sexta-feira, 22 de outubro de 2021

Líderes sindicais são detidos em Bissau

Dois líderes sindicais do setor da saúde foram detidos na capital guineense, denunciou advogado de defesa. São acusados de incentivarem os colegas a não prestarem serviços mínimos no âmbito da greve geral no país.
Yoio João Correia, presidente do Sindicato Nacional dos Enfermeiros, Técnicos de Saúde e Afins (SINETSA) e o seu vice, João Domingos da Silva, foram detidos esta sexta-feira à tarde (22.10) em Bissau.

O Ministério Público acusa-os de crime de "omissão de auxílio", alegadamente por terem apelado aos seus associados para não prestarem os serviços mínimos nos hospitais devido à greve geral que assola o país, disse Fodé Mané, um dos seus advogados, em declarações à DW África.

"Eles foram detidos apenas pelo facto de serem sindicalistas", afirmou Mané.

"Alegaram que, no dia 20, nenhum funcionário de saúde a nível nacional foi ao serviço, mas eles provaram que estavam à espera do Governo para negociar os serviços mínimos", continuou o advogado.

Como o Governo disse que "não se ia sentar com os sindicatos para negociar serviços mínimos, todos os trabalhadores de saúde acharam que as reivindicações dos sindicatos eram justas e aderiram a 100%. Só depois é que o próprio sindicato apelou a algumas pessoas para aderirem. É só isso. Não há um facto direto que tenham cometido, é só pelo facto de serem dirigentes sindicais", reforçou.

Técnicos de saúde e enfermeiros protestaram contra as detenções junto às instalações da Polícia Judiciária, em Bissau, mas foram dispersos pelas forças de segurança com recurso a gás lacrimogéneo.

Fodé Mané diz que o crime de que os líderes sindicais são acusados nem sequer prevê prisão preventiva.

O advogado diz que esta sexta-feira já não conseguiu requerer a libertação de Yoio João Correia e João Domingos da Silva.

"Fecharam a secretaria dos tribunais e não há juiz de turno. Estamos a gerir a situação até segunda-feira, para dar entrada a uma ação pela detenção ilegal, uma queixa-crime contra o próprio delegado e para a inspeção do Ministério Público. Sabemos que não vai avançar, porque o que está a acontecer comprova que não estamos num Estado de Direito", disse.

Os técnicos de saúde reivindicam o pagamento de salários em atraso, melhores condições de trabalho e a sua integração no Estatuto da Carreira Médica.
Rispito.com/DW, 22/11/2021

Ladislau Clemente Embassa é o novo representante da Guiné-Bissau no Tribunal da organização

O Presidente da República indigitou o Juíz Conselheiro, Ladislau Clemente Embassa como novo representante do país no Tribunal da União Económica Monetária Oeste Africana (UEMOA), substituindo no cargo o Augusto Mendes, falecido recentemente.

“Como é do conhecimento do público em geral, infelizmente perdemos o nosso irmão que ocupava aquele cargo, e que era um distinto magistrado, um homem de bem Venerando Juíz Conselheiro, Augusto Mendes”, salientou.

Embaló informou ainda que o Ladislau Embassa vai concluir o mandato do referido malogrado e depois começar o seu,em cumprimento das regras da UEMOA .

O Chefe de Estado desejou tudo de melhor ao Embassa, aconselhando a desempenhar as suas novas funções no tribunal de oito estados membros com dignidade, competência e zelo.

Ladislau Embassa, ao usar de palavra, disse que é uma função de muita responsabilidade porque para além de ser um juíz de Tribunal de UEMOA também tem a responsabilidade de representar a imagem do país.

Disse que está consciente dessas responsabilidades e prometeu dar o seu máximo para dignificar a função normal de um juíz dessa organização e a imagem da Guiné-Bissau.

Prometeu ainda trabalhar com independência e isenção necessária fazendo com que as leis da UEMOA sejam cumpridas pelos Estados membros, empresas e cidadãos.

São membros da UEMOA - União Económica e Monetária Oeste Africana, o Burquina-faso, Benin, Costa do Marfim, Guiné-Bissau, Mali, Niger, Senegal e Togo. 
Rispito.com/ANG/DMG/ÂC//SG, 22/10/2021

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

USE afirma que o parlamento tem dias contados

O Presidente da República da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, afirmou hoje que a Assembleia Nacional Popular (ANP) tem dias contados, acrescentando que pode dissolver a assembleia hoje ou amanhã.

"Digo-vos que a UDIB fechou. O local do filme já não trabalha, eu não frequento salão do teatro. Assembleia tem dias contados. Dias contados significam que posso dissolver o parlamento hoje, amanhã, outro mês ou no próximo ano. A dissolução do parlamento está na minha mão e nem sequer levará um segundo ou menos", disse, reagindo à questão sobre a convocação da sessão ordinária da ANP.

Embaló falava aos jornalistas esta quarta-feira, depois da sua chegada de Conacri (Guiné-Conacri) onde se encontrava de visita oficial de algumas horas e na qual foi recebido pelo presidente de transição daquele país francófono da África Ocidental, Mamady Doumbouya.

O chefe de Estado guineense assegurou que não haverá mais a desordem na Guiné-Bissau.

"A verdade é que me estão a dar motivos para que possa dissolver o parlamento. Estão dar-me o motivo. É como o gato que tem fome e alguém decidiu colocar a linguiça no pescoço dele. O parlamento diz que há crise política e, eu estou a tomar a nota de tudo que dizem", referiu.

"O parlamento deve saber que o Presidente Umaro Sissoco Embaló, não é qualquer um! Não admito medir a fundura do mar com o pé" notou, para de seguida reafirmar que não permitirá a desordem na Guiné-Bissau, ameaçando que quem fizer a desordem pagará caro.

Questionado se a dissolução do parlamento que suporta o governo não leva a sua queda, respondeu: "o parlamento não suporta o Presidente da República. Suporta o governo".

"Quem me suporta é o povo. Eu tenho compromisso com o povo. O que quero garantir é que o teatro e a desordem não terão lugar mais nesta terra.

Salienta-se que a Guiné-Conacri, país da África Ocidental que faz a fronteira, na zona sul, e leste com a Guiné-Bissau, um dos mais pobres do mundo, enfrenta, nos últimos meses, uma crise política e económica, agravada pela pandemia de covid-19.

terça-feira, 19 de outubro de 2021

Rússia quer intensificar cooperação económica e comercial com Guiné-Bissau

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergey Lavrov, defendeu hoje a intensificação da cooperação económica e comercial com a Guiné-Bissau no início de uma visita da chefe da diplomacia guineense, Suzi Barbosa, ao país.

"A próxima etapa natural deve ser a intensificação da cooperação comercial, económica e de investimento, a fim de elevá-la ao nível de um diálogo político bom e confiável", afirmou Sergey Lavrov, citado num comunicado divulgado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros russo.

Salientando que as relações de cooperação entre os dois países farão 50 anos em breve, Sergey Lavror salientou que hoje a Rússia e Guiné-Bissau vão dar um "passo no desenvolvimento do diálogo político" com a assinatura de um memorando de entendimento sobre consultas políticas.
Rispito.com/Lusa, 19/10/2021

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

Governo abre novo ano lectivo no meio da turbulência

Para além da situação da pandemia de Covid-19, o Governo tenta fazer face às paralisações do sistema do ensino há 10 meses, observadas pela União Nacional dos Trabalhadores da Guiné, UNTG-Central Sindical, que integra o Sindicato Democrático dos Professores e a Frente Nacional dos Professores. Enquanto o maior Sindicato dos Professores, Sinaprof, apela à retoma das atividades lectivas.

Na abertura oficial do ano novo lectivo, o Primeiro-ministro assume negociar para ultrapassar dificuldades e anuncia, para já, a disponibilização de 500 milhões FCFA, para pagar dois meses de carga horária, totalizando mais de 2 mil milhões FCFA de investimentos apenas no sector educativo. Por isso, Nuno Gomes Nabiam pede boa-fé para o levantamento total da greve, tendo em conta a situação do país.

A UNTG-Central Sindical que observa de 12 a 23 do mês em curso, uma nova greve parcial na função Pública, acusa o Governo de ter feito o insuficiente para atender as reivindicações e promete desencadear mais ondas de paralisações, até ao pagamento dos salários atrasados, resolução dos problemas ligados ao Estatuto da Carreira Docente, e criação de condições lectivas nas escolas públicas.

A decisão foi apoiada pelo Sindicato Democrático dos Professores, Sindeprof, e pela Frente Nacional dos Professores, Frenaprof, que se ausentaram da cerimónia do fecho do ano lectivo transacto e abertura do novo ano escolar 2021-2022.
Rispito.com- RFI, 18'10'2021



sexta-feira, 15 de outubro de 2021

Sissoco em França: Macron vai apoiar combate à corrupção na Guiné-Bissau

PR francês recebeu o seu homólogo guineense em Paris e disse apoiar a Guiné-Bissau no combate à corrupção e ao tráfico de drogas. Emmanuel Macron agradeceu o apoio de Umaro Sissoco Embaló na estabilização da região.
"Felicito os esforços corajosos e determinados do Presidente em termos de luta contra a corrupção e contra o tráfico, particularmente o tráfico de droga, que durante tanto tempo desestabilizaram o país. A França está ao vosso lado para apoiar os vossos esforços", afirmou Emmanuel Macron aos jornalistas antes do início do encontro no Palácio do Eliseu com Umaro Sissoco Embaló, esta sexta-feira (15.10).

O Presidente da Guiné-Bissau está em Paris para uma visita oficial de dois dias a convite do chefe de Estado francês e aproveitou para agradecer o apoio francês, assegurando que o seu país está a viver "uma nova dinâmica". 

"Posso assegurar que a Guiné-Bissau voltou a encontrar o seu caminho após longos anos de instabilidade. A França esteve sempre ao lado da Guiné-Bissau. Hoje estamos a viver uma nova dinâmica", reforçou Umaro Sissoco Embaló, que fez questão de falar em francês.

Estabilidade regional
Outro dos pontos fortes na agenda dos dois líderes é o contexto regional, com a instabilidade criada pelos golpes de Estado na Guiné-Conacri, que faz fronteira com a Guiné-Bissau, e no Mali.

"O nosso encontro vai servir também para evocar a situação na região, quer seja o Sahel ou a África Ocidental. Neste ponto, a França apoia completamente as exigências da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental [CEDEAO] relativamente às autoridades guineenses e malianas. Estamos prontos, com os nossos parceiros europeus, a transmitir e ajudar a que se concretizem as decisões tomadas nos próximos dias pela CEDEAO", disse o Presidente francês.

Já Umaro Sissoco Embaló reconheceu os "problemas" na região, mas focou-se no futuro da juventude africana, dias após o Presidente francês ter organizado uma cimeira França-África em que a juventude esteve em destaque.

"Somos os dois jovens"
"Sabemos o quão próximo é da juventude africana. Nós somos os dois jovens e penso que a minha política, tal como as políticas francesas, podem ajudar a criar empregos e universidades para pouparmos a nossa juventude de morrer inutilmente no mar", indicou o Presidente da Guiné-Bissau.

Ainda na discussão entre os dois líderes estará o reforço da francofonia na Guiné-Bissau, assim como a ajuda da França ao setor da agricultura.

A delegação desta visita do Presidente da Guiné-Bissau a França inclui o ministro das Finanças, João Fadiá, e o ministro da Defesa, Sandji Fati, e estes governantes vão ter também reuniões bilaterais com os seus homólogos ou com os seus representantes em Paris.
Rispito.com/DW, 15/10/2021

PM NUNO NABIAM SUSPENDE ALGUNS GASTOS PÚBLICOS PARA REDUZIR DÉFICE

O primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Nuno Gomes Nabiam, emitiu um despacho no qual suspende alguns gastos públicos para reduzir o défice deste ano no âmbito da execução de um programa de referência com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Segundo o despacho, com data de 11 de Outubro de 2021, que a Lusa teve hoje acesso, o primeiro-ministro justifica as medidas com a “urgente necessidade” de reduzir 15,4 mil milhões de francos cfa (cerca de 23 milhões de euros) no “défice do saldo primário para 2021”.

As medidas anunciadas pelo primeiro-ministro suspendem “novas admissões, contratações, reclamações, equiparações, promoções, movimentação do pessoal diplomático e mudanças de categoria”.

Nuno Gomes Nabiam suspendeu também “todas as missões oficiais a serem financiadas pelo Tesouro Público” e limitou a “concessão de isenções fiscais e aduaneiras, mais especificamente sobre os combustíveis”, excluindo às embaixadas e organizações internacionais.

O primeiro-ministro suspendeu igualmente novas obras de reabilitação com exceção das relacionadas com áreas sociais e restringiu a aquisição de bens e serviços.

O chefe do Governo decidiu igualmente vender a fábrica de processamento alimentar (tomates) de Safim, nos arredores de Bissau.

O Fundo Monetário Internacional registou um “progresso satisfatório” na Guiné-Bissau, apesar da difícil situação socioeconómica, que o país atravessa, agravada pela pandemia do novo coronavírus, refere a avaliação feita pela missão à execução do programa de referência.

O Programa Monitorizado pelo Corpo Técnico visa reduzir os grandes desequilíbrios macroeconómicos intensificados pelo impacto da pandemia provocada pelo novo coronavírus, reforçar a governação e a rede de apoio social, para um desenvolvimento mais inclusivo.

A equipa do FMI e as autoridades acordaram medidas a ter em conta no Orçamento de Estado para 2022 que possam permitir a “redução do défice orçamental” para pouco mais de 4% do PIB em 2022 até chegar aos 3% em 2025, respeitando a norma regional da UEMOA (União Económica e Monetária da África Ocidental).

A massa salarial e o serviço de juro da dívida representaram em 2020 80% e 20,5%, respetivamente, da receita fiscal.

A instituição financeira pediu também uma auditoria independente às dotações orçamentais relacionadas com a covid-19 e assumidas no contexto da Linha de Crédito Rápido, disponibilizado em janeiro de 2021.
Rispito.com/Lusa

quinta-feira, 14 de outubro de 2021

Chefe de Estado-Maior denuncia mobilização para golpe de Estado

O chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas da Guiné-Bissau, general Biagué Na N'Tan, denunciou nesta quinta-feira tentativas de mobilizar militares com cerca de 15 euros para reverter a ordem constitucional.
"Quero pedir-vos, vocês da Polícia Militar, para não alinharem com as pessoas que estão a mobilizar militares nos quartéis, porque nada se esconde hoje", afirmou o general Biagué Na N'Tan.

Segundo o chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas da Guiné-Bissau, os jovens mobilizados denunciam a situação aos superiores, porque "sabem que querem estragar o seu futuro".

"Os dez mil francos cfa [cerca de 15 euros] que estão a distribuir para abertura de conta bancária não resolvem os vossos problemas e os da vossa família", advertiu o chefe das forças armadas guineenses.

Biagué Na N'Tan falava na cerimónia para assinalar o dia da Polícia Militar (PM) da Guiné-Bissau. O batalhão da Polícia Militar guineense é constituído por dezenas de efetivos e responde diretamente à divisão de operações e treino do Estado-Maior General das Forças Armadas.

Na ocasião, o chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas apelou aos militares para não alinharem com as pessoas que querem desestabilizar a Guiné-Bissau, exortando-os a que ajudem na edificação da paz no país.

 "Quero garantir-vos que as forças armadas desistiram da política e vocês também não devem envolver-se na política. Desistam da política, camaradas. Conheço todos os militares que estão a tentar mobilizar-vos, mas quero pedir-lhes para pararem, porque quem sai prejudicado somos nós, os militares”, afirmou.

Segundo o general guineense, os militares envolvidos naquelas situações são detidos e ficam sem salário, "a mendigar”, e os políticos "ficam à vontade".

"As forças armadas estão a caminhar progressivamente, mas temos de acompanhar essa dinâmica com paz e estabilidade, porque sem paz não podemos fazer nada e nem podemos pensar que haverá investimentos do setor privado no nosso país", disse.

A Guiné-Bissau já foi alvo de vários golpes de Estado, tendo o último ocorrido em 2012 e militares guineenses estão desde então sob sanções das Nações Unidas.
Rispito.com/DW, 14/10/2021

terça-feira, 12 de outubro de 2021

Movimento da Sociedade Civil guineense pede demissão do ministro do Interior

O Movimento Nacional da Sociedade Civil para Paz, Democracia e Desenvolvimento da Guiné-Bissau pediu hoje ao ministro de Estado e do Interior, Botche Candé, para apresentar a demissão, na sequência dos atropelos registados às liberdades fundamentais dos cidadãos.

"Tem vindo a assistir-se, ao longo dos últimos dois anos, a raptos e espancamentos dos cidadãos, quer ativistas cívicos, quer de militantes de partidos políticos na Guiné-Bissau. O ministro do Interior deve pôr o seu cargo à disposição do primeiro-ministro, caso não consiga controlar os atropelos às liberdades fundamentais dos cidadãos na Guiné-Bissau", referiu o movimento.

A Liga Guineense denunciou a semana passada mais uma detenção arbitrária pelo Ministério do Interior, do porta-voz do Movimento de Salvação do Partido de Renovação Social, que acabou por ser libertado, sem acusação.

Em carta aberta, dirigida ao ministro, o Movimento Nacional da Sociedade Civil afirma que os atropelos aos direitos fundamentais são um sinal marcante do “retrocesso dos ganhos democráticos alicerçados no pluralismo de ideias das diferentes franjas sociais e fações político-partidárias” defendidos pela Constituição da República.

"Ciente das gravidades dos atropelos que estão a ser levados a cabo pelo Ministério do Interior", o Movimento Nacional da Sociedade Civil convidou o ministro do Interior a inverter o rumo das coisas, nomeadamente das ordens e instruções que violem o Estado de Direito.

A organização não-governamental alertou que, com o que se está a passar, o Ministério do Interior vai passar a ser visto como uma ameaça quer pelos cidadãos guineenses, quer pelos estrangeiros residentes no país.

O movimento defendeu também uma intervenção mais “pedagógica”, “diplomática” e de “solidariedade”, em vez de uma “ação repressiva desproporcional” e insistiu que o Ministério do Interior deve abandonar definitivamente práticas que não se coadunam com a lei do país.
Rispito.com/Lusa, 12/10/2021

sexta-feira, 8 de outubro de 2021

Organização dos direitos humanos da Guiné-Bissau denuncia mais uma detenção arbitrária

A Liga Guineense dos Direitos Humanos denunciou hoje, em comunicado, a detenção arbitrária de um militante do Partido de Renovação Social (PRS) violando os direitos fundamentais e exigiu a sua "libertação imediata".

"A Liga Guineense dos Direitos Humanos está a acompanhar com apreensão a detenção, sem culpa formada, do militante do PRS Alqueia Tamba no dia 7 de outubro pelos agentes do Ministério do Interior", refere a organização.

Segundo a Liga, os agentes das forças de segurança confiscaram o telemóvel a Alqueia Tamba "violaram a privacidade das suas comunicações, para averiguar com quem e o que tem andado a conversar".

"Perante esta atitude arbitrária, invasiva e violadora dos direitos fundamentais, a Liga Guineense dos Direitos Humanos exige a libertação imediata e incondicional do senhor Alqueia Tamba", exige a organização.

A Liga Guineense dos Direitos Humanos exige também ao Ministério do Interior que "respeite os procedimentos legais no exercício das suas funções, adequando a sua conduta aos ditames do Estado de Direito".

Alqueia Tamba é o porta-voz do Movimento de Salvação do PRS em Memória de Kumba Ialá.

Esta semana, o movimento realizou uma conferência de imprensa durante a qual fez acusações ao chefe de Estado, Umaro Sissoco Embaló, responsabilizando-o pela situação política e económica no país.
Rispito.com/Lusa, 08/10/2021

CEMGFA da Guiné-Bissau pede a Portugal mais formação em língua portuguesa

Querendo apostar na capacitação da língua, "as Forças Armadas da Guiné-Bissau querem pedir ao Camões para continuar com este processo do curso, que continue até alcançar uma vitória total".

O chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas da Guiné-Bissau (CEMGFA), general Biagué Na Tan, pediu esta quinta-feira a Portugal mais formação em língua portuguesa para os militares guineenses.
“Considerando que a língua portuguesa é a nossa língua oficial, não podemos em nenhum momento fugir à regra de implementar este instrumento nas Forças Armadas da Guiné-Bissau”, afirmou Biagué Na Tan.

O chefe das Forças Armadas guineense falava na cerimónia de encerramento do curso de língua portuguesa com a entrega de 72 diplomas a militares guineenses que frequentaram o curso com aproveitamento nos últimos seis meses.

O projeto da melhoria da proficiência da língua portuguesa nas Forças Armadas da Guiné-Bissau foi financiado pelo Camões — Instituto da Cooperação e da Língua e pelo Ministério da Defesa português, através da Direção-Geral da Política de Defesa Nacional.
“As Forças Armadas da Guiné-Bissau querem pedir ao Camões para continuar com este processo do curso, que continue até alcançar uma vitória total. A melhor ferramenta que podem ter nas forças armadas é a capacitação da língua portuguesa”, afirmou o general.

Presente na cerimónia de encerramento esteve também o embaixador de Portugal, José Caroço, que considerou os resultados “bastante positivos”.

Os formandos “perceberam a mais-valia, a utilidade de um domínio de uma melhor capacitação em termos da proficiência da língua portuguesa”, afirmou o embaixador.

José Caroço salientou também que o “projeto não fica aqui” e que estão em Lisboa quatro militares a fazer um curso de formação de formadores e um curso de aperfeiçoamento de língua portuguesa.
“A língua portuguesa deve ser cada vez mais incorporada, trabalhada, assimilada, melhorada pelas forças armadas da Guiné-Bissau”, salientou.
Rispito.com/Observador 8/10/2021

quinta-feira, 7 de outubro de 2021

Eleição do Presidente do STJ gera polémica

A eleição do novo Presidente do Supremo Tribunal de Justiça da Guiné Bissau está a gerar polémica e anuncia uma crise com consequências imprevisíveis para o país. Em causa estão três comunicados contraditórios sobre a nomeação dos possíveis candidatos ao cargo de Presidente do STJ e a suspensão de elementos da Comissão Eleitoral e vogais do Conselho Superior da Magistratura Judicial.

A crise começou com o primeiro comunicado assinado por Kátia Lopes, Secretária da Comissão Eleitoral, Amadu Tidjane Djaló e Hélder Henrique de Barros, primeiro e segundo escrutinadores, que dá conta que a comissão eleitoral chumbou a título provisório, a candidatura do Juiz Conselheiro, José Pedro Sambú, Presidente da CNE, por falta efectividade de funções como Juiz Conselheiro, pelo menos cinco anos.

O comunicado anuncia a aprovação provisória as candidaturas dos Juízes Conselheiros, Osíris Fernandes Pina Pereira e Juca Armando Nancassa.

Horas depois, surge um segundo comunicado, assinado pelo Presidente da Comissão Eleitoral, dando conta que a reunião convocada por alguns elementos da comissão eleitoral não é do seu conhecimento.

Humiliano Alves Cardoso afirma que o despacho do vice-presidente do STJ havia suspendido desde dia 22 de Setembro, todas as actividades da comissão eleitoral, até que haja condições de preenchimento das vacaturas existentes nas Câmaras do Supremo Tribunal de Justiça e o seu plenário que constituem garantia jurisdicional do contencioso eleitoral em caso de recurso.

E no meio deste imbróglio, surge o terceiro comunicado, onde o presidente em exercício do Supremo Tribunal de Justiça, o Juiz Conselheiro, Lima André suspende das funções Katia Lopes e Amadu Tidjane Djalo, membros da Comissão Eleitoral e vogais do Conselho Superior da Magistratura Judicial.

No despacho, Lima André, também presidente do Conselho Superior da Magistratura Judicial, considera sem efeito, a deliberação que aprovou as candidaturas de Osíris Fernandes Pina Pereira e Juca Armando Nancassa para o cargo do Presidente do Supremo Tribunal de Justiça e a rejeição da candidatura de José Pedro Sambú.

A eleição do novo Presidente do STJ na sequência da morte do Presidente Juiz Conselheiro Mamadú Saido Baldé está marcada para o próximo dia 4 de Novembro.
Rispito.com/RFI, 07/10/2021

Militantes do PRS insurgem-se contra a direção do partido

Na Guiné-Bissau, vários militantes do Partido da Renovação Social (PRS) exigem a marcação da data de um congresso, salientando que o mandato da atual direção da formação política expirou.

A direção do partido mantém-se em silêncio e os contestatários afirmam que a formação política "vai mal". Reprovam, sobretudo, o comportamento do partido no atual cenário político e social do país.

O Movimento de Salvação do PRS em Memória de Kumba Ialá, antigo líder do partido, enumerou várias alegadas falhas da direção do grupo político.

O movimento, composto por dirigentes históricos do partido no poder, questiona a não realização do congresso daquela formação política.  E ameaça avançar com a subscrição dos membros dos órgãos do partido para obrigar a marcação da data para a escolha do novo líder.

O porta-voz do grupo contestatário, Alqueia Tambá, critica ainda o papel do partido no país.

"Imagine: um partido que quer,governar não sabe que tem que criar condições para que haja escola, saúde e para que as populações durmam bem nas suas casas”, disse à DW África Tambá para que aponta a ocorrência no país de "raptos e violações dos direitos humanos de todas as formas”.

A direção do Partido da Renovação Social recusou reagir às declarações do Movimento que disse à DW África desconhecer.

Em conversa não gravada um dos vice-presidentes do PRS afirma que as declarações feitas sobre o partido, "só vinculam a quem as proferiu”.

Mas para o analista político, Luís Peti, os contestatários devem ser levados a sério, porque, "o PRS é um partido que está no Governo e tem uma expressão política muito forte”.

Por outro lado, adianta Peti "[o partido] não deve desprezar e nem menosprezar as opiniões e as críticas que vêm de qualquer quadrante que seja, no sentido de melhorar a sua conduta e de poder contribuir ainda mais para o cenário político e governativo do país”.

Congresso suspenso devido à "Covid-19”
O PRS suspendeu a realização do seu sexto congresso, que deveria ter tido lugar entre 16 e 19 de setembro, justificando a decisão com a pandemia da Covid-19 e o Estado de Calamidade em vigor na Guiné-Bissau.

A direção, que entrou em caducidade, está, neste momento, em busca de consenso com os candidatos à liderança do partido para a marcação da nova data do congresso.

O jurista Cabi Sanhá considera que a direção dos "renovadores” está agora com poderes limitados:

"É verdade que os órgãos dirigentes caducos normalmente não devem tomar grandes decisões, decisões de fundo”, diz o jurista.

Mesmo assim, diz Cabi Sanhá "isso não impede que esses órgãos continuem a fazer uma gestão corrente dos assuntos do partido”.

O partido da Renovação Social, que em seis eleições legislativas realizadas na Guiné-Bissau, desde 1994, ganhou uma, partilha a governação do país com o Movimento para Alternância Democrática (MADEM G-15) e Assembleia do Povo Unido-Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB), no âmbito de uma aliança parlamentar.

Guiné-Bissau perdeu frente a Marrocos por 5-0 em jogo polémico

A Seleção guineense de futebol perdeu por 5-0 na deslocação a Marrocos num jogo a contar para a terceira jornada da fase de grupos antes do play-off de acesso ao Mundial de 2022. Um encontro que a Guiné-Bissau não queria disputar visto que uma grande parte dos jogadores e da equipa técnica passou a noite no hospital com vómitos e diarreia.

Após uma noite complicada, em que vários jogadores e elementos da equipa técnica estiveram no hospital, o comissário do jogo entre Marrocos e a Guiné-Bissau decidiu que o encontro se deveria realizar.

Contra a vontade da Federação Guineense de futebol, os Djurtus tiveram que entrar dentro das quatro linhas para defrontar a seleção marroquina.

O resultado final acabou por ser uma vitória fácil por 5-0 de Marrocos frente a uma seleção guineense debilitada.

Os tentos foram apontados por Achraf Hakimi, Imrân Louza, Ilyas Chaira, Ayoub Kaabi e Munir El-Haddadi.

Nas redes sociais, a Federação de Futebol da Guiné-Bissau admitiu que tinha apresentado um protesto neste jogo: «O comissário do jogo após ter reunido com a delegação guineense, decidiu que se vai jogar, apesar de todas as evidências que há sobre a intoxicação alimentar que abalou os jogadores e a equipa técnica. A FFGB fez chegar através de uma carta o protesto sobre este jogo, junto com o relatório médico, contamos trazer mais detalhes sobre esse assunto. Lamentamos essa situação, mas seguiremos fortes! Em nome do Fair Play e a verdade desportiva,  tem que ser apurado a verdade e responsabilizado o culpado por tudo isso...».

Com este resultado, Marrocos lidera o Grupo I com seis pontos, enquanto a Guiné-Bissau está no segundo lugar com quatro pontos. A Guiné Conacri ocupa a terceira posição com dois pontos enquanto o Sudão está no último posto com apenas um ponto.

De notar que no outro encontro do grupo o Sudão e a Guiné Conacri empataram a uma bola.

A notícia caiu por volta das 2h42 da manhã da quarta-feira 6 de Outubro de 2021: os jogadores da Guiné-Bissau estavam com vómitos e diarreia desde o jantar de terça-feira e foram para o hospital em Marrocos.

Os atletas guineenses, a equipa técnica e a comitiva estavam a preparar o jogo na terça-feira 5 de Outubro, tendo aliás treinado no complexo desportivo Prince Moulay Abdellah em Rabat.

No entanto, durante a noite de terça para quarta-feira, quase todos os jogadores e elementos da equipa técnica tiveram de ir para o hospital visto que estavam com vómitos e diarreia desde o jantar.

Apesar desta situação complicada, o jogo realizou-se e os marroquinos venceram por 5-0.
Rispito.com/RFI, 07/10/2021

quarta-feira, 6 de outubro de 2021

Seleção da Guiné-Bissau sofre intoxicação alimentar em Marrocos

O presidente da Federação de Futebol da Guiné-Bissau, Carlos Teixeira, disse hoje à Lusa que a seleção de futebol do país, que deveria defrontar Marrocos esta noite, sofreu uma intoxicação alimentar e poderá faltar ao jogo.

Nestas condições, não vou mandar os jogadores para o campo, seria um ato criminoso da minha parte", afirmou Carlos Teixeira, num contacto telefónico a partir de Marrocos.

Segundo o presidente da Federação guineense, praticamente todos os jogadores e os elementos da equipa técnica -- em que se incluem três portugueses -- estão com vómitos e diarreia desde o jantar de terça-feira.

Alguns jogadores foram assistidos no hospital, onde, disse Carlos Teixeira, receberam soro e outros tratamentos.
"Tirando Alfa Semedo e um ou outro, todos os jogadores estão com diarreia e vómitos. Assim não dá", observou o presidente da Federação guineense de futebol.

Carlos Teixeira disse ainda que está a tentar contactar o comissário do jogo, de nacionalidade serra-leonesa, mas ainda não conseguiu, para lhe comunicar a situação.

O presidente da Federação guineense de futebol já informou as autoridades do país.

A Guiné-Bissau deveria defrontar Marrocos hoje à noite em jogo da terceira jornada do Grupo I para o apuramento para o Mundial de Qatar, que se realiza no próximo ano.

O jogo, inicialmente, era para ser realizado na Guiné-Bissau, mas, dadas as más condições do estádio nacional 24 de setembro em Bissau, a Confederação Africana de Futebol (CAF) marcou-o em Marrocos.
Rispito.com/Lusa, 06/10/2021

Chumbada candidatura de José Pedro Sambú ao Supremo Tribunal da Guiné-Bissau

O Conselho Superior de Magistratura Judicial da Guiné-Bissau rejeitou hoje "provisoriamente" a candidatura de José Pedro Sambú, juiz conselheiro e atual presidente da Comissão Nacional de Eleições, à presidência do Supremo Tribunal de Justiça.
Na deliberação, divulgada à imprensa, a comissão eleitoral aprova as candidaturas dos juízes conselheiros Osíres Francisco Pina Ferreira e Juca Armando Nancassa, mas rejeita "provisoriamente a candidatura" de José Pedro Sambú.

A comissão eleitoral justifica a decisão com base na lei orgânica dos tribunais judiciais que determina que só podem ser eleitos para o cargo de presidente do Supremo Tribunal de Justiça, juízes conselheiros no ativo com pelo menos cinco anos de exercício de funções.

"O referido candidato, atualmente, não faz parte do quadro que compõe o Supremo Tribunal de Justiça por estar em comissão de serviço interno junto da Comissão Nacional de Eleições", onde assume funções de presidente daquele organismo, refere a deliberação.

O Conselho Superior da Magistratura Judicial agendou para 04 de novembro novas eleições para a escolha do presidente do Supremo Tribunal na sequência da morte, em 11 de agosto, do responsável que tinha sido eleito em maio.
Rispito.com/Lusa, 06/10/2021

terça-feira, 5 de outubro de 2021

 Presidente do SINETSA exige  a organização do Sistema Nacional de Saúde  

O Presidente do Sindicato Nacional dos Enfermeiros ,Técnicos de Saúde e Afins(SINETSA) acusou  hoje o governo de falta de vontade para  melhorar  o sistema nacional de saúde.

 Ioio João Correia que falava na conferência de imprensa semanal sustentou a acusação com afirmações segundo as quais o executivo gasta milhões em viagens, que poderiam servir para comprar equipamentos sanitários e capacitar os profissionais para o melhor desempenho das suas funções.

 “A situação de saúde guineense está tão mal que nem os técnicos da área confiam no sistema. Se tivéssemos condições iamos tratar no exterior tal como fazem os sucessivos governantes durante anos”, disse.

Aquele responsável sindical disse que os governantes e o povo em geral , parecem estar mais preocupados com os “serviços minímos” nos hospitais e centros de saúde e que ninguém questiona as mortes de crianças e mulheres grávidas e das pessoas que estão a morrer de outras potologias, mais  que as que morrem por Covid-19.

“A greve já está a decorrer há quase um ano na área de saúde. Isso  demonstrar que os serviços mínimos tanto falado representa  uma gota dentro do oceano da saúde pública guineense”, referiu.

Ioio João Correia questionou se vale a pena continuar  com hospitais nas regiões sem meios de diagnósticos, que são elementos de base, exemplificando  que, se as mulheres querem fazer ecografia têm que deslocar à Bissau onde muitas das vezes não são atendidas.

Afirmou que o sistema de saúde não pode continuar a funcionar tal como tem estado a funcionar, com falta de aparelhos que “custam pouco valor”, em relação à casas dos governantes.

Ioio disse que os profissionais de saúde trabalham sem condições minímas e com grande risco de contaminação e que, em muitos casos, as pessoas infectadas ficam abandonadas à sua sorte.

“E com tudo isso, as pessoas devem continuar a morrer de boca calada sem reclamar os seus direitos só porque juraram salvar vidas” ,referiu.

João Correia revelou que, no passado dia 20 de Setermbro foram chamados no Palácio do Governo para um encontro e que o Governo prometera que, na mesma semana,  ia aprovar a Carreira Médica e todos os documentos que os profissionais de saúde estão a exigir.

Disse que  já passaram duas semanas sem que o executivo se digne a honrar  o seu compromisso.

“Temos colegas com mais de  um ano sem salário, os novos ingressos com nove meses sem receber e neste momento estão a ameaçar parar de trabalhar“,alertou .

Disse que estão a exigir  o pagamento de salários, subsidios de vela e de isolamento, aprovação dos documentos que regulam o sector  entre os quais a carreira, regulamento e código de ética tidos como pontos mais fortes.
Rispito.com/ANG/MSC/ÂC//SG, 05/10/2021

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

Diáspora guineense já pode sintonizar Televisão da Guiné-Bissau no exterior.

O diretor-geral da Televisão da Guiné-Bissau (TGB), Amadu Jamanca, disse sábado à Lusa que já é possível sintonizar o sinal da única estação de televisão no país, a partir do Canal Plus, em qualquer parte do mundo.

"Já era altura de exportar a televisão oficial da Guiné-Bissau para o mundo. A nossa diáspora já pode sintonizar a TGB no Canal Plus", declarou Jamanca, que se considera, para já, satisfeito, mas com mais objetivos para a TGB, segundo disse.

O projeto de inserção da TGB no Canal Plus, operadora privada francesa que emite o grosso dos conteúdos em sinal codificado, foi iniciado em 2014, mas só esta semana ficou concluído, assinalou Jamanca.

A partir de agora, o interessado em sintonizar a TGB, "em qualquer parte do mundo, precisa ter uma 'box' do Canal Plus e entrar no canal 318 da operadora", explicou o diretor da estação pública guineense, fundado há 34 anos, com o apoio da cooperação portuguesa.

"Todos os guineenses, sobretudo, os residentes fora do país, precisam saber o que se passa no país. A TGB está aí para dar essa informação", notou Amadu Jamanca, salientando que a Guiné-Bissau "não é apenas Bissau".

"A vantagem é que o sinal está com melhor qualidade", defendeu Jamanca que pretende agora "levar" o sinal da TGB para outros canais e plataformas de divulgação, nomeadamente no Facebook (onde já está) e 'streaming' num website em construção.

O desafio imediato de Amadu Jamanca "já está ganho", com a entrada da TGB no Canal Plus, mas o próximo será fazer com que a estação passe do sinal analógico para o digital, "para que deixe de ser única estação no espaço UEMOA (União Económica Monetária da África Ocidental) que ainda não fez essa migração".

O diretor-geral da TGB está confiante que "muito brevemente" a mudança será operada, com a ajuda do Governo guineense, frisou.
Rispito.com ANG/Lusa, 04/10/2021

 

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

Marcelo e USE na posse do novo chefe de Estado são-tomense

Os presidentes de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, e da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, são os únicos chefes de Estado, entre os 300 convidados, que vão estar, sábado, na posse do novo Presidente são-tomense, Carlos Vila Nova.

A cerimónia de posse de Carlos Vila Nova como Presidente da República de São Tomé e Príncipe tem o início previsto para as 9:00 locais (mais uma hora em Lisboa), na Assembleia Nacional (parlamento são-tomense), numa sessão solene, perante os deputados e centenas de convidados nacionais e estrangeiros.
"Nós iremos contar com convidados de seis países", revelou a diretora do gabinete de relações públicas da Assembleia Nacional, Ludmila Xavier, uma das instituições da comissão multissetorial criada para organizar a investidura do novo Presidente da República.

Entre os convidados, Ludmila Xavier destacou a presença do Presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, do Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, e do vice-presidente de Angola, Bornito de Sousa.

Ainda da comunidade lusófona, a organização tem a confirmação da presença de Cabo Verde, através do ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Figueiredo Soares, e da Guiné Equatorial, cujo representante não foi anunciado.
"Ao nível da costa africana teremos o presidente da Assembleia do Gabão", assegurou Ludmila Xavier, acrescentando que "ainda falta confirmações de alguns países".

Algumas organizações internacionais, como a Comunidade Económica dos Estados de África Central (CEEAC) e da União Europeia (UE), e representantes do corpo diplomático acreditados no país, também já confirmaram presença na investidura do novo Presidente são-tomense que será transmitida em direto pela rádio e televisão estatal.

O programa da sessão solene de tomada de posse do Presidente da República eleito prevê, além dos atos protocolares, a mensagem de saudação do presidente da Assembleia, Delfim Neves, e a mensagem de Carlos Vila Nova, após realizar o juramento enquanto Presidente da República de São Tomé e Príncipe.

O Presidente português já tinha manifestado, no dia seguinte à eleição de Vila Nova, a intenção de estar presente na cerimónia de posse de Vila Nova, durante uma conversa telefónica, na qual transmitiu ao Presidente eleito "votos de sucesso, bem como de desenvolvimento e aprofundamento das relações entre Portugal e São Tomé e Príncipe", segundo uma nova divulgada pelo Palácio de Belém.

Vila Nova será o quinto Presidente de São Tomé e Príncipe e vai suceder no cargo a Evaristo Carvalho, que não se recandidatou.

O futuro Presidente são-tomense foi eleito com o apoio do partido Ação Democrática Independente (ADI), na segunda volta das eleições presidenciais realizadas em 5 de setembro, com 57,54% dos votos, derrotando o seu adversário, Guilherme Posser da Costa, que teve 42,46% dos votos.

Após a sua eleição, Carlos Vila Nova garantiu que apenas o povo lhe poderá "dar ordens", prometendo trabalhar para acabar com o "ódio e perseguição" no país.
Rispito.com/RTP Noticias, 01/10/2021

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

Magistrados posicionam-se sobre ações contra grevistas do sector da saúde

Os magistrados do Ministério Público querem uma investigação isenta e imparcial para responsabilizar autores do boicote no sector de saúde. A reação do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público vem uma semana depois do Procurador-geral da República ter ordenado a abertura de inquéritos para apurar eventuais responsabilidades criminais de líderes sindicais do sector de saúde que alegadamente teriam incitado ao boicote que paralisou hospitais e centros de saúde do país.
O Sindicato dos Magistrados esclarece que a liberdade Sindical e Direito à Greve é um direito consagrado na Constituição da República e que o exercício dos direitos sindicais é reconhecido pela Declaração Universal dos Direitos do Homem, pelo Pacto Internacional sobre Direitos Económicos, Sociais e Culturais e pela Carta Africana dos Direitos do Homem e dos Povos.

Por isso, o Sindicato entende que, em caso da abertura de uma investigação, os actos dos Magistrados titulares dos respectivos processos sejam cobertos de isenção, imparcialidade e objetividade, responsabilizando criminalmente as individualidades que deram azo à referida situação, inclusive à luz dos crimes de responsabilidade de titulares de cargos políticos, independentemente do estatuto ou da situação do visado.

O Sindicato dos Magistrados do Ministério Público assegurou que tudo fará para defender a independência dos seus associados.

Ainda hoje, a Procuradoria-geral da República exortou aos familiares das vítimas do boicote dos serviços hospitalares para apresentarem queixas nas respectivas áreas de jurisdição, e considerou que os pacientes vítimas também devem denunciar os profissionais de saúde que lhes recusaram o atendimento.
Rispito.com/RFI, 29-09-2021