segunda-feira, 2 de março de 2020

Líderes timorenses defendem mediação internacional urgente para situação na Guiné-Bissau

Nenhuma descrição de foto disponível.Líderes timorenses, incluindo o ex-Presidente José Ramos-Horta, defenderam hoje uma "mediação internacional urgente" para responder à situação "crítica" que se vive na Guiné-Bissau, perante riscos de agravamento da crise.

"Há extrema preocupação porque a situação agravou-se em relação às tensões do passado e corre-se o risco de se resvalar para uma situação mais critica ainda", disse José Ramos-Horta à Lusa.

"É urgente mediação de uma alta entidade, seja união africana em parceira com CEDAO, ou um alto enviado do secretário-geral da ONU vindo de Nova Iorque", considerou.

Ramos-Horta disse que a situação "é muito grave" e que a Guiné-Bissau nunca viveu uma situação "de duas pessoas que disputam a presidência" deixando o país num vácuo de governação.

Opinião ecoada por Tomás Cabral, que foi nomeado Representante Especial do Governo timorense para apoiar o processo eleitoral na Guiné-Bissau e que defende que é urgente diálogo e mediação.

"A situação é preocupante. Timor-Leste apoiou depois da crise de 2013 e o que se nota é que a situação é de falta de diálogo entre os líderes", afirmou, apelando ao envolvido da CPLP e das Nações Unidas.

"Entre 2014 e 2020 conseguiram ouvir as mensagens de diálogo. Mas estamos novamente num dilema que é causado pelos atores políticos", sublinhou.

A Guiné-Bissau vive mais um momento de especial tensão política, depois de Umaro Sissoco Embaló ter demitido na sexta-feira Aristides Gomes do cargo de primeiro-ministro e nomeado Nuno Nabian, que tomou posse no sábado.

Umaro Sissoco Embaló, dado como vencedor da segunda volta das presidenciais da Guiné-Bissau pela Comissão Nacional de Eleições, tomou posse simbolicamente como Presidente guineense na quinta-feira, numa altura em que o Supremo Tribunal de Justiça ainda analisa um recurso de contencioso eleitoral interposto pela candidatura de Domingos Simões Pereira.

Após estas decisões, registaram-se movimentações militares, com os militares a ocuparem várias instituições de Estado, incluindo a rádio e a televisão públicas, de onde os funcionários foram retirados e cujas emissões foram suspensas.

Cipriano Cassamá, que tinha tomado posse na sexta-feira como Presidente interino, com base no artigo da Constituição que prevê que a segunda figura do Estado tome posse em caso de vacatura na chefia do Estado, renunciou hoje ao cargo por razões de segurança.
Rispito.com/Lusa, 02/03/2020

Sem comentários:

Publicar um comentário

ATENÇÃO!
Considerando o respeito pala diversidade, e a liberdade individual de opinião, agradeço que os comentários sejam seguidores da ética deontológica de respeito. Em que todas as pronuncias expressas por escrita não sejam viciadas de insultos, de difamações,de injúrias ou de calunias.
Paute num comentário moderado e educado, sob pena de nao sair em público