domingo, 3 de março de 2024

A CRISE NO MADEM-G15 PODE LEVAR À CRIAÇÃO DE MAIS UM PARTIDO DA FACÇÃO DE SISSOCO EMBALÓ

A crise política no país é latente desde dissolução da Assembleia Nacional Popular (ANP) em De- zembro, mas está a afetar particularmente os partidos que sustentaram Umaro Sissoco Embaló.

No Movimento para Alternância Democrática (MADEM G-15) há um confronto claro entre o Coordenador do partido, Braima Camará e os apoiantes do Presidente da República (PR). Braima Camará tem recusado qualquer mediação os confrontos políticos com o PR e frustrou uma das tentativas organizada pelo Presidente senegalês, Macky Sall que, estacionado no Aeroporto de Bissau, não mudou a posição do Coordenador do MADEM.

Internamente, o diálogo no MADEM é de surdos. Satú Camará, uma figura respeitada do MADEM, tentou, sem sucesso, ser a ponte entre os dois. Há dois dias circularam em Bissau rumores de um corte das relações entre Sissoco Embaló e o MADEM, mas também da possibilidade de nascer, o mais breve possível, um novo partido político.

O primeiro de Março poderá ter sido o dia da viragem radical no relacionamento entre o Presidente Umaro Sissoco Embaló e o Movimento para Alternância Democrática (MADEM G-15), par- tido que foi o pilar da sua eleição em 2019.

Pouco antes de um discurso contundente proferido pelo Coordenador do partido Braima Camará, na abertura da reunião das organizações sociopolíticas do partido (Coordenadores Regionais e Coordenadores das Comissões Políticas) sobre a evolução da situação política, todos os cartazes de Umaro Sissoco Embaló que estavam afixados nas salas de reunião do partido, foram retirados.

No discurso, Braima Camará, numa clara mensagem a Umaro Sissoco Embaló, disse: "quando o MADEM foi criado, em 2018, até chegar a 27 deputados nas legislativas de 2019, não tinha nada, nem carros. Portanto, quem tem os carros que os leve para o outro lado". Uma reação dirigida aos apoiantes do PR que alegam que toda a frota de veículos do MADEM foi disponibilizada pelo Chefe de Estado. Braima Camará reforçou ainda que, enquanto estiver vivo "não há nenhum Presidente da República que seja o presidente do MADEM. O presidente do MADEM é Braima Ca- mará", vincou, desmentindo assim as declarações do PR, em que se assumia presidente do MADEM.

No primeiro aparecimento público em que falou da governação, Camará criticou a violação dos direitos humanos, mas também o desrespeito às regras democráticas. Desta vez, sem apoiar a dissolução da ANP, o Coordenador do MADEM disse que o que sabe é de "um Decreto que dissolve ANP é o mesmo que marca às eleições", situação que não se verificou com a última decisão de Umaro Sissoco Embaló.

"Mas sei mais. Sei que, quando uma Assembleia Nacional Popular é dissolvida, a Comissão Per- manente funciona e faz de veste da plenária para fiscalizar a ação governativa. Exigir isso, para eles, é crime. Mas, vocês, que são responsáveis de estruturas de base, precisam de ir às bases esclarecer. Não podemos ficar calados para depois sermos penalizados nas eleições", disse Braima

Camará.

Nos bastidores da discórdia entre o MADEM os apoiantes do PR está supostamente a questão da criação dos Movimentos de Apoio. Braima Camará mantém uma postura contra e garante que, isso não irá acontecer, e lançou para o debate dois elementos novos. A suposta interferência do PR nos partidos políticos e a imperatividade do MADEM aliar-se ao PTG. O Coordenador do MADEM não foi peremtório, mas disse que está no partido para promover a coesão "e não fo- mentar o tribalismo". Uma resposta à ala mais radical do MADEM que insistem numa aliança com o PTG devido a lógicas de ordem tribal e da intenção do PR aproximar-se do eleitorado fula, e especialmente da comunidade muçulmana.

Para Braima Camará o MADEM só vai ficar com aqueles que estão comprometidos com o partido e quem estiver por interesses têm as portas abertas. "O nosso partido não tem a figura de expulsão, mas tem estatutos para impor a disciplina e isso vai acontecer", disse.

Inconformados do PRS para reforçarem a Plataforma Republicana

É em torno deste clima de suspeição que surgiu a hipótese de criação de um partido político constituído pelos apoiantes do chefe de Estado. O partido está para nascer e deverá designar-se Plataforma Republicana.

Sobre este cenário o Coordenador do MADEM foi perentório. "É esta nossa determinação de fazer o MADEM um partido autónomo que os leva a tirar dirigentes para irem formar outro partido, para depois estarem a falar de pessoas a favor e contra", disse.

O cenário da criação de um novo partido está cada vez mais sólido e esta formação deverá ser liderado por um dos dissidentes do MADEM. O primeiro ensaio surgiu há cerca de três semanas, quando PR apareceu na apresentação dos Movimentos de apoio que designou "Plataforma de Movimentos de Apoio".

Estes Movimentos são compostos por militantes do MADEM e do PRS. Com o agravar da crise nos partidos aliados do PR, esta possibilidade ressurgiu. No PRS, por exemplo, Ilídio Vieira Té, atual ministro das Finanças lidera uma estrutura denominada "Dirigentes do PRS Inconformados com o Presidente Fernando Dias",

Este Movimento tem organizado eventos paralelos à direção interina, e tal como no MADEM,já foram observados em como todos os desobedientes do PRS serão responsabilizados, tornado a coabitação do Grupo de Ilídio Vieira Té com a Direção" um cenário fora de hipótese", e abrindo caminho a estes juntarem-se aos dissidentes do MADEM para formar a Plataforma Republicana.
e-Global,02-03-2024


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