segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

PAIGC pede ao PR da Guiné-Bissau demissão do procurador-geral da República

O advogado do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) pediu hoje ao Presidente guineense, Umaro Sissoco Embaló, que demita o procurador-geral da República, Bacari Biai, a quem acusa de “ilegalidades”.

Em conferência de imprensa na sede do partido em Bissau, Carlos Pinto Pereira defendeu que Bacari Biai deve ser afastado “por não estar a trabalhar ao serviço das leis” da Guiné-Bissau.

“Ele não está a cumprir a lei e nem está a fazer cumprir a lei”, observou o advogado, citando a atuação de um magistrado do Ministério Público que “deu o dito por não dito” na apreciação de um processo judicial que supostamente envolvia o líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira.

De acordo com Carlos Pinto Pereira, o magistrado “acabou por voltar atrás” na sua decisão de fixar a medida de coação de obrigação de permanência a Simões Pereira, uma diligência que, na opinião do advogado, “devia merecer uma atitude” do procurador-geral da República.

Para o advogado do PAIGC, Bacari Biai “sabia das ilegalidades” que o magistrado estava a praticar ao decretar a medida de coação contra Domingos Simões Pereira, que “é deputado em efetividade de funções, sem o ter constituído antes suspeito e ainda sabendo que existe uma ordem do Supremo Tribunal de Justiça” que proíbe ao Ministério Público tomar aquela decisão.

 Carlos Pinto Pereira considerou que o atual procurador-geral da República deve auto afastar-se ou ser demitido de funções, pelo poder político, que o nomeou.

“Quem permitir que ele lá continue está também ele a ser cúmplice com as ilegalidades do senhor procurador-geral da República”, defendeu Pinto Pereira.

O advogado afirmou que o Ministério Público “está claramente com uma atitude persecutória” contra o PAIGC no sentido de impedir que o partido realize o seu 10.º congresso e ainda de não permitir que Domingos Simões Pereira “seja naturalmente reeleito” líder.

“O Ministério Público está ao serviço de interesses obscuros”, declarou Carlos Pinto Pereira.

Na mesma conferência de imprensa, o PAIGC denunciou alegadas situações de “ameaças e de intimidações” aos seus militantes e ainda a suposta violação da sede do partido por parte de homens armados.
Rispito.com/Lusa, 28/02/2022

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

MINISTÉRIO PÚBLICO ARQUIVA O PROCESSO CONTRA DSP

Domingos Simões Pereira exibi o documento acabada de ser produzido pela Procuradoria da republica
No despacho tornado público esta sexta-feira 25 de Fevereiro, o magistrado do Ministério Público, Fernando Mendes, que havia aplicado medida de coação de Obrigação de Permanência contra o Presidente do PAIGC, escreveu que revoga a medida de coação e que tomou esta decisão depois do requerimento interposto pelo mandatário judicial de Domingos Simões Pereira.

No documento, a Procuradoria da República junto do Tribunal de Relação, revogou ainda o despacho que declara o líder do PAIGC como suspeito no caso "resgate" com os bancos e em consequência manda arquivar os presentes autos sobre o referido processo. 

O Procurador da República, Fernando Mendes, "comunica com carácter de urgência, a Assembleia Nacional Popular e o Ministério da Administração Interna" sobre a presente decisão. 

Depois da decisão da Procurador-geral da República em aplicar Domingos Simões Pereira medida de coação consubstanciada na Obrigação de Permanência, o Parlamento guineense insurgiu-se, esta quinta-feira 24 de Fevereiro, contra a decisão, lembrando que o líder do PAIGC goza de imunidade parlamentar.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

Líder do PAIGC atribui a chefe das Forças Armadas responsabilidades pela situação

O líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, atribuiu hoje ao chefe das Forças Armadas da Guiné-Bissau, general Biagué Na Ntan, responsabilidade pela atual situação no país, alertando-o que está a ser usado.

“O principal responsável por esta situação é um homem que eu prezei muito e que durante muito tempo me tratou por sobrinho e que tinha muita estima por mim, mas que a dado passo deste percurso decidiu enveredar por outros caminhos, que se têm traduzido numa oposição ferrenha contra o nosso partido, sem entendermos qual a razão para tal”, afirmou Domingos Simões Pereira, referindo-se ao general Biagué Na N´Tan.

Salientando que conhece o general há cerca de 40 anos, Domingos Simões Pereira disse que a imagem que tem de Biagué Na Ntan é a de um homem “integro” e que “sempre esteve ao lado da legalidade e da verdade”.

“Quero dizer ao general que continuo a ser a mesma pessoa e a violência não faz parte das minhas opções de vida e muito menos os golpes de Estado”, afirmou o líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).

Domingos Simões Pereira falava aos jornalistas e a cerca de 300 apoiantes e militantes do partido, que hoje se juntaram na sede do PAIGC, em Bissau, junto à qual era visível a presença das forças de segurança.

Sobre a tentativa de golpe de Estado do passado dia 01 de fevereiro, o líder do PAIGC disse que esperava do chefe das Forças Armadas “a exigência de um inquérito rigoroso, sério, isento e competente”.

“Em vez disso, ouvimos ser ordenada a prisão de pessoas, não sabemos baseado em que indícios, casas de pessoas a serem violadas sem mandado judicial, acusações políticas transformadas em sentenças para cumprimento imediato”, disse.

“Eu escolhi fazer política para servir o meu país e estou preparado para o fazer enfrentando todos aqueles que decidiram estar no mesmo espaço, utilizando os instrumentos políticos e legais que estão ao nosso dispor”, disse o líder do PAIGC.

Mas, salientou, quando se “envolvem elementos estranhos, quando são as Forças Armadas a entrar no jogo, isso muda diametralmente o equilíbrio das forças e enviesa o jogo”.

“Razão por que temos de reconhecer que não é Sissoco Embaló que nos oprime e quer abusar, mas as forças que são postas ao seu dispor, mesmo quando em claro desrespeito e em violação flagrante da Constituição”, sublinhou, referindo-se ao Presidente guineense.

Domingos Simões Pereira justificou as suas afirmações com o facto de as forças armadas terem viabilizado a “tomada de posse simbólica” do atual chefe de Estado enquanto decorria um processo de contencioso eleitoral, considerando que é por isso que o chefe de Estado hoje não respeita as instituições, “nomeadamente a Assembleia Nacional Popular”.

Nesse sentido, o líder do PAIGC questionou o chefe das Forças Armadas sobre se está de acordo com a venda do petróleo do país sem consentimento dos guineenses, se se podem vender ilhas do país ou alugar o território para a guerra com Casamansa, região senegalesa que faz fronteira a norte com a Guiné-Bissau e que luta há décadas pela sua independência.

Domingos Simões Pereira destacou também que quando recorreu ao Supremo Tribunal de Justiça no âmbito do contencioso eleitoral das presidenciais não estava a “comprometer a democracia”, mas a “reforçar as instituições da República”.

“O que comprometeu todo o processo foi o envolvimento dos militares, que interromperam uma disputa que era salutar e importante em democracia. Hoje até a eleição de juízes envolve a força, a expulsão de uns e a instalação de outros”, disse.

“Temos de chamar a atenção do general de que pode estar a ser usado e amanhã é quem terá de responder por tudo o que aconteceu”, afirmou.
Rispito.com/Lusa, 24/02/20222

“Sinto que a minha vida está em risco e a de muitas pessoas ao meu redor” – líder do PAIGC

O líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, afirmou hoje que a sua vida, bem como de muitas pessoas ao seu redor, está em risco devido à situação que se vive na Guiné-Bissau e que a comunidade internacional está informada.

“Sinto que a minha vida está em risco assim como de muitas pessoas ao meu redor. Por isso fiz questão de levar isso ao conhecimento da comunidade internacional, não para pedir qualquer proteção, mas para os responsabilizar”, afirmou o presidente do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).

“Se algo me acontecer têm de responsabilizar Umaro Sissoco Embaló, mas também perguntar ao general (Biagué Na Ntan) o que aconteceu, pois serão os responsáveis e terão de responder por isso”, disse, referindo-se ao Presidente e ao chefe das Forçar Armadas guineenses, respetivamente.

Domingos Simões Pereira falava aos jornalistas e a cerca de 300 apoiantes e militantes do partido, que hoje se juntaram na sede do partido, em Bissau, onde era visível a presença das forças de segurança.

O líder do PAIGC disse que a informação foi passada ao secretário-geral da ONU, António Guterres, ao Presidente do Gana e presidente em exercício da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e a Angola, que assume a presidência daquela organização, à União Europeia e a outros países.

“Todos estão avisados e informados”, afirmou.

Domingos Simões Pereira disse também que se o querem prender o façam de dia com “todo o mundo a ver” e “não numa emboscada, nem no calar da noite”.

“Levem-me e deixem o povo guineense em paz, já que não querem explicar de onde provém tanto ódio e vontade de perseguição”, referiu, salientando que as suas mãos estão “limpas e imaculadas”.

O Ministério Público guineense voltou, pela terceira vez, a pedir o levantamento da imunidade parlamentar a Domingos Simões Pereira para ser ouvido no âmbito do processo Resgate, que já foi concluído e que culminou com a absolvição do arguido e em que o líder do PAIGC, segundo os advogados, constava apenas como declarante.

Este processo está relacionado com o alegado apoio financeiro por parte do Governo a instituições bancárias, mas Simões Pereira alega que o acordo para essa ajuda foi assinado em novembro de 2015, quando ele já não era primeiro-ministro, cargo que assumiu entre julho de 2014 e agosto de 2015.

Como o parlamento ainda não decidiu sobre o levantamento da imunidade parlamentar, o Ministério Público decidiu impor a medida de coação de obrigação de permanência no território, considerada já ilegal por todos os líderes parlamentares.

“Amo a minha vida e tenho muita gente que me faz querer viver longamente, mas se tiver de ficar por aqui, que seja com dignidade e elevação, nunca subjugado ao medo ou à resignação. Isso nunca será para mim, façam o que fizerem”, concluiu Domingos Simões Pereira.
Rispito.com/Lusa, 24/02/2022

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

PAIGC acusa Ministério Público da Guiné-Bissau de “incompetência” e “irresponsabilidade”

O PAIGC acusou em comunicado, o Ministério Público guineense de “incompetência e irresponsabilidade” ao aplicar uma medida de coação ao líder do partido, Domingos Simões Pereira.

“No cumprimento da agenda política do regime, o Ministério Público pôs, desta vez, a nu toda a sua incompetência e irresponsabilidade, interpretando de forma errónea e invertida o Código de Processo Penal em matéria dos requisitos para aplicação de medida de coação”, refere, em comunicado, o PAIGC, liderado por Domingos Simões Pereira.

Manifestando o seu “repúdio e indignação” ao despacho do Ministério Público, o PAIGC salienta que o “que até aqui era prenúncio de intimidação e perseguição política” para tirar a liderança do partido a Domingos Simões Pereira e impedir a realização do congresso “tornou-se uma realidade” para todos o que defendem a democracia e o Estado de Direito.

O Ministério Público guineense enviou na segunda-feira um despacho à Assembleia Nacional Popular no qual determina a imposição de medida de coação de permanência no território a Domingos Simões Pereira, por o parlamento guineense estar a demorar a responder ao pedido de levantamento de imunidade ao deputado.

O Ministério Público pediu à Assembleia Nacional Popular para “permitir” que Domingos Simões Pereira fosse “interrogado na qualidade de suspeito”, em 01 de fevereiro, no âmbito do processo denominado Resgate.

Este processo está relacionado com o alegado apoio financeiro por parte do Governo a instituições bancárias, mas Simões Pereira alega que o acordo para essa ajuda foi assinado em novembro de 2015, quando já não era primeiro-ministro, cargo que assumiu entre julho de 2014 e agosto de 2015.

A mesa da Assembleia Nacional Popular analisou terça-feira o pedido, mas falta o parecer da Comissão de Ética. A reunião da comissão permanente para analisar o assunto foi adiada por falta de quórum e por causa da falta do parecer da comissão.

O partido considera que a decisão do Ministério Público revela um “total desrespeito pela Assembleia Nacional Popular”, que “enquanto detentor da imunidade dos deputados e órgão de soberania é hierarquicamente superior ao Ministério Público”.

O PAIGC salienta também que só ao parlamento “compete levantar a imunidade, mediante a apresentação de elementos e indícios, devidamente comprovados, antes de serem deferidos pela Comissão de Ética à comissão permanente ou plenária”.

Esta é a terceira vez que o Ministério Público da Guiné-Bissau pede o levantamento da imunidade parlamentar de Domingos Simões Pereira.

A primeira vez ocorreu em 2018 e a segunda vez em julho de 2021. O parlamento guineense recusou sempre levantar a imunidade do deputado.

Em 2021, na sequência do pedido, a Comissão de Ética do parlamento decidiu unanimemente não levantar a imunidade do líder do PAIGC por falta de existência de elementos suficientes.
Rispito.com/Lusa, 23/02/2022

terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

DSP IMPEDIDO DE SAIR DO PAÍS

O Ministério Publico guineense aplicou a medida de coação, "Obrigação de Permanência" ao lider do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira, considerado-o suspeito num caso que o despacho datado de 21 de fevereiro de 2022 não fez referência. 

No mesmo despacho na posse do Capital News, assinado pelo magistrado Fernando Mendes, o Ministério Público alega que tomou a decisão, tendo em conta a "demora da Assembleia Nacional Popular (ANP) em responder o ofício de pedido de levantamento da imunidade parlamentar-do também deputado, Domingos Simões Pereira e por haver perigo que a falta da-resposta de parlamento acarreta para O sucesso da investigação

A Assembleia Nacional Popular tem em mãos, desde a semana passada, um pedido do Ministério Público, para o levantamento da imunidade parlamentar do deputado e líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, para ser ouvido naquela instância judicial. As reuniões dos órgãos do parlamento, convocadas para debater o assunto não fiveram lugar, na última semana, alegadamente por falta de quórum
Rispito.com/CNEWS, 22-02-2022


segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

Porta-voz do Governo defende que o Estado guineense é capaz de fazer inquéritos de forma “isenta, justa e transparente”

O ministro do Turismo e Artesanato e Porta-voz do Governo afirmou que o Estado da Guiné-Bissau é capaz de fazer um inquérito “isento, justo e transparente ”, sobre a tentativa de golpe de Estado ocorrida à 01 de Fevereiro.

Em entrevista exclusiva concedida hoje à Agência de Notícias da Guiné(ANG), Fernando Vaz questiona sobre em que país de ouviu dizer que peritos internacionais foram envolvidos nos inquéritos sobre um golpe de Estado ocorrido nesse país.

O líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde, Domingos Simões Pereira, defendeu recentemente a presença de peritos internacionais no inquérito “ao que realmente se passou” no ataque ao Palácio do Governo.

Em entrevista à Agência Lusa e à RFI, Domingos Simões Pereira(DSP) sugeriu a presença de elementos da DEA, agência norte-americana de combate ao tráfico de droga, e da Polícia Judiciária portuguesa, salientando que aquelas entidades sempre apoiaram as autoridades do país no combate ao narcotráfico.

Referindo-se à decisão da CEDEAO de enviar uma força de apoio à estabilização da Guiné-Bissau, que enfrente a oposição de vários partidos políticos, o Porta Voz do Governo diz que foi o líder do PAIGC quem defendeu, na altura, a vinda ao país das Forças da CEDEAO mas que hoje ele se insurgiu contra o regresso dessa Força ao país.

Fernando Vaz sublinhou que, na altura foi uma forma que o DSP encontrou para procurar um sítio para segurar.

Perguntado sobre em que pé se encontra os trabalhos de investigações sobre a tentativa de golpe de Estado, por parte da Comissão Interministerial criada para o efeito, volvidos 21 dias, aquele responsável, disse que, infelizmente, essa Comissão ainda não pronunciou nada, mas que os trabalhos estão em curso.

“Eu na qualidade de Porta Voz do Governo, não estou em condições, com os trabalhos ainda em curso, para avanaçar com qualquer informação que poderá posteriomente não vir a confirmar-se. Portanto, vamos dar mais algum tempo para que a Comissão termine os trabalhos e posteriormente tornar público os resultados”, disse.

Instado a dizer o que está a motivar tanta demora no processo, de investigação da tentativa de golpe de Estado, o Porta Voz do Governo disse dever-se ao facto de muitos suspeitos ainda estão se encontrarem à monte, acrescentando que, um processo do género só termina quando todos os suspeitos forem auscultados e escurtinadas todas as situações para que amanhã não se diga que a Comissão não fez o trabalho como deve ser.

Questionado sobre alegado envolvimento de alguns políticos na tentativa de golpe de Estado de 01 de fevereiro, Fernando Vaz disse que, até agora nenhum político foi preso.

“Não costumo comentar suposições e aquilo que se fala nos bastidores e redes sociais. Vamos esperar pela Comissão de Inquérito e se houver políticos envolvidos têm que ser presos como qualquer um, seja ele militar, civil ou não”, frisou.

Confrontado com a situação de a Comissão de Inquérito ainda não concluir os trabalhos e mas se fala, nos bastidores, das detenções de alguns militares e civis suspeitos de envolvidos na tentativa de golpe de Estado, Fernando Vaz respondeu que isso é sinónimo de que a Comissão está a trabalhar.

“Não houvesse as detenções é porque não houve tentativa de golpe de Estado. Há pessoas implicadas e outras em fuga, portanto existem outros presos para se prosseguirem com os trabalhos”, disse.

No dia 01 de Fevereiro, homens armados atacaram o Palácio do Governo da Guiné-Bissau, onde decorria um Conselho de Ministros, com a presença do Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, e do primeiro-ministro, Nuno Nabiam, e provocaram oito mortos.
ANG/ÂC//SG

Médicos guineenses recebem especialistas portugueses para formação na Guiné-Bissau

Trinta médicos guineenses iniciam este mês uma formação prática em várias especialidades ministradas por clínicos portugueses que irão estar presentes nos hospitais guineenses de S. José em Bôr, Simão Mendes e Cumura em Bissau, durante quatro meses.

A iniciativa, que conta com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, prevê que estes médicos guineenses – cerca de 8% dos existentes no país, um dos países africanos com mais carências na área da saúde – recebam formação nas áreas de anestesiologia, cirurgia geral, cirurgia ginecológica e medicina interna, contando com a parceria técnica e científica da Escola de Medicina da Universidade do Minho.

Esta primeira formação no terreno, que avança ainda este mês, será assegurada por médicos portugueses provenientes de seis instituições de saúde portuguesas: Hospital de Braga; Centro Hospitalar do Médio Ave; Centro Hospitalar Tondela-Viseu; Centro Hospitalar Universitário S. João do Porto; Hospital Nossa Sra. da Oliveira, de Guimarães e Unidade Local de Saúde do Alto Minho.

A formação em contexto hospitalar tem a duração de oito meses e é intercalada com um estágio de três meses em Portugal, “promovendo a adequação do ensino à realidade vivida no dia a dia na Guiné-Bissau, sem deixar de colocar os médicos em contacto com novas técnicas e outras realidades clínicas”, segundo um comunicado da Fundação Calouste Gulbenkian.

“Apesar de não conferir grau nem título de especialista, este projeto reforça a capacidade local de formação contínua e reconhece a competência dos clínicos guineenses, abrindo portas a futuras formações de especialização, numa articulação com a Ordem dos Médicos da Guiné-Bissau e o Ministério da Saúde Pública da Guiné-Bissau”, prossegue a nota.

Em 2021, a componente teórica da formação decorreu online, durante quatro meses, nas áreas da língua portuguesa e informática médica.

Os médicos beneficiários desta formação são apoiados por dois projetos, o “IANDA - reforço de saúde da Guiné-Bissau”, que engloba 24 médicos das áreas de anestesiologia, cirurgia geral e cirurgia ginecológica e é financiado pela União Europeia, cofinanciado e gerido pelo Camões IP, com o cofinanciamento da Fundação Gulbenkian, responsável pela sua implementação, e o projeto de Formação Médica Avançada em Medicina Interna, que engloba seis médicos e é um projeto do Camões IP e da Fundação Calouste Gulbenkian, contando ambos com a parceria técnica e científica da Escola de Medicina da Universidade do Minho.

Em 2017, a Guiné-Bissau contava com 1,27 médicos para cada 10 mil habitantes, enquanto na região subsaariana de África a média é de 2,09 médicos para 10 mil habitantes, de acordo com dados avançados pela fundação.
Rispito.com/Lusa, 21-02-2022

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

ADIADO O DEBATE SOBRE LEVANTAMENTO DA IMUNIDADE PARLAMENTAR DE DSP

A menos de um mês da realização do Congresso do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), quando o actual presidente poderá apresentar-se como candidato à sua própria sucessão, a Comissão Permanente da Assembleia Nacional Popular (ANP) da Guiné-Bissau vai debater sobre o levantamento da imunidade parlamentar de Domingos Simões Pereira (DSP). 

A reunião estava marcada para esta quinta-feira 17 de Fevereiro mas foi adiada para o dia 22, sem que os motivos tivessem sido tornados públicos. A Comissão Permanente da ANP não precisou na convocatória a matéria solicitada pelo Ministério Público (MP), mas sabe-se estará relacionado com o "Resgate", um caso de licenças a bancos comerciais em que supostamente estaria implicados os Ministérios da Economia e das Finanças. 

O PAIGC já declarou que se trata do processo de resgate dos bancos em 2015, e considera que é apenas uma forma de fazer barulho para perturbar o presidente do PAIGC. No entanto, admite- se que apenas dois assuntos podem estar por detrás dessa convocatória.

O processo de resgate dos bancos em 2015, no Governo liderado por Domingos Simões Pereira, e eventualmente as declarações proferidas pelo presidente do PAIGC no âmbito da suposta tentativa de golpe de Estado de 1 de Fevereiro último, são dois motivos que podem estar na origem da convocação do iíder politico ao MP. 

A segunda possibilidade, embora admitida, está longe de ser uma realidade, uma vez que as afimações proferidas por Domingos Simões Pereira foram no âmbito do partido.

Antes da reunião de quinta-feira, um dos deputados do MADEM, membro da Comissão Permanente da ANP, também avançou que a convocatória poderá estar relacionada com o processo ligado ao resgate dos bancos, o qual não pode ser deliberado favoravelmente ao Ministério Público, porque na sessão anterior foi dado como encerrado. 
"Apesar de toda a polémica que se viveu na altura, a Comissão de Ética deliberou que o processo não podia avançar. E o presidente decidiu encerrá-lo. De todas as maneiras, trata-se de um processo encerrado e o Ministério Público não tem qualquer legitimidade de reactivá-lo", explicou o deputado. 

Na altura dessa decisão, as bancadas parlamentares entraram em colisão, mas o PAIGC alegou a existência de factos que comprovavam uma perseguição ao seu líder. "São acções da oposição interna ao Presidente do PAIGC. Acções que visam criar a impressão externa em como ele está foragido à justiça. Mas é falso, porque a própria matéria que o MP invoca é inexistente", comentou um deputado do PAIGC. 

Na convocatória, assinada pela vice-presidente ANP, Satu Camará, consta no ponto único da convocatória da sessão do dia 17 que "Informação e Discussão sobre o pedido de levantamento da imunidade ao Deputado, Domingos Simões Pereira". 
"Querem perturbar o congresso do PAIGC. Criar um processo judicial capaz também de impedir a futura candidatura de Domingos às eleições presidenciais", referiu um analista. 

No entanto, Domingos Simões Pereira ainda não confirmou se será candidato à sua sucessão para liderança do partido.
Rispito.com/e-Global, 18-02-2022

Chefe do exército guineense ordena "busca e apreensão" de implicados nos incidentes do dia 1 de Fevereiro

Há duas semanas, várias casas em Bissau têm sido revistadas por contingentes de homens fardados e armados

O chefe de Estado-Maior General Forças Armadas da Guiné-Bissau classificou de vergonhoso que nenhum quartel tenha saído em defesa do Presidente da República no dia 1 de Fevereiro e que 17 dias depois ninguém foi detido.

As afirmações do general Biagué Na Ntan foram feitas nesta sexta-feira, 18, durante uma visita ao quartel de comando em Bissau, na qual determinou a busca dos autores dos incidentes do dia 1.

Entretanto, há duas semanas várias casas em Bissau têm sido revistadas sem mandado judicial à noite à procura de armas e pessoas.
“Busca e apreensão”, disse o chefe do exército ao se dirigir aos comandantes das Zonas Militares, na presença de jornalistas, segundo ele, com o objetivo de levar os responsáveis à justiça.

“Vim cá hoje com o objetivo de vos dar uma diretiva de comando do Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas. Não vim cá para falar de política, vim cá dar ordens para execução obrigatória. Quem não cumprir, será substituído”, afirmou o general Na Ntan, acrescentando querer saber “porque é que pessoas que juraram a bandeira da Guiné-Bissau, pessoas que recrutamos, pessoas a quem demos a farda militar, pegaram em armas para atirar contra o Presidente da República, o primeiro-ministro e membros do Governo, mas ninguém fez nada”.

O chefe do Estado-Maior General classificou de “vergonha” que os seus homens “não tenham feito nada, não tenham perseguido” os autores da alegada tentativa de golpe de Estado.
“Ainda pior, já se passaram 17 dias e essa gente não foi detida”, criticou o general que não se encontrava no país no dia 1 de Fevereiro.

Ele regressou a Bissau na segunda-feira, 14, depois de três semanas em tratamento na Espanha.

Denúncias de buscas nas últimas semanas

No entanto, como a VOA noticiou na semana passada, muitas casas de Bissau estão ser revistadas por contingente formados por cerca de 20 homens armados.

A advogada Maimuna Sila teve a casa revistada sem qualquer mandado judicial, apesar de, segundo ela, não ter “ligações com a política nem ter em mãos qualquer caso penal”.

“Homens fortemente armados, fardados, quiseram entrar em minha casa com armas, metralhadoras, pedi que não o fizessem porque estava com crianças a quem eu não queria traumatizar, felizmente anuiram, entraram três homens na minha residência, ficaram, creio, mais de 20 homens lá fora, e reviraram tudo à procura de armas e de pessoas”, contou Sila que no dia seguinte soube que “mais casas da minha rua tiveram a mesma sorte”.

A advogada garante que vai à justiça porque “isto é uma violação mais do que flagrante dos meus direitos, ainda para mais àquelas horas, e vou fazer tudo o que a lei me permitir.

Outro morador que não quis se identificar por razões de segurança também recebeu a visita de homens armados de madrugada.
“Mandaram abrir a mala, guarda-fatos, não viram nada, a minha mãe até disse que nem sequer temos catana”, diz e quando questionado se eles lhe apresentaram um mandado judicial, afirmou que disseram ser “ordens superiores”.

LGDH classifica buscas de ilegais

A Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) disse ter conhecimento da investida desses homens armados a várias residências, facto que, para o seu vice-presidente, “é totalmente ilegal”.

“Nós consideramos essas buscas como atos ilegais, atos arbitrários, essas buscas podem criar situações de insegurança para os cidadãos porque pessoas com má-fé podem aproveitar este tipo de situações para também atacarem residências privadas em nome de buscas que estão a ser efetuadas por autoridades policiais”, afirma Bubacar Turé.

No entendimento da LGDH, estas buscas “não credibilizam o próprio processo de investigação em curso sobre a tentativa ou ataque ao Palácio do Governo”.

Na altura a VOA contactou o Estado-Maior das Forças Armadas , mas não obteve qualquer reação.
Rispito.com/VOA, 18-02-2022

Forças de defesa não estiveram envolvidas no ataque do dia 01 de Fevereiro

O primeiro-ministro afirma que as forças de defesa e segurança não estiveram envolvidas na tentativa de golpe de Estado de 1 de fevereiro. Nabiam diz que a situação "está calma" e que as rusgas são um "processo normal".

"Aquilo que aconteceu não foram as nossas forças de defesa e segurança, foi um grupo de indivíduos que assaltaram o Palácio do Governo com a intenção, certamente, de fazer um golpe de Estado", disse à Lusa esta quinta-feira (17.02) o primeiro ministro da Guiné-Bissau, Nuno Gomes Nabiam.

Questionado sobre se esta situação não vai prejudicar as relações com os parceiros de cooperação e de desenvolvimento, numa altura em que várias instituições financeiras anunciaram apoios monetários para o país, o primeiro-ministro disse que o Governo está a "passar a informação para o mundo de que o país está estável".

"Voltámos a trabalhar para isso e não há nada de alarmante. Apelamos aos nossos parceiros que venham trabalhar, que continuem a fazer os seus projetos na Guiné-Bissau, porque está tudo normal", afirmou.

"Há uma confiança total"
Ainda sobre as relações entre as instituições, Nuno Gomes Nabiam lembrou que o chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, general Biagué Na Ntan, que regressou esta semana ao país, esteve na quarta-feira (16.02) a visitar as instalações do Palácio do Governo.

"A relação entre as instituições do país está no seu ponto mais alto e estamos confiantes nas forças de defesa e segurança. Foram tão corajosos, porque não sabíamos de facto quem estava a cumprir aquela missão. Vieram, resolveram os problemas", disse, salientando que foram as forças de defesa e segurança que retiraram as pessoas do Palácio do Governo e conseguiram resgatar o Presidente, Umaro Sissoco Embaló. "Há uma confiança total", afirmou.

No dia 1 de fevereiro, homens armados atacaram o Palácio do Governo da Guiné-Bissau, onde decorria um Conselho de Ministros, com a presença do Presidente da República e do primeiro-ministro e de que resultaram oito mortos.

O Presidente guineense considerou tratar-se de uma tentativa de golpe de Estado e apontou o ex-chefe da Marinha José Américo Bubo Na Tchuto, Tchamy Yala, também ex-oficial, e Papis Djemé como os principais responsáveis.

Rusgas são um "processo normal"
Nabiam afirmou que a situação no país "está calma" e que as rusgas em curso após a tentativa de golpe de Estado são um "processo normal", pedindo aos cidadãos que não fiquem assustados. 

"A situação está calma, aconteceu o aquilo que aconteceu, foi condenado a nível interno e internacional porque não há espaço para violência na democracia. Voltámos ao nosso dia a dia. O Governo está a funcionar de uma forma normal", afirmou o governante no final da reunião do Conselho de Ministros. 


O Conselho de Ministros decorreu, ao contrário do que é normal, no Palácio da Presidência, mas o primeiro-ministro explicou que a sala onde por norma decorre o encontro semanal no Palácio do Governo ainda está a ser arranjada, após o ataque. 

"De forma geral está tudo a andar, a justiça está a fazer o seu trabalho, esperamos com toda a tranquilidade que seja feita justiça e também apelamos que seja uma justiça que satisfaça todo o mundo, sem perseguições e outras situações", pediu  Nabiam. 

Golpes, uma velha prática na Guiné-Bissau
Os três homens foram presos em abril de 2013 por agentes da agência antidrogas norte-americana (DEA) a bordo de um barco em águas internacionais na costa da África Ocidental e cumpriram pena de prisão nos Estados Unidos.

Os três alegados responsáveis pela tentativa de golpe de Estado foram detidos, segundo o Presidente guineense.

Na sequência desta tentativa, a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) decidiu o envio para o país de uma força de estabilização.

A Guiné-Bissau é um dos países mais pobres do mundo, com cerca de dois terços dos 1,8 milhões de habitantes a viverem com menos de um dólar por dia, segundo a ONU.

Desde a declaração unilateral da sua independência de Portugal, em 1973, sofreu quatro golpes de Estado e várias outras tentativas que afetaram o desenvolvimento do país.
Rispito.com/DW, 18/02/2022

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

DSP: “eventualmente a Guiné-Bissau precisa de apoio, mas precisa primeiro de um diagnóstico”

Há agora um pouco mais de duas semanas, o Palácio do governo da Guiné-Bissau foi atacado por homens armados quando estava a decorrer uma reunião do Conselho de Ministros juntamente com o Presidente da República. Deste ataque que resultou em 8 mortos, pouco mais se sabe por enquanto, estando atualmente a decorrer um inquérito conduzido por uma comissão governamental.

Desde então, as forças de Defesa e Segurança começaram a efetuar buscas em residências de particulares em Bissau, referindo estar à procura de armas para prevenir eventuais novos atos violentos. Segundo organizações da sociedade civil, contudo, estas buscas têm ocasionado atropelos, agressões e detenções ilegais.

Também durante este lapso de tempo, a radio ‘Capital FM’ que é crítica em relação ao poder, foi atacada por homens armados, o balanço sendo de 7 feridos e importantes danos materiais. Este caso que foi qualificado pelo governo guineense de “ato isolado”, foi seguido por ataques contra as residências de duas figuras ligadas àquela estação, o analista Rui Landim e o ativista dos Direitos Humanos Luís Vaz Martins.

Foi neste contexto que a RFI conversou com Domingos Simões Pereira, líder do PAIGC, que Rispito.com partilha com os leitores do espaço.

RFI: Qual é a avaliação que faz da situação na Guiné-Bissau?

Domingos Simões Pereira: Num país normal e em circunstâncias normais, devíamos basear nossa avaliação em informações concretas e fidedignas que nos permitam situar-nos sobre os acontecimentos para que essa avaliação seja a mais rigorosa e se possível, até, a mais credível. A dificuldade tem a ver com o número de explicações que já se deram. Devo dizer que no dia dos próprios acontecimentos, começamos por ouvir que se tratava de um choque entre narcotraficantes, a seguir foi dito que se tratava de um grupo de oficiais militares que estavam envolvidos e finalmente –curioso- diz-se que se tratava de uma tentativa de golpe de Estado, mas que não envolvia os quartéis. Ora, um golpe de Estado que não envolve quartéis levanta muitas questões. Portanto, aquilo que esperávamos e aquilo que exigimos também a própria comunidade internacional é que se crie uma comissão de inquérito que tenha credibilidade e que tenha competência para apurar os factos e, com base nos factos, poder oferecer à nação guineense uma explicação que seja plausível.

RFI: O Presidente da República, há dias, citou os nomes de 3 antigos militares que foram condenados no passado por tráfico de droga…

Domingos Simões Pereira: Isso segue a mesma lógica, porque essa afirmação em relação a ser ‘um choque’ entre narcotraficantes foi feita no próprio dia. Qualquer cidadão normal pergunta ‘de onde é que vieram esses dados? ’. Essas pessoas foram presas no acto? Essas pessoas foram encontradas em alguma circunstância que as liga àquilo que aconteceu? Ou houve uma avaliação que levou a essa conclusão? Quando, depois, ouvimos que nada disso aconteceu, então afinal de onde é que veio essa informação? Dois dias depois, ouvimos a CEDEAO tomar uma decisão em relação ao envio de forças para o país. Só podemos admitir que se a CEDEAO toma esta decisão é porque ouviu uma explicação que foi no sentido de que a nação guineense e as estruturas responsáveis por garantir a integridade territorial estariam a ter dificuldades. Agora, como é que isso se combina? Com o facto de se dizer que as estruturas militares não participaram nesse processo. Eu também não ouvi que alguma entidade fosse demitida ou responsabilizada por ter havido 5 horas –o número foi dado pelas entidades oficiais- 5 horas de trocas de fogo dentro do palácio do governo. Sabemos que há unidades militares que distam de 200 ou 300 metros do palácio do governo e há outras nas imediações. Portanto, se nenhuma dessas entidades participou tanto no sentido da intenção do golpe, como no sentido de resolver o problema que estava a acontecer, eu penso que todos aguardávamos que houvesse alguma clarificação em relação a isso. Portanto, aquilo que dissemos à CEDEAO é que a CEDEAO tem que evitar de ser envolvida num processo onde as forças são mobilizadas por conveniência de determinadas entidades. Pensamos que deveria ser para garantir a segurança do povo guineense e para que esta situação possa ser esclarecida sem aproveitamentos políticos.

RFI: Desde então, tem havido uma série de iniciativas, nomeadamente buscas casa-a-casa em Bissau. Poderia falar sobre este especto, uma vez que o PAIGC fez um comunicado sobre este assunto?

Domingos Simões Pereira: Temos que repudiar, temos que refutar e temos que alertar a população para aquilo que isto significa. Isto significa uma tentativa de amordaçar a democracia. Isto significa utilizar a competência que o Estado tem para usar a capacidade de repressão a favor de interesses políticos porque obviamente que as pessoas que estão sendo visitadas à noite, são aquelas que o poder actual estabeleceu como alvos e que certamente isto está a acontecer para capitalizar alguma vantagem política. Isto é extraordinariamente grave. Não só é grave porque é injusto, mas é grave porque pode correr mal. E quando correr mal, vai correr mal para nós todos. A justiça não se faz com base naquilo que me é conveniente. A justiça faz-se, primeiro com base na identificação dos factos ocorridos e depois permitimos que a lei e os tribunais funcionem. Quando eu chamo a mim a competência de decidir quem fez, quando fez, como é que fez, depois fica difícil pedir que outras pessoas também não utilizem outros mecanismos para se defenderem. Até porque há outra situação que se associa. Como é que então explicamos que dias depois desse assalto no palácio do governo, haja um assalto à rádio ‘Capital FM’ e o poder vem nos dizer que não sabe e que se tratou de um “acto isolado”. Se é um acto isolado, vamos dizer que são milícias, porque se não são nem militares, nem policias, mas que estavam armados, então era uma milícia. Se no próprio palácio do governo, não se tratou nem de militares, nem de policias, então eram também milícias. A questão é: quem é que tem milícias neste país? Estou a falar da radio ‘Capital FM’, mas não aconteceu só na rádio ‘Capital’. Tivemos os ditos comentadores políticos que foram visitados à noite, foram agredidos e vimos a forma absolutamente irresponsável como o poder reagiu a estas situações. Não sabemos de quem é que se trata. O próprio poder admite a existência dessas milícias que andam pelo interior das nossas cidades para violentarem aqueles que estão previamente assinalados com alvos dessa intervenção.

RFI: Relativamente às circunstancias em que a CEDEAO recomendou o envio de uma força de estabilização à Guiné-Bissau, o Primeiro-ministro afirma que a CEDEAO não foi solicitada pelo executivo neste sentido. A seu ver, como é que surge esta decisão?

Domingos Simões Pereira: A CEDEAO, enquanto organismo sub-regional devia ser uma entidade perfeitamente alinhada com o nosso edifício jurídico. E portanto, ao ouvir o relato de uma instância, porque aquilo que os órgãos de comunicação transmitiram era a ministra dos Negócios Estrangeiros que tinha representado o país a fazer essa apresentação, e portanto todos deduzimos que o governo tinha feito uma apresentação e solicitado a mobilização de uma força de estabilização. Se o primeiro-ministro vem dizer que isto não aconteceu, ainda estamos mais perdidos. Segunda coisa é que, mesmo que tivesse havido essa tal informação, a CEDEAO sabe que tem que contactar os órgãos de soberania, nomeadamente a Assembleia Nacional Popular, para se assegurar que ela está alinhada e que há um pedido formal das entidades públicas e politicas guineenses nesse sentido. Porque senão é aquilo que já falei noutros momentos. É que toda esta turbulência acontece não só depois da tal remodelação governamental, mas também acontece numa altura em que se começou por falar num acordo para a exploração de petróleo que ‘afinal não existia, mas afinal existia’, que a Assembleia Nacional Popular decidiu anular e que ouvimos outras entidades dizerem que tinham competência para ir para a frente, ignorando a posição da Assembleia Nacional Popular. A seguir a isso, o que é que tivemos? Uma demonstração de força. Apareceram militares em aguas territoriais da Guiné-Bissau a fazerem exercícios. Quando a Assembleia Nacional Popular questionou que militares eram esses e porquê esses exercícios militares em aguas territoriais da Guiné-Bissau, a primeira informação oficial era de que se tratava de um exercício da CEDEAO, que afinal tinha acontecido há mais de um ano. Como é que militares da CEDEAO fazem exercícios militares em aguas territoriais da Guiné-Bissau, incluindo uma única nacionalidade? A CEDEAO é composta por muitas nacionalidades. Eles tentam dizer que ‘cá está o PAIGC outra vez a levantar muitas questões’, mas essas questões são mais do que pertinentes, são um alerta à sociedade guineense.

RFI: A seu ver, qual é o cenário mais plausível se efetivamente se concretizar a vinda das tropas da CEDEAO?

Domingos Simões Pereira: Eu penso –e espero-  que o cenário que se deve concretizar é a CEDEAO ganhar consciência da sensibilidade do assunto. Eventualmente a Guiné-Bissau precisa de apoio, mas como qualquer doente precisa primeiro de um diagnóstico e, em função desse diagnóstico, poder-se analisar. Nós, o PAIGC e todos os partidos que fazem parte do nosso espaço de concertação democrática, fizemos questão de alertar o secretário geral das Nações Unidas, fizemos questão de alertar o presidente em exercício da CEDEAO, o presidente em exercício da conferencia de chefes de Estado da CPLP, pessoalmente falei com o representante do secretário geral das Nações Unidas. Todos têm conhecimento da nossa leitura daquilo que está a acontecer na Guiné-Bissau e, portanto, diretamente são também responsáveis por qualquer decisão que seja tomada e que tenha eventualmente implicações não mais positivas.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

BIAGUE NA N'TAM DISSE QUE 01 DE FEVERIRO FOI PREPARADO HÁ MUITO TEMPO

Depois dos rumores da sua morte e da tentativa de golpe de Estado, o chefe de Estado Maior General das Forças Armadas , Biaguê Na N'tan regressou, esta terça-feira (15.02), ao país depois de várias semanas em controlo médico em Espanha. 
Em declarações aos jornalistas, o chefe de Estado Maior falou do ataque ao Palácio do Governo, no passado 01 de fevereiro.
"Não tinha duvidas de que esta situação, esta que aconteceu na minha ausência, podia acontecer algum dia. 

O senhor jornalista sabe que, no passado, prendemos alguns dos nossos colegas [militares] e os levamos ao tribunal [militar]. Não foram liberados? 
Foram duas vezes, levamos as pessoas ao tribunal e dissemos que não estavam na linha que queríamos. 

Mas disseram que era mentira e calúnia contra os detidos. Disseram que como não me mataram, não havia provas, mas se me tivessem matado seriam julgados. Foram as mesmas pessoas que protagonizaram este ato [de 01 de fevereiro]. 

Sabiam que General Biaguê [Na N'tan] não estaria no pais, inventaram que morri para originar esta situação. Isto não é um caso novo, foi preparado há muito tempo, com o objetivo de desestabilizar a Guiné-Bissau e foi o que fizeram", disse no Aeroporto Internacional Osvaldo Vieira

Em relação aos rumores de que teria morrido o chefe de Estado Maior General das Forças Armadas não os deixou passar em claro "Sai do pais para o controlo de vista em Barcelona (Espanha). Um dia depois de chegar a Espanha, tive a informação de que eu tinha morrido. 

Mas o que posso dizer é que esses boatos a mim não me preocupam, porque eu nasci e unm dia, como Deus me trouxe, vai me levar para onde sai. 

Mas a minha maior preocupação é a paz para a Guiné-Bissau, não me preocupo com a minha [eventual] morte", começou por dizer no Aeroporto Internacional Osvaldo Vieira De forma serena, Biaguê Na N'tan convidou os guineenses a desistirem da violência porque esta nãe é solução para a Guiné-Bissau, numa alusão à tentativa do golpe de estado de 01 de fevereiro.
Rispito.com/CKNEWS, 16-02-2022

terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

IDRIÇA DJALÓ QUER INQUÉRITO INDIPENDENTE SOBRE ATAQUE AO PALÁCIO DO GOVERNO

O líder de Partido de Unidade Nacional (PUN), Idriça Djaló, exigiu um inquérito independente, transparente e isento sobre o ataque do Palácio do Governo no dia 01 de Fevereiro

Idriça Djaló, que falava esta terça-feira 15 de Fevereiro durante uma conferência de imprensa, disse condenar o ato. "Condenamos a utilização, mais uma vez, de violência na vida política guineense", referiu o líder do PUN, que disse já ter proposto ao Presidente da República e a toda classe política para que "esta tragédia" seja aproveitada no sentido de se sentar a mesma mesa, com vista a discutir os problemas da Guiné-Bissau. 

"É que na verdade somos grandes especialistas em criar violência e autodestruição. Mas, o mais importante na democracia é a capacidade do diálogo, sobre o qual não estamos ainda à altura", vincou Idriça Djaló. 

Para o presidente do Partido de Unidade Nacional é preciso mudar a cultura política, escolher o diálogo e a capacidade de construir compromissos como forma de gerir os problemas. Idriça Djaló defendeu ainda que há um problema sério na Guiné-Bissau. 
"Durante anos, desde o início da liberalização política, nem os partidos com maiorias absolutas conseguiram governar pacificamente. 

Quer dizer que há um problema de fundo na Guiné-Bissau, agravados com narrativas étnicas e religiosas", vincou. Por isso, o líder do PUN convida os actores políticos para um debate público. 

O Partido de Unidade Nacional (PUN) é uma formação extraparlamentar, mas que tem surgido com várias propostas para ultrapassar as constantes situações de instabilidade na Guiné-Bissau. 

Uma das propostas sobre a qual não reuniu ainda o consenso entre os atores políticos guineenses está relacionada com "Estados Gerais sobre a Guiné Bissau".
Rispito.com/e-Global, 15-02-2022

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

PAIGC adia congresso

O Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) anunciou hoje que decidiu adiar a realização do seu décimo congresso, segundo um comunicado da comissão permanente, que propõe que seja feito em março.

O congresso do partido deveria decorrer a partir entre 17 e 20 de fevereiro.

A decisão foi tomada na sequência de uma reunião da comissão permanente, realizada no sábado, sob presidência do líder do partido, Domingos Simões Pereira, para analisar a situação política do país e os preparativos do X congresso.

O comunicado da comissão permanente condena o que “considera ser a intromissão indevida da Presidência da República e do Governo nos assuntos internos do PAIGC, através de manobras encapotadas para dificultar” a realização do congresso.

A comissão permanente refere também que decide “acatar as medidas restritivas impostas pelo estado de alerta contra a pandemia da covid-19 e adiar a data da realização do congresso”.

A comissão permanente propõe a convocação do congresso para 10, 11, 12 e 13 de março.
Rispito.com/Lusa, 14/02/2022

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

Sissoco Embaló acusa três narcotraficantes de tentativa de golpe em Bissau

O Presidente da Guiné-Bissau acusou o ex-chefe da Marinha Bubo Na Tchuto e outros dois homens - condenados nos EUA por tráfico de droga -, de serem os responsáveis pelo ataque ao Palácio do Governo, a 1 de fevereiro.
O Presidente da Guiné-Bissau acusou esta quinta-feira (10.02) um ex-chefe da Marinha e outros dois homens, detidos no passado pela agência antidrogas norte-americana (DEA), de serem responsáveis pela tentativa de golpe de Estado, a 1 de fevereiro. 

Umaro Sissoco Embaló citou à imprensa os nomes do ex-contra-almirante José Américo Bubo Na Tchuto, líder da Marinha na primeira década dos anos de 2000, Tchamy Yala, também ex-oficial, e Papis Djemé. 

Os três acusados foram detidos após os acontecimentos da semana passada, segundo o chefe de Estado guineense.

"Não estou a dizer que são os políticos que estão por trás disto, mas a mão que carrega as armas é de pessoas ligadas aos grandes cartéis de drogas", disse Umaro Sissoco Embaló.

O Presidente da Guiné-Bissau lembrou que todos os três homens tiveram problemas com a justiça norte-americana.

Regresso a Bissau após condenações nos EUA
Os homens foram presos em abril de 2013 por agentes da DEA a bordo de um barco em águas internacionais na costa da África Ocidental.

De acordo com a justiça norte-americana, os agora acusados tinham negociado, nos meses anteriores à detenção, com investigadores norte-americanos que se faziam passar por representantes de narcotraficantes sul-americanos, a importação para a Guiné-Bissau de cocaína que seria depois distribuída pela América do Norte e pela Europa.

José Américo Bubo Na Tchuto foi assinalado como traficante de droga pelo Tesouro dos Estados Unidos, tendo sido condenado em 2016 a quatro anos de prisão em Nova Iorque. Já Tchamy Yala e Papis Djemé foram condenados em 2014, também em Nova Iorque, a cinco e seis anos e meio de prisão, respetivamente. Desde então, regressaram à Guiné-Bissau.

No dia 1 de fevereiro, homens armados atacaram o Palácio do Governo da Guiné-Bissau, onde decorria um Conselho de Ministros, com a presença do Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, e do primeiro-ministro, Nuno Nabiam, e de que resultaram oito mortos. O Presidente considerou tratar-se de uma tentativa de golpe de Estado que poderá também estar ligada a "gente relacionada com o tráfico de droga".
Rispito.com/DW, 11-02-2022

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

Novo Fórum de Partidos Políticos e Movimentos apela recurso das urnas para alcançar o poder

O Fôrum de Partidos, Personalidades e Movimentos contra a tentativa de golpe de Estado de 01 de Fevereiro, apela a todas as forças políticas da Nação à se enveredarem pelo caminho das urnas como única via para alcançar o poder, em eleições democráticas, livres, justas e transparentes.

“Como na política nada acontece por acaso, estamos a crer que o grupo de homens armados envolvidos no assalto falhado, no dia 01 de fevereiro, estarão à soldo da causas e de pessoas que, a seu tempo, a justiça guineense esclarecerá e responsabilizará”, sublinhou o Forum em comunicado lido numa conferência de Imprensa pelo Porta-voz do grupo, Vitor Pereira.

Os partidos, personalidades e movimentos integrantes desse Fôrum crêem que há espaços e pontes suficientemente disponíveis para que se estabeleçam diálogos construtivos e que são as únicas vias legítimas para se alcançar a paz que o nosso Povo guineense.

O Fórum recomenda que se as instituições repúblicanas previstas na Constituição não forem suficentes, que criem canais e alternativas credíveis e sérias onde os guineenses possam livremente discutir o seu destino comum.

Segundo comunicado, o Fôrum diz estar atento “às mentiras” que têm constituído a narrativa do PAIGC relativamente à esta crise, escudando-se na eventual vinda de uma força de estabilização para o país.

Acrescenta que o PAIGC é agora contra uma matéria de exclusiva competência dos órgãos da soberania, quando num passado recente, era o partido que mais defendia, politizava e utilizava essa questão ao seu favor.

O Fôrum felicita a recente cimeira dos Chefes de Estados e do Governo da Comunidade Económica dos Estados da Ár«frica Ocidental(CEDEAO), na qual foi recomendada a eventual vinda de uma força de estabilização ao país.

Constituem o recém criado Fôrum de Partidos, Personalidades e Movimentos contra Tentativa de Golpe de Estado de 01 de Fevereiro, os partidos - Movimento para Alternância Democrática(Madem G15), Partido da Renovação Social(PRS), Assembleia do Povo Unido(APU-PDGGB, Partido da Nova Democracia(PND), Resistência da Guiné-Bissau(RGB) alguns Movimentos e Personalidades nacionais.
Rispito.comANG/ÂC//SG, 10/02/2022

Repórteres Sem Fronteiras condenam ataque à Rádio Capital

"A Repórteres Sem Fronteiras condena veementemente o ataque à rádio privada Capital FM por homens armados encapuzados que feriram várias pessoas na segunda-feira", pode ler-se num comunicado divulgado na sua página na Internet.

A organização não-governamental pede também às "autoridades que identifiquem os autores [do ataque] o mais rápido possível".

O ataque à Rádio Capital aconteceu quase uma semana depois de uma tentativa de golpe de Estado, em que morreram oito pessoas.

Pelo menos sete pessoas, entre jornalistas, técnicos e pessoal administrativo, ficaram com ferimentos na sequência do ataque às instalações da rádio.

A presidente do Sindicato de Jornalistas da Guiné-Bissau disse que há uma ameaça ao exercício do jornalismo e pediu à comunidade internacional para "dar a cara" e apoiar o país e os profissionais da comunicação social.

"Acontecem factos à luz do dia. Pessoas encapuzadas com armas entrarem numa estação mostra que estamos perante um perigo, há uma ameaça clara ao exercício livre e independente do jornalismo na Guiné-Bissau, mostra que há uma campanha contra a liberdade de imprensa e de expressão", afirmou Indira Correia Baldé.

Na segunda-feira, o Sindicato dos Jornalistas (SJ) português apelou "à investigação e responsabilização dos autores do atentado contra a Rádio Capital FM" e lembrou que "um ataque a um órgão de comunicação social é um ataque à liberdade de imprensa, tida como um dos pilares da democracia em qualquer nação que escolha este regime de organização política, como é o caso da Guiné-Bissau".
Rispito.com/Lusa, 10/02/02022

 




segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

 


Rádio Capital FM sofre novo ataque destruidor

A Rádio Capital FM foi esta segunda- feira objecto de novos ataques de homens armados que destruiram os equipamentos encontrados na redação, e provocado ferimentos em alguns jornalistas e técnicos.

Segundo a Rádio Sol Mansi que cita Mustafá Queita, administrador dessa rádio , um grupo de homens armados com fardamento militar insurgiu na rádio e fez disparos contra os computadores, os estudos e emissores, deixando esses equipamentos completamente danificados.

A invasão provocou pânico e na tentativa de fuga três profissionais desta estação emissora sofreram ferimentos que necessitaram de assistência médica.

Contatado pela ANG,Sumba Nansil, jornalista e diretor executivo da CFM não avançou mais permonores sobre o ataque mas prometeu falar mais tarde quando recolher mais informações sobre o sucedido.

A ANG falou igualmente com um dos jornalistas da Rádio Capital, Ansumane Sow que confirmou ter ficado ferido, em consequência desse ataque.

A 26 de julho de 2020, homens armados não identificados e com uniformes da Guarda Nacional da Guiné-Bissau atacaram as instalações da Rádio Capital FM e destruíram os equipamentos de transmissão.

A Capital FM tem sido, no período da manhã, a líder da audiência com a apresentação do seu programa “Frequência Activa”, atravês da qual os seus ouvintes, na maioria das vezes, fazem “criticas ousadas” contra o Presidente da República e membros do actual Governo.

O vice-presidente do Sindicato Nacional de jornalistas e Técnicos da Comunicação Social para o sector público, Fátima Tchuma Camará considerou inadmissível os ataques com arma de fogo contra a Rádio Capital FM registados esta, segunda-feira, em Bissau.


Segundo Thuma Camará, o ataque visa fazer calar os órgãos de comunicação social, o que, segundo diz, não será possivel porque o nível da “ação-cidadã” existente no país já permite que todos conheçam os seus direitos e deveres”

“Se se fizer calar  esta rádio outras vão continuar a emitir.Hoje em dia já não há quem não tenha a consciência dos seus direitos e deveres enquanto cidadão”, sustentou.

Disse  que o assalto e destruição da rádio não podem fazer as pessoas calarem-se. “Se Deus quiser esta rádio vai ser erguida e voltará a estar em funcionamento”, disse.

Tchuma renovou o apelo aos órgãos de comunicação social de informar, educar e sensinbilizar as populações, pediu que o exercício da profissão fosse de acordo com as leis que o  regulamentam, observando o princípio do contraditório.

Tchuma Camará, jornalista sénior da Rádiodifusão nacional e Correspondente da RDP/África pede a quem  se sentir lezado com  a imprensa  que recorra a justiça.

O ataque desta segunda-feira, perpetrado por homens armados e com uniforme militar provocou a destruição de emissores e computadores da estação que emite criticas mais ousadas  contra  decisões e atuações do Presidente  da República e do governo , através do Programa matinal “Frequência Activa” ,em que os ouvintes são convidados a opinar sobre a vida política e social da Guiné-Bissau, iniciativa que alguns observadores consideram de   exercício de liberdade de expressão.

“Esta rádio dá voz aos que não têm voz”, disse Fátima Tchuma Camará, vice-presidente do Sindicato dos Jornalistas e Técnicos da Comunicação Social para o setor público.

A mesma rádio foi, há dois anos, objecto de ataque destruidor por um grupo de homens fardados, e deixou de emitir  por algum tempo. O caso está na justiça mas os “atacantes” ainda não foram descobertos.
Rispito/ANG/ÂC//SG, 07/02/2022