sexta-feira, 1 de novembro de 2019

 José Mário Vaz persiste e desafia a comunidade internacional

O presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, nomeou nesta quinta-feira (31 de Outubro) um novo governo, continuando a desafiar a comunidade internacional, que recusa a demissão do governo anterior.

José Mário Vaz persiste em assinar decretos, agora o país em estado de crise política cronica e alimentando incertezas quanto à realização das eleições presidenciais na data prevista para 24 de Novembro. 
Guiné-Bissau, na verdade, agora tem dois governos a partir desta quinta-feira, o demitido nesta semana pelo presidente que se recusou a ceder e o acabado de empossar.

A incerteza reina em Bissau após a demissão do governo Gomes pelo presidente José Mário Vaz na segunda-feira (28 de Outubro), considerada ilegal pela CEDEAO. Vincent Foucher, especialista na Guiné-Bissau, descriptografa as consequências desse novo levante, menos de um mês antes das eleições presidenciais de 24 de novembro. 

A Guiné-Bissau agora tem dois primeiros ministros? Na segunda-feira, José Mário Vaz demitiu Aristides Gomes, chefe de governo para organizar as eleições presidenciais em 24 de Novembro, anunciando no dia seguinte a nomeação de Faustino Imbali para sucedê-lo.

Mais de vinte e quatro horas após a publicação deste decreto, muito criticada, Aristides Gomes ainda está no cargo e argumenta o apoio que lhe deu na terça-feira a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que denunciou com veemência a "ilegalidade" da decisão de José Mário Vaz.

Em junho passado, a organização regional, mediadora da crise política, confiou a administração do país ao governo de Aristides Gomes e manteve o presidente, candidato independente para um segundo mandato, até a eleição presidencial

 "A decisão do Presidente Vaz de demitir o governo parece difícil de defender"
Depois de afastar o governo de Gomes com efeito imediato na noite de segunda-feira e nomear terça-feira o novo primeiro-ministro Faustino Imbali, o presidente segue com mais um decreto na quinta-feira indicando 17 ministros e 14 secretários de Estado. Muitos membros já haviam servido no governo de transição após o golpe de 2012.

O mandato de José Mário Vaz expirou em junho, mas a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), mediadora da crise, concordou em permanecer-lo no cargo até presidencial, com poderes limitados e d não emitir decretos. 
Neste momento, na qualidade de um candidato para sua própria sucessão emitiu vários decretos.

Suas ações foram fortemente negadas pela CEDEAO, pelas Nações Unidas, pela União Africana, pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) ou pela União Europeia. Todos foram unânimes em manifestar o respeito pelo processo de acordo estabelecido em junho pela CEDEAO, instruindo o governo demitido segunda-feira para preparar as presidênciais e chefiar os assuntos de governação.

A situação mereceu discussão nesta quinta-feira durante uma reunião fechada do Conselho de Segurança da ONU em Nova York. Sublinhando que, se o presidente Vaz garantiu que a eleição presidencial aconteceria em 24 de Novembro, a incerteza agora paira sobre o respeito do calendário.
Rispito.com/Jeuneafrique, 01-11-2019


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