domingo, 3 de março de 2019

Guineenses querem acreditar que é desta que a estabilidade chega

Com mais umas eleições no horizonte, os guineenses, em Lisboa, querem acreditar que será desta que o país encontra o rumo para a estabilidade, porque, adiantam, o povo já "sofreu muito" e precisa “de normalidade".
Image result for Guineenses recenseadosAcabado de chegar a Lisboa, Jorge Cafuca Banda, um funcionário do Ministério das Finanças guineense, não vai votar nas eleições legislativas marcadas para 10 de março.

Em declarações à agência Lusa, nas imediações da representação diplomática da Guiné-Bissau em Lisboa, explica que não conseguiu antecipar o voto antes de sair do país e que só regressará já depois das eleições.
Ainda assim, não tem dúvidas de que a solução para a Guiné-Bissau "passa necessariamente" pelo escrutínio do próximo fim de semana.
"Temos de voltar à normalidade e com isso [eleições] penso que o país estará em condições de sair da situação em que se encontra", diz.

A Guiné-Bissau vive uma crise política desde a demissão, pelo Presidente guineense, José Mário Vaz, do Governo liderado pelo primeiro-ministro Domingos Simões Pereira, do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC, vencedor das legislativas de 2014), em agosto de 2015.
Desde então o país já teve sete chefes de Governo, tendo em abril sido alcançado consenso para a nomeação de Aristides Gomes como primeiro-ministro com o objetivo de organizar eleições legislativas a 18 de novembro, posteriormente adiadas devido a dificuldades financeiras e técnicas, que atrasaram o início do recenseamento eleitoral.

Jorge Banda acredita que "desta vez será diferente", diz que tem esperança numa solução e, sobretudo, quer "pensar positivo".
"Os guineenses estão mentalizados que não têm nada a ganhar [com a instabilidade] e que o país precisa de mãos dadas para sair da situação que está a viver", diz.

Para Flaviano Fonseca, 49 anos, a viver há 31 anos em Portugal, a hora é "de mudança".
Este guineense, que desde que chegou a Portugal nunca mais regressou à Guiné-Bissau, faz por isso, questão de votar no domingo.
"Pelo que tenho acompanhado e pela ação dos partidos, acho que desta vez vai ser diferente. O povo já sofreu muito e os atuais governantes não estão a fazer nada. É preciso mudança", diz.
"É preciso começar do zero. 45 anos de independência foi tudo em vão. Desta vez queremos mudança, o povo já sentiu na pele e alguma coisa vai mudar", acrescentou.

Em sentido oposto, Arcádia Paulo, 31 anos, faz questão de afirmar a sua descrença na política e nos políticos.
"Não me recenseei e não vou votar porque há muita coisa na minha terra de que não gosto. Os políticos na minha terra só se importam com os interesses deles não se importam com os interesses da população", considera.

Numa resposta rápida, diz não acreditar que as eleições vão mudar alguma coisa no país, mas depois de ponderar um pouco, admite que "se calhar até pode ser diferente" porque "Domingos Simões Pereira (líder do PAIGC) tem muita ilusão e quer fazer alguma coisa na Guiné-Bissau".

Arcádia veio da Guiné-Bissau, onde deixou o "filho pequeno", há um mês para tratamentos em Portugal e garante que depois vai procurar trabalho.
"Emigramos muito porque não há estabilidade na nossa terra", lamenta.

Ludmila Pina Costa, 36 anos, enfermeira, vive em Portugal "há menos de um ano", está recenseada e faz questão de votar.
Espera "uma eleição melhor" e defende que depois de ter passado "por tanta coisa" a única escolha para a Guiné-Bissau é as eleições legislativas correrem bem.
"Espero alguém capaz de levar o país para a frente. O país já passou por muita coisa má. Rezo todos os dias para que Deus inspire os políticos para que sejam homens de paz e pensem no povo", diz.
"Mas, a maioria dos políticos não pensa no povo", lamenta.

Estão inscritos para votar nas eleições legislativas de 10 de março 761.676 eleitores, 2.143 dos quais em Portugal.
Rispito.com/Lusa, 03-03-19

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