lhe moveu na opção de decidir encarar a politica de vida ativa?

BC - Olha, eu sou um simples homem guineense... A liberdade do meu povo, a paz e estabilidade do meu povo, o desenvolvimento do meu povo, sobrepõem aos meus
interesses pessoais.

O que é que seria de mim sem uma Guiné-Bissau desenvolvida? 
O que seria de mim sem uma Guiné-Bissau em paz?  
O que seria de mim sem uma Guiné-Bissau livre? 
O que é que seria de mim com uma Guiné-Bissau sem juventude formada para um futuro muito bem preparado? 
O que seria de mim sem uma Guiné-Bissau com os combatente de Liberdade da Pátria terem uma vida condigna e uma assistência medica e medicamentosa garantida? 
O que seria de mim com uma Guiné-Bissau sem agua, luz e hospitais... Sem infraestruturas, sem educação, sem saude e uma agricultura mecanizada?

Eu não me podia conformar só com o meu conforto pessoal deixando Guiné-Bissau a deriva.
Por isso é que eu me decidi sacrificar, tal como fez Amílcar Cabral. Sacrificando o meu conforto pessoal em detrimento da maioria do povo da Guiné-Bissau.
E com isso não estou arrependido, antes pelo contrario estou orgulhoso, porque a minha convicção e a razão da minha luta é de trazer a paz e a estabilidade para o meu povo.

Rispito.com/RRO - MADEM - G15 se formou pela ineficácia politica da Guiné-Bissau? ou pelo fracasso do PAIGC? ou então pela impossibilidade do grupo dos 15 e apointes ja mais poderem voltar ao partido?

BC - É consequência da ditadura dentro do PAIGC... é consequência da violação dos estatutos do PAIGC... é consequência da ausência da democracia interna e o respeito escrupuloso dos estatutos de PAIGC.
Nós somos do PAIGC e a minha razão de luta não é combater o PAIGC, mas sim combater essa actual direção, seus seguidores e toda a sua comparsa.

Estamos determinados porque nós queremos constituir uma verdadeira alterntiva para que possamos traduzir na pratica aquele que foi sempre o verdaddeiro sonho dos Combatentes de Liberdade de Pátria. E sendo seguidor dos Combatenes da Liberdade de Pátria a minha luta será uma luta eterna e consistente ate que eu me consiga trazer na prática a razão da luta para a libertação nacional da Guiné-Bissau.


Rispito.com/RRO - Baciro Djá era um dos elementos importante dos 15, hoje não faz parte do grupo inclusive já tem um partido legalizado. Na sua ultima aparição ao publico disse que, se os 15 tem mãe ele é o pai, mas hoje esta onde a sua consciência não é violentada.
Quer comentar isso?


BC - Eu quero comentar o futuro do nosso projeto politico, o Movimento para a Alternância Democrática. Os verdadeiros homens, verdadeiros combatentes, pessoas  importantes e dignas, são esses é que eu estou a contar no seio do movimento... a vida está feita de encontros e desencontros.
Eu não me preocupo com as pessoas que não estão no grupo, aliás, hoje não temos o grupo dos 15, o que temos sim é o Movimento para a Alternância Democrática. Onde temos um conjunto de Combatentes de Liberdade da Pátria, um conjunto de mulheres com convicção, determinação e personalidade. Um conjunto de jovens com ambição de ter uma Guiné-Bissau prospera, pacifica e desenvolvida.
Neste momento nós estamos preocupados com o caso de recenseamento e as eleições. Isto é que nos intressa, do resto nós não queremos perder o tempo com as pessoas que não fazem parte do nosso projeto politico. Cada qual por si e Deus por todos.

Rispito.com/RRO - Há quem diga que o emblema do MADEM-G15 é confundível com o do PAIGC ou praticamente cópia deste que poderá causar o eleitorado nas suas decisões de voto.
Como pode explicar isso?

BC - Isso revela uma certa ignorância de quem pensa assim. Porque se de facto existe na verdade algo que possa confundir é sim a bandeira do PAIGC e a bandeira da republica da Guiné-Bissau.
Se há alguma coisa para se questionar neste aspeto de bandeiras dos partidos, tem que ser com o PAIGC, que ate hoje não conseguiu ter a sua própria bandeira. Tem sua bandeira igualzinho à do estado e da republica da Guiné-Bissau. 
Por isso eu não faço esta comparação e nem me passa pela cabeça. Até porque a bandeira do MADEM-15 tem duas frutas de caju, tem dois ramos de arroz. Portanto não tem absolutamente nada a ver com a do PAIGC.

Se alguém está desesperada ou frustrado com a afirmação do Movimento para a Alternância Democrática que arranja outros argumentos, porque esse argumento não pega.


Rispito.com/RRO - Neste momento temos 45 partidos legalizados, e há quem diga que o numero crescente dos partidos afigura-se como obstáculo na procura do reencontro dos guineenses, na medida em que cada cidadão será adversário até inimigo do outro na procura de ser fiel e defensor do seu partido.
Enquanto politico o que pode ser o seu comentário  no que se toca a necessidade de unidade nacional, face a esse elevado numero de formações politicas?


BC - Na minha apreciação, isso não passa de rivalidade democrática...
Para mim, apariçao de muitas formações politicas isso não constitui problema. O que constitui problema é grande numero de partidos que se afigura so no papel depositado no Supremo Tribunal de Justiça, quando na pratica da vida politica na Guiné-Bissau esses partidos não existem.
Eu não vim na politica para caprichos... Humildemente, eu me conheço e sei quais são as minhas faculdades. Sou homem de sector privado, fiz toda a minha carreira no sector privado, onde consegui consolidar e afirmar-me um grande empresário,  tanto a nível interno como a nível externo. Fui fundador da confederação empresarial de CPLP a nível dos Palop's.
Portanto, eu não vivo da politica, eu estou na politica para ajudar o meu povo, por isso é que nunca radicalizei.
Fui para o Congresso de Cacheu, ganhei o congresso, roubaram-me no resulto e eu nunca pronunciei uma única palavra. Sempre tive a humildade, bom senso e tolerância, para provar as pessoas de que a politica é um exercício nobre, portanto, nós não tínhamos que chegar aos extremos.
Eu estou tranquilo e a fazer a minha vida normal, estou neste processo porque na verdade temos todas as condições para contribuir enquanto cidadãos democráticos para trazer uma nova visão, nova forma de estar e de fazer a politica. Por isso é que nós queremos ter uma força alternativa, uma força democrática, que é para trazer uma nova visão, uma nova forma de estar e de fazer politica na Guiné-Bissau. E eu tenho profunda convicção, com esta aparição do MADEM-G15 o xadrez politica na Guiné-Bissau vai mudar pela positiva.

Rispito.com/RRO - O MADEM vai concorrer em todos os círculos eleitorais do país e também dos círculos de África e da Europa?

BC - Sem dúvidas... O povo é quem mais ordena. Quando o povo quer, não há nenhuma outra força que resiste. Eu já lhe disse a trás, que o surgimento do Movimento para a Alternância Democrática é a consequência da pressão popular. É um movimento do povo, para o povo.
Estamos a trabalhar, estamos determinados e eu estou profundamente convicto de que nós temos todas as condições. Com esta onda crescente, quer na África, Europa, Ásia, América e em todas as outras paragens, tenho profunda convicção de que vamos concorrer em todos os círculos eleitorais. E o nosso propósito não é nada mais, nada menos que ganhar as eleições legislativas com maioria absoluta... com muita humildade. 

É a minha convicção, é a minha fé, porque o povo é quem mais ordena na democracia. E o meu sentimento é que a maioria do povo guineense está neste momento ao lado do Movimento para a Alternância Democrática, porque o povo está cansado.
O povo da Guiné-Bissau está muito cansado  de conjunto de promessas eleitorais que nunca se materializaram. Por isso que não há outra forma, não há outra alternativa a não ser a vitória do MADEM, Movimento para a Alternância Democrática com maioria absoluta nas próximas eleições legislativas.

Rispito.com/RRO - Gostava de saber qual é alinhamento de MADEM-15 (Esquerda, Direita, Centro, Centro Esquerda, Centro Direita ou os verdes e etc..)?

BC - Centro de esquerda, somos do povo... Há espaço para todos, nós estamos abertos para receber toda a gente, todo o mundo.
MADEM-G15 é um partido do povo, um partido de massas, um partido centro de esquerda. Toda a gente que quer participar ativamente no processo politico da Guiné-Bissau, toda a gente que quer participar na democracia interna, têm no Movimento para a Alternância Democrática um espaço para exprimirem livremente, para darem as suas contribuições livremente. Daí é que nós achamos que o povo compreendeu a nossa mensagem. Não é por a caso que temos assistido cada dia que passa uma onda crescente de aderência em toda a parte. Neste momento quero-lhe assegurar de que até as próximas eleições temos todas as condições de conseguir  assinar o cartão numero duzentos e cinquenta mil militantes e membros de MADEM.
É inédito, é histórico, conforme os nossos feitos têm acontecidos até a data presente... Que culminou hoje, ficando provado de que realmente o nosso movimento é sim, um movimento popular. Um movimento de povo para povo.

Rispito.com/RRO - Se MADEM-G15 for ganhador das legislativas, qual ou quais serão as principais ações prioritárias?

BC - É... Em primeiro lugar, materializar essa confiança que o povo tem a volta do MADEM...Trazer a paz, a reconciliação e a unidade nacional, no seu verdadeiro sentido da palavra. Depois para implementar na pratica aquilo que nós temos como sete eixos para a nossa governação.

Primeiro Eixo: consolidação do factor energético na Guiné-Bissau. Tornar a energia um algo vulgar, um algo comum para toda a gente na Guiné-Bissau. Todas as tabancas e centros urbanos, toda a parte, para termos energia como água de dia-a-dia para nós.
Nós não podemos falar do desenvolvimento hoje em dia, no pleno seculo XXI com carrencia energetica. Portanto, o meu primeiro eixo será factor de energia.

Segundo eixo: Educação. Que é para preparar o futuro da juventude.
Preparar a tecnologia, porque hoje em dia,  com a globalização do mundo é cada vez mais competitivo. Um mundo globalizado impõe que os nossos jovens sejam preparados para os desafios do futuro.

Terceiro eixo: Saúde. Criar  infraestruturas sanitárias a nível nacional com hospitais de referencia. Criar centros de saúde em todas as cidades, em todos os bairros e todos os círculos eleitorais. Para que cada circulo eleitoral, cada secção possa ter centro de saúde devidamente equipado que possa estar a altura de responder as  primeiras exigências medica e medicamentosa das populações.

Quarto eixo: Agricultura. Dizia o nosso saudoso líder Amílcar Lopes Cabral de a agricultura era a base da nossa economia.
Sendo um país com chuva abundante, solo muito fértil, nós temos que criar as condições para que possamos mecanizar a nossa agricultura. Daí é que elegemos a agricultura como o nosso quarto eixo

Quinto eixo: Tem a ver efetivamente, com a industrialização e transformação.
Nós não podemos criar condições para mecanizar a nossa agricultura sem pensarmos em criar também condições para transformar esses produtos agrícolas. Daí e que elegemos como o nosso quinto eixo a industrialização e transformação dos nossos produtos.

Sexto eixo: Infraestruturas. Temos que infraestruturar o nosso país... Edifícios em condições, pontes em condições, estradas e barragens.
Temos que infraestruturar o nosso país para que possa estar a altura de um país considerado de um sonho que um dia Amílcar Cabral sonhou.

Sétimo e ultimo eixo: Tem a ver com a modernização do Estado. Fazer reforma do aparelho do estado, reforma da administração publica.
Quando falo da reforma e modernização do estado, temos que ter forças de defesa e de segurança a altura. Com forças armadas completamente republicanas, e, também uma administração publica eficiente.
Criar condições para os tribunais. Para que os atores judiciais possam estar a altura de exercerem as suas atividades. Que os magistrados possam trabalhar com dignidade e para que os tribunais possam ter todas as condições de equipamento a altura de poderem fazer justiça sã e célere.

Portanto, são esses sete eixos principais que nós escolhemos como prioridades da nossa governação.


Rispito.com/RRO - A nossa administração publica está completamente politizada. Qual é a politica contribuinte do MADEM seja no governo ou na oposição para banir este factor estrangulante do desenvolvimento da administração publica da Guiné-Bissau?

BC - Isso insere-se no quadro do nosso sétimo eixo, naquilo que elegemos como reforma da administração publica. Para fomentar e incentivar a "meritocracia". Ninguém pode subir na administração publica na governação do MADEM só por ser amigo, família, irmão ou compadrio do Braima Camará, o coordenador nacional do Movimento para a Alternância Democrática. É dar a oportunidade, dar a razão a quem eles la tiverem.
É estar a nossa forma de estar e é esta a nossa visão... Até porque eu vim do sector privado, onde nós sempre damos primazia a justiça em função de cada homem de acordo com o resultado e a capacidade de resposta que cada um possa trazer para o projeto.
Daí que neste aspeto, nós estamos completamente a vontade. Isso não constitui qualquer problema para nós.
É fazer uma coisa justa, livre, transparente e igualdade de oportunidade para todos. Não há  aqui privilegiados.

Obrigado meu caro amigo.

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