quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

“Vou ser o homem da concórdia nacional”

A imagem pode conter: 1 pessoa, sentado e chapéuO Presidente eleito da Guiné-Bissau disse hoje que vai ser um “homem da concórdia nacional” e que o seu compromisso é com o povo guineense. Umaro Sissoco Embaló lançou um apelo aos apoiantes de Domingos Simões Pereira, salientando que “nenhum Presidente da República pode pôr de lado 46% do povo da Guiné-Bissau”.

As promessas foram feitas esta tarde na capital guineense diante dos militantes e dos candidatos que o apoiaram na segunda volta. Depois de ter discursado em português, o Presidente eleito dirigiu-se aos presentes em crioulo para afirmar que vai ser o “homem da concórdia nacional” e que o seu compromisso é com o povo guineense.

Sissoco Embaló disse que a campanha eleitoral já terminou e com ela acabou o tempo da discórdia. O Presidente eleito dirigiu-se ao líder do APU-PDGB, Nuno Nabian, pedindo-lhe para gerir a crise interna no partido, que está actualmente dividido.

“O Presidente Nuno Nabian tem responsabilidade para chamar todos os membros do partido, porque 2020 é um ano de concórdia, rigor e disciplina”, referiu.

Sissoco Embaló destacou que os desafios da Guiné-Bissau são grandes e que toda a gente é útil, acrescentando que nos próximos cinco anos vai colaborar com a comunidade internacional. Porém lembrou que: “Só a Guiné-Bissau terá a solução para os seus problemas”.

Umaro Sissoco Embaló, Presidente eleito na Guiné-BissauNa corrida às presidenciais, a APU-PDGB dividiu-se, com parte de militantes a apoiarem Sissoco Embaló e a outra parte do partido a suportar o outro candidato na segunda volta das eleições, Domingos Simões Pereira.

"Não serei um Presidente com a mão nos partidos políticos. Sou um Presidente de todos os guineenses", defendeu Embaló, um dos vice-presidentes do Movimento para a Alternância Democrática.

Ainda na senda da reconciliação que disse ser urgente para o país, o Presidente eleito afirmou que não pretende humilhar o seu adversário na segunda volta das presidenciais e exortou os seus apoiantes a terem a mesma postura.

"Não vou humilhar Domingos Simões Pereira, se o fizer serei um homem cobarde", disse o novo Presidente guineense, salientando, porém, que haverá justiça para todos e que ninguém poderá estar acima da lei.

Umaro Sissoco Embaló prometeu exercer a sua presidência de forma intransigente com a corrupção e que no dia em que tomar posse irá apresentar publicamente os seus bens, atitude que exigirá dos futuros membros do Governo.

Prometeu acabar com "a banalidade do Estado", encontrar soluções internas para os problemas do país e dignificar os antigos chefes de Estado, mesmo o que serviram de forma interina.

A todos os ex-presidentes da Guiné-Bissau prometeu lugar no Conselho de Estado.

Sissoco Embaló disse que a partir de hoje começou a era do respeito pelo outro, da disciplina e do rigor no tratamento dos assuntos da Guiné-Bissau, país que, disse, irá reerguer-se do chão.

Antes, num discurso lido em português, o novo Presidente guineense afirmou que irá promover um bom relacionamento com a comunidade internacional, nomeadamente a Comunidade Económica de Estados de África Ocidental (CEDEAO), a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), a União Africana (UA) e outras organizações.


Segundo os resultados provisórios hoje apresentados pela Comissão Nacional de Eleições, Umaro Sissoco Embaló, apoiado pelo Movimento para a Alternância Democrática (Madem-G15) venceu o escrutínio da segunda volta com 53,55% dos votos, enquanto Domingos Simões Pereira, apoiado pelo Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), conseguiu 46,45%.
Rispito.com/RFI, 02/01/2020

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